CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DALINHA CATUNDA E ZEALBERTO COSTA EM OITO PÉS DE QUADRÃO

Fonte: cordeldesaia.blogspot.com

DALINHA CATUNDA
Quando pego meu cinzel
Para esculpir um cordel
Galopo feito um corcel,
Dispara a imaginação.
Sem dispensar a magia
Transbordando de alegria
Gravo minha poesia
Com grande satisfação.
*
ZEALBERTO COSTA
Também sou apaixonado
Por cordel cadenciado
Rimado e metrificado
Lá no fundo da cachola,
Debochado ou moralista
No livro do Cordelista
Na boca do repentista
Que nunca foi à escola.
*
ZEALBERTO COSTA
Já ouvi muitos duelos
De cantadores famosos
Repentistas fabulosos
Como os três irmãos Batista,
Grande Pinto do Monteiro,
Que cantavam a esperança
Vivem agora na lembrança
Do seu povo saudosista.
*
DALINHA CATUNDA
Ai como eu queria ver,
Ciscando em meu terreiro
Este Pinto do monteiro
Repentista genial,
Que muita gente encantou.
Dele ficou na verdade
Versos e muita saudade
Deste vate sem igual.
*

ZEALBERTO COSTA
Os melhores repentistas
Nasceram aqui neste chão
Comendo charque e feijão
Com rapadura e farinha,
Aprendendo de menino
Como se faz poesia
Tocando com maestria
Nas cordas da violinha.
*
Dalinha Catunda
Um repentista dos bons
Me faz sorrir e chorar
Me faz até gargalhar,
Conforme a situação.
Tocando sua viola,
Ou mesmo uma rabeca
Quando o dedo ele sapeca
Balança meu coração.
*
ZEALBERTO COSTA
Cantar num “pé-de-parede”,
Pinga pra “matar a sede”,
Dormir um sono na rede
São coisas do meu sertão.
Um violeiro cantando
O povo todo escutando
Ele só improvisando
Nos oito pés de quadrão.
*
Dalinha Catunda
Quando um violeiro canta
A minha alma se encanta,
Minha alegria, é tanta!
Que chego a me requebrar.
E danço xote e baião,
Arrasto meu pé no chão.
Nos oito pés de quadrão,
Sem vontade de parar.
*
Rosário Pinto
Minha vida é no cordel
Ele é meu bacharel
E, quem paga o aluguel.
Ele é meu ganha-pão
Realizo meu trabalho
Se errar, pego o atalho,
Ou, então, me atrapalho
Nos oito pés a quadrão.
*
Zealberto / Maceió-AL/ Abril/2011.

Dalinha Catunda/ Rio de Janeiro-RJ
Rosário Pinto/Rio de Janeiro
Visite também: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com
Foto: Dalinha Catunda

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