CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TIRIRICA ENTREVISTADO NO BALANÇO DO CORDEL

 

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara/BA,
residente em Salvador.

Tiririca, meu amigo
Preciso lhe entrevistar
Nesses versos de cordel
Da cultura popular
Então mostre que vai ser
Um grande parlamentar.

Reconheço o seu valor
Seu caráter, seu talento.
Então quero aproveitar
Sua fama no momento
E lhe perguntar agora:
Que achas do casamento?

T Pois casar com 3 muié
É mermo poligamia.
E se casado com duas
A gente diz bigamia.
Mas se casado com u’a:
O nome é “monotomia” !

B – Vejo que a desigualdade
No Brasil é pra valer.
Querido parlamentar
Então queira responder:
Sendo agora deputado
O que pretende fazer?

T O mundo é tão disiguá
Que di nada mais me abalo.
O que vejo no Natal
É de intortá o talo:
O peru, coitado, morre
Mas a missa é do galo!

B – Meu querido Tiririca
O seu humor me fascina
Porém seja objetivo
Não entendo patavina!
Que acha da parceria
Do Brasil com a Argentina?

T O reporti intrevistô
Um argentino do bom.
Por favor, nome completo
Fenandito Calderón
Joga bola ou é cantor?
Não sinhô, sou maricón!

B O eleitor de São Paulo
Agora lhe deu conforto
Sei da sua inteligência
Embora ande absorto.
Então dê sua opinião
A respeito do aborto.

T – Eu sou a favô do bôto
Porque vive lá no má
Ele num tem preconceito
No jeito de ingravidá
Mas se o bôto ingoli anzol
O bôto num viverá.

B Haverá segundo turno
Nesta eleição acirrada:
Temos Serra, temos Dilma
Numa peleja danada.
Qual a sua posição
Meu querido camarada?

T Um cogumelo piqueno
Ali na bêra da serra
Disse par o irmão mais véio
Já num tom de pé de guerra:
— Se você não tomar sol
Eu lhe meto a motosserra.

B Eu sei bem que Tiririca
Nunca foi doido da bola!
Sei que está preocupado
Com os rumos da escola…
E pra toda garotada
Tem projeto na cartola?

T O Juquinha ficou magro
Pariceno um canivete.
O médico com pricisão
Diagnosticou o pivete:
— O caso desse pirralho
É excesso de internet!

B Querido parlamentar
Não estou de brincadeira
Falo com seriedade
Dessa nação brasileira
Mas você não leva a sério,
Parece até Zé Limeira.

T Zé Limeira é um cabra
Que canta, dança e garimpa
Ele apoia “ficha suja”
No lugar de “ficha limpa”.
Mas o véio Tiririca
É o parlamentar supimpa!

B Tudo bem, parlamentar
O eleitor não se ilude
Compreendo que o senhor
É um homem de atitude
Então dê sua opinião
A respeito da saúde.

T Duas pulga cunvesava
Perto do Pronto Socorro.
— Vamo passiá, querida,
Se ficar aqui eu morro.
— Vamos a pé ou intão
Pongaremos num cachorro?!

B Acho que todo humorista
Não deixa de ser astuto.
Nossa origem do macaco
Não é nada absoluto.
Você é analfabeto,
Abestado ou matuto?

T O macaco muito isperto
Quis na mula infiá.
Ela, com dô de cabeça,
Não quis sabê de transá.
Ele disse: já viu mula-
Sem cabeça me inganá?

B Meu caríssimo deputado
Respeite seu eleitor
Pois São Paulo quase inteiro
Fez de ti um imperador
Um grande Macunaíma
Desse Brasil sofredor.

T Quem é filho de Sun Paulo
Bom raciocínio herda.
O aluno intão refrete
Com a professora lerda:
O político é que nem fralda,
Troco por causa da merda”.

B Já que você sacaneia
Me ironiza, me oprime,
Eu vou mudar minha prosa
Antes que me desanime.
Para emagrecer um pouco
Você vai fazer regime?

T Chocolate não ingorda
Nem, churrasco, nem patê,
Cerveja, pizza, lasanha
Costela assada, pavê,
Carneiro, bode, peru…
Quem ingorda é você!

B Meu amigo, sinto muito
Mas não posso prosseguir
Pois você não leva a sério
Queremos evoluir
Então se despeça agora:
Que o Barreto vai partir.

T – Meu inleitô abestado
Desse Brasil bananêro,
Deste os tempo de Cabral
Só tem home trambiquêro
Os dotores num faz nada
Então vou de aventurero!

B Tiririca, meu guru
Por favor, não vá embora
Mostre que sabe escrever
Ponha no papel agora
Suas últimas palavras
E depois vá dando o fora.

T – Eu sô ofobetizado
Nas arti da paiaçada
Tô fazeno “o” cum copo
Nas arêa bem sargada
Das praia desse Sum Paulo
Qui votô de forma errada!

B Deputado Tiririca
Gosto muito de você
Fico mais que emocionado
Quando o vejo na TV
Mas disseram que o senhor
Não escreve e não lê.

T Nunca frenquentê escola,
Meu nome não sei fazê;
Por incrive qui pareça
Eu nem sei o ABC
Mas agradeço a Sum Paulo
Qui acabô de mi elegê.

B – Nada mais a declarar,
Assim termina a entrevista.
Parabéns ao eleitor,
Parabéns ao humorista.
Abestado aqui sou eu:
O Barreto – cordelista!!!

FIM

Salvador, 25/10/2010

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