CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Arquivo Públlico promove exposição de cordéis raros (Recife – PE)

Fonte:  educacao.pe.gov.br

Inicialmente eram cantados e, há alguns anos, foram utilizados como meio de comunicação para as camadas mais humildes da população. Atualmente são valorizados como parte da cultura nordestina e fonte de pesquisas históricas. Os cordéis, poesias rimadas que falam de maneira criativa, porém direta, sobre as trivialidades da vida são os objetos da exposição realizada pelo Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (Apeje) e que, nesta quarta-feira (20), contou com uma mesa redonda composta pelos pesquisadores Maria Alice Amorim, Paulo Moura e Felipe Júnior.
Na mostra, podem ser encontradas 94 obras raras, datadas a partir de 1908, e assinadas por João Martins de Athayde, um dos precursores da impressão dessa literatura. O artista é considerado um marco na arte, uma vez que inovou os leiautes da capa e se tornou um editor de cordéis. “Foi a partir de Athayde e Leandro Gomes de Barros que os livretos passaram a ser impressos e incorporados como o jornal do pobre, pois trazia informação do cotidiano através de textos lúdicos e de fácil leitura”, esclareceu o pesquisador e poeta cordelista, Paulo Moura.
Athayde utilizava, além das xilogravuras, fotografias de atrizes famosas da época e desenhos personalizados para cada livreto. Foi a partir dele que iniciou-se a prática de contratos de compra de direitos. Ele negociava com os poetas e publicava os cordéis assinando como editor-proprietário e, posteriormente, passou a retirar a autoria dos artistas, fato que o torna polêmico. “Grande parte dos cordéis de Leandro foram assinados por Athayde. Muito de sua fama se deve a outros autores”, contou o advogado e escritor Pedro Nunes Filho, também parente de Leandro Gomes de Barros.
Na exposição, que acontece até 5 de agosto, podem ser encontrados, além dos cordéis, 28 baneres confeccionados pelo Apeje e que retratam um pouco da vida do artista e das suas obras. “Nosso objetivo é trazer para a população a oportunidade de conhecer a literatura de cordel, dinâmica e lúdica. Ela chega a atrair a atenção não apenas de pesquisadores da área, mas também do público comum, dos novos leitores. Trabalhar essa temática com obras tão importantes para a nossa cultura e em um arquivo tão privilegiado de documentação é maravilhoso”, comemorou a professora técnica do Apeje e mestre em História Colonial, Andrea Barreto, também organizadora do evento

Fotos: Alyne Pinheiro

Assessoria de Comunicação

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