CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Literatura de Cordel: cultura roraimense narrada em versos

Cordelista nas horas vagas, Rodrigo de Oliveira contou sua paixão pela literatura e pelas belezas naturais da Amazônia

RORAIMA – Botânico, professor do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Roraima e cordelista nas horas vagas, Rodrigo de Oliveira é natural de Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Neto do poeta popular Urbano de Souza Costa (“Seu Pirrito” de Glória do Goitá-PE) e irmão do cordelista Rafael de Oliveira, Rodrigo começou a escrever contos de cordel em 2008, dois anos após ter escolhido Roraima para viver.

Cordelista Rodrigo de Oliveira. Foto: Raimesson/Amazon Sat

Segundo Rodrigo, sua principal inspiração para iniciar este trabalho foram as belezas da Amazônia e o Trio Roraimeira – grupo de artistas locais que retratam em músicas e poesias, história, lenda  e cultura de Roraima. “Quando cheguei a Roraima, em março de 2006, para dar aulas, me deparei com as belezas naturais da região: savana em meio à floresta amazônica, isso me chamou muito a atenção”, disse.

Com o tempo, Rodrigo começou a se interessar pela cultura da região. Poesias, artistas e curiosidades em geral que levaram o, até então, professor universitário, a arriscar os primeiros versos de cordel, incentivado pela visita do irmão cordelista a Roraima. Este que lhe passou às técnicas e os primeiros passos dos contos.

Dentre as referências, Rodrigo citou o primeiro cordelista da história, Leandro Gomes de Barro e não esqueceu do avô e irmão. Rodrigo falou ainda sobre sua admiração aos cordelistas de Roraima - Mestre Egídio, Otaniel, Zanny, Bach – , e falou da sua admiração especial ao cordelista Xarute – Alberto Francisco Nascimento, popular por escrever cordel sobre notícias do dia-a-dia em Roraima.

Coleção de cordeis do escritor Rodrigo de Oliveira. Foto: Raimesson/Amazon Sat

‘O Código Macunaíma – Encontro de Makunaima com Mário de Andrade’, foi o primeiro cordel de Rodrigo. Nesse conto, o cordelista explica a mudança na grafia entre um das lendas de Roraima, o Makunaima e a obra Macunaíma do escritor Mário de Andrade. Rodrigo possui ainda mais sete obras lançadas: O Encontro de Makunaima com Ajuricaba, O Encontro de Makunaima com o Trio Roraimeira, Lavradeiro, O ET de São João da Baliza, O Inesquecível Monsenhor de Lins, Ao Nobre Evangelista e O Baile do Judeu, adaptado da obra de Inglês de Souza. Todas as obras estão disponíveis para leitura no site Recanto das Letras .

“Cruviana trouxe Neuber
Mestre que é u-choa-à parte
Do buriti com farinha
A maloca virou arte.

Na dança do Parixara
De Pacaraima ao Bonfim
Veio o cavalo selvagem
Como o poeta Eliakim.

Zeca Preto cá chegou
Em barcos de buriti
O filho de Dona Neuza
Resolveu viver aqui.”

(Trecho do cordel “ O Encontro de Makunaima com o Trio Roraimeira” )

As obras são escritas por Rodrigo e publicadas pela Editora Coqueiro, em Pernambuco. Rodrigo não comercializa os cordéis. Segundo o cordelista, as tiragens são distribuídas para alguns comerciantes locais venderem e obterem o lucro. Além disso, Rodrigo deixou algumas edições na Biblioteca Pública de Roraima e com amigos.

Literatura de Cordel

A literatura de cordel é um gênero literário. Conhecida como folheto, é um tipo de poema popular originalmente oral, e depois impresso. O nome ‘cordel’ vem de Portugal, onde esses folhetos eram pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

Cordel. Foto: Wilson Júnior/AE

O início dessa literatura está relacionado à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de época, que a memória popular foi conservando e transmitindo por meio dos folhetos. As narrativas que exigem uma estrutura particular de contagem das sílabas para serem rimadas e recitadas, relatam uma infinidade de assuntos, conforme a inspiração do cordelista.

Antigamente, antes do acesso as mídias, a literatura de cordel era a principal forma de transmitir a informação. Além disso, em algumas regiões, o cordel ocupava o lugar das cartilhas e era auxilio para a alfabetização.

No Brasil, a literatura de cordel surgiu no nordeste com raízes lusitanas, por volta do século XVI e XVII, trazida pelos colonos.

Fonte: Literatura de Cordel – M. Diegues Júnior

Reproduzido do site: www.portalamazonia.com.br

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