CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

EDUCAÇÃO AMBIENTAL DECLAMADA EM VERSOS DO CORDEL

Fonte: Recanto das Letras: www.recantodasletras.com.br

Por ALEXANDRE ACIOLI

O lixo é um problema global e preocupa os líderes mundiais, ora empenhados na busca de alternativas para a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelo homem. O caminho apontado é a coleta seletiva e a reciclagem. Mas, soluções, mesmo, só a partir de ações que envolvam o tripé governos, iniciativa privada e sociedade, com informação, orientação e sensibilização da população, através de ações de educação ambiental, em todos os níveis.
Pouco são os trabalhos do gênero desenvolvidos nas três esferas de poder e o tema é tratado pela grande mídia de forma periférica. No momento, a salvação vem dos poetas populares, que têm dado destaque cada vez maior à questão da coleta seletiva e da reciclagem, fazendo jus à condição de educadores sociais, segundo classificação registrada por Eduardo Viola, no seu livro “O ambientalismo multissetorial no Brasil”.
A literatura de cordel, uma cultura de fortes raízes no Nordeste brasileiro, vem sendo utilizada como ferramenta de difusão de conhecimento e entendimento sobre a temática. Dentre quase cem folhetos que colecionei nos últimos dois anos sobre questões ambientais, cinco retratam exatamente o problema dos resíduos sólidos: “A coleta seletiva e a reciclagem de lixo”, de Ismael Gaião da Costa (Condado, PE), “O problema do lixo”, de José Acaci (Natal, RN), “Lixo. Onde botar?”, de Abdias Campos (Recife, PE), “O mundo não é lixeira”, de alunos da Escola Pequeno Príncipe (Campina Grande, PB) e “Quem ama não suja”, de Manoel Monteiro (João Pessoa, PB). Os folhetos passam a mensagem da necessidade de maior empenho da população para melhorar as condições de vida e equilíbrio ecológico.
A carga de conhecimento e informações trazidas  no seu interior, relacionam o problema à forma e às condições de vida do homem na atualidade. Utilizando uma linguagem simples, clara, direta e objetiva; embasamento conceitual e metodológico, os folhetos têm abrangência e ressonância; são capazes de esclarecer a população e reduzir a grande distância existente entre a ciência e as classes (ditas) excluídas.
Na era de comunicação globalizada essa manifestação folkcomunicacional constitui-se num veículo de informação que permite construir e reconstruir discursos de caráter informal voltados à discussão dos variados temas relacionados às transformações sociais e à sustentabilidade.
O cordel é o verdadeiro jornalismo popular, empenhado não apenas na tentativa de tornar comum os diversos temas voltados às questões ecológicas, mas ser a ferramenta de educação ambiental, na medida em que informa, esclarece e orienta as massas.
Não é à toa que o professor e cordelista sergipano José Antônio dos Santos afirma que, “Ao escrever os seus versos/ O poeta popular / Se inspira na natureza/ Logo começa a rimar/ De formiga ao elefante/ Ele sabe versejar./ Somente quem tem o dom,/ O dom da filosofia; (...) Sabe escrever poesia.” E conclui: “O poeta do cordel é repórter popular (...) traduz os fatos como verdadeiros jornalistas”.

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