CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CORDEL COM O QUAL PARTICIPEI DO 2° CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL DE CARUARU

 

      No mês de maio de 2010 participei do concurso de Literatura de Cordel de Caruaru. Não fiquei entre os classificados. Tenho consciência de que sou apenas um peixinho em meio aos grandes mestres das rimas de cordel com dezenas de anos de experiência. Mas como sou teimoso estou sempre participando destes concursos. Não só pelos prêmios, mas principalmente para melhorar meu potencial enquanto cordelista como  também para prestigiar os projetos voltados para a Literatura de Cordel. Literatura esta que (embora muitos afirmem que não) está gradativamente caindo no esquecimento daqueles que a ‘inventaram’: o povo. O tema do concurso foi “Feira de Caruaru: Patrimônio de Todos Nós”. Apresento-lhe os versos os quais enviei ao concurso:

O CASAMENTO DA FEIRA DA FEIRA DE CARUARU COM O POVO BRASILEIRO

Estribado, mão-de-vaca
Vendedor fixo e ambulante,
Empresário, sacoleiro,
Camelô, negociante,
Quase todo dia vão
Presentear sua amante.

A feira por sua vez
Oferece com paixão,
Aquela parafernália
Narrada por Gonzagão,
Ao feirante por quem sempre
Bate forte o coração.

O feirante diz: “ó feira
Conheço o norte e o sul.
Visitei todas as outras,
Porém a melhor és tu.
Fica pra sempre comigo
Feira de Caruaru”.

“Feira de Caruaru
‘tu sois’ minha Terra Santa.
Minha Meca, meu abrigo,
Folheto que ao povo encanta.
Pedra Fina do meu reino;
Canção que meu verso canta”.

Em sonho uma alma vaqueira,
Feira, veio me dizer
Que o paraíso celeste
É igualzinho a você.
Por isso aguardo ansioso
O dia que vou morrer”.

Este amor terno e intenso
Parece até mais um sonho.
O governo ao vê-lo disse:
“Façamos o matrimônio
Entre a feira e este povo
Transformando-a em patrimônio”.

“Histórico e cultural
Do povo deste Brasil
Porque uma feira destas
Nunca, jamais ninguém viu.
Ao dizer estas palavras
O mundo todo aplaudiu.”

O casamento dos dois
Se deu em 2006
A feira, a noiva arrumada
Com seu vestido cortês
O povo, o noivo, trajado
De calça e blusa xadrez.

O padre foi o IPHAN
Que num tom angelical
Diz: “Povo você aceita
A Feira fenomenal
Como patrimônio histórico
também imaterial”?

O povo responde: “aceito
Com louvor este momento.
Nós amamos esta feira
E todo o seu paramento.
Estava mais que na hora
De vir este casamento”.

O noivo beijou a noiva.
O Povo beijou a Feira.
O IPHAN os abençoou
Dizendo sem brincadeira:
“Vendei e multiplicai-vos
Por esta nação inteira”.

Depois do casório feito
Veio a comemoração.
Apesar de ser dezembro,
Em ritmo de São João.
Convidados exclamavam:
“Patrimônio da nação!”

Feirantes soltaram fogos
Na base de um cumbuco.
Teve um ‘boy’ que disse assim:
“Tô orgulhoso, maluco,
A feira mais majestosa
Se encotra no Pernambuco”.

Hoje o casal vive bem.
A feira com seu parceiro.
Ela a esposa fiel,
Ele o povo brasileiro.
Desfilam juntos nas ruas
Todo dia, o ano inteiro.

Quando o povo avista a feira
É sempre a mesma emoção.
Faz questão de ir lá comprar
Só para a satisfação
Dela, pois quando ele compra
Aumenta mais a paixão.

O povo diante dela
Baixa logo o tom de voz.
Diz: “feira de Caruaru,
Que bom estarmos a sós.
Lindo patrimônio histórico
Do Brasil, de todos nós”.

Manoel Messias Belizario Neto

Imagem:http://objetos.radiometropole.com.br/img_original/2009_04_1119_19_1985731caruaru_brazil_market_01_large.jpeg

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