CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PRÊMIO MAIS(?) CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL E O DESRESPEITO À CULTURA POPULAR BRASILEIRA

      

          É, meus amigos, mais um dia de desrespeito na vida daqueles que tanto sonharam com o prêmio Mais(?) Cultura de Literatura de Cordel . Como foi grande a alegria ao nos vermos premiados. Porém não nos demos conta de que era tudo promessa. De que estávamos colocando nossas esperanças de erguer com gosto de gás o Cordel numa canoa furada. Porque a maioria de nós premiados nem pensamos no valor financeiro do projeto  - que é ínfimo –, mas no muito que poderíamos fazer com tão pouco. Hoje exigimos do governo nada mais que respeito com os  artistas da cultura popular brasileira, pois tudo isso não passa de um grande descaso. Já não basta o massacre que esta cultura vem sofrendo por parte do lixo cultural invasor da sociedade contemporânea? É isso aí amiga Rosário Pinto. Vamos reivindicar o prêmio e com isto estamos cobrando o mínimo que um governo pode fazer por seus cidadãos: tratá-lo com respeito  cumprindo com o que se propõe.

Fonte: Cordel de Saia

Cadê o Prêmio???

Por Rosário Pinto

O coração do poeta
Hoje lamenta o descaso
Ministério faz dieta
O prêmio passa do prazo
Ta virando historinha
Ou quem sabe ladainha
Ou mesmo assombração
Tratam-nos com desrespeito
E isto eu não aceito
É uma violação

Publicaram um edital
Convocaram o poeta
Para um prêmio orbital
Cada um com sua meta
Elaboraram projeto
Dentro daquele decreto
Cumpriram todas as normas
Cada item observado
Poeta não é tapado
Tudo agora se transforma

Patativa do Assaré
Certamente está vendo
Remamos contramaré
Com isso nos abatendo
Mas o grito ecoando
Feito novilho berrando
Contra esta aberração
De Prêmio abduzido
E o poeta seduzido
Pede a aclaração


Rio de Janeiro, maio 2011

Revisão: Dalinha Catunda
http://cantinhodadalinha.blogspot.com
Imagem:desabafolandia2.blogspot.com

Um comentário:

  1. Caro amigo Belizário,
    Obrigada por compartilhar das denúncias do Prêmio Mais(?) Cultura - Edição Patativa do Assaré, 2010:

    O meu nome é cordel
    Não tenho outro de pia
    Muitos fazem os seus versos
    E com muita maestria
    Mas, nem tudo é cordel,
    Como os de um menestrel.
    Isto não é ironia.
    *
    Patativa do Assaré,
    Lá no seu eterno leito
    Pensa, medita e canta:
    Exigimos mais respeito,
    Oh! que Ministério fraco!
    Caímos em um buraco
    Vamos cobrar o direito!

    Meu abraço,
    Rosário Pinto

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