CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Cordel recordado

Por Tiago Germano

          Bons ventos bafejam nos varais da literatura de cordel. Foi-se o tempo em que os folhetos jaziam à míngua, dependurados nas paredes dos terminais rodoviários do interior do Nordeste, rivalizando com quinquilharias artesanais pela atenção de turistas e transeuntes.
          Deu-se, enfim, o retorno: filho pródigo das narrativas orais dos mais diversos rincões do Brasil, o cordel volta à boca do povo agora renovado.
         Tanto que o poeta paraibano Manoel Monteiro, que irá receber , no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Rio de Janeiro o título de ‘Cordelista do ano de 2010’ pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel, já lançou até uma nomenclatura para denominar este cordel menos imbuído do linguajar matuto, que desvia dos clichês da cultura popular, mas que mantém a preocupação de não se descaracterizar: ‘Novo Cordel’.
          Representante desta tradição cordelística recente, Roniere Leite Soares, poeta popular da cidade de Boa Vista, defende que, atualmente, o cordel está passando por um processo de ‘eruditização’, conceito que desenvolve em seu último trabalho, um folheto feito em homenagem ao poeta Edvaldo Perico.
          Segundo ele, ao longo de sua história, o cordel viu se formar em torno de si um preconceito que costuma estar relacionado a um vocabulário mais chulo utilizado por certos cordelistas. “Procuro aproximar minha linguagem da norma culta e variar o tema”, conta Roniere, que assim como Manuel Monteiro já teve seus cordéis utilizados em escolas públicas.
          O patoense Janduhi Dantas Nóbrega é outro caso interessante no que diz respeito a esta filiação catedátrica do cordel, que caminha para se tornar um poderoso instrumento pedagógico nas mãos de docentes de várias instituições do país.
Seu livro Lições de Gramática em Versos de Cordel, após ganhar quatro edições bancadas pelo próprio autor e uma financiada por um edital do Banco do Nordeste, teve seus direitos comprados por uma editora carioca e hoje é bibliografia recomendada por diversos colégios e cursinhos pré-vestibulares.

DOS VARAIS PARA AS TELAS


          O cordel está tão na moda que vai inspirar até novela das seis. Cordel Encantado, nova produção da Rede Globo, que estreia em abril, baseia-se no imaginário mítico da literatura de cordel para compor uma trama cheia de referências ao Sertão nordestino.
          O temor que, de moda, a cultura do cordel passe a modismo também ronda os círculos populares. Beto Brito, artista que no último mês de janeiro lançou Bazófias de um Cantador Pai d’Égua, cordel que terá seu segundo volume preparado ainda este ano e irá pleitear uma vaga no Guinness World Records como o maior do mundo, não acha esta badalação algo negativo: “Vejo isso com muita naturalidade. Não estamos retomando o cordel, ele sempre esteve presente entre nós, de forma bastante singela. A fama permitirá que o público tome conhecimento desta cultura que é simples, mas muito profunda”.

jornaldaparaiba.globo.com

Imagens: picasaweb.google.com; cordelparaiba.blogspot.com

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