CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sábado, 28 de maio de 2011

Natal passa a integrar o Circuito Potiguar do Livro

       Fonte: tribunadonorte.com.br

             O Circuito Potiguar do Livro ganha a Feira de Livros e Quadrinhos de Natal, que será realizada no período de 17 a 22 de outubro, no Centro de Convenções. A FLIQ vem somar-se à Feira do Livro de Mossoró, Feira do Livro do Seridó e a Jornada Literária de Macau. São eventos anuais já consolidados e que têm como objetivo maior estimular à leitura e difundir a produção literária. A expectativa da FLIQ é atrair um público superior a 60 mil pessoas.

Evento é marcado com presenças de educadores e estudantesEvento é marcado com presenças de educadores e estudantes

           Serão seis dias de inúmeras atrações para o público. A programação é extensa e variada, repleta de oficinas (16 em HQ e 2 em animação); mesas diárias de debate e bate papos com autores locais e nacionais, desenhistas e ilustradores; leituras de obras; café literário; lançamento de livros e ainda espaço para sebos, livreiros e editoras. Haverá ainda espaço para os cosplayers (pessoas que se vestem e agem como personagens de HQ), jogos de RPG e os Festivais de Animação (categoria estudante e livre) e o de História em Quadrinhos, com premiações e apresentação das obras vencedoras.
            “Estamos apostando muito na Feira de Livros e Quadrinhos de Natal. O último grande evento literário que aconteceu na capital foi a Bienal, em 2007”, afirmou o jornalista Osni Damásio, um dos Coordenadores do Circuito Potiguar do Livro. Ele destacou também a participação dos alunos das escolas públicas. “ Nas edições anteriores das Feiras do Livro de Mossoró e Caicó, o Governo do Estado participou com o Cheque Livro.  Já estamos negociando com o Governo. A expectativa é que no Circuito sejam atendidas 718 escolas, beneficiando com a compra de livros 310 mil alunos e 13 mil professores “, afirmou Osni.
             Em sua 7ª edição e já consolidada como o maior evento literário do Estado e um dos principais do Nordeste brasileiro, a Feira do Livro de Mossoró cresceu muito desde sua primeira edição, em 2005. Na Feira acontece os * Prêmios de Literatura de Cordel e o de Contos, ambos com o objetivo de incentivar a autoria de obras literárias e o surgimento de talentos entre a população do RN, cada qual na sua categoria literária. Ainda com o mesmo mote, a feira aproxima os leitores de consagrados autores  locais e nacionais, através de uma rica programação de bate-papos e palestras. A edição deste ano vai acontecer de 09 a 14 de agosto, na Estação das Artes.
              Já a  3ª edição a Feira do Livro do Seridó acontecerá no mês de setembro e  visa disseminar a cultura do livro para os sete municípios desta importante região do Rio Grande do Norte. Com aproximadamente 20 mil visitantes por edição, a Feira do Livro do Seridó é uma iniciativa que colabora de forma efetiva na formação de milhares de crianças em idade escolar e na inclusão cultural de centenas de pessoas, que se encontram distante dos grandes centros culturais do país.
A II Jornada Literária de Macau está marcada para os dias 9 e 10 de novembro. A primeira edição superou todas as expectativas dos participantes, convidados e organizadores.

(* Obs. De Manoel Belizario: Esperamos que tais prêmios não sigam o exemplo do MINC em seu  Prêmio Mais(?) Cultura de Literatura de Cordel.)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

MEU PRIMEIRO LIVRO

CAPA DO LIVRO

Por Manoel Messias Belizario Neto

Lanço meu primeiro livro,
Compartilho a emoção
Ao vê-lo recém-nascido
Na palma de minha mão
Exalando um cheiro bom
De folheto do sertão.

Cheiro o meu primeiro livro
Compartilho a sensação.
Parece o cheiro da chuva
Assim que afaga o chão.
Parece o orvalho que banha
De manhã a plantação.

