CORDEL PARAÍBA (DESDE 2010): ESPAÇO DESTINADO À PUBLICAÇÃO DE POEMAS, NOTÍCIAS E INFORMAÇÕES DIVERSAS RELACIONADAS À LITERATURA DE CORDEL (Via celular, acesse o conteúdo completo clicando em "visualizar versão para a web" no final da página.)
CORDEL PARAÍBA
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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.
Imagens foram gravadas
durante o 2º Encontro de Jovens Poetas, que aconteceu em Carnaúba dos Dantas,
na região Seridó potiguar. Poetas de oito a 13 anos fizeram homenagem ao
cordelista Antônio Francisco.
Por Igor Jácome, G1 RN
Me perdoem meu leitor e os
manuais de jornalismo, mas esse texto faz rima, inspirado num belo vídeo de
crianças poetas que só trazem orgulho ao jornalista nordestino. Meninos e
meninas de oito a 13 anos declamam sua arte cheia de beleza e mantém viva a tradição
da cultura sertaneja.
Ao todo, 12 crianças participaram do Segundo
Encontro de Jovens Poetas em Carnaúba dos Dantas, que aconteceu no último dia
25 de maio na cidade da região Seridó potiguar. O vídeo gravado durante a
programação acabou "viralizando" na internet após o compartilhamento
do poeta Bráulio Bessa nas suas redes sociais.
Até o início da tarde desta quinta-feira (6),
a publicação já tinha mais de 300 mil visualizações, 69 mil curtidas e milhares
de comentários. "A poesia está viva", disse o artista.
Os participantes são
de Carnaúba dos Dantas, Equador, Parelhas, Santa Cruz, Currais Novos, Bom
Jesus, Santa Maria, Riachuelo, Mossoró e Pau dos Ferros - todas, cidades do Rio
Grande do Norte.
Segundo Cirilo Carlos
Júnior, presidente da Associação Beco Cultural Artes nas Ruas, que organizou o
evento, as crianças são filhos de artistas e pessoas ligadas à cultura popular,
que, desde cedo, também demonstraram interesse no cordel. Eles realizaram uma
apresentação aberta ao público, recolhendo alimentos e material de higiene que
foram doados a um asilo e um hospital da região.
"O evento
homenageou o poeta popular e cordelista Antônio Franscisco Teixeira de Melo, de
Mossoró, que completa 70 anos em outubro e é uma inspiração para essas
crianças. Por isso o tema 70 Antonios de Poesia. A população compareceu em
peso. Foi muito bom", afirma.
Entre as crianças,
estava a própria filha de Cirilo, Clara Bezerra, de 12 anos, que lista Antônio
Francisco e Chico de Assis, de Campina Grande (PB), como suas grandes
referências. Ela conta que começou a fazer poesia aos 10 anos, após ser levada
pelos pais para assistir apresentações de cordel. Desde então, já publicou três
obras no estilo - em uma delas, conta a história da Chapeuzinho de Couro - uma
adaptação de Chapeuzinho Vermelho.
"Quando eu vi
os artistas declamando meus olhos brilharam. Ai, uns dias depois, eu estava
fazendo atividade de casa, quando comecei a fazer uma poesia e chamei meu
pai", lembra.
A menina conta que é
a única poeta na escola onde estuda, mas ganhou uma nova família na arte. Com
os colegas poetas, ela aproveitou o último encontro para brincar, conversar e,
obviamente, fazer rima.
"É muito bom. A
gente fez um grupo no whatsapp para conversar e trocar ideias", revela a
menina, que tem o sonho de ser médica veterinária, mas quer levar a poesia de
cordel ao longo da vida e manter a cultura popular nordestina viva.
O Central celebra 100 anos no próximo dia 15 de junho. Para registrar a data e rememorar a história do time, os poetas Jefferson Moisés e Jénerson Alves escreveram ‘O Centenário do Central em Literatura de Cordel’.
A ideia de homenagear a Patativa foi do cordelista Jefferson Moisés. “Sou centralino de coração. Inclusive, fui jogador da equipe durante alguns meses em minha adolescência. Não poderia deixar passar esta oportunidade tão rica de falar sobre o nosso querido Central através da poesia”, explana.
Para o também poeta Jénerson Alves, a narrativa em forma de versos traz uma maior ludicidade ao livreto. “A poesia possui ritmo e rimas que tornam a leitura mais prazerosa. Além do texto poético, a obra de 16 páginas conta com ilustrações e fotos históricas do alvinegro”, salienta.
A obra terá duplo lançamento no sábado 15. Às 08h, no Estádio Lacerdão, e a partir das 12h, na Soparia do Gordo.
