CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 9 de março de 2011

LIVRO EM CORDEL “A ROUPA NOVA DO IMPERADOR”

Editora Prumo traz, em formato de poesia, a divertida história do vaidoso imperador enganado por dois ladrões

         A Editora Prumo lança, este mês, a obra “A Roupa nova do imperador”, recontada em forma de literatura de cordel pelo escritor João Bosco Bonfim, com ilustrações de Laerte Silvino. O livro é uma adaptação do clássico conto do autor Hans Christian Andersen – que é conhecido por suas diversas obras, entre elas, O Soldadinho de chumbo e a Pequena Sereia.

          O livro narra a história do imperador que foi enganado por dois ladrões, que se fingiram de tecelões e disseram ter feito uma linda roupa para ele, mas que apenas as pessoas perfeitas poderiam vê-la. Apesar de não enxergá-la, o rei, vaidoso e perfeccionista, sai às ruas exibindo sua roupa, até que uma criança desfez a farsa ao gritar no meio da multidão: O rei está nu!

         Desenvolvido em Portugal e popularizado no nordeste brasileiro, o cordel, famoso poema popular, recebeu este nome por ter seus impressos expostos para venda em cordas ou cordéis. O livro possui versos em sextilha com estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados, o que torna a leitura ainda mais prazerosa.

           Os traços bem regionais e os tons vibrantes utilizados por Silvino nas ilustrações completam a obra, realçando a leveza e a alegria características dos contos populares.

         “A Roupa nova do imperador” é o segundo livro da coleção em cordel que transforma os contos em rimas. A primeira obra – “O soldadinho de chumbo” também é de autoria de João Bosco Bezerra.

SOBRE O AUTOR

          João Bosco Bezerra Bonfim nasceu em 1961, no Ceará. Mudou-se para Brasília em 1972, onde vive até hoje. Mas sua vivência do sertão, reconfirmada nas constantes viagens, levou-o a admirar as histórias narradas pelos mais antigos. Contadas na varanda das casas, as narrativas de valentia ou de assombração da tradição oral brasileira são tão ricas como quaisquer outras da literatura universal. Graduado em Letras (1986), com Mestrado (2000) e Doutoramento (2009) em Lingüística, tem pesquisas sobre o cordel brasileiro. Com duas dezenas de livros publicados, vários deles para crianças, tem atuado em escolas, feiras e festas literárias, contando histórias e ministrando oficinas sobre a arte de ler e criar.

SOBRE O ILUSTRADOR

          Laerte Batista Silvino é de Recife, Pernambuco. Ilustra para diversas revistas de circulação nacional e para algumas editoras de literatura infanto-juvenil e de livros didáticos. Também publicou quadrinhos em várias revistas do gênero. Como cartunista expôs em vários salões no Brasil e no mundo (Irã, Portugal, Estados Unidos etc.). Atualmente também trabalha como ilustrador do jornal Folha de Pernambuco.

Fonte: correiodearaxa.com.br

Imagem: blog1.aprendebrasil.com.br

2 comentários:

  1. Esse é o título um dos meus cordeis:

    A ROUPA NOVA DO IMPERADOR
    Do livro:
    CONTOS DE FADAS POLITICAMENTE CORRETO
    De JAMES FINN GARNER
    Tradução e adaptação de Cláudio Paiva.


    Cordelizado por: ROSA REGIS


    Há muitos e muitos anos,
    Do outro lado do mundo,
    Vivia um alfaiate
    Cujo nome era Raimundo.

    O alfaiate inquieto
    Que vivia a viajar,
    Num lugar desconhecido
    Um dia ele foi parar.

    Era um pequeno reinado
    Cujo rei que o governava
    Era bom, mas, vaidoso!
    Todo mundo comentava.


    E o alfaiate inquieto,
    Que diverge dos padrões
    Dos tranqüilos alfaiates,,
    Já pensa com seus botões:

    - Aqui eu vou dar-me bem!
    - Da vaidade do rei
    Eu vou me aproveitar.
    Para isso, a forma eu sei.

    Do rei, por um seu vassalo,
    Procura se aproximar:
    Faz amizade com este
    Para no palácio entrar.

    Ao vassalo então induz
    Que convença a realeza
    Ser ele um grande alfaiate.
    O melhor da redondeza.

