CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 14 de março de 2010

LEMBRANÇAS DE UM RIACHO SERTANEJO


No riacho habitado
Por pedra, vento e poeira
O menino passeava
Pras bandas da capoeira
Levando três reses magras,
no mugido das porteiras.

O riacho que seguia,
Ele olhava atentamente.
Fôra rei das alegrias
Em um tempo diferente
Antes espelho das àgua.
Agora estilhaços quentes.


Antes morada de peixes,
Agora ali residia
Castiçais de lagartixas
Serpentes e fantasias,
Folhagens secas nadando,
Às areias confundiam.


Pois já era tão tristonho
Quando a água neledescia.
Parecia que enganava
Porque logo se sumia.
Às vezes não demorava
Nem três horas,nem três dias.


Havia uns rios lá fora
Que secos nunca ficavam
Mas àquele riachinho
Que à paisagem enfeitava
Só às vezes ficava cheio.
Vez em quando transbordava.


Mas fazia tanta festa
Quando a água nele descia
Cantarolava nas pedras,
Uma música que seguia,
Sapos rãs e pererecas
Perto do raiar do dia.


A água expulsava os males
Que habitavam o seu ser,
Lavavam as suas mágoas
Suas pedras, seu poder
Suas veredas fechadas
Voltavam a aparecer.


Após a primeira cheia
Era branco, transparente
Os peixes apareciam
Sem demora, de repente
Trazendo vida ao curral,
Germinação de sementes.


Tornava-se habitado
Por pescadores felizes
Porque teriam além
Dos preás e codornizes
Mais um novo maná verde
Pra colorir os matizes.


Crianças da vizinhança
Vinham ali se divertir,
Transformavam suas poças
Em jardins de colibri
Pétalas desabrochavam
Com a essência do sorrir.


Pareciam sentinelas
De uma esplêndida mansão.
Vigiavam suas pedras,
Barreiras, espelhos,vãos
Curiosos descobrindo
Reinos da imaginação.


Tudo isso eram lembranças
Provindas de tempo atrás.
Sem chuva ele era um deserto
Navio sem porto ou cais,
Vereda desabitada
Que gado não anda mais.

Autor Manoel Messias Belizario Neto
(Modificações para aperfeiçoar a métrica em 21.04.10, 10:23)
Fonte Imagem: http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/images/1619_seca/3164245_060315somaliariver.jpg

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