A primeira novela de cordel para a plataforma mobile reafirma a importância da criatividade sobre o tamanho do investimento.
A Pop 110i é um modelo genuinamente brasileiro, lançado em 2007, com um papel transformador na vida de milhares de brasileiros do Nordeste do País.
Resistente, versátil, prática e econômica, é o meio de transporte mais acessível para muitas famílias que não escondem seu orgulho pela marca. Somente no Instagram há centenas de perfis dedicados à “Popzinha”.
Em 2019, a Pop ganhou uma releitura no seu design e novos itens de segurança. Para comunicar as novidades e homenagear os proprietários da moto, a F.biz fez a releitura de uma outra paixão regional: a literatura de cordel.
Respeitando o regionalismo e as especificidades da arte cordelista, a agência convidou artistas locais e juntos, deram início a um processo de cocriação 100% digital que levou novas linhas e cores às ilustrações de personagens e cenários da primeira novela de cordel veiculada no Instagram Stories e compartilhada via WhatsApp.
Até mesmo os pôsteres que foram compartilhados com as concessionárias Honda de todo o Brasil passaram por essa releitura e foram impressos em folhas de madeira natural.
“Conquistando a Popzinha” mostrou em oito episódios a disputa de Silverinho e Breno Mariano pelo coração de Joana Beatriz, uma garota cheia de sonhos que todo dia desfilava pelas ruas pilotando a sua Pop.
A campanha ultrapassou as metas estabelecidas e quebrou recordes em todas as suas frentes. Os resultados mostram uma taxa de conversão 2,7 vezes maior do que o histórico do modelo, uma geração de leads 134% maior do que a que era esperada, 98% de reações positivas e mais de 400 mil visitas ao site de Honda Motos, sendo que desse total, 85% das pessoas visitaram o site pela primeira vez.
Francelir Alves, deficiente visual, escreveu e publicou a obra “O Guerreiro Juventino e o Filho da escuridão”
O Poeta, cantor e compositor Francelir Alves, deficiente visual, escreveu e publicou a obra “O Guerreiro Juventino e o Filho da escuridão”, uma aventura épica no estilo da literatura de cordel. A obra produzida, diagramada e ilustrada, pelo também escritor Lindomar Neves Bach teve o Apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Com lançamento marcado para a noite de 04 de Julho de 2019 no Palácio da Cultura Nene Maccaggi, no centro.
O livro não é direcionado para um público específico, mas para todos os amante de literatura com romance e aventura. Traz uma história emocionante, que prenderá o leitor desde suas primeiras páginas. Ambientada no período medieval, mais precisamente nos impérios do oriente, onde o príncipe guerreiro “Juventino” luta pelo amor de sua princesa “Sufia” contra as forças das trevas representadas pelo tirano Baal, filho da escuridão.
A obra é baseada na unificação das potências orientais, época em que o misticismo mitológico e lendas de seres fabulosos como demônios e dragões povoavam o inconsciente coletivo dos aldeões pobres, em contraponto com a prepotência e arrogância dos poderosos e opressores tiranos que se valiam de todos os meios, principalmente do medo, para manter-se no poder.
Autor
Francelir Alves, Nasceu em 1958 em Alto da Cruz no estado do Maranhão e migrou para Roraima em 1974 com 16 anos, já escrevia seus primeiros versos aos 13 anos, incentivado pela família, amante do Cordel. Como compositor, Adotou o pseudônimo artístico Francis Alves, tendo suas músicas gravadas e reconhecidas na voz do parceiro Tato Barreto e das Bandas Pipoquinha de Normandia, Sucurijú e Banda Saborear de Fortaleza no Ceará. Atualmente devido a deficiência visual, adquirida ainda jovem devido ao glaucoma, ainda continua ativo, escrevendo (gravado) diariamente suas músicas e livros para deixar seu legado a posteridade.
“Quando escrevi “O Guerreiro Juventino e o Filho da Escuridão” também quis relatar meus próprios monstros, para criar coragem de enfrentar meus próprios medos, comparando o filho das escuridão com o “mal” que me aflige a visão durante minha vida inteira, o qual não posso vencer. Então me coloco no lugar do “Príncipe Guerreiro” e assim consigo me sentir mais humano, mais realizado” - Concluiu Francelir Alves.
O Pratagy Beach All Inclusive
Resort Wyndham entra em clima de São João durante o mês de junho. O resort vai
organizar uma Festa Junina em Maceió (AL), com direito a comidas típicas e
apresentações de cordel, arrasta pé e forró ao vivo.
