CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 29 de março de 2011

Cordelistas festejam 20 anos de Academia (Crato CE)

A história da Academia dos Cordelistas do Crato foi contada em versos pelos poetas que fazem parte do sodalício matuto

            Com o lançamento de sete cordéis, a maioria deles sobre o meio ambiente, a Academia dos Cordelistas do Crato comemorou os 20 anos de existência. Os cordéis foram apresentados pelos próprios autores durante sessão solene, na sede do Instituto Cultural do Cariri. A história da Academia foi contada em versos pelos poetas que fazem parte do sodalício matuto. Foi lembrado o fundador Eloi Teles de Morais que, além de poeta, foi o grande incentivador do folclore cratense.
          Outro homenageado foi o ambulante Antônio Higino, que transformou a sua Kombi numa bodega volante, onde ele faz a locação de cordéis com a sua clientela com o objetivo de divulgar o trabalho dos poetas cratenses. Higino foi homenageado com um cordel de Josenir Lacerda, que é integrante da Academia Brasileira de Cordelistas.
          "São 20 anos de luta em defesa do cordel. Muito mais do que uma entidade, somos uma resistência", desabafou o professor Eugênio Dantas, presidente da Academia dos Cordelistas do Crato, lembrando o trabalho que vem sendo realizado para que a literatura de cordel não seja descaracterizada.

Manual
            O exemplo começa em casa. Todos os cordéis da Academia são compostos manualmente, letra por letra, e impressos em máquinas antigas manuais. O poeta Wiliam Brito recorda que, ao longo destes 20 anos, muitos companheiros desistiram. Outros disseram que era uma loucura tentar salvar o cordel, uma arte moribunda no Brasil.
           Ao fazer este desabafo, Brito lembra que, a princípio, os cordelistas do Crato foram discriminados por fazerem uma "poesia de segunda classe", desprezada dos compêndios de literatura. "Mas estamos ainda comemorando os 20 anos", comemora o poeta popular.

Criação
            Fundada no ano de 1991, pelo radialista Eloi Teles de Morais, a Academia dos Cordelistas do Crato já publicou mais de 500 títulos e mais de um milhão de folhetos que estão espalhados em todo o Brasil e na Europa.
             Cada um dos 20 sócios tem obrigação de publicar, pelo menos, um cordel por mês. Hoje, a Academia é uma espécie de "santuário" dos poetas do Cariri, principalmente do Crato, que é um celeiro de grandes poetas populares, a começar por Cego Aderaldo, poeta que é filho deste Município.
           O cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impresso em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis. A prática veio de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado desse país.
MAIS INFORMAÇÕES

Academia dos Cordelistas do Crato, Praça Filemon Teles, S/N
Telefones: (88) 3523-3947 ou (88) 3523.4442

Fonte: diariodonordeste.globo.com

Imagem: prefeitura.sp.gov.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário