CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

VELÓRIO NO SERTÃO (VERSO II)

  

O choro transpassa a noite
E o peito das sentinelas
Que viajam nas memórias
Aquecidas pelas velas
Só Deus é explicação
Para tamanha mazela.

Comadres antes distantes
Unidas na ocasião
Organizam a cozinha.
Tomam conta do fogão.
Fazem chá, café e levam
Aos que resguardam o caixão.

Lá fora os jovens namoram
Tagarelam, dão risada.
Parece que a morte não
Passou por aquela  estrada.
São duas realidades
Muito diferenciadas.

Horas antes do enterro
As comadres se levantam.
Rodeiam o caixão em rezas.
Fecham os olhos e cantam.
Rogam por aquela alma.
Todos os males espantam.

Chega o terrível momento
De enterrar a criatura
O choro dobra o de antes
Se eleva a toda altura.
Quem ainda não chorou
Agora desestrutura.

Uma das filhas desmaia.
Outras grita enlouquecida
Por Deus, Porém não tem jeito.
Lá se foi àquela vida.
Os homens pegam  o caixão
E se dirigem a saída.

E assim a marcha segue
Desapressada e tristonha.
Se some no horizonte
Só a enxerga quem sonha
Até que a última lembrança
Um dia se decomponha.

Manoel Messias Belizario Neto

Imagens da internet

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