Festa Junina em Maceió
Os festejos ocorrerão sempre aos
sábados, das 19h às 23h, durante todo o mês de junho. A ideia é oferecer tudo
que uma autêntica festa junina nordestina deve ter.
O visitante vai encontrar
barraquinhas com comidas e jogos típicos, como pescaria, jogos das argolas e
touro mecânico. Fogueira, roupas multicoloridas e cheias de adornos, oficinas
infantis, gincanas, brincadeiras, apresentação de quadrilha e casamento caipira
também vão animar a festa.
Serviço
Os pacotes para se hospedar no
resort e aproveitar a Festa Junina em Maceió saem a partir de R$ 2.520 por
casal, com mínimo de três noites em apartamentos studio casal e serviço all
inclusive. Para quem planeja viajar em família, vale lembrar que crianças de
até 12 anos, acompanhadas de até 2 adultos, não pagam.
Oficinas e palestras fazem parte do I Encontro de Arte e Literatura de Cordel
De 10 a 12 de junho, o campus de Crato do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) celebra a cultura popular nordestina com o primeiro Encontro de Arte e Literatura de Cordel, evento que contará com oficinas, performances artísticas, lançamentos e palestras sobre o tema. O Encontro é gratuito e aberto a todos os interessados.
Na segunda (10), a programação é aberta a partir de 9h30, no auditório do campus, com apresentação do cordelista Pedro Ernesto e da professora cordelista Leopoldina Brito e palestra sobre a literatura de cordel na região do Cariri, com o cordelista Luciano Carneiro. Já a tarde de terça-feira é reservada para oficinas. Os interessados poderão se inscrever em oficinas de cordel, rimas e versos, livretos artesanais e xilogravura. As inscrições são feitas pelo site even3.com.br/xacomversos.
O I Encontro de Arte e Literatura de Cordel se encerra na quarta-feira (12), com muita festa, animação e comidas típicas. A partir de 7h30, na biblitoeca, haverá quiosque com chás, apresentação do grupo "Café com Verso na Casa da Vó", inauguração da cordelteca e partilha de comidas típicas. À noite, a partir de 18h30, professores, estudantes e o público externo se reúnem para a festa junina do campus, em frente ao prédio da administração.
Neste ano, a coordenação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) está desenvolvendo um projeto literário voltado à literatura de cordel em sala de aula, reconhecendo-a como patrimônio social e cultural do povo brasileiro. O cordel é uma manifestação cultural que retrata o cotidiano, a realidade do Brasil e suas peculiaridades. O objetivo do projeto “O Cordel Encantado na EJA” é promover situações de leitura e escrita baseadas nesse assunto para a produção do conhecimento do aluno.
À medida que o projeto foi sendo realizado, o interesse dos alunos pela cultura nordestina cresceu ao ponto de se interessarem em conhecer a feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, local onde se concentram muitos nordestinos com vendendo comidas, bebidas e artesanatos típicos, além de shows específicos.
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Além dos integrantes da equipe da EJA, alunos de cinco escolas participaram do passeio, que começou com uma visita ao entorno do Museu do Amanhã e terminou na Feira de São Cristóvão. São elas: Escola Cypriano Mendes da Veiga, Colégio Dermeval Barbosa Moreira, Escola Hermenegildo Gripp, Escola Hermínia Condack e Escola Hermínia S. Silva. Os alunos divertiram-se muito e ficaram encantados com a cultura nordestina. Para a coordenadora da equipe da EJA, Marilea Vizzoni, foi uma oportunidade muito gratificante poder unir o conhecimento de sala à viagem.
Sobre a Feira de São Cristóvão – data de 1945 o início dos primeiros movimentos que deram origem à Feira de São Cristóvão, ou Feira dos Nordestinos, como é conhecida no estado do Rio. Nesta época, retirantes nordestinos chegavam ao Campo de São Cristóvão em caminhões, vindos para trabalhar na construção civil. A animada festa, com muita música e comida típica, gerada pelo encontro dos recém-chegados com parentes e conterrâneos, deu origem à feira, que permaneceu ao redor do Campo de São Cristóvão por 58 anos.
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Em 2003, o antigo pavilhão foi reformado pela Prefeitura do Rio e transformado no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Hoje, não só nordestinos frequentam a feira para matar saudades e resgatar um pouco de sua cultura, como também cariocas e turistas de todo o país.
O texto foi de dois cordelistas do Rio Grande do Norte
A Literatura de Cordel* é uma manifestação literária tradicional da cultura popular brasileira, mais precisamente do interior nordestino. Os locais onde ela tem grande destaque são os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte e Ceará.
