CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

JOSÉ BERNARDO DA SILVA - POETA E EDITOR DE CORDEL

Fonte: http://jcaurora.blogspot.com/  Blog do JOSE CÍCERO

JOSÉ BERNARDO DA SILVA: POETA, EDITOR E “EDUCADOR”

Em artigo publicado no JORNAL DA PARAÍBA, o poeta e jornalista Manoel Monteiro enaltece a figura de Manoel Camilo dos Santos, grande editor e poeta popular paraibano, pela sua inestimável contribuição ao povo nordestino como educador, um “mestre-escola incansável”, no dizer de Monteiro, já que a poesia popular tem, dentre outras qualidades, a de ensinar o povo a ler. E o poeta vai mais além: “Estamos cortando a fita do terceiro milênio com cerca de 40% de desletradados e, se esse número não é maior, graças se dê ao Professor Folheto.”

Se Manoel Camilo e tantos outros menestréis nordestinos tiveram essa qualidade admirável de semear as letras num país de analfabetos como o Nordeste, o que dizer então da grande figura que foi JOSÉ BERNARDO DA SILVA, o maior editor de Literatura de Cordel durante as décadas de 40, 50 e 60. Mesmo com o seu falecimento em 1971, a Lira Nordestina (nome que ganhou a sua casa editorial – a Tipografia São Francisco - por sugestão do poeta Patativa do Assaré) continuou esse trabalho até meados da década de 80.

Depois que este maravilhoso acervo foi vendido ao Governo do Estado, resta apenas uma tênue lembrança do que já foi a nossa Lira, graças a dedicação do já falecido Expedito Sebastião da Silva e do xilógrafo José Lourenço Gonzaga, que tem metade de sua existência dedicada a velha tipografia.Entretanto, os méritos de José Bernardo da Silva como difusor dessa grande manifestação cultural nordestina e seu trabalho como “educador” de massas através da cartilha mágica que são os folhetos, ainda não foram de fato reconhecidos em Juazeiro do Norte, terra o poeta exerceu toda a sua atividade nessa área. Agora em 2001, surge uma grande oportunidade para lhe prestar a gratidão devida, uma vez que este ano marcará o seu centenário de nascimento.

José Bernardo da Silva nasceu em Alagoas a 2 de novembro de 1901. Filho de pequeno sitiante, segundo apuraram os mais acreditados pesquisadores da Literatura de Cordel, emigrou com seu pai na seca de 1915 para Pernambuco, instalando-se inicialmente na cidade de Vitória do Santo Antão, onde trabalhava na lavoura. Em 1924, casa-se com Ana Vicência de Arruda e Silva.

Veio pela primeira vez ao Juazeiro do Norte em 1926, numa romaria, percorrendo todo o trajeto a pé em companhia da mulher e da filha mais velha. Chegando na Meca do Cariri, travou conhecimento com o grande Patriarca do Juazeiro e resolveu fixar-se na cidade, onde começou a trabalhar como vendedor ambulante de raízes e outros produtos medicinais usados pelo povo.

Notando o interesse dos romeiros pela poesia popular, começou a vender os primeiros folhetos, seus e de outros autores, no final daquela década.Padre Cícero era um grande incentivador dos poetas cordelistas, conforme atestava João de Cristo Rei e outros vates que tiveram a graça de conhecer “meu padrinho”. Em suas constantes viagens ao Recife, José Bernardo adquiria folhetos editados por João Martins de Athayde, de quem acabaria se tornando o maior revendedor (ou agente), como eram chamados os folheteiros. Até 1936, José Bernardo editava seus folhetos na gráfica do Bispo do Crato.

Naquele ano, a conselho do mesmo, adquiriu sua primeira máquina – uma rudimentar impressora de pedal – que foi paga parceladamente.Começa então sua atividade editorial, que alcançaria o apogeu em 1949, quando João Martins de Athayde encerrou as atividades de sua editora e vendeu todo o acervo da mesma a José Bernardo, inclusive a obra do grande poeta Leandro Gomes de Barros, cujos direitos autorais pertenciam a Athayde.

Nos anos 50, Juazeiro do Norte publicava os maiores clássicos do cordel: Pavão Mysterioso, Alonso e Marina, Juvenal e o Dragão, Cancão de Fogo, João Grilo, Donzela Teodora e outras estórias que faziam parte do acervo comprado legalmente por José Bernardo.

Segundo afirma o pesquisador Liêdo Maranhão, a atividade dos xilógrafos de Juazeiro, hoje reconhecida mundialmente, começou graças ao incentivo de José Bernardo, que encomendou os primeiros “tacos” ao Mestre Noza, Antônio Relojoeiro, Mestre Noza, Damásio Paulo, entre outros. Hoje, o mais famoso xilógrafo de Juazeiro do Norte é neto do poeta.

Trata-se da admirável figura de Stênio Diniz, um artista cuja obra já percorreu meio mundo e é admirada em museus e universidades da Europa.

É este José Bernardo da Silva, alagoano, romeiro de “meu padrim”, que Juazeiro do Norte deve homenagear em 2001, pelo seu imenso legado prestado a cultura popular nordestina. Só a sua atividade como “educador” já seria suficiente para o poeta obter o reconhecimento das autoridades do Cariri e por conseguinte de todo o Nordeste. Sim, pois não é pretensão afirmar que seus folhetos foram responsáveis diretos pela alfabetização de milhares de nordestinos.

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Por: Arievaldo Viana

Texto escrito em 2001, por ocasião do CENTENÁRIO de nascimento do poeta JOSÉ BERNARDO DA SILVA
Fonte:
www.flofao.com.br

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Um comentário:

  1. Caro poeta BELIZÁRIO. Stênio Diniz esteve recentemente em minha casa, na Caucaia-CE, e contou muitos causos do velho JOSÉ BERNARDO DA SILVA. Demos boas risadas. Obrigado pela postagem.

    VISITE: www.acordacordel.blogspot.com

    ARIEVALDO VIANA (Cancão de Fogo)

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