CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O SERTÃO E A DESVALORIZAÇÃO DA CULTURA POPULAR

   

Por Manoel Belizario

       Qualquer pessoa que visite o sertão hoje na perspectiva de encontrar um espaço que faça jus ao status de habitat natural da Literatura de Cordel e da cultura popular nordestina com certeza ficará decepcionado: as terras sertanejas hoje em dia,  como nunca, servem ao lixo cultural invasor de todo o nosso país.
       Lembro com muita saudade de meu tempo de criança no sitio Lages entre os anos de 1985-1990. Foi nesta época que presenciei a efervescência da cultura popular em minha região. Brincadeiras de roda, galhinho de amor, do anel, passeio, cai no poço, as leituras de livretos, recontação dos mesmos em forma histórias nas debulhas de feijão, etc.
      Com o surgimento da TV lá em meu sítio, em 1990 aí mudou-se o foco e ninguém quis mais saber de outra coisa, só das novelas que ainda me lembro que estava passando à época: Gente Fina, Mico Preto, Rainha da Sucata, etc. Ninguém tinha outro assunto para falar.
      Durante o tempo que permaneci no Sertão, na zona urbana – entre 1990-2004 sinceramente não tive oportunidade de ter um contato expressivo com as manifestações culturais populares. Conheci muito pouco do forró de raiz e a Literatura de Cordel simplesmente desapareceu.
      Foi em João Pessoa que tive oportunidade de conhecer mais a fundo as manifestações culturais do sertão e portanto passei a dar um especial valor às mesmas.
      Vejo então uma inversão de valores. Hoje a capital valoriza a cultura sertaneja e o próprio sertão a descarta ou substitui por uma cultura efêmera, medíocre, suja, o chamado lixo cultural – como o caso do forró de raiz trocado pelo eletrônico/pornográfico.

Quem visitar o sertão
Procurando por cultura
Com certeza não será
Feliz em tal aventura
Sei que é triste o que digo,
Mas é a verdade pura.

O sertão hoje está
Envolto num lamaçal
Podre e talvez sem volta:
O do lixo Cultural.
Que eleva a porcaria,
Que valoriza o banal.

Acorda sertão o teu
Forró e o de raiz
O qual foi disseminado
Pelo Jackson e por Luiz
No Brasil, onde nasceu
O cordel? Sertão me diz...

Imagem: www.overmundo.com.br

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