CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Adolescentes escrevem Cordel para o Saberes e Sabores – Pacatuba - CE

Fonte: www.pacatuba.ce.gov.br

Por Lucílio Lessa
           Signo proeminente do universo sertanejo, a Literatura de Cordel vem ganhando espaço em outros segmentos. Prova disso é que o Festival de Literatura e Gastronomia – Saberes e Sabores, a ser realizado de 26 a 28 de maio, em Pacatuba, será palco da publicação de um livro de Cordel criado por alunos do município. “Nossa ideia é aproximar os estudantes de Pacatuba desse poema popular tão característico das nossas raízes. Agradeço inclusive a parceria da Secretaria de Educação para a concretização dessa proposta”, destaca a secretária de Turismo e Cultura, Marluce Rodrigues.
          A fim de garantir uma melhor assimilação do tema por parte dos alunos, a Secretaria de Turismo e Cultura (Funtec) aproveitou a comemoração do Dia do Livro, 27 de abril, para realizar uma oficina de Cordel ministrada pelo renomado cordelista Paulo de Tarso, que tratou de inteirar a garotada da origem desse tipo de literarura. “No Cordel, os poetas se inspiram em fatos reais ou na própria imaginação. Essa literatura foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses, que faziam os versos em apenas 4 linhas, as chamadas quadras. Nessa época, não eram utilizados livretos, como fazemos hoje”, disse Paulo.
          A estudante Deiviliane Soares, 13 anos, aluna da 8ª série do ensino fundamental, não desgrudava os olhos da lousa. “O Cordel faz a gente viajar. É bem dinâmico, engraçado. Fica fácil desenvolver as histórias”, afirmou. E até quem já tem familiaridade no assunto, fez questão de participar da oficina para aprender mais. “Para mim, essa é uma grande oportunidade. Vim aumentar meus conhecimentos. Já fiz dois livros de Cordel, ambos publicados graças à Funtec. O primeiro é: “Ao Sopé da Aratanha”, que eu fiz com os amigos Igor Chaves e Edna Maria. Já o segundo livro chama-se “Poetas da Aratanha”, também com o Igor”, ressaltou o escritor Luís Viana.
           De acordo com o secretário executivo da Funtec, Emanuel Monteiro, serão feitos mais de 500 exemplares do livro feito pelos adolescentes, para serem distribuídos no Saberes e Sabores. “O Cordel retrata a história desse País. Nada mais justo que a gente contemplar essa arte e fazer a nossa juventude entender um pouco mais desse tema”, disse Emanuel.

SAIBA MAIS
           A Literatura de Cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impresso em folhetos rústicos ou de outra qualidade de papel, expostos para venda em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, e  fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

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