CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 11 de maio de 2010

VERSOS DE PATATIVA DO ASSARÉ - (I)

Poetas AOS CLÁSSICOS

niversitário Poetas,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de Mitologia;
SE a gente canta O Que PENSA,
Eu Quero pedir Licença,
Mesmo sem Pois português
Neste livrinho apresento
O Praze e o Sofrimento
De poeta camponês um.

Eu nasci mato Aqui não,
Vivi semper uma trabaiá,
Neste Meu pobre Recato,
Eu Não pude estudá.
Nenhum verdô de Minha idade,
Só um tiva Felicidade
De hum Dá Pequeno insaio
Em Dois livro do iscritô,
O Famoso professo
Filisberto de Carvaio.

Nenhum livro Havia premêro
Belas figuras nd capa,
E no comeco se lia:
A pá - O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera É «má
E Tantas Coisa bonita,
Qui o Meu Coração parpita
QUANDO eu pego um rescordá.

Foi OS livro de valo
Mais maio Que vi nenhum Mundo,
Apenas auto DAQUELE
Li o e premêro o segundo;
Mas, porém, leitura esta,
Me tiro da treva escura,
Mostrando o Caminho Certo,
Bastante me protegeu;
Eu Juro que DEU Jesus
Sarvação um Filisberto.

DEPOIS Os Dois Que eu li livro,
Fiquei me sintindo Bem,
E otras coisinha Aprendi
Sem tê Lição de ninguém.
Na Minha Lingua pobre,
A lira servage Minha
Canto O Que Sente Minha arma
E o Meu coração incerra,
Como Coisa de minha terra
E a Vida de Minha gente.

niversitaro Poeta,
Cademia de Poeta,
De rico vocabularo
Cheio de Mitologia,
Tarvez Meu livrinho Este
Não vá recebê carinho,
istima Nem Nem lugio e,
Mas garanto sê fie
E não istruí pape
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê Meu volume,
Pra Não Fica parecido
Com um perfume sem Fulô;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria Não me da;
TEM Não sabo uma leitura,
Parece Uma Noite iscura
Sem lua sem istrela e.

UM Se me pergunta doto
Se o verso sem rima presta,
Calado eu FICA Não Vou,
A Minha Resposta É ESTA:
Sem uma rima, uma poesia
Perde arguma simpatia
E Uma parte do primo;
Não Merece munta parma,
É Como o Corpo sem arma
E o amo sem Coração.

Meu caro amigo poeta,
Qui Faz poesia branca,
Não me Chame de Pateta
Por esta Opinião franca.
Nasci Entre a Natureza,
Sempre adorando a beleza
Das obra do Criado,
Uvindo o vento nd serva
E não vendo um campo Reva
Pintadinha de Fulô.

Sou caboco UM rocêro,
Sem istrução sem letra e;
O TEM Meu verso o chero
Da poêra do sertão;
Nesta Vivo Soledade
Bem destante da Cidade
Onde um ciença guverna.
Tudo é meu natura,
Não sou Capaz de Gösta
Da poesia moderna.

Deste jeito Deus me Quis
E assim eu me Bem Sinto;
Me considero feliz
Sem Nunca TEM Quem Inveja
Conhecimento Profundo.
Ou ligero Como o vento
Ou divagá Como um lêsma,
Tudo sofrê um MESMA prova,
Vai bate nd fria cova;
ESTA Vida é semper uma MESMA.


Texto: http://www.fisica.ufpb.br/ ~ romero / port / ga_pa.htm # Aos
Imagem: http://parazinet.files.wordpress.com/2009/02/patativa-do-assare.jpg

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