CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sexta-feira, 26 de março de 2010

POÉTICA DO CORDEL: QUADRA E SEXTILHA



Quadra



        Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros.

        A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (2)
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá (4).


       Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz: (ABAB ou ABBA)


E nesta constante lida
Na luta de vida e morte
O sertão é a própria vida
Do sertanejo do Norte
Três muié, três irimã,
Três cachorra da mulesta
Eu vi nun dia de festa
No lugar Puxinanã.


 Sextilha


       É a mais conhecida. Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:

Quem inventou esse "S"
Com que se escreve saudade
Foi o mesmo que inventou
O "F" da falsidade
E o mesmo que fez o "I"
Da minha infelicidade

5 comentários:

  1. Eu tinha um trabalho sobre Cordel para fazer e não estava conseguindo encontrar nada que fosse claro o suficiente para que eu pudesse entender a estrutura de um cordel. Mas vocês conseguiram sanar as minha dúvidas. Obrigada e parabéns pelo trabalho!

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  2. Há pouco tempo decorreu na Biblioteca Nacional em Lisboa uma exposição sobre literatura de cordel brasileira. Foi muito interessante descobrir essa fonte inesgotável da cultura popular do Brasil, com temática muito variada e que me deixou curioso em conhecê-la mais profundamente! Obrigado pelo vosso contributo.
    Rui Alves, Lisboa

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  3. não ficou muito claro para mim mais deu para entender e eu consegui fazer o meu trabalho..........parabéns

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  4. Bom ouvir/ler estes comentários: uns com dúvidas, outros com certeza! Mas o mais importante: todos falando do nosso Cordel! Nosso Gênero poético mais inclusivo.

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