CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

DALINHA CATUNDA - “CIRANDA CORDEL VELHO E CORDEL NOVO”

Fonte: Jornal da Besta Fubana www.luizberto.com

De tempos em tempos organizo uma Ciranda no meu blog Cordel de Saia.

Escolho um assunto, envio e-mails para os poetas perguntando se querem participar com uma estrofe e quando tenho estrofes suficiêntes posto no meu blog.

O útimo foi sobre cordel velho e novo. Eu acredito no cordel de sempre sem esta divisão.

Estou mandando.

Beijos

* * *

CORDEL - NOVO & VELHO

1
Tem nosso cordel escrito
Mais de cem anos de idade.
Dos primeiros rudimentos
Até a modernidade
Projeta-se no infinito,
Pois o cordel é escrito
Sem prazo de validade.

Gonçalo Ferreira da Silva

2
Velho cordel do passado
É o pai dos novos cordéis
Que hoje se apresentam
Em rebuscados painéis
Mas tem a cor do sertão
Estampando a evolução
Nos mais distintos pincéis.

Dalinha Catunda

3
O cordel bem feito é
Poesia sofisticada,
Que adensa o conhecer
Com a cultura aplicada.
Cheira qual fruta madura
Só comparado a ternura
Das flores da madrugada.

Pedro Monteiro

4
O cordel velho tem raiz
Nos romances medievais
Nas histórias sertanejas
Muito antes dos meus pais
O novo fala das ciências
Recheado de influências
Destas mídias digitais.

Ivamberto Albuquerque

5
Os antigos menestréis
Que vinham de Portugal
Exibiam seus folhetos
Pendurados no varal.
Ninguém imaginaria
Que fosse existir, um dia.
Até cordel virtual.

Marcos Mairton

6
O Cordel é atemporal
todo tempo é sua idade
velho ou novo é magistral
por sua diversidade:
nos mais variados temas
setilhas, outros esquemas
provam versatilidade.

Bastinha

7
O cordel velho foi escrito
com talento e galhardia,
rima, métrica, oração,
como exige a poesia,
num brilhantismo perfeito
pois tudo isso era feito
sem quase tecnologia.

Raul Poeta

8

Uma coisa neste mundo
ante a qual eu me comovo
são bons versos recitados
pelos poetas do povo,
uma rabeca tocando
o pobre cego cantando
“Cordel velho & Cordel novo”.

Zealberto Costa

9
Cordel é sempre cordel
de agora ou de antigamente
fuxica tudo o que quer
da bancada ao repente
no papel ou no gogo
bem feito fica decente

Rosário Lustosa

10
Da “Donzela Teodora”
Ao “Pavão Misterioso”,
Do “Linguajar Cearense”
Ao conto maravilhoso,
Cordel velho e cordel novo
São expressões de um povo
Alegre e laborioso.

Nezite Alencar

11
“Cordel Velho” e “Cordel Novo”
Não consigo dividir
Pois o que agrada ao povo
É o modo de transmitir
Tendo rima e oração
Fiel metrificação
Dá gosto ler e ouvir.

Josenir Alves de Lacerda

12
A Rima metrificada
Do nosso velho Cordel
Regula o cordel novo
Quando passa pro papel
Avançamos pro futuro
Sendo ao passado fiel

William J. G. Pinto

13
Para mim, Novo Cordel
Deve ser tradicional,
Mas ter bonito papel,
Capa com bom visual,
Que seja xilogravura
Ou qualquer outra figura
E, até em policromia.
Uma ilustração decente,
Trabalha e condizente
Com o que o cordelista cria.

Moreira de Acopiara

14
Cordel velho & Cordel novo
Vejam só que discussão
Se um pretende manter
Na forma, a mesma feição
O outro para ser eterno
Propõe um jeito moderno
Sem ferir a tradição

José Walter Pires

15
O cordel é característico
Na cultura popular,
Seja ele velho ou novo
Tem sua escrita singular.
Sempre retratando uma história
De decepção ou glória
De maneira bem peculiar

Jadson Xavier (Jatão)

16
Chegando à modernidade,
O cordel virou “global”
Vem de muitos idos tempos,
Na TV é cabedal.
Está presente na tela:
Acompanhe a novela.
Lá tem papel virtual

Rosário Pinto

17
O cordel não tem idade,
É um anjo nordestino;
Na cidade e no sertão,
Segue avante em seu destino;
Cordel velho e cordel novo
Sempre na boca do povo:
Um espelho cristalino !

Antonio Barreto

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