Pego o meu primeiro livro.
Pareço até mais criança
Que quando ganha um brinquedo
Brinca, brinca e não se cansa
Passeia no imaginário
Até onde o sonho alcança.

Livro meu, além de livro
És Folheto de cordel.
Homenageias os grandes
Da arte do menestrel
Usando como instrumento
Este humilde Manoel.

Se serás vendido ou não
Não tem maior relevância
Porque você existia
Desde os tempos de infância
Tornar-te realidade
Esta é a grande importância.

Repórter "matuto" vira personagem de literatura de cordel

         Fonte: thaisagalvao.com.br

Fera em literatura de cordel, o poeta Marciano Batista de Medeiros, de Santo Antônio do Salto da Onça, elegeu o jornalista Joaquim Pinheiro, da editoria de política do Jornal de Hoje, como personagem de suas publicações.
          E depois de discorrer sobre as manias e costumes de quem ele chamou de "um jornalista mnatuto" em um livrinho que vende a um real, o autor continuou o papo com Pinheiro e lançou a segunda edição...
          Vale a leitura seguida de risadas...
          E Pinheiro, com ajuda de deputados e vereadores, prepara o lançamento da Literatura de Cordel de marciano, tanto na Assembleia Legislativa, durante a Assembleia Cultural, quanto na Câmara.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cordelista Manoel Belizário lança livro em João Pessoa

 

Fonte: Agência de Notícias da UFPB -

Por Paulo César Cabral

Faz parte do projeto Semeando Cordel; a metade dos livros será doada para 100 escolas do município de João Pessoa

             “Agruras de um poeta popular ou congressos dos poetas populares no paraíso”. Este é o título do livro do poeta-cordelista Manuel Belizário que será lançado nesta sexta-feira (27), às 10h, na Sala do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular (Nuppo), órgão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus de João Pessoa.

           O livro é composto por quatro folhetos independentes e inéditos:“Agruras de um poeta popular ou congressos dos poetas populares no paraíso”, “As aventuras de Teó da Lage em Busca de Assombração”, “O Romeiro e a Promessa” e “Histórias de Trancoso”.

          O lançamento do livro faz parte das atividades do Projeto “Semeando Cordel na Escola e na Sociedade”, patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura. O objetivo é difundir a literatura no âmbito escolar e garantir à população em geral o acesso de baixo custo a este fazer poético – além de incentivar o poeta. A metade dos livros produzidos será doada em igual número a 100 escolas do município de João Pessoa e a outra metade será cedida ao autor.

          Mais informações a respeito do assunto podem ser obtidas no Nuppo, localizado no térreo da Reitoria da UFPB. Telefone: (83) 3216-7030.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

POETISA CLEUSA SANTO LANÇA MAIS UM CORDEL

Fonte: varnecicordel.blogspot.com

SÚPLICA DE UM PAPAGAIO

         Desta vez a poetisa foca em sua obra a preservação dos animais. Numa linguagem simples e bonita a autora conclama a todos para cuidar com mais amor da natureza. Vale a pena conferir mais este título da editora Luzeiro que pode ser usada em qualquer escola para enriquecer a aula.

— Eu só peço, por favor,
Um pouco de atenção.
Sou um Papagaio jovem
Vivendo sem instrução.
Eu já tive liberdade,
Hoje vivo na prisão.

Ainda muito pequeno,
Num galho verde brincando,
Quando uma mão muito forte
Foi rápido me sufocando.
Apertava o meu pescoço,
Depois foi me carregando.

Colocaram-me num saco,
Eu fiquei desesperado.
Gritei e gritei bem alto.
Falaram: — Fique calado!
Eu ouvia alguém dizer:
— Cala a boca, seu safado!

