CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ALUNOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UERN PRODUZIRAM DOCUMENTÁRIO SOBRE A VIDA DO CANGACEIRO ROMÂNTICO JESUÍNO BRILHANTE

patunews.com.br

Alunos de Comunicação Social produzem documentário acerca de um dos mais importantes representantes do cangaço, Jesuíno Brilhante

Um cangaceiro diferente.

Diferente também quando relacionado à cultura popular e à literatura de cordel. Encarado como um Robin Hood do sertão, Jesuíno Brilhante ganha um documentário sobre sua história.

De acordo com Stênio Urbano, ex-aluno do curso de Comunicação Social da Uern, a ideia se deu através de uma disciplina, Agência Experimental. "Em relação às etapas de escolha da temática, sugeri ao meu grupo para que fizéssemos sobre o cangaço, mais especificamente Jesuíno Brilhante, conhecido como o cangaceiro romântico", diz.

Inicialmente o grupo encontrou em contato com a prefeitura do município de Patu (um dos muitos lugares porque passou o cangaceiro). "A Secretaria de Turismo e de Educação daquele município nos auxiliou nas etapas em que conhecemos os entrevistados. Fizemos uma triagem de quem poderia participar do doc. Realizamos cinco visitas a cidade de Patu, conhecendo os locais onde Jesuíno morou, a casa de pedra, o sítio, personagens e familiares dos Limões, família rival a dos Brilhantes", comenta. "Para a fonte de nossas pesquisas foi de fundamental importância a narração de Kydelmir Dantas, grande estudioso do cangaço brasileiro e de Estanislau, que me foge agora seu sobrenome, mas que é da família dos Limões e reside em Mossoró", frisa.

"Jesuíno nascera e morrera no Império: 1839 e 1888. À época o sertão era esquecido pelas autoridades nacionais, havia muito apadrinhamento, coronelismo, o Nordeste era uma parte esquecida do Brasil. Jesuíno era de família tradicional, os Brilhantes. Era uma família abastarda e era muito invejada por não depender da classe política local. Há algumas versões para a entrada de Jesuíno no cangaço, uma delas é uma história de uma cabra de foi roubada de sua propriedade, pelos negros Limões. Um irmão de Jesuíno teria ido tomar satisfação do roubo dessa cabra e teria levado uma surra de um tal Preto Limão, daí nasce a intriga entre Brilhantes e Limões. Jesuíno, ao saber que o irmão havia apanhado desse Preto, teria o matado e, assim, começado a matança entre as famílias, muita típica à época pelo sertão nordestino. O perfil de Jesuíno era de um 'homem bom', segundo se conta. Ele não aceitava desordem. Raimundo Nonato conta que esse 'romântico' no nome de Jesuíno veio porque ele obrigava os 'sinhorzinhos' que mexiam com as moças a se cassarem à força com elas. A história de Jesuíno se destaca pelo fato de ter lutado contra as forças políticas locais e nacionais, sem nunca ter perdido uma, até uma emboscada no Riacho dos Porcos, na Paraíba", esclarece Stênio.

JESUÍNO E LAMPIÃO - Segundo Stênio, as histórias de Lampião e Jesuíno diferem muito. "Lampião fora um ultraje, era amigo de fazendeiros, de 'coronéis'. Lampião saqueava, roubava para o seu bel-prazer. Jesuíno, não. Era de uma família tradicional, entrou no cangaço por questões de briga entre famílias e por perseguição política. Jesuíno era, sim, o Hobbin Hood do sertão. São conhecidas as histórias em que ele saqueava os comboios do governo para distribuir com os maios pobres do sertão. Sabe-se que naquele tempo havia muito apadrinhamento político, e esses comboios que vinham para serem distribuídos para os mais necessitados ficavam nas mãos dos menos necessitados, e Jesuíno não aceitava isso e passou a atacar e roubar o governo. O cangaço de Lampião foi diferente do de Jesuíno porque aquele viajava o Nordeste fazendo desmandos pelo sertão afora, Jesuíno ficou no Rio Grande do Norte e, parcamente, ia à Paraíba, onde morreu numa emboscada", diz. Para ele, o cangaço é um fenômeno tipicamente do sertão nordestino. Fez parte da história do povo, das nossas raízes. "A partir do momento que nos dispomos a resgatar a história de Jesuíno, estamos buscando compreender a realidade de um tempo. Muita gente não sabe, mas Jesuíno Brilhante foi o único cangaceiro do Rio Grande do Norte", comenta.

Documentário teve como base o livro de Raimundo Nonato da Silva

Jesuíno Brilhante não foi apenas um cangaceiro, para alguns, diferente. Tornou-se um ser lendário, tanto na literatura dita "popular", quanto nos debates acerca do cangaço. Entre os trabalhos pesquisados pelos alunos para produzirem o curta, está o livro de Raimundo Nonato, Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico, republicado pela Coleção Mossoroense, através do projeto Rota Batida. "O livro foi de fundamental importância para o embasamento histórico da nossa pesquisa. Eu já havia trabalhado nessa obra como revisor, para a Coleção Mossoroense, e me encantei com a história de Jesuíno. Segundo Raimundo Nonato, a história desse cangaceiro diferiu das outras histórias do cangaço no sertão. Grande parte do livro é baseada em documentos da época, conta os feitos de Jesuíno aqui e na Paraíba. Uma das grandes passagens do livro é do assalto que Jesuíno fez à cadeia de Pombal, tomando de assalto armas e soltando seu irmão, que estava preso. Há muitas superstições em torno de Jesuíno. Procuramos, no documentário, fugir da máxima do cangaceiro romântico, e encará-lo como um herói ou bandido. O documentário gira em torno dessa questão. Muitos entrevistados acham que ele foi um herói do sertão, enquanto outros o consideram um facínora, que matava a sangue frio", explica.

CURTA AINDA É INÉDITO - O curta ficou pronto no primeiro período de 2010. Até agora o documentário não foi exibido em nenhum projeto, mas o grupo pretende voltar à cidade de Patu para que ele seja exibido aos munícipes. "Acreditamos que ele faz parte da história daquela cidade. Atualmente, o que se tem produzido na cidade de Mossoró tem sido grande, apesar do pouco incentivo. Mas isso tem melhorado bastante. Vide o projeto Curta Mossoró, coordenado pelas professoras do curso de Comunicação Social, Ana Lúcia Gomes e Edileusa Martins", fala. Sobre a possibilidade de exibição de exibição em TV aberta ou de assinatura, Stênio salienta que ainda não houve contatos, mas está - junto com o grupo - disposto a exibi-lo. "Afinal, não faria sentido produzir um documentário de grande importância histórica e deixá-lo mofando numa gaveta", frisa, agradecendo a todos os que colaboraram com o curta.

Fonte e Foto: Jornal Gazeta do Oeste - Caderno Expressão

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