CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 25 de setembro de 2011

Cordel ‘renasce’ e nordestinos ganham mais espaço em Ribeirão

Cordelistas abusam do bom humor para ilustrar histórias do cotidiano e também fatos históricos

Alagoano José Ferreira Andrade teve primeiro contato com o cordel aos 11 anos, numa feira de Olho D’Água

Alagoano José Ferreira Andrade teve primeiro contato com o cordel aos 11 anos, numa feira de Olho D’Água

Frases curtas e rimadas. Uma história enxuta, mas que vai fundo no recado. Com muita irreverência dos autores, na grande maioria nordestinos radicados em Ribeirão Preto, a literatura de cordel está ganhando espaço na cidade. Há quase um ano, projeto é realizado no Parque Maurílio Biagi, na zona Oeste.

O local recebe produtores da rica literatura e curiosos, que nos últimos meses aumentaram bastante. "Por causa da novela [Cordel Encantado, da Rede Globo], muita gente se interessou por esta cultura. Cabe agora a nós, produtores, não deixar isso acabar", diz Carlos Tampa, um dos responsáveis pelo trabalho no parque.

Tampa é bastante conhecido no meio musical, principalmente por conta dos repentes, mas o cordel foi seu primeiro trabalho, ainda no interior de Pernambuco, seu estado natal.

"Quando comecei a trabalhar, ainda muito jovem, vendia macaxeira na feira, em Goiana-PE. Aprendi a fazer cordel para atrair os clientes", afirma Tampa, hoje com 47 anos.

Cara nova

Outro que teve acesso ao cordel nas feiras nordestinas foi José Aparecido Ferreira de Andrade, 32, que está em Ribeirão há apenas cinco meses. Ele veio de Olho D’Água da Flora (AL).

"Tinha 11 anos quando vi o cordel pela primeira vez. Eu fui à feira e vi um homem com uma violinha fazendo cordel. Esqueci até o que minha mãe havia pedido para comprar", afirma.

Ferreira de Andrade ainda não conhece o grupo de Ribeirão Preto, mas diz que irá participar do próximo encontro. "Não sabia que existia, agora vou procurar. Quero mostrar o que tenho de material", comenta.

Mistério

Os cordelistas apontam um dos segredos utilizados para conseguir comercializar os trabalhos produzidos: o mistério.

"Lembro, quando era criança, dos cordelistas começarem a contar a história e depois falarem: ‘se você quer saber o final, compre o cordel’. Isso me dava muita raiva, mas hoje também faço", diz Ferreira de Andrade.

Tampa diz que também ficava curioso no começo, mas que hoje é adepto da famosa frase utilizada pelos cordelistas.

"A cultura oral é muito forte, por isso precisamos chamar a atenção", diz.

O cordelista também comenta que o cordel é uma ótima ferramenta de inclusão. "No cordel, mesmo quem não sabe ler participa, já que ele pode escolher o cordel e passar para os ‘homens da corda’, como são conhecidos os cordelistas, lerem", afirma Tampa.

As histórias agradam ao público que já esteve acompanhando o projeto no Maurílio Biagi.

"É muito divertido e curioso. Fiquei impressiona com a facilidade e riqueza das histórias", diz a vendedora Sônia Regina Freitas Barbosa, 33.

Fonte: www.jornalacidade.com.br

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