No Brasil, a literatura de Cordel adquiriu força no século XIX, sobretudo, entre 1930 e 1960. Muitos escritores foram influenciados por este estilo, dos quais se destacam: João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, dentre outros.
A deputada federal, pelo Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT) decidiu inovar e levar um discurso contra a reforma da Previdência em cordel à tribuna da Câmara. O texto foi de dois cordelistas conterrâneos.
O professor Antonio Marcos Monteiro, poeta da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, lançou folheto sobre as mães na Escola Maria Alves de Brito, no sítio Jacaré, zona rural de Pilar, neste domingo (2). O folheto é resultado de oficinas de literatura de cordel realizada na escola, contendo produções dos próprios alunos e alunas. “Costumo fazer esses Workshop sobre literatura de cordel nas escolas onde leciono, porque é um ótimo recurso pedagógico”, explica Monteiro.
PROJETO DO CORDEL
Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa prevê a leitura de cordel nas escolas públicas e privadas de toda a Paraíba. A matéria, de autoria da deputada estadual Pollyana Dutra (PSB), institui um programa de fomento a esse tipo de literatura na rede de ensino.
A medida seria para prevenir a erradicação da literatura popular em verso, além de contribuir com o conhecimento da comunidade escolar sobre a cultura popular brasileira e diminuir a discriminação em relação à cultura nordestina.
De acordo com o texto, a Paraíba tem papel fundamental no fomento da temática por ser ‘berço de nascimento’ de produtores, artistas e autores cordelistas.
Programação contará com apresentações de literatura de cordel e música
Nesta sexta-feira, 7, das 19 às 22 horas, acontecerá o encerramento da I Feira da Linguagem da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) do Câmpus Augustinópolis. Na programação estão apresentação de literatura de cordel, músicas ao vivo e barracas de diversos níveis de linguagens, com certificação aos participantes. Interessados em participar podem realizar inscrição pelo Sistema Eventos, no portal da Unitins.
O evento tem como objetivo refletir sobre os preconceitos linguísticos e apresentar a diversidade linguística brasileira com seu uso e adequação aos alunos de todos os níveis da educação.
A feira, que teve início no dia 26 de abril, tem como tema “Quem não comunica, se estrumbica”. O coordenador da mostra, professor Juno Brasil, explica que um dos grandes desafios no ensino da disciplina Língua Portuguesa ainda é o preconceito linguístico, em que diversos alunos se deparam com a dificuldade de compreender que o uso da fala de cada comunidade linguística é de acordo com seus costumes e cultura. “Não existe uma fala errada, pois conseguem se comunicar entre si, sendo o principal objetivo da linguagem, a comunicação”, disse, acrescentando que “vale ressaltar que a escola tem o dever de ensinar a variação padrão, mas não o direito de menosprezar o aluno de classes populares que se utiliza de uma variação menos valorizada pela sociedade”.
O professor fala ainda que a I Feira de Linguagem da Unitins do Câmpus de Augustinópolis vem apresentar que, mesmo na aquisição da variedade padrão da língua portuguesa, a diversidade linguística brasileira deve ser respeitada e valorizada pela riqueza da sua diversidade cultural.
O evento tem organização da diretora do Campus de Augustinópolis, Gisele Padilha; da coordenadora do Curso de Ciências Contábeis, Ana Paula Monteiro; e dos acadêmicos do 1º Período do Curso de Ciências Contábeis.
Visando promover a literatura de cordel, a Secretaria Municipal de Cultura, através da Biblioteca Annita Porto Martins, no Rio Comprido, promove o I Concurso de Cordel. Para participar é preciso escrever um ou mais textos inéditos e entregar na recepção da biblioteca até o dia 28 de junho. O objetivo do evento é descobrir novos cordelistas, despertar o interesse e incentivar a produção desse gênero literário.
Uma comissão julgadora será responsável por avaliar os textos levando em conta o emprego de recursos e elementos literários, a criatividade, o uso correto da Língua Portuguesa e a originalidade. A premiação acontece no Dia do Poeta da Literatura de Cordel, 1º de agosto, quando os finalistas devem interpretar as suas produções. Outras informações pelo telefone 3081-0496 ou pelo e-mail biblioannitamartins.cultura@gmail.com.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde setembro de 2018, o cordel é um tipo de poema popular, impresso em folhetos que são vendidos pendurados em cordas. Além do concurso, a Secretaria Municipal de Cultura já desenvolve um trabalho de valorização da Literatura de Cordel em duas bibliotecas de sua rede de equipamentos culturais. A Biblioteca Machado de Assis, em Botafogo, conta com o Espaço de Cordel Raimundo Santa Helena, que tem obras dos cordelistas Chico Salles e Gonçalo Ferreira, entre outros. Já a Cordelteca Chico Sales, no Rio Comprido, reúne publicações do gênero e homenageia o cordelista, morto no ano passado.
