CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

AOS LOBOS OS CORDEIROS


Por Manoel Belizario


Se amoita numa ingazeira
Ou bola de marmeleiro;
Embaixo de timbaúba
Ou detrás de juazeiro
No lugar do olho o tato
Farejando feito gato
Por instinto traiçoeiro.
.
As ovelhas indefesas
Seguem em fila, em procissão
A qual passará por onde
Se atocaia o vilão
Para um ataque bandido
Contra o fraco e desvalido
Com gesto de traição.
.
Porém o que mais desperta
Este olhar expectador
É a covardia expressa
No aceno do pastor
Que age perversamente
Entregando friamente
Ovelhas ao predador.
.
O pastor se sente esperto
No gesto cruel, ímprobo,
Pois entregar cordeirinhos
Na bocarra vil do lobo
Traz para si proteção,
Maspensa assim o vilão
“Depois eu janto esse bobo.”
.
Caberá aos cordeirinhos
Juntos numa só canção
Mudar o rumo, o caminho;
Conduzir a procissão;
Serem seus próprios pastores;
Superar as próprias dores
Para vencer o vilão.
.
Dessa narrativa faço
A seguinte analogia:
O político é o lobo
Que nos sangra todo dia.
O pastor é o sindicato
O qual nos vende num trato
Que muito o beneficia.

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