CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 3 de dezembro de 2011

UFPB disponibilizará Museu de Cultura Popular na internet

O acervo do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da UFPB reúne a tradição nordestina, especialmente a paraibana

A memória da cultura popular paraibana poderá ser acessada de qualquer parte do planeta, por meio do site www.museunuppo.com.br. Assim, denominações únicas como barca, cambinda,índios de carnaval, pontões, babau, dentre outras, reunidas com outras manifestações da tradição oral, tomarão rumos da Paraíba para o mundo, através de uma simples visita virtual.

O lançamento do Projeto de Disponibilização do Museu de Cultura Popular Nuppo – Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ocorre nesta quarta-feira (7), às 11h. O projeto é coordenado pela professora Alice Lumi Satomi.

O objetivo geral do Projeto de Disponibilização do Museu de Cultura Popular Nuppo é ampliar e dinamizar o acesso ao seu acervo, banco de dados e pesquisas, tanto para a consulta pública in loco quanto pela Internet.

Segundo a coordenadora, Alice Satomi, o projeto se concretizou graças ao patrocínio da Petrobras e retoma a concepção de “acervo vivo”, de pesquisas gerando mais pesquisas. A visita virtual além de ampliar o acesso e consulta aos acervos, permitirá a constante atualização e intercâmbio do banco de dados, prossegue Alice.

Ela informou que o Nuppo reúne parte expressiva da tradição popular nordestina, especialmente a paraibana. “Este terreno fértil e ainda pouco afetado pela cultura de massa tem atraído pesquisas quase que ininterruptas, desde o início do Século XX, destacando-se: Rodrigues de Carvalho, na década de 10; Mário de Andrade, nas décadas de 20 e 40; Simeão Leal, nos anos 50; Altimar Pimentel, na década de 60; Tenente Lucena, Osvaldo Trigueiro e Roberto Benjamin, anos 70; René Vandezande, Maria Ignez e Marcos Ayala, na década de 80; Idelette dos Santos, anos 90; e, na última década, Carlos Sandroni”.

Ainda segundo Alice, boa parte dos trabalhos desses pesquisadores encontra-se no Nuppo, mas os documentos e registros em fita magnética (rolo e cassete) estavam correndo riscos irreparáveis. “O ponto de partida foi o acervo sonoro constituído de duzentas fitas magnéticas de rolo, contendo registros da cultura popular paraibana entre as décadas de 60 e 80, que podem ser de grande valia para novos estudos em áreas inter e multidisciplinares (antropologia, literatura, sociologia, comunicações, educação), especificamente para a etnomusicologia”.

Museu abriga 1.107 peças artesanais

Situado no prédio da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, sendo um setor da Coordenação de Extensão Cultural (COEX), vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC), o Nuppo surgiu em 1978, com o objetivo de “registrar, preservar e promover o folclore regional”, segundo Osvaldo Trigueiro, o primeiro coordenador.

De acordo com o projeto, o Museu de Cultura Popular exibe uma parte do seu acervo material e a coleção completa soma 1.107 peças artesanais: 658 peças utilitárias (trabalho, lamparinas, cozinha, brinquedos, rendas, instrumentos musicais e adereços cênicos), 249 peças decorativas (em cerâmica, madeira, metal, fibras e recicláveis) e 200 folhetos de cordel.

Em relação ao conteúdo e temática o projeto subdividiu a coleção em cinco séries: a) ciclos de vida – artesanatos utilitários, religiosos e decorativos, cantigas de trabalho, lazer e reza; b) prosas, versos e desafios – literatura de cordel, contadores de estórias, cantadores, repentistas ou emboladores; c) Brincantes – cavalo marinho, coco, ciranda, pastoril, congos, reisado, pontões, barca, cambindas; d) música instrumental – pífanos, rabeca, índios de carnaval; e) minorias sociais – juremeiros, negros Caianas, índios Potiguara.

A biblioteca disponibiliza para consulta local uma coleção de mais de 1.410 títulos entre livros, revistas, anais, boletins, monografias, dissertações e teses dos quais 1/3 versam sobre a tradição oral nordestina. Uma publicação notável do Nuppo é a coletânea de contos populares, resultado da Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba, organizadas por Altimar Pimentel, Myriam Gurgel Maia e Ivaldo Nóbrega.

A sala áudio visual abriga o arquivo documental, contendo o acervo imaterial, com mais de dois mil testemunhos: documentos e entrevistas textuais, 1.730 registros iconográficos (fotos, slides, fitas vídeos e DVDs) e 514 itens sonoros, entre fitas magnéticas, discos em vinil, CDs. Todo esse material foi recolhido, sobretudo na Paraíba, pelos coordenadores e pesquisadores ao longo das três décadas de existência.

Os acervos têm atingido, principalmente, o público local com a exposição permanente do acervo museológico e exposições temporárias, organizadas por temáticas ou calendário da cultura popular.

“Através do projeto acreditamos que o Nuppo alcançará um novo vigor, não somente junto à comunidade acadêmica – ampliando a percepção, recepção e pesquisa da cultura popular – mas também para a própria comunidade que gerou as fontes para o nosso acervo”, conclui Satomi.

Mais informações no Programa de Pós-Graduação em Música (etnomusicologia), telefone:

(83) 3252.1445.

Reproduzido de www2.ufpb.br

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