CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 15 de março de 2010

SÃO JOÃO SERTANEJO


Quando estive no sertão
Na casa de vó Maria
Era tempo de São João
Tempo de muita alegria.
A gente tomava banho
com uma cuia de cabaça,
Quando tinha gia e rã
Na cacimba era uma graça.

E quando era de noite
A gente se reunia
Pra brincar de cai no poço
De passeio e de cutia.
Brinca de roda e anel
Era tão boa a folia!
E de galhinho de amor,
Meu coração sofredor

Por alguém já se roía.
Era funaré danado
Quando a chuva caía:
Nós corríamos nas matas,
Por onde o córrego seguia,
Nós pescávamos traíra,
Curimatã e piaba
Pra de noite em fogo à lenha
A gente comer assada.

Então com os açudes cheio
Nós andavamos de canoa.
A mata cinza era verde,
Êta que vidinha boa!
E aos domingos nós íamos
Visitar muitas pessoas,
Gente que pisava milho
Ainda em meus ouvidos,
Àquela batida soa.

Assim chega o grande dia
A noite tão esperada,
Na casa da Vó Maria
A banda já se instalava.
Eu olhava para as serras
Pras veredas encravadas.
A mata tão colorida,
Que tanta gente bonita,
Que pro forró já chegava.

Então foi às sete horas
Que a sanfona começou.
A fogueira estalava,
No terreiro, sim senhor.
O povo todo dançando,
Gonzagão a entoar.
Êta que festança boa,
Eu gritava pras pessoas
Quero me mudar pra cá.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto




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