CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cordelistas do Interior estão na X Bienal Internacional (Ceará)

Representantes da literatura popular cearense mostram as coisas do sertão na programação da mostra

Lucas Evangelista (primeiro à esquerda), um dos poetas que está na Bienal, integra movimento de escritores cearenses FOTO: SILVANIA CLAUDINO

Crateús. Cordelistas do interior marcarão presença no maior evento literário do Ceará. Pela segunda vez, o cordelista Lucas Evangelista, deste município, participará da Bienal Internacional do Livro, que acontece desde a última quinta-feira até o próximo dia 18 em Fortaleza. Ele participará com as suas produções montadas no espaço destinado à exposição dos folhetos. Levará também livros e CDs. Além disso, o Mestre da Cultura ministrará oficinas e, junto com os cordelistas do interior e Capital, atuará na divulgação durante o evento.

"Gostei da participação no ano passado, que foi a minha primeira vez em iniciativas como essa. Vi muitos escritores e me senti reconhecido pelos novos cordelistas, que em muitos momentos se referiam a mim como um nome expressivo na arte do cordel", ressalta o crateuense Evangelista, que iniciou nas lides do cordel ainda na adolescência e de lá não mais parou de produzir ou viajar mundo afora com os seus folhetins.
O Mestre conta que a sua participação na Bienal também consta de homenagem que será feita pelo cordelista Rouxinol do Rinaré, que lançará livro destacando Lucas Evangelista como um dos grandes nomes do cordel no Estado do Ceará.
Adolescente

Lucas escreveu o primeiro cordel aos 16 anos, intitulado "Os Valentões dos Sertões de Maria Pereira" e conta que teve forte influência da mãe, que era apreciadora da arte e das cantorias de viola, naquela época comum nos sertões do município. Antes disso, porém, lembra que ainda criança agregava em torno de si nas noites enluaradas do interior a criançada da vizinhança e os adultos, que apreciavam o seu jeito de contar os causos e estórias. "E muitos me paravam nas estradas pedindo para contar aquelas histórias", lembra. Após trabalhar na lavoura e com o pouco gado que a família tinha foi parar na cidade. Então, iniciou os estudos que logo foram interrompidos pela necessidade de trabalhar. Atuou no comércio antes de enveredar pela arte do cordel, com a produção do primeiro folheto. "Daí não fiz mais outra coisa. Comecei a viver do cordel e ganhei as praças. O cordelista é um homem das praças, do mundo... e assim vivo até hoje", destaca Evangelista. Atualmente, Lucas trabalha o cordel e CD em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. Com o título "A Visita de Luiz Gonzaga ao Padre Ciço Romão", o cordelista tem viajado a região de Crateús, divulgando e espalhando a sua arte.
Transformar ideias em cordéis sempre foi um dos sonhos de Valmir Pereira dos Santos. Autor de várias obras de literatura popular, o poeta agora tem a oportunidade de expor parte de sua produção na X Bienal Internacional do Livro do Ceará.
"Foi mais um passo importante que aconteceu na minha vida", disse. "Uma oportunidade de conhecer outros autores, trocar ideias e fazer intercâmbio com os leitores". O cordelista reside em Cedro, no Centro-Sul do Ceará, e contou que escreve desde pequeno. Como profissional foi a partir de 2004.
Valmir dos Santos lançou seus primeiros cordéis em 2006 e de lá para cá já se foram várias edições. Dentre os seus títulos publicados estão: ´Pessoas do bem, promovendo a paz´; ´O preço da mentira´; ´Lula antes, Lula depois´; ´O diálogo das raças´; ´A saga do país do faz-de-contas´; ´O mensalão´; ´O símbolo da vida´; ´A indústria da fé´; ´Os marqueteiros da fofoca´; ´Vida e Obra do Rei do Baião´; e ´A garra das patrulhas´.
Ele fez questão de ressaltar que, em seus textos, procura abordar assuntos que tratem da realidade, dos problemas do dia a dia. "Escrevi sobre mensalão, preconceito, adoção. Temas sobre a vida real". Valmir trabalha na Secretaria de Educação do município, onde desenvolve projetos nas áreas de esporte e literatura. É autor do livro ´Canção de Amor´, escrito em 2006.
O poeta nasceu na Bahia, mas morou por 22 anos em Manaus. No Amazonas, foi motorista, funcionário público, agente de saúde, coordenador de feiras e mercados e assessor político. Depois de morar e passear em outras cidades, o coração o prendeu em Cedro. "O meu maior sonho é um mundo melhor para todos, sem preconceito e com direito à vida com dignidade", disse. Além de escrever literatura de cordel, ele também faz palestras em escolas alertando para o perigo das drogas.
Nas estrofes de Valmir, a cultura brasileira não é esquecida. Uma prova disso é o cordel "Vida e obra do Rei do Baião", o saudoso Luiz Gonzaga, que no próximo dia 13 de dezembro completaria 100 anos de vida. "O Estado de Pernambuco/ Recebe seu filho Gonzaga/ Com sete anos de idade/ Luiz pegava na enxada/ Mas, sua prioridade/ Era uma sanfona "xonada...", diz a obra escrita em 2007.
Mais Informações: X Bienal Internacional do Livro do Ceará - Até dia 18 de novembro - Centro de Eventos - Fortaleza - Ceará
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER

Fonte: Diario do Nordeste

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