CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 23 de março de 2011

MANOEL D’ALMEIDA FILHO

   Por Marco Haurélio
  Falar de Manoel D’Almeida Filho não é uma tarefa fácil. Afinal, trata-se de uma personalidade complexa, até certo ponto polêmica, porém imprescindível à compreensão da história da literatura popular em verso no Brasil. Apresentarei, primeiramente, o resumo biográfico que consta em sua ficha biobibliográfica publicada nos seus trabalhos editados pela Editora Luzeiro, de São Paulo. Alguns títulos mais expressivos aparecem citados neste trabalho, à guisa de introdução para futuras e melhor fundamentadas pesquisas.
          Manoel D’Almeida Filho nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, a 13 de outubro de 1914 e faleceu em Aracaju, Sergipe a 8 de junho de 1995. Filho de Manoel Joaquim D’Almeida e Josefa Pastora da Conceição. Durante algum tempo foi cantador; porém é como poeta de bancada que se sobressaiu com uma obra extensa e de admirável qualidade. O seu primeiro folheto foi escrito em 1936: A Menina que Nasceu Pintada com as Sobrancelhas Raspadas. Era uma estória de exemplo, gênero com o qual não teria muita afinidade, quando de sua maturidade poética.
           Por muitos anos manteve uma banca de folhetos em Aracaju, cidade em que viveu a maior parte de sua vida, exercendo salutar influência sobre um grupo de bons poetas da região, lutando pela atualização e correção da literatura de cordel. Em 1955 ajudou Rodolfo Coelho Cavalcante a organizar o primeiro Congresso de Trovadores e Violeiros, realizado em Salvador.
          Por esta ocasião, entrou em contato com a Editora Prelúdio (antecessora da Luzeiro) de São Paulo, onde publicaria boa parte de sua obra.
Entre os muitos títulos que legou à posteridade destacam-se: A Sorte do Amor, Rufino, O Rei do Barulho, Padre Cícero, o Santo do Juazeiro, Os Quatro sábios do reino, A Vitória de Floriano e a Negra Feiticeira, Vicente, o Rei dos Ladrões, Jesus e o Mestre dos Mestres, Josafá e Marieta, O Monstro Misterioso, O Feitiço Por Cima de feiticeiro, O Lobisomem Encantado, A Noiva do Diabo, Os Três Conselhos da Sorte.
           As suas obras sobre o cangaço ocupa lugar privilegiado na poesia popular destacando na sua extensa bibliografia Os Cabras de Lampião, a obra-prima do autor e, indubitavelmente, a melhor biografia em versos sobre o famoso cangaceiro. Com 652 estrofes, enumera os feitos do Rei do Cangaço e prima pela objetividade e riqueza na descrição dos fatos.
           A estrofe abaixo atesta a honestidade intelectual do autor acerca das fontes em que se baseou, eximindo inclusive de possíveis equívocos:
Tudo que aqui narramos
Dos Cabras de Lampião,
Lemos ou nos foi contado
Por pessoas do sertão,
Não temos culpa se houve
Erros na informação.
           No rastro d’Os Cabras de Lampião, Almeida escreveria ainda duas biografias: Zé Baiano, Vida e Morte e Vida, Vingança e Morte de Corisco, onde focaliza de perto a trajetória dos dois conhecidos facínoras do bando de Virgulino. Do segundo, extraímos esta septilha, que revela o espírito contestador do grande bardo de Aracaju:
Não cremos nas leis humanas;
Nas sentenças nas muralhas,
Pois as pessoas que julgam
Humanamente são falhas,
Perdidas inconscientes;
Condenam mais inocentes
E libertam mais canalhas.
           O poeta era tão confiante no seu estro que no epílogo do cordel Os Conselhos do Destino faz este auto-elogio:
Manoel D’Almeida Filho
Guardou em sua memória
Este conto muitos anos,
Burilou a trajetória
E versou para os seu faz
Mais uma bonita história.
          Almeida, indubitavelmente, foi o maior elaborador de acrósticos da história da literatura de cordel, deixando sua assinatura poética em muitos títulos que ainda hoje estão entre os mais vendidos do catálogo da Editora Luzeiro.
Fonte: onordeste.com
Imagem: mateusbrandodesouza.blogspot.com

3 comentários:

  1. Eu já era poeta antes
    E apenas não escrevia
    Os meus versos rimados
    Numa estrofe de poesia
    Agora estudo os mestres,
    Pra ser um poeta prestes
    A ser lembrado algum dia...

    Antonio Alvares

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  2. Manoel, este texto é de minha autoria. Eu o publiquei no Recanto das Letras em 2006, mas depois encerrei a conta.

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  3. Poeta, os créditos não haviam sido acrescidos antes porque no site de onde colhi o texto, os mesmos não constavam, porém onfirmo agora o acréscimo. Abraço e obrigado.

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