    E o que ele esperava
    Logo, logo, aconteceu.
    Dia seguinte o alfaiate
    Um recado recebeu.
    Era uma ordem do rei
    Que o chama a comparecer
    Ao palácio, com os tecidos,
    Para uma roupa fazer.

    Ele, que qualquer amostra
    De nenhum tecido tem,
    Maquina enganar o rei.
    Isso ele faz muito bem!

    Vai ao Palácio Real
    Sem nada. Mãos abanando.
    E, lá chegando, ao rei,
    Mãos vazias, vai falando:

    - Meu rei, o que tenho aqui,
    É um tecido especial
    Que só quem vê é pessoa
    De mente fenomenal.

    Tecidos maravilhosos
    Que só quem tem o poder
    De vê-los, pois, são os deuses,
    E os de maior saber.
    E o rei, que nada via,
    Não querendo parecer
    Que não era inteligente,
    Fingiu que estava a ver.

    Encomendou a roupagem
    Ao grande mentiroso
    Que saiu dali sorrindo,
    Se achando vitorioso.

    E alguns dias depois
    Ao reino ele retornou.
    Nada nas mãos vem trazendo.
    Porém ao rei afirmou:

    - Eis aqui, meu bom monarca,
    A roupa da encomenda!
    A fiz com zelo e capricho!
    Ficou que é mesmo uma prenda!

    O monarca envergonhado
    Por nada ver, duvidando
    De si mesmo, ao seu vassalo
    Dirige-se, comentando:
    - Amanhã desfilarei
    Pelas ruas da cidade
    Ao povo será mostrada
    A roupa da majestade.

    Com o alfaiate ajudando,
    A roupa experimentou.
    O vassalo ao vê-lo nu
    Sorrindo, o rosto virou.

    Porém logo dominou
    O sorriso. Pois sabia
    Que se dissesse o que viu
    O monarca o puniria.

    Além do mais o vassalo
    Não queria ser chamado
    De idiota ao dizer
    Ter visto o seu rei pelado.

    Pois o alfaiate afirmara,
    Ouvira, veementemente,
    Que só veria a tal roupa
    Quem fosse inteligente.
    A Corte fora avisada:
    - O Monarca desfilará
    Com a sua nova roupa!
    - Só quem for sábio a verá!

    - E aquele que for parco
    Da inteligência, afinal,
    Não verá a nova roupa
    Que é mesmo colossal.

    No dia e hora aprazada
    Todo o povo do reinado
    Tomou as ruas esperando
    O desfile anunciado.

    Soam trombetas!!... É hora
    Da nobre apresentação!
    O rei surge! Boquiaberta,
    Deixando a população.

    Está totalmente nu!
    E sem demonstrar vergonha,
    Mostrando o corpo banhudo.
    É uma visão medonha.
    Ele vê que está nu
    Mas não o pode afirmar,
    Tal qual a população.
    Pra não se menosprezar.

    Já que só que vê a roupa
    É quem é inteligente,
    Nem o rei e nem o povo
    Aceita a verdade. Mente.

    Mas, eis que uma criança,
    No meio da multidão,
    Grita: - O rei está nu!
    E esconde o riso com a mão.

    É interrompido o desfile.
    O imperador parou.
    De repente um esperto
    No meio do povo, falou:

    Não! O rei não está nu!
    Está somente adotando
    “Nova opção de vida”
    E a nós todos mostrando.
    O povo soltou um viiiiva!!
    A roupa toda tirou
    E, dançando alegremente,
    Ao rei, nu, acompanhou.

    Nus, o povo e o monarca,
    Dançavam ao sol. Que beleza!
    Sem vergonha, sem pudor,
    Como manda a Natureza.

    Daquele dia em diante
    Tornou-se opcional
    A roupa naquele reino.
    Andar nu era legal.

    O alfaiate malandro
    Que ao rei quis enganar,
    Perdendo o seu ganha-pão
    Foi-se daquele lugar.

    Empacotou as idéias
    Com agulhas e dedais,
    E foi-se sem dar adeus
    Pra não voltar nunca mais.

    FIM
    Natal/RN – 06/10/2008 – no consultório médico.

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  2. Bela construção poética, amiga.
    Quadras assim... com ótima narrativa, não é pra quem quer, e sim, pra quem pode!

    Abraço
    PedrO MonteirO
    http://meuscontoseversos.blog.terra.com.br/

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