CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ROBERTO CARLOS NA LITERATURA DE CORDEL CARTA DO SATANÁS A ROBERTO CARLOS

 

Fonte: Blog Acorda Cordel na Sala de Aula: acordacordel.blogspot.com

           Desde meados da década de 1960 que a Literatura de Cordel enfoca ROBERTO CARLOS como um de seus personagens favoritos. Conheço dezenas de folhetos onde o Rei aparece de forma engraçada e caricatural. Aliás, este assunto já foi postado aqui mesmo, com a reprodução de um excelente artigo do poeta e pesquisador baiano Marco Haurelio. Hoje, dia 19 de abril, data em que ele faz 70 anos, vamos reproduzir trechos de um desses folhetos, clássico do catálogo da editora LUZEIRO, de São Paulo. "Quero que vá tudo por Inferno" fez tanto sucesso, que além de tocar no carnaval do ano seguinte (1966) serviu de tema para Enéias Tavares Santos escrever em literatura de Cordel a "Carta do Satanás a Roberto Carlos"

Enéias Tavares Santos
Carta do Satanás a Roberto Carlos

Roberto Carlos cantando,
Esse seu disco moderno,
Aonde diz que alguém venha,
Aquecê-lo "neste inverno",
E depois dele aquecido,
"Tudo o mais vá pro inferno".

Há poucos dias, por isso,
Uma carta recebeu.
Que o Satanás lhe mandou,
Com medo do disco seu,
Vamos saber na missiva,
O que foi que ele escreveu:

-"Inferno, côrte das trevas,
Meu grande amigo Roberto,
Eu vi o seu novo disco
É muito bonito, é certo,
Mas cumprindo a sua ordem,
O mundo fica deserto.

Porque você está mandando
Todo o mundo para aqui,
Se esse povo vier todo,
O que é que fica aí ?
Será o maior deserto
Que eu fico vendo daqui.

Homem que bate em mulher
Tem para mais de um milhão,
Mais duzentos mil tarados,
(Entre rapaz e ancião),
Setecentos mil ladrões
Tem num pequeno galpão.

E quanto mais você canta
Ainda mais gente vem,
Só de moça depravada
Ontem chegou mil e cem,
Aqui já está de uma forma
Que não cabe mais ninguém.

Você diz que não suporta
Ela longe de você,
Eu que vou suportar
Tanta gente aqui, por que?
Que fique tudo lá mesmo
Cantando o seu ABC.

O sofrer aqui é tanto
Que estou de boca amarga
E breve o meu inferno
Faço uma porta tão larga
Que encho o mundo de diabos
Com a primeira descarga.

Aqui não tem mais lugar
Nem mesmo para um ateu,
O meu enorme fichário
Esta semana se encheu,
Os apêrtos deste inferno
Quem sabe mesmo sou eu.

(...)
De batedor de carteira,
Ninguém pode mais somar,
Ladrão de galinha é tanto
Que não se pode contar
É um por cima do outro
E eu sem jeito para dar...

Filhos desobedientes
Que não respeitam seus pais,
Vive tudo amontoado
Dando suspiros e ais,
Com todos os quartos cheios,
Não tem onde botar mais.

E soldados que na feira
Aborrecem o folheteiro
Querendo cobrar imposto,
Lá no porão derradeiro,
Tem tantos que já estão
Exalando até mau cheiro.

Moça que vai para a rua
À noite depois da janta
E volta de madrugada,
No inferno já tem tanta
Que se eu for dizer o número,
Muita gente aí se espanta!

Poeta plagiador,
Também já tem um bocado,
E também dono de venda
Que vende charque molhado,
Aqui dentro do inferno,
Vive tudo amontoado.

(...)

PARA CONHECER A ÍNTEGRA DESSE FOLHETO, PROCURE ADQUIRIR O LIVRETO QUE É PUBLICADO E VENDIDO PELA EDITORA LUZEIRO.

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