CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quinta-feira, 27 de março de 2014

ESTUDANTE DE BIBLIOTECONOMIA DANIELLE BELISARIO DEFENDE MONOGRAFIA AVALIANDO IMPACTO DE PROJETO DE CORDEL NAS ESCOLAS DE JOÃO PESSOA–PB

 

                                         


A estudante de Biblioteconomia e mais nova bibliotecária Danielle Belisario defendeu na noite de ontem (26/03/14) a monografia intitulada "Impacto do Projeto 'Cordel no Espaço Escolar nas bibliotecas escolares de João Pessoa'". O projeto foi uma iniciativa de seu esposo, o cordelista Manoel Belizario, financiada pelo Ministério da Cultura por meio do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel.A proposta distribuiu cinquenta e seis folhetos em cinquenta escolas públicas de João Pessoa - a fim de incentivar a leitura da Literatura de Cordel no ambiente estudantil . A monografia foi orientada pela professora Dra. Elizabeth Baltar - renomada pesquisadora de Literatura de Cordel - e apresentou um panorama acerca da execução das propostas do projeto nas escolas beneficiadas.  Foi lançada uma versão do trabalho em cordel a qual está disponibilizada abaixo:

O CORDEL

A Paraíba é o berço
Do ilustre menestrel
Leandro Gomes de Barros,
Nas rimas o mais fiel,
Pai dessa literatura
A qual chamamos cordel.

Com ele o cordel voou
Para o resto do Brasil
Logrando uma imensa fama
Nos rincões da mãe gentil.
Seus poemas encantaram
Do idoso ao infantil.

O cordel é um lugar
Por onde escorre cultura,
Uma manifestação
Bela de literatura.
Por ser criativo sempre
E sucesso de leitura.

Porém não teve sucesso
De maneira universal
No ambiente escolar
Espaço onde afinal
A arte é utilizada
Com fim educacional.

Há muitos livros na escola
Há muita literatura
O MEC seleciona
O tipo de escritura
Excluindo o cordel
Numa incorreta postura.

Essa análise levou
O poeta Manoel
Belizario a tentar
Cumprir com o seu papel
De cidadão incluindo
Na escola o cordel.

Assim ele planejou
Fazer distribuição
De folhetos nas escolas
Para a apreciação
Dos alunos e assim
Dar sua contribuição.
Porque, leitor, nosso mundo
Tá farto de teoria.
Precisamos pôr em prática
As ações no dia a dia
As quais cremos serem atos
Que gerem cidadania.

Além de distribuir
Folhetos o tal projeto
Também orientaria
De um modo bem concreto
Os professores na lida
Com aqueles objetos.

Porque Manoel partiu
Da própria experiência,
Sendo professor de Letras
Já vinha com antecedência
Trabalhando com cordel
Durante a sua docência.

Por algum tempo a ideia
Permaneceu no papel
Feito amigo em coração
Ou soldado num quartel
Residindo sem pagar
Um tostão de aluguel.

Foi quando em 2010
O governo federal
Resolveu dar atenção
Ao cordel num edital
Por meio do ministério
Que trata do cultural.

Dessa forma o ministério
Da cultura coletiva
Abriu edital de um prêmio
Por nome de “Patativa
De Assaré” para o cordel.
Que boa iniciativa!

Foi aí que Manoel
Teve a oportunidade
De fazer a sua ideia
Se tornar realidade
Para beneficiar
A nossa comunidade.

Inscreveu o seu projeto
O mesmo foi contemplado
Com o recurso necessário
Para ser executado
E a estrutura do mesmo
Por nós será relatado.

O MINC financiou
Quatro mil e novecentos
Reais para serem feitos
Os dois mil e oitocentos
Folhetos pra ser doados
Nos estabelecimentos.

Mil e cinquenta folhetos
Ao autor foram doados.
Os estabelecimentos
De ensino contemplados
Totalizando cinquenta
Entre município e estado.

Cada escola recebeu
Cinquenta e seis exemplares.
Seis folhetos diferentes
Com temáticas singulares
Rimadas, versificadas
Em estrofes populares.

Cartazes explicativos,
Informe, claro, direto.
Folder dando dica como
Trabalharem o projeto
Assim Manoel tornou
O seu desejo concreto.

Porém como observar
Se houve a execução;
Que fim foi dado aos folhetos;
Se foram lidos ou não;
Se as escolas incluíram
Em algum plano de ação?

Pensando nisso a aluna
Danielle Belisario
Decidiu analisar
Como anda tal cenário
Marcado pela presença
Do projeto literário.

Danielle é estudante
De Biblioteconomia
O tal projeto foi tema
De sua monografia,
Sendo esposa do autor
Lhe deu bastante alegria.

Teve a orientação
Da ilustre professora
Elizabeth Baltar
Competente educadora
Que do cordel também é
Constante pesquisadora.


Para fazer esta análise
Danielle visitou
Treze, das cinquenta escolas
Onde o projeto passou
E um breve questionário
Com um funcionário aplicou.

Danielle constatou
Que na grande maioria
Das escolas visitadas
O projeto persistia
E para várias ações
Tinha muita serventia

Como: a realização
De projetos de leitura,
Recitais, saraus poéticos,
Exposições de cultura,
Oficinas de teatro,
Aulas com reescritura.

Ficam nas bibliotecas
Ou nas salas de leitura
Auxiliando os leitores
Nas viagens e aventuras
Cujo impacto no intelecto
Me diz quem é que mensura?

Com sua monografia
Dany pôde observar
O impacto do projeto
“Cordel no espaço escolar”
Nas escolas onde o mesmo
Veio a se concretizar.

Deu um presente ao esposo
Autor da iniciativa,
Pois um resultado desses
Imensamente o motiva
Para novas empreitadas
Estimula, incentiva.

Manoel Belizario

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