CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 11 de setembro de 2011

A jumenta de Pomerode foi para o papel e virou literatura de cordel -

No estilo literário Cordel, Erivaldo Leite de Lima transformou em verso e prosa um episódio vivido em Pomerode.

Capa

Como pode uma história ocorrida no Zoo de Pomerode rodar quase 3.650 Km e parar na capital do Rio Grande do Norte, Natal? Essa pergunta o Jornal de Pomerode também fez quando recebeu um envelope do remetente Jorge Brito, que de Brasília enviou um exemplar da obra “A jumenta que virou Zebra”.
No estilo literário Cordel, Abaeté do Cordel, como é conhecido Erivaldo Leite de Lima, transformou em verso e prosa o episódio de 2006, quando uma zebra macho do Zoológico de Pomerode estava deprimida e se sentindo só. Para amenizar o problema foi pensado em pintar uma jumenta para servir de alento a pobre zebra.
Mas essa história já é conhecida do povo daqui. O curioso é ter virado literatura, fato que gerou muitos risos quando aconteceu.
Abaeté ouviu a história e decidiu versá-la. E é justamente na quarta estrofe que o cordelista explica como soube de tal fato. Segundo ele, um amigo lhe contou e ele achou curioso toda a farsa, que visava o bem-estar da zebra.
Porém, o escritor fez uma analogia do fato com a capacidade do ser humano de enganar ao próximo e versou assim: “Pela mente do ser humano, que mente para se dar bem. A mentira vai passando, mas quando a verdade vem, sai destruindo com força, o castelo de alguém”, alertou Abaeté.
Entretanto, mesmo não conhecendo a cidade e com o intuito de não escorregar na rima, que é uma característica do Cordel, o escritor cordelista soube enaltecer a Cidade Mais Alemã do Brasil e prometeu fazer uma visita.
Quando isso acontecer, veremos outras de nossas histórias se transformarem em páginas da literatura de cordel, assim como aconteceu com o episódio da jumenta.

Erivaldo Leite de Lima, o poeta Abaeté do Cordel

Erivaldo Leite de Lima, o poeta Abaeté do Cordel

Quem é?
Erivaldo Leite de Lima, o poeta Abaeté do Cordel, é natural da cidade de Sertânea, no estado de Pernambuco e mora há mais de 20 anos em Natal. Ele se considera um PERNAMPO (Pernambucano-Potiguar) e é o idealizador e organizador da Casa do Cordel. Abaeté é autor de mais de 500 títulos de literatura de cordel, entre eles "O casal que engatou no parque industrial”, "Astrologia do peido”, "O câncer infantil", e outros. Seus trabalhos já passaram por diversos países do mundo como: França, Portugal, Espanha e Estados Unidos.

Literatura de cordel
A literatura de cordel, vulgarmente conhecida no Brasil como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Para reunir os expoentes deste gênero literário típico do Brasil, foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro.

Reproduzido do Jornal de Pomerode: www.adjorisc.com.b

Um comentário:

  1. kkkkkkkkk...sou de Pomerode, SC, e essa historia é lembrada até hoje hehehehe

    ResponderExcluir