CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Desde escritor renomado/A cordelista sem fama;/Do doutor ao não letrado./Verso, seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Ei, cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso seu folheto seja/Por algum deus desdenhado:/Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.***

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belizario)

terça-feira, 21 de julho de 2015

PRIVATIZAÇÃO DA ARTE


 Por Manoel Belizario

Artista de qualquer ramo
Não ouça esse meu entono.
Porém louve, caro artista,
Por a arte não ter dono.
Se fosse privatizada,
Pode crer meu camarada
Nos deixaria sem sono.

Com arte tendo dono
Pra se fazer poesia
Cada letra da palavra
Cem mil reais custaria?
Uma estrofe de poema
Não importando seu tema
Uma fortuna seria.

O poeta pagaria
Taxa por inspiração.
Quem não pagasse tal taxa,
Iria para a prisão.
Seria decapitado
Quem poemasse, coitado,
Sem ter autorização.

Surgiria, dessa forma
 Tráfico de poesia.
“Traficante” de palavras
Assim que se chamaria
O nominado “poeta”
Até isso o dono veta
Agindo com covardia.

Sem poesia,os leitores,
Agiriam com loucura.
Abstinentes seus corpos
Amargariam fissura.
Uma “poesiolândia”
Parente da “cracolândia”
Ganhava musculatura.

Coitado do poetinha
Pego na ilegalidade...
Ainda bem que tal coisa
Não configura a verdade.
Mas num mundo de calhorda
Qualquer dia a gente acorda
E vê tal realidade.

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