CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 25 de setembro de 2010

CANÇÃO: CARTA DE UM MARGINAL

Mastruz Com Leite

(Me balançando na rede
Numa taipa do Sertão.
Enquanto o Sol se escondia
Eu ouvia esta canção...
E num passeio ao passado
Me veio à recordação
.
Manoel Belizario)

Recebi pelo correio
Carta de um hospital
Dizendo ser de um cliente
Que passava muito mal
O qual eu já tinha lido o
Seu nome em um jornal

Dizia: caro poeta só
Você que tem memória
Pode transformar em versos
Minha fracassada história

Meu destino veio traçado
Com a minha formação
O ventre que me gerou
Foi desmando e traição
Fui maldito desde o dia
Da minha concepção

Passei por cima da pílula
Fui gerado em desconforto
Minha mãe tomou remédio
Pra ver se eu nascia morto

Vim ao mundo por acaso
E não conheci meus pais
Fui jogado em um cerrado
Em pedaços de jornais
A polícia achou-me quando
Procurava marginais.

Alguém de mim tomou conta
Me fazendo uma esmola.
Me criaram como filho
E me botaram na escola
Me criaram como filho
E me botaram na escola.

Não quis saber de trabalho,
Estudar não dei valor
Sempre desobedecendo
Ao meu superior
Batia nos meus colegas.
Xingava meu professor

Peguei o vício das drogas
Junto com a corriola
Minha vida foi maldita
Mesmo dentro da escola

Fui expulso de um colégio
Por traficância ilegais
Desonrei uma menor
E fugi da casa dos pais
E parti para a pesada
Num grupo de marginais

Não conto tudo a miúdo
Porque meu tempo não dá
Não quis nada com o trabalho
Meu negócio era roubar

Traficante e assaltante
Todos temiam a mim
Fui terror da noite escura
E fiz tudo que foi ruim
Um germe assim como eu
Só presta levando o fim

Sempre fugindo do cerco
E matando de emboscada
Seduzi muitas donzelas
Fiz assalto à mão armada

Naquele mesmo lugar
Onde eu fui encontrado
Pela ronda da polícia
Há muito tempo passado
Me escondendo de um assalto
Por ela eu fui baleado

A bala entrou no meu peito
E feriu meu coração
Já fizeram muito esforço
Mas não tenho salvação

Não te escrevo mais porque
Minha vista está tão pouca
Falar também eu não posso
Minha garganta está rouca
Termino a carta botando
Muito sangue pela boca

Fonte

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