CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 15 de março de 2011

Literatura de Cordel portuguesa em exposição no Museu de Arte Popular do Recife

 

         O Museu de Arte Popular (MAP) do Recife, Pernambuco, inaugura amanhã (16) a exposição “Teia de Cordéis”, composta por uma colecção de folhetos portugueses, desde  início do século XVII até ao século XX.

          A mostra reúne cerca de 150 "cordéis" com romances, personagens históricos, operetas, manuais, autos, hinos, elegias, canções e sátiras, que fazem parte da colecção do pesquisador português Arnaldo Saraiva, professor da Universidade do Porto - Portugal. Alguns "cordéis" brasileiros e espanhóis também irão compor a exposição, fazendo um paralelo com a literatura portuguesa.

          A exposição é uma realização da Prefeitura do Recife e tem o apoio do Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Cultura e Fundarpe, e da Universidade do Porto, por meio do Centro da Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM).

          Conferência - Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a literatura de cordel poderá assistir à conferência “Literatura de Cordel Portuguesa”, do pesquisador e professor Arnaldo Saraiva, na quinta-feira (17), às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife). Em seguida, haverá um recital com o grupo Vozes Femininas e  poetas da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel), que apresentarão "cordéis" portugueses e nordestinos.

             Map – O Museu de Arte Popular pertence à  Fundação de Cultura Cidade do Recife – FCCR. Instalado no Pátio de São Pedro desde novembro de 2008, o museu possui um acervo representativo de todos os estados do Nordeste brasileiro, com obras em madeira, gesso e cerâmica (barro), originárias da coleção Galeria Nega-fulô, da pesquisadora Silvia Coimbra.

          Arnaldo Saraiva - é professor universitário, pesquisador, ensaísta, cronista e poeta, nascido em 1939, em Casegas (Covilhã – Portugal). É sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde ensinou Literatura Portuguesa e Literatura Francesa, Literatura Brasileira e Literaturas Orais e Marginais. É colaborador de várias publicações portuguesas e estrangeiras, inclusive da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Fundador do Centro de Estudos Pessoanos, co-diretor da revista Persona e do Jornal O Boavista.

           Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, doutorou-se na Faculdade de Letras do Porto, onde exerceu a função de docente de Estudos Brasileiros e Africanos. Fez estudos de pós-graduação no Rio de Janeiro (tese Carlos Drummond de Andrade: do Berço ao Livro), em Paris (França) e em Urbino (Itália).

Literatura de Cordel - uma tradição portuguesa que cruzou o Atlântico

          "A presença da literatura de cordel no Nordeste Brasileiro tem raízes lusitanas; chegou com o romanceiro peninsular, e possivelmente começam estes romances a ser divulgados no Brasil, já no século XVI, ou o mais tardar, no XVII." , refere o Professor Gil Francisco em detalhado artigo sobre as origens desta tradição.

         O primeiro estudioso brasileiro a indicar essas fontes para as narrativas em verso, prosa com registo de factos memoráveis em folhetos ou pequenos livros, foi Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), autor de uma obra fundamental para os estudos etnográficos e antropológicos no Brasil.

         Literatura de Cordel, denominação dada em Portugal e difundida no Brasil, é poesia popular, história contada em versos ou ainda em prosa, em estrofes a rimar, escrita em papel comum feita para ler ou cantar. A capa do folheto é em xilogravura, trabalho artesão que esculpe em madeira um desenho preparando a matriz para reprodução.

         Na região Alentejo (Sul de Portugal), este tipo de literatura era difundida em feiras e romarias, cantada por poetas e vendida em bancas de feira.

      Abertura da exposição “Teia de Cordéis”/ Recife


Quarta-feira (16 de março), às 19h
Até 30 de abril – de segunda a sexta, das 9h às 17h.
Museu de Arte Popular - Casa 49, Pátio de São Pedro, bairro de São José – Recife

Entrada Livre
Informações: 81 3355-3110
3355-4720
Blog: http://museudeartepopular.wordpress.com/
Conferência “Literatura de Cordel Portuguesa”, com Arnaldo Saraiva
Recital com Vozes Femininas e Unicordel
Quinta-feira (17), às 19h
Teatro Hermilo Borba Filho - Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Entrada Livre
Informações: 81 3355-3320

Fonte: embaixada-portugal-brasil.blogspot.com

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