CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CORDELISTA LILIAN MAIAL

          Lílian Maial é médica, nascida na cidade do Rio de Janeiro (onde vive) e escreve desde que se entende por gente. Tem um livro solo (publicado em 2000) intitulado "Enfim, renasci", além de participação em dezenas de antologias e sites na Internet. Participa também de algumas revistas eletrônicas, como cronista. Organizou uma Antologia de Poetrix recentemente publicada pela OnLine Book (www.onlinebook.com.br). É afiliada da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), da ABRALI e do Portal CEN (Ponte Brasil-Portugal).
Maiores informações, entrar em contato: lilianmt@globo.com
ou através dos sites: www.lilianmaial.prosaeverso.com e www.lilianmaial.portalcen.org ou www.rebra.org

AS ÁGUAS LAVAM A TERRA E LEVAM GRANDE TESOURO
®Lílian Maial

 

Todo ano, quando chove,
fica na boca esse gosto,
um medo expresso no rosto,
pavor de tudo o que move.
É o fim que não se aprove
uma lei no ano vindouro!
É preciso um suadouro
pra acabá com quem emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Os homi num toma jeito ,
faz obra em tudo que é canto,
e nada lhes causa espanto,
nem mesmo tal desrespeito.
Os homi malsatisfeito
constrói casa e atracadouro,
como se fosse calouro
deflagrando grande guerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Eu num posso acreditá
num tremendo despautério,
inté causo de adultério
se arresorve sem matá,
intão, praquê martratá
a terra – bem duradouro -
incitando o atoladouro
e todo o mal que se encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

A natureza num pensa
no que pode acontecê,
é fresquinha, igual bebê,
num faz nada por ofensa,
e nem busca recompensa,
quando cria um tragadouro,
se num tem um vertedouro,
faz caminho inté sem serra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Não se pode construí
nas encosta sem parede,
em muro não se põe rede,
sob risco de caí,
e pras água destruí,
num carece muito estouro,
basta que esse logradouro
arranque aquilo que emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Na virada de ano novo,
nesse tar de reveião,
o céu mandou os trovão,
pramodi assustá o povo.
Mas a cantiga do corvo,
passarim de mau agouro,
fez tremê o ancoradouro,
sob o solo a vida encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

As família sem seus fio,
sem o teto e sem futuro,
choram lágrimas no escuro,
num lamento tão sombrio,
de provocá calafrio,
perdê tudim e sem louro.
De repente, o escoadouro
da vida e tudo se ferra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Peço força pr’eles tudo,
muita luz, muita corage,
que essa vida é só passage,
que esse mundo é cabeludo.
Mesmo pra quem tem estudo,
quem tem grana, quem tem ouro,
nada disso amansa o touro,
quando a dor no peito berra:
as águas lavam a terra

e levam grande tesouro .

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Textos: 1, 2

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