CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 3 de abril de 2011

Cordelista pretende repassar sua coleção – Juazeiro do Norte CE

Por site nordesturismo: www.nordesturismo.com.br

Orivaldo Batista colecionou centenas de cordéis, mas hoje, por necessidade, precisa se desfazer da coleção. Juazeiro do Norte.

           Uma história que começou cedo na literatura de cordel. Ainda com os bisavós. E de lá para cá, o poeta “maudito”, Orivaldo Batista, colecionou centenas desses livretos, que hoje fazem parte de uma necessidade pessoal de se desfazer da coleção. Um deles, a Donzela Teodora, pertenceu a sua bisavó. A dedicatória no livreto data de julho de 1.900, mas ele garante que o cordel é bem de antes. Praticamente todos os cordéis publicados pela Sociedade dos Cordelista Mauditos, criada em 2.000 por um grupo de jovens, que formaram os 12 apóstolos da sociedade, está inserida na coleção.
Há alguns meses o poeta anda com sua mochila oferecendo os raros cordéis para terminar de construir sua casa. “Uma herança de família, que para mim é muito difícil de desfazer”, diz ele. Aos 14 anos, Orivaldo iniciou sua vida na poesia, a literatura com a crítica contundente do poeta encontrou caminho certo no momento em que casou suas ideologias, para criticar o que estava posto, diante de uma forma tradicional de fazer cordel.

          O cordel foi um meio de conhecer mais da história e aperfeiçoar os conhecimentos. “É esse jornal popular de imenso poder de persuasão entre as massas que precisava de uma revisão crítica, diante dos seus preconceitos muitos explícitos e reprodução de uma ideia dominante”, explica.

          Hoje, o poeta Orivaldo até se lamenta um pouco por não haver uma continuidade permanente dos trabalhos junto à sociedade, que foi criada para trazer a crítica, uma nova interpretação do cordel, sem que minorias fossem expostas de forma preconceituosa, como ele mesmo ressalta, em relação aos homossexuais, matutos, negros e, também, mulheres.

          O projeto Sesc Cordel teve à frente uma de suas idealizadoras, Fanka Santos, integrante da Sociedade dos Cordelistas Mauditos, em Juazeiro do Norte, que ano passado completou 10 anos. O primeiro contato de Orivaldo com o cordel aconteceu em 1999, por meio do projeto.

Liberdade de produção

          Ele destaca a importância do trabalho, que trouxe uma abertura maior para a produção na área, integrando jovens, abrindo esse espaço para os estudantes, e mostrando que era possível “abrir a veia” da produção poética, com espaço para uma visão da realidade, mais crítica.

          Ele chegou a escrever seis folhetos, a dar cursos de xilogravura. “Consegui com uma orientação maior por meio desse trabalho, soltar minha língua de uma forma mais equilibrada, com palavras mais adequadas e isso me fez muito bem”, destaca o artista. Um de seus cordéis, que trazia a personagem de Zé Pilintra, travestido de músico e ferrenho crítico teve, com isso, que ser refeito, com menos palavrões, por exemplo.

          “Pena que o grupo nesses anos todos teve ações importantes, mas isoladas, quando éramos chamados para alguma coisa e não entrou como um grupo mambembe”, diz ele. No Crato, existe há duas décadas a Academia de Cordelistas do Crato. Para Orivaldo, uma forma mais tradicional de conservar o cordel, com um trabalho permanente de todo um grupo.

          Dos seus mais de 600 cordéis, se encontra um material raro das décadas de 50, 60, 70 e 80. O preço? R$ 10 mil. Ele quer repassar para uma instituição, como biblioteca ou universidade para fins de pesquisa, e o material seja socializado, mas caso algum particular queira, pela necessidade, o cordelista afirma que repassa os livretos e até negocia. “Eu já li mais da metade desses livretos e não tem sentido para mim ficar guardando, sem que tenha uma utilidade maior”, justifica Orivaldo.

          A preocupação de tirar o cordel dos preconceitos, segundo ele, continua. A linguagem do cordel teria que se modernizar. Eis a proposta dos “mauditos”, no momento dos 500 anos do Brasil. De lá para cá, o cordel sobrevive, e para muitos, com linguagem remodelada.

MAIS INFORMAÇÕES

Orivaldo Batista

Rua São Benedito, 801,
Bairro Franciscanos, Juazeiro do Norte (CE)
Telefone: (88) 8829.8325
Informações: Diário do Nordeste
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Imagens: miseria.com.br

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