José Severino é aluno de Artes Visuais do polo de Resende da EAD UNITAU. Natural de Cumaru, em Pernambuco, ele transformou as raízes da sua terra natal em livro: Diáspora Nordestina: a literatura de cordel como marca identitária. A obra traz o sentimento de pertencimento e a identidade do povo nordestino.
Dissertação de mestrado
Recentemente reinserido na vida de estudante, José já é formado em História, mestre em Letras e Ciências Humanas e doutor em Humanidades, Culturas e Artes. Guiado pelas experiências vividas enquanto migrante e incentivado pelo debate sobre a Diáspora Nordestina no Município de Duque de Caxias, o aluno definiu sua dissertação de mestrado. “As aulas de cultura brasileira e aspectos identitários do grande Rio despertaram a ideia de escrever sobre algo que também me representasse”, relembra.
Escolha do tema
O cordel foi escolhido por simbolizar a herança cultural trazida por José. “Sou um migrante nordestino. Embora tenha saído do Nordeste, o Nordeste não saiu de mim”, comenta o aluno. “O cordel representa uma das marcas que compõem o nordestino. Nessa perspectiva, o meu objeto de estudo foi a migração nordestina, e o cordel conduziu esta obra”.
Publicação da obra
Quando apresentou sua dissertação à banca, recebeu a orientação de transformá-la em livro, uma surpresa para José. “Inicialmente, não esperei muito impacto, justamente por ser uma dissertação de mestrado, um texto acadêmico e mais restrito”, conta. Com o projeto pronto, o escritor se surpreendeu com o resultado. “Fiz quatro lançamentos em universidades, o livro foi publicado no Jornal Extra, no Portal de Universidades e se tornou resenha de livro lançado pelo Núcleo de Estudos das Américas, da UERJ, neste ano em curso. Considero um sucesso”, comemora.
Artes Visuais na EAD UNITAU
José sempre esteve conectado com o mundo artístico. “A arte, de modo geral, me representa. Sou músico (tecladista, guitarrista, violonista…), compositor, xilógrafo, escritor e cordelista”, apresenta. “Como o meu doutorado foi em Humanidades, Culturas e Artes, pensei fazer uma segunda graduação em Artes Visuais para ampliar o meu olhar e agregar valor no meu currículo”, relata.
Por ser morador de São João de Meriti, o aluno escolheu o polo de Resende para estudar. “Sou grato pela acolhida na UNITAU, uma Universidade que a cada dia me encanta, pelo atendimento no Polo de Resende e pela mediação feita pelos professores”, finaliza.
O projeto Quinta Cultural voltou à cena tendo como atrações o poeta Antônio Francisco e a cantora regional Tonha Mota, num espetáculo genuinamente nordestino. O show ocorreu na noite de 23 de maio no auditório José Campelo Filho.
O show foi aberto pelo poeta cordelista Antônio Francisco, uma referência da cultura popular, que este ano celebra 70 anos de idade, e alternou cordéis conhecidos e poemas atuais. Antônio Francisco é xilógrafo, bacharel em História, membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, autor de diversos livros e cordéis, como Os Animais Tem Razão, Dez Cordéis Num Cordel Só, Confusão no Cemitério, e A Casa que a Fome Mora, entre outros.
A cantora, escritora e compositora Tonha Mota colocou o público pra dançar com muito forró, xote, xaxado e baião. O show reuniu músicas dos seus CDs “Nordeste feito de alma” (2018) e “Saudade da minha terra” (2011), além de grandes compositores nordestinos, como Dominguinhos e Luiz Gonzaga. A cantora esteve acompanhada pelo trio, formado por Lipe Guedes: acordeom; Dinei Teixeira: percussão; Fernandinho Régis: violão e viola.
Tonha é também coordenadora da Estação do Cordel e preside a Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLIC). O Quinta Cultural chega ao terceiro ano de atividades tornando-se uma referência na cidade. Um projeto comprometido em valorizar e promover a cultura e os artistas regionais, e que também volta para a formação de plateias. Uma iniciativa do Sindicato dos Bancários do RN que está aberta a todos os segmentos da sociedade. A produção executiva está com João Barra e Nando Poeta.
Artista enfatiza importância da origem nordestina: ‘Não nego minhas raízes, nem o sotaque que tenho’ Por Rômulo Cabrera
Todos os dias, o poeta Francis Gomes, 46, senta-se para escrever em seu escritório, um espaço de 3 por 5 metros, rodeado por mais de 800 livros. “Escrevo ao menos um texto por dia. Do contrário, não durmo. A ideia não me permite dormir; [ela] fica martelando, assim, e eu tenho que escrever”, revela.
