CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 26 de maio de 2013

Confira um poema da literatura de cordel sobre o direito à saúde pública - Joinville, SC


Durante o Ato contra as Organizações Sociais no Hospital Regional de Joinville, que aconteceu nesta terça-feira (22/05), o poeta Osni Leopoldo Batista leu um lindo poema sobre o direito à saúde pública, oriundo da literatura de cordel de Recife.
A SAÚDE É DIREITO UNIVERSAL
A ganância dos grupos de saúde,
Tem gerado milhões de internamentos.
Porém basta sustar os pagamentos,
Prá sofrer uma conseqüência rude.
Se o governo tomasse outra atitude,
Tornaria esse fato sem efeito,
Acabando de vez o preconceito,
Contra a pobre camada social.
A saúde é direito universal,
É um crime negar esse direito
(Repete após cada estrofe).
II
Ninguém pode viver na indigência,
Esse fato cruel não é possível.
Injustiça tamanha é inconcebível,
Governante é prá ter mais consciência,
Igualdade da gente é evidência,
E o pobre precisa de respeito.
No Brasil pouca coisa se tem feito,
Relativo à saúde e hospital.
III
Uma mãe de família proletária,
Não consegue internar uma criança.
Mesmo tendo na sua vizinhança,
A melhor unidade sanitária.
Um gari, um contínuo e secretária,
Tem que ter um bilhete do prefeito.

Está aí uma falta de respeito,
É um ato indevido e imoral.
IV
Brasil pela tecnologia,
Nós sabemos que tá meio avançado.
Em saúde se está ele atrasado,
Talvez seja evidente covardia.
É preciso botar as leis em dia,
Prá pobre na saúde ser aceito,
Pois Brasil hoje está do mesmo jeito,
De uma Serra Leoa e Senegal.
V
Comprar hoje remédio é um dilema,
Num país que só gasta em luxo e prédios.
Se se desse uma cesta de remédios,
Acabava a metade do problema.
Mas eu acho que a culpa é do sistema,
Pouca coisa prá isso ele tem feito.
A desgraça que vejo eu não aceito,
Que a miséria eu acho o pior mal.
VI
A saúde é a luz da esperança,
É o brilho que serve prá viver.
Todo mundo a saúde deve ter,
É a força de nossa confiança.
Ninguém pode é ter uma criança,
Sem ter casa, comida e sem ter leito,
Sem ter papa, mingau e sem ter peito,
Sem escola, remédio e hospital.

(Ivanidlo Vila Nova e Oliveira de Panelas, Caravana da Saúde – Aracaju-SE).
Fonte: Site SindSaúde

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