CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 20 de agosto de 2011

Caruaru usa cordel na educação infantil (PE)

Fonte: www.onordeste.com  Via twitter: @enciclopediane

Por Pedro Romero
promero@jc.com.br

CARUARU -  Um projeto inovador tem usado a literatura de cordel como instrumento de educação nas escolas municipais de Caruaru, no Agreste. No Cordel nas Escolas, estudantes aprendem noções de métrica e rima e escrevem suas próprias poesias, ajudando também a manter viva essa tradição. A iniciativa é da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), que funciona na Capital do Forró. O cordel também tem ampliado o espaço na região e virou indicação de leitura para o vestibular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (Fafica).

No projeto Cordel nas Escolas, adotado pela prefeitura, seis integrantes da Academia de Cordel atuam como arte-educadores nas atividades desenvolvidas no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), que tem a participação de cerca de 200 estudantes. "Trabalhamos a rima, a métrica e a oração dentro da poesia. Para que os alunos possam aprender a escrever e declamar poesias, usamos técnicas de teatro e a música", explica o arte-educador Nerisvaldo Alves, fundador da ACLC.

"Gosto muito das aulas, é legal. Já escrevi muitos versos sobre professores e outros assuntos. Acho que também ajuda a gente a aprender", diz Geisiane Mirele dos Santos, 10, aluna do quinto ano. John Henrique da Silva Santos, 12, da sétima série, também já escreve versos com facilidade. "Você expressa seus sentimentos e pensamentos", destaca. As aulas acontecem quatro vezes por semana.

O projeto começou em 2004 e já se transformou em livro e DVD, com apresentações teatrais de alunos de várias escolas da rede pública do município. O livro Projeto Cordel nas Escolas - Trabalhando a História de Caruaru, foi lançado em 2007. O DVD, de 2008, também tem como base a história da cidade.

De acordo com o professor Nerisvaldo Alves, no momento está sendo feita uma coletânea de poemas dos alunos que integram o projeto para a publicação de um livro, prevista para o fim deste ano. A iniciativa também é desenvolvida no Centro Social São José do Monte, instituição que atende a crianças carentes dos bairros São Francisco e Centenário.

"O cordel está em evidência, está em novelas e sendo debatido em associações e instituições de vários Estados. Também foi tema da Feira Nacional de Artesanato (Fenearte) este ano", ressalta o arte educador.

ACADEMIA

A Academia Caruaruense de Literatura de Cordel foi fundada em maio de 2005 e tem como patronos o cordelista Olegário Fernandes da Silva e o poeta, ator, radialista, compositor e pesquisador Lídio Bezerra Cavalcanti, ambos fundadores do Museu do Cordel em Caruaru. De acordo com o estatuto, sua finalidade é promover o intercâmbio e desenvolvimento cultural, social, sexual, político e econômico.

A academia é composta por 20 cordelistas ou xilógrafos e conta com bandeira, hino, cordel, xilogravura, flâmula, brasão, selo, carimbo, medalha e traje acadêmicos oficiais. O seu lema é Cordel e Xilogravura: união de artes seculares.

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