Gomes é um cearense radicado em Suzano, na Grande São Paulo, lá pelos lados do Jardim Revista, bairro na periferia da cidade. Ele já publicou três livros, 25 folhetos de cordéis, e lançará a quarta publicação, “Prosas quentes e versos lúbricos”, em agosto deste ano.
“Os autores independentes, como eu e muitos dos meus amigos, não publicam para viver de direitos autorais, mas por não conseguirmos viver sem literatura. Metade de mim morreria se eu simplesmente parasse de escrever.”
Francis é técnico em manutenção em uma multinacional da cidade. “Oficialmente”, porém, ele se apresenta como poeta e cordelista. “Pra quem não sabe, eu falo, pra quem já sabe eu repito, eu nasci em Assaré e vivi em Farias Brito; não sou nenhum grande artista, sou poeta e cordelista, natural do Ceará”, declama.
O poeta mantém uma rotina de apresentações em saraus, escolas, e demais eventos culturais nas periferias e nas regiões centrais de Suzano.
Viveu em Farias Brito, mas foi na roça de Assaré, onde “no mês de maio nasce um verso em cada gaio, e em cada flô uma rima”, que Francis, aos oito anos, aprendeu a ler. Lia os cordéis em troca de tijolinhos, “o que aqui vocês chamam de cocada”, explica.
Para não gaguejar durante as leituras, memorizava as estrofes antes de se apresentar – um ritual que repete até hoje. “Eu fingia que estava folheando os cordéis. Na verdade, já estava decorado. Era tudo pra ganhar um doce, pra ganhar o tijolo, a cocada.”
Francis relembra os banhos nos rios, nos açudes, das longas caminhadas descalço nas estradas de Assaré. “O Nordeste é meu paraíso”, afirma, para depois emendar em ritmo compassado: “Esta pequena porção que chega a caber na mão, de tão pequeno que é, não é nenhuma Pompeia; mas é minha Galileia, como a de Jesus de Nazaré.”
O cordelista suzanense Francis Gomes (Rômulo Cabrera/Agência Mural)
Aos 14 anos, passou a escrever com mais frequência. O garoto que antes lia por tijolinhos, agora escrevia para se vingar. “Eu estava revoltado, sabe, revoltado com a vida, porque [na época, em Farias Brito] eu não conseguia nada”, relembra.
Francis sonhava em ser jogador de futebol. “Mas eu não tinha condições de comprar um Kichute [calçado fabricado no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980]”. Depois, sonhou em ser cantor, “mas como ia ser cantor, irmão, se nem voz eu tinha?”. “Foi quando decidi cantar em versos, cantar em prosa, cantar a vida. Acho que é por isso que sou poeta”, conta.
Seabranira, a professora de Francis no ginásio, foi uma figura importante nesse período. “Ela gostava dos meus textos – poesias e crônicas, em sua maioria”. Francis conta que a professora datilografou um bocado desses escritos, “alguns deles eu tenho aqui comigo, guardados em algum lugar”.
“Quando a encontro em Farias Brito, ela me diz: ‘Lembra quando eu falava que você um dia seria escritor?’. Faço questão de encontrá-la todas as vezes que viajo para o Ceará; ela e minha professora do primário, Maria Salles, que ainda é viva.”
Texto no livro publicado por Francis (Rômulo Cabrera/Agência Mural)
“Uma me ensinou a ler, outra acreditou em mim quando eu nem sonhava em ser escritor. A verdade é que nunca tive essa vontade de ser poeta. Eu escrevia para desabafar, pra me vingar daquilo que não dava certo”, lembra.
E O LIVRO? QUANDO SAI?
Francis veio para Suzano em 1992, aos 19 anos. “Vim [morar] exatamente neste lugar que nós estamos”, conta. A casinha simples, de telhas, era do tio que anos depois lhe vendeu “em suaves prestações”, brinca.
A casa ganhou alguns cômodos a mais, uma garagem ampla, o escritório onde estávamos, além de uma sacada que dá uma bela visão da cidade ao fundo. Francis já não mora sozinho e agora divide o imóvel com a esposa, Andréia, e a filha de oito anos, Yasmin.
Depois de alguns anos em solo suzanense, conheceu o hoje escritor Ademiro Alves de Souza, 35, o Sacolinha, com quem nutre forte amizade. Sacolinha é autor de sete livros entre eles, “Graduado em Marginalidade”, que foi indicado ao Prêmio Jabuti, em 2005, na categoria de melhor romance.
