CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Literatura de cordel reúne admiradores da cultura popular nordestina (SP)

Biblioteca Belmonte recebe o "7º Encontros de Escritores cordelistas"

          A literatura percorreu diversos caminhos até alcançar as grandes civilizações. Dos papiros às cópias secretas feitas pelos monges, a necessidade de registrar informações sempre esteve ligada diretamente com a “fome” humana por expressar ideias. Fazer desse bem cultural tema de debate e reflexão é o que busca o “7º encontro de Escritores cordelistas”, que acontece na Biblioteca Belmonte, a partir das 19h.

          Para ressaltar ainda mais a riqueza típica das páginas dos cordéis, o poeta João Gomes reproduz o clássico “Alice no país das maravilhas”, no dia 24 de março. Sob a ótica da literatura tradicional nordestina, a Alice de João irá partir da estética estrangeira e se adaptar aos elementos do cordel que serão apresentados e analisados na noite do encontro.

O cordel

          Ainda que no início os textos tendessem sempre para a linguagem erudita, a voz do povo, munida de oralidade, também reclamava seu espaço nas letras. Entre os séculos XVII e XVIII, peregrinos europeus eternizavam suas aventuras nas páginas rústicas de uma das primeiras formas de literatura popular: o cordel.

          Ilustrados através de xilogravura, as poesias ganharam notoriedade em Portugal, onde eram estendidas em cordões e ficavam à disposição das pessoas. Ruas, mercados e lojas ganhavam um “ar” diferente com as cores e desenhos dos cordéis.

Com entrada Catraca Livre, o público confere a versão em cordel do clássico "Alice no país das maravilhas"

           Os folhetos chegaram no Brasil durante o século XVIII e ganharam destaque nas regiões nordeste e sul, onde a cultura popular era mais forte. Com sua forma peculiar e própria de narrar histórias, estórias, lendas, fábulas e abordar astrologia e gastronomia sem se preocupar com regras científicas, o cordel se tornou morada da voz que vinha diretamente do povo. Heróis, criaturas mágicas, acontecimentos políticos, milagres, todos eles alimentam o universo dos escritores.

          Um dos grandes pesquisadores da cultura popular, o teatrólogo e romancista Ariano Suassuna,  conseguiu representar em sua obra, Auto da Compadecida, a tradição oral do povo nordestino com os personagens João Grilo e Chicó. Durante as aventuras e mentiras, cada um conta sua estória e enriquece a tradição da pequena vila no sertão.

Fonte: catracalivre.folha.uol.com.br

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