CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Literatura de cordel faz sucesso em Belo Horizonte

 

Tradição nordestina encontra novos leitores nas grandes cidades; na capital mineira, os livretos estão fazendo o maior sucesso, garante o escritor Olegário Alfredo

Carlos Herculano Lopes - EM Cultura Publicação:18/02/2013 08:04;

Fonte “Divirta-se”

Acompanhados de xilografias, versos em em estrofes de 10, 8 e 6 versos remontam ao século 16 (Costa Leite/Editora Crisálida)

Acompanhados de xilografias, versos em em estrofes de 10, 8 e 6 versos remontam ao século 16 ainda muito popular no Nordeste, onde chegou com os colonizadores portugueses e encontrou campo fértil para se expandir devido à variedade de assuntos, a literatura de cordel começou a ganhar força em Belo Horizonte de uns tempos para cá. Um dos responsáveis por isso é o escritor Olegário Alfredo, o

Autor de dezenas de livretos, que versam sobre temas diversos, ele coordenou recentemente, para a Editora Crisálida, com apoio do Ministério da Cultura, o lançamento de seis clássicos do gênero: 'A chegada de Lampião no inferno', de José Pacheco; 'A vida de Pedro Cem', 'A peleja de Manoel Riachão com o diabo' e 'O cavalo que defecava dinheiro', de Leandro Gomes de Barros; 'Romance do Pavão Misterioso', de José Camelo de Melo Resende; e 'As proezas de João Grilo', de João Ferreira de Lima.

Curiosidade

Mineiro de Teófilo Otoni, onde começou a se interessar pelo cordel ainda na adolescência, depois de conhecer poetas nordestinos que viviam por lá, Olegário conta que o processo de seleção desses seis primeiros volumes se deu devido à grande procura dos leitores. “Em todos os lugares onde ia fazer palestras e lançar meus trabalhos, as pessoas perguntavam por esses cordéis famosos, e falavam da dificuldade de encontrá-los. Daí surgiu a ideia de lança-los aqui em Minas”, diz o escritor, que é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro.
Além de ter coordenado o lançamento desses clássicos, em parceria com o poeta Ricardo Bahia Rachid, Olegário Alfredo publicou a série Cordel para crianças. “São 10 textos educativos, nos quais falamos de temas diversos como ecologia, medicina, fauna e flora, capoeira, geografia, e outros”, explica o autor. “Eles estão sendo muito bem recebidos nas escolas, inclusive na Zona Sul.”

Olegário Alfredo coordenou a publicação de seis clássicos do gênero para a Editora Crisálida. Entre os últimos trabalhos de Olegário estão cordéis escritos em homenagem aos 100 anos de nascimento de Jorge Amado e Luiz Gonzaga e sobre a cantora Clara Nunes, além da coordenação do cordel 'A porca de privada', escrito em 1950 pelos mineiros João Júlio de Oliveira e Sebastião Gonçalo de Oliveira. Olegário está terminando também um livreto no qual fala dos antigos cinemas de Belo Horizonte, com previsão de lançamento para Olegário Alfredo coordenou a publicação de seis clássicos do gênero para a Editora Crisálida (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press-15/2/13)breve.
Em relação aos clássicos, o escritor diz que a intenção é lançar vários outros, assim que conseguir mais patrocínios. Em Belo Horizonte, os cordéis podem ser encontrados em bancas do Mercado Central (Av. Augusto de Lima, 744), nas livrarias Crisálida (Rua da Bahia, 1.148/sobreloja 63) e Amadeu (Rua dos Tamoios, 748) e na Borrachalioteca (Praça Paulo de Souza Lima, 22, em Sabará)

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TRADIÇÃO
Também conhecido como folheto, o cordel é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado de relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século 16, mas o nome tem origem na forma como tradicionalmente eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de 10, oito ou seis versos.

Confira reprodução de um dos cordéis de José Pacheco, editado por Mestre Gaio:

A chegada de Lampião no inferno

Um cabra de Lampião
Por nome Pilão Deitado
Que morreu numa trincheira
Em certo tempo passado
Agora pelo sertão
Anda correndo visão
Fazendo mal-assombrado


E foi quem trouxe a notícia
Que viu Lampião chegar
O inferno nesse dia
Faltou pouco pra virar
Incendiou-se o mercado
Morreu tanto cão queimado
Que faz pena até contar


Morreu a mãe de Canguinha
O pai de Forrobodó
Três netos de Parafuso
Um cão chamado Cotó
Escapuliu boca Ensossa
E uma moleca moça
Quase queimava o “totó”


Morreram 100 negros velhos
Que não trabalhavam mais
Um cão chamado Trás-cá
Vira-volta e Capataz
Tromba Suja e Goteira
Cunhado de Satanás


Morreu o cão Parafuso
Cão Farrapo e Cão Perigo
A nêga chupa tutano
Que é irmã do inimigo
Morreu o cão Vira-Mundo
Que vem a ser primo segundo
Da mãe de Calor de Figo


Vamos tratar da chegada
Quando Lampião bateu
Um moleque ainda moço
Na porta apareceu
_Quem é você, cavalheiro?
_Moleque eu sou cangaceiro...!

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