Em agosto, Francis lança um novo livro (Rômulo Cabrera/Agência Mural)
“Nós fizemos algumas oficinas literárias juntos. O Sacola já tinha esse interesse [em se tornar um escritor], viver disso. Eu, por outro lado, nunca pensei em escrever, apesar de ter algumas coisas guardadas comigo. Eu era poeta e não sabia”, conta.
O primeiro livro de poesias de Francis, “Ecos do Silêncio”, publicado em 2011, foi prefaciado por ninguém menos que o amigo Sacolinha:
“Fazia tempo que eu pedia ao Francis para publicar seu livro. Chegou um momento em que até resolvi parar de cobrá-lo. Mas não consegui. […] A cada cordel novo que ele interpretava em público […] eu ficava me perguntando o porquê da demora do livro. E ele sempre sossegado, dizendo que ia publicar, que precisava ver, que ia dar um jeito”, escreveu Sacolinha.
“Eu devo muito ao Sacola ao fato de eu ser poeta, ao fato de eu ser escritor”, admite Francis.
NEGAR AS RAÍZES É SE PERDER
“O poeta é um arquiteto da palavra; e as palavras estão por aí, como o ar que eu e você respiramos.” Para Francis, a poesia, sobretudo o cordel, “precisa ter musicalidade, precisa de lirismo, precisa de cadência.” Mais que isso, “precisa comunicar”, afinal de contas, “nem todo matuto é analfabeto, e nem todo analfabeto é matuto”, completa.
Francis vive desde os anos 1990 na Grande SP (Rômulo Cabrera/Agência Mural)
Francis conta que escreve de tudo, mas quando trabalha com cordéis, “é bom que fique claro isso”, busca enaltecer o povo e a cultura nordestina “e roubar o sorriso das pessoas”.
De acordo com o poeta, se envergonhar das próprias raízes é também se perder. “Porque aquele que não sabe de onde saiu, não sabe onde quer chegar; e aquele que não sabe onde quer chegar, não sabe que caminho tomar”, filosofa para em seguida interpretar mais um poema:
“Não escondo os indecoros que existam, mas me esforço pra cantar as belezas desta terra desprovida de um rei, onde a lua toda noite faz clarão, e o Sol impetuoso fere forte, como carrasco dessa terra e desse chão. […] É por isso que eu canto esse povo, suas dores, alegrias e tristezas.”
Quando perguntado “o que é ser poeta”, preferiu o abstrato ao objetivo: “Ser poeta é… chorar sorrindo, é sorrir chorando”. Depois de um tempo, concluiu: “O poeta é um causador de emoções, ‘furtador’ de lágrimas, ‘roubador’ de sorrisos, um contador de histórias, matuto, um caipira, um poeta. Tudo isso é ser poeta”.
Você conhece o Espaço de Leitura do Parque da Água Branca? O local público e gratuito reúne atrações para todas as idades, sempre incentivando o gosto pelos livros! Nesse fim de semana, 1 e 2 de junho, vai rolar oficina de cordel e uma batalha que vale a pena: um jogo de poesia com surdos e ouvintes!
Além disso, há duas atrações que são fixas no espaço: a Feira de Troca de Livros e o Clube de Leitura. A feira acontece todo domingo, das 15h às 17h, e é possível trocar tanto livros para adultos quanto para crianças. Ótima oportunidade para dar uma renovada na sua biblioteca, e a cada 10 títulos trocados, você ganha mais um. Já o Clube de Leitura acontece toda sexta, das 15h às 16h e é indicado para jovens e adultos.
Confira a programação:
Sábado, 11h –Oficina educativa: maiúsculos & MINÚSCULOS: CORDEL E ISOGRAVURA
Com educadores do Espaço de Leitura
A partir do livro Arte brasileira para crianças, com referências das obras do artista plástico Gilvan Samico, os educadores trabalham junto aos participantes as proximidades do cordel com a cultura nordestina, por meio da isogravura (gravura em isopor). Atividade indicada para crianças de todas as idades acompanhadas dos responsáveis.
Sábado, 15h – Oficina educativa: ESPAÇOLAB: CORDEL OFICIAL DE NOTÍCIAS INVENTADAS
Com educadores do Espaço de Leitura
Com base na literatura de cordel, do repente, das técnicas de isogravura e edição de textos, os participantes criam uma nova publicação, o Cordel Oficial de Notícias Inventadas. Atividade indicada para crianças de todas as idades acompanhadas dos responsáveis.
