CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 30 de julho de 2011

Se cordel é seu tipo favorito de literatura, o que você procura tem aos montes na Flit

Reproduzido de secom.to.gov.br

Uma manifestação tipicamente brasileira, a literatura do cordel tem admiradores até lá nos confins, inclusive aqui na Feira Literária Internacional do Tocantins. Na Estação Cordel, bem na Praça dos Girassóis, várias pessoas, delas um mundarel, se divertem com as poesias expostas em cordões presos por uns nós. O repente também agrada ao povo, que canta junto e gargalha à beça, pedindo aos repentistas “canta de novo”, sendo prontamente atendido pelos que tem acelerador de ideias na cabeça. No início das noites de Flit, na própria Estação, poesias e cânticos, hora com eiras hora sem beiras, são entoados por muita gente, agora segue de alguns que participaram a declaração, calma gente! Os textos vêm logo aí "pra" frente.

Para Valdemar Rodrigues de Sousa, de Porto Nacional, a literatura de cordel possui um estilo próprio que cativa os leitores e pode auxiliar na educação. “Existem diversas formas de leitura e a do cordel, entendo assim, é a mais lúdica, pois é sempre ritmada, breve e deixa os recados claros. Bem utilizado, o cordel é uma maneira mais atraente para incentivar os alunos a adquirirem o hábito da leitura, ou até mesmo de educá-los. Eu mesmo já usei em sala o meu ‘cordel do trânsito’, que diz assim em um trecho: ‘o povo fala, reclama da violência, mas o que mata no trânsito é a tal da imprudência’”, exemplifica o cordelista.

Amante do cordelismo, Edivângela Gregório exalta a importância da Estação Cordel para a popularização deste estilo estritamente nacional. “Sou de Pernambuco, que é o berço do cordel, por isto venho aqui neste espaço todas as noites, primeiro por amar esta arte, depois porque estar em meio a tanta gente recitando cordéis ou cantando repentes me faz matar um pouco a saudade da minha terra. A Estação Cordel é um dos vários grandes acertos da Flit, pois envolve a valorização da cultura nacional, entretenimento e muita emoção, principalmente para os nordestinos aqui presentes”, exalta a professora que há sete anos reside em Palmas e fez questão de subir ao palco para recitar o tradicional e cômico cordel “Jesus no xadrez”, de Zé da Luz.

Cordel e outra nordestina vertente: o repente

Segundo Izaias Gomes, professor o cordelista do Rio Grande do Norte, muitas pessoas não sabem o que exatamente caracteriza um cordel, o encarando de maneira minimalista. “Eu me atrevo a dizer que 90% das pessoas têm uma visão errônea sobre o que é o cordel, acreditando que ele se resume a versinhos rimados expostos em folhetos simples, coloridos, com xilografias, e expostos em barbantes. O cordel é poesia e ele pode ser manifestado de diversas maneiras, seja em folhetos, livros ou músicas, como o próprio repente. Estou feliz por este espaço que foi dado ao cordel, principalmente por se tratar de um evento grande, internacional; assim, não só vamos ter a chance de popularizarmos o cordel como também desmistificarmos muitas coisas sobre eles”, afirma o cordelista, autor do “Provérbios populares em cordel.”

Conforme também explica o repentista Sebastião da Silva, que em dupla com o colega de profissão Severino Feitosa realizou uma cantoria de repente nordestino na Estação Cordel, o repente e o cordel caminham juntos nas estradas da cultura popular brasileira. “As culturas repentista e cordelista são muito próximas, são artes-irmãs já que possuem características semelhantes e propostas de valorização do regionalismo também. Aqui na Flit os que tiveram menos contato com ambas estão podendo aprender um pouco sobre elas, e estamos muito felizes por fazermos parte desta festa toda, que veio para se tornar uma espécie de copa do mundo da cultura nacional, tanto regional como internacional”, exalta Sebastião, que é amigo de Severino há cerca de 40 anos.

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