CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 3 de junho de 2012

“SOFRESSOR” cria carta em forma de cordel para o governador - Bahia

O sofrimento somado à garra e vontade de garantir uma Educação de qualidade para a população inspirou um professor que utiliza o pseudônimo de “sofressor” a criar este cordel.

Fonte: aplbsindicato.org.br

Carta em forma de Cordel ao Governador da Bahia

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Prezado Governador

Choro sangue no papel,

Quando assisto entristecido

O seu risível papel,

Maltratando o professor

Como faz um Coronel…

 

Fico aqui me perguntando,

Simples pobre “pensador”,

O que leva um governante

A causar tamanha dor

Ao pobre que está lutando

Contra um grande Ditador…

 

Procuro uma só razão

Capaz de justificar

Essa tua intransigência,

Teu prazer em maltratar

A quem tem a obrigação

De a nação toda educar…

 

Um direito garantido

Não pode ser violado,

O aumento ao professor

Deve ser negociado,

O PT é o teu partido,

Não teu trono coroado…

 

Devolva à nossa Bahia

Sua azul tranquilidade,

Pense nas pobres famílias,

Alvos da tua maldade,

Deixe dessa rebeldia

E diga ao povo a verdade…

 

A mentira , “caro amigo”,

Pernas curtas deve ter,

Pois o piso é Nacional,

Disso tu deves saber,

Não transforme em inimigo

Quem sustenta o teu poder…

 

A história não perdoa

O cinismo de um tirano,

Sadan foi assassinado

Por ser porco e leviano,

Tua ação maldosa ecoa

Em todo o povo baiano…

 

O professorado sabe

Que o tempo é seu aliado

E que a gente da Bahia

Também está do seu lado,

Dê ao povo o que lhe cabe

Vá mandar em outro estado…

 

Vamos fazer a campanha

Contra tua tirania,

Nunca mais terás meu voto,

Tu maltratas a alegria,

Vê se então toma vergonha,

Vai-se embora da Bahia…

 

Que o povo te jogue praga,

Chamando-te de farrapo,

Colocando o teu nome

Dentro da boca de um sapo,

Porque aqui é que se paga,

Nem que seja no sopapo…

 

Deixa de beber cachaça,

De mentir com cara dura,

O povo da nossa terra,

Rica em beleza e cultura,

Não quer mais tua trapaça

Tua risível figura…

 

Ouça ao pobre do poeta

Que canta com devoção,

Alertando ao soberano

Sobre a força da nação,

Não haja como um pateta

Teu destino é a solidão…

 

Vou aqui profetizar,

Sobre o teu pobre destino,

O teu nome será posto

Junto ao nome de um cretino:

“Hitler”, o povo irá bradar,

“Tu serás um assassino!”

 

“Tu serás um assassino”,

Cantará toda cidade,

“Hilter”, o povo irá lembrar,

Na maior tranquilidade,

“Tu serás um libertino”

Por toda a eternidade…

 

Não maltrates nosso povo,

Sobretudo o professor,

Ele sabe como agir,

Suporta tortura e dor,

Teu governo acendeu fogo

No coração do eleitor…

 

“No PT não voto mais,

Velhas lições aprendi,

Agora sonho acordado,

Pois de bom eu nada vi,

Eu acho que é satanás

Quem governa por aqui…”

 

“O diabo ganhou forma,

Tem os olhos do PT,

Ele brinca com a gente,

Ele diz nos dar prazer,

A lei da nação deforma:

Faz o professor sofrer…”

 

“Te esconjuro Satanás”,

Benze a face o professor,

Ao olhar para o retrato

Do falso Governador,

“Sai de mim, chega pra trás”,

“Teu maldito ditador!”

 

Pense bem neste cordel

Nas palavras que ele tece,

No sentido que ele guarda,

No brilho que se arrefece

No olhar do povo fiel

Que clama a Deus numa prece…

 

Teu governo irá tombar

E teus feitos de maldade,

Porque quem maltrata o povo

Com tortura e com maldade,

Não consegue suportar

A face da liberdade…

 

Caminho para encerrar

Meu protesto literário,

Minha forma de dizer

Que não luto solitário,

O verso tem seu lugar

Num governo reacionário…

 

Minha arma é a poesia,

Minha palavra cortante,

Meus versos sem vaidade

Tentam congelar o instante,

Mostrando que a hipocrisia

Não tem nada de elegante…

 

Escute meu triste canto,

“Quem avisa amigo é,”

Dê de volta ao professor,

Sua graça e sua fé,

Quem produz o desencanto

Termina junto à ralé…

 

Meu caro Governador,

Jacques Wagner cruel,

Não brinque com quem derrama

O sangue sobre o papel,

Sou também um professor

Na arte de fazer cordel…

 

Vou de novo repetir

Para o povo este refrão,

“Quem avisa amigo é”

Não se meta em confusão,

Se tu não queres me ouvir

Vai ouvir o meu bordão…

 

Deixe em paz o professor,

Devolva a ele a alegria,

“Quem avisa amigo é”

Ensino com poesia;

O verso tem mais valor

Do que tua hipocrisia…

 

Meu caro Governador

Não se meta em confusão,

“Quem avisa amigo é”,

Isso vai virar refrão,

O final de um Ditador

É viver numa prisão…

 

Encerro agora o cordel,

Pois cumpri minha missão,

“Quem avisa amigo é”,

Diz o povo da nação,

Governador Coronel

Não vence mais eleição…

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