Durante a leitura de Monstros Urbanos, de Renata Bueno, crianças e adultos são instigados a identificar os monstros em cada página e reconhecer em que lugar da cidade foram encontrados (na calçada, na sombra de uma árvore, em um prédio). Em seguida, o desafio será descobrir onde estão escondidos os monstros do Espaço de Leitura. Atividade indicada para crianças de todas as idades acompanhadas dos responsáveis.
Domingo, 15h – Batalha de poesia: SLAM DO CORPO
Com Cibele Lucena, Joana Z. Mussi, Leonardo Castilho, Érika Mota e Cauê Gouveia.
O Slam do Corpo é a 1ª batalha de poesias no Brasil com surdos e ouvintes, poemas simultaneamente em libras e língua portuguesa. Quando o poeta surdo e o poeta ouvinte se encontram, nas performances poéticas realizadas neste Slam, as línguas se entrecruzam, se tensionam e se alargam. Este acontecimento é nomeado pelo grupo “beijo de línguas”.
A atividade começa com o corpo aberto, momento no qual pode-se apresentar poemas de forma livre. A batalha acontece no segundo momento, quando valem as regras do Slam (os poemas devem ter até 3 minutos de duração, sua autoria deve ser própria e não é permitido o uso de figurinos ou objetos de cena). O evento é apresentado por uma dupla de MCs (um surdo e um ouvinte) e conta sempre com dois tradutores-intérpretes de libras. Para os poetas vencedores, o prêmio é um conjunto de livros! Atividade indicada para crianças de todas as idades
O Espaço de Leitura do Parque da Água Branca funciona de terça a domingo, das 9h às 18h, e possui cerca de 1200 exemplares, grande parte de literatura infantil e infantojuvenil, divididos em casinhas temáticas: Castelo Voador (contos de fada, lendas, fábulas, mitos indígenas); Ponto de Interrogação (curiosidades, palavras, espaço sideral, dinossauros); Gruta do Grito (suspense, mistério, medo, monstros); Clube de Histórias (cotidiano, família, escola, amigos, pipa, boneca); Coreto do Aconchego (livros e brinquedos para bebês) e Rolê da Leitura (literatura juvenil e adulta, HQ, gibis, jornais e revistas).
O Parque da Água Branca fica bem pertinho da Estação Palmeiras-Barra Funda do Metrô. Para quem for de carro, de acordo com os organizadores, há estacionamento por R$10 (por 12 horas).
Em
toda a sua trajetória política, Iran Barbosa sempre defendeu a valorização da
cultura e daqueles que fazem e produzem os bens culturais. Como deputado
estadual, Iran mantém a sua linha de atuação e apresentou, na Assembleia
Legislativa do Estado, um Projeto de Lei com o objetivo de preservar e manter
viva a Literatura de Cordel.
Segundo
o autor, a propositura é resultado de um trabalho iniciado na Câmara Municipal
de Aracaju, quando esteve no mandato de vereador, por meio de um diálogo
realizado com os cordelistas, repentistas e xilogravuristas.
“O
conteúdo do projeto foi uma construção coletiva e fui apenas o porta-voz deles
na Câmara Municipal e agora na Assembleia Legislativa. A nossa proposta é o
fortalecimento dessa modalidade literária, presente em todas as regiões do
nosso Estado, e enaltecer os personagens importantes da poesia popular”,
destacou Iran, solicitando apoio dos demais parlamentares para a aprovação da
propositura, que tramita na Casa Legislativa.
O
Projeto de Lei nº 104/2019 institui o Dia Estadual da Literatura de Cordel, a
ser comemorado no dia 19 de Julho. A data é uma homenagem a um dos grandes
ícones do Cordel em Sergipe e no Brasil, João Firmino Cabral.
“Foi
nesse dia em que o sergipano, patrono da primeira Cordelteca do país, tomou
posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel”, explicou o autor da
propositura.
Neste
sentido, a cordelista sergipana Izabel Nascimento contribuiu dizendo que “a
data escolhida para ser o dia estadual faz referência a um marco histórico na
Literatura de Cordel de Sergipe, pois em 19 de Julho um dos grandes cordelistas
sergipanos, João Firmino, tomava posse na Academia Brasileira de Literatura de
Cordel. É uma homenagem àquele que dedicou sua vida à Literatura de Cordel e a
um cordelista que é referência tanto em Sergipe quanto no Brasil”.
De
acordo com Iran, além de instituir o Dia Municipal da Literatura de Cordel, o
projeto propõe a realização de atividades culturais, debates, promoção e
divulgação do Cordel e dos cordelistas locais, bem como incentiva o ensino da
Literatura de Cordel nas escolas estaduais e a publicação de folhetos de Cordel
por iniciativa do Poder Público.