CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Desde escritor renomado/A cordelista sem fama;/Do doutor ao não letrado./Verso, seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Ei, cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso seu folheto seja/Por algum deus desdenhado:/Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.***

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belizario)

domingo, 19 de julho de 2015

VINDE A NÓS, Ó POESIA...



Por Manoel Belizario

No mundo pálido, acéfalo
Cheio de esquizofrenia
Ser nuvem é chorar fuligem
Ou vagar no céu, vazia
Ou dissolver-se no vento
Um feitor mui violento
Preso na própria alforria.

O planeta ensandecido
Vitimado em agonia
Paga os gestos tresloucados
Ficando em desarmonia.
Não há canto de ninar
Talvez possam nos salvar
Sussurros de poesia.

Que a poesia venha –
Não importando o formato.
O verso abraçado à prosa;
Concreto amando abstrato;
O planeta silencia
Vendo que a poesia
Barra seu assassinato.

Imagem: impenetravelego.blogspot.com

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