Quer conhecer o resto da história? Compre o livro.
Contato com a Editora Luzeiro Ltda.
Tel/Fax: (11) 5585-1800/5589-4342
vendas@editoraluzeiro.com.br

PRÊMIO MAIS(?) CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL E O DESRESPEITO À CULTURA POPULAR BRASILEIRA

      

          É, meus amigos, mais um dia de desrespeito na vida daqueles que tanto sonharam com o prêmio Mais(?) Cultura de Literatura de Cordel . Como foi grande a alegria ao nos vermos premiados. Porém não nos demos conta de que era tudo promessa. De que estávamos colocando nossas esperanças de erguer com gosto de gás o Cordel numa canoa furada. Porque a maioria de nós premiados nem pensamos no valor financeiro do projeto  - que é ínfimo –, mas no muito que poderíamos fazer com tão pouco. Hoje exigimos do governo nada mais que respeito com os  artistas da cultura popular brasileira, pois tudo isso não passa de um grande descaso. Já não basta o massacre que esta cultura vem sofrendo por parte do lixo cultural invasor da sociedade contemporânea? É isso aí amiga Rosário Pinto. Vamos reivindicar o prêmio e com isto estamos cobrando o mínimo que um governo pode fazer por seus cidadãos: tratá-lo com respeito  cumprindo com o que se propõe.

Fonte: Cordel de Saia

Cadê o Prêmio???

Por Rosário Pinto

O coração do poeta
Hoje lamenta o descaso
Ministério faz dieta
O prêmio passa do prazo
Ta virando historinha
Ou quem sabe ladainha
Ou mesmo assombração
Tratam-nos com desrespeito
E isto eu não aceito
É uma violação

Publicaram um edital
Convocaram o poeta
Para um prêmio orbital
Cada um com sua meta
Elaboraram projeto
Dentro daquele decreto
Cumpriram todas as normas
Cada item observado
Poeta não é tapado
Tudo agora se transforma

Patativa do Assaré
Certamente está vendo
Remamos contramaré
Com isso nos abatendo
Mas o grito ecoando
Feito novilho berrando
Contra esta aberração
De Prêmio abduzido
E o poeta seduzido
Pede a aclaração


Rio de Janeiro, maio 2011

Revisão: Dalinha Catunda
http://cantinhodadalinha.blogspot.com
Imagem:desabafolandia2.blogspot.com

Cotia (SP): Festa Nordestina 2011 ocorrerá em junho

Fonte: jeonline.com.br

A 10ª Festa Nordestina 2011 de Cotia acontecerá no dias 10, 11 e 12 de junho, a partir das 19h. A festa será no Recinto de Eventos ao lado do Terminal Rodoviário (33 km, Raposo Tavares).

           Para resgatar um pouco da cultura nordestina o vereador Arildo Gomes e o prefeito Carlão Camargo trazem para o evento literatura de cordel, embolada, comidas típicas (sarapatel, baião de dois, caldo de mocotó), forró pé de serra, forró arrocha.
O evento também contará com artistas de renome nacional no segmento de samba e pagode entre eles: Sampa Crew, Turma do Pagode e Revelação pela primeira vez em Cotia, ressaltando que a entrada será franca.
           Com uma infra-estrutura moderna com praça de alimentação coberta, arquibancadas, camarote coletivo e parque de diversões e no dia 12 de junho, dia dos namorados, será sorteado vários brindes como uma moto, notebook, televisão e outros prêmios.

Serviço:
Festa Nordestina de Cotia
Entrada Franca
Data:10,11 e 12 de junho
Local: Recinto de Eventos ao lado do Terminal Rodoviário (33 km, Raposo Tavares)
Horario:a partir das 19h
Mais informações pelo telefone 7158-6812.

Imagem: ensinablog.blogspot.com

domingo, 22 de maio de 2011

PRÊMIO MAIS CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL: VERGONHA NACIONAL

           VERGONHA
Por Manoel Belizario
          Tinha tudo para ser um dos maiores momentos de valorização da Literatura de Cordel brasileira, mas o tiro saiu pela culatra. E o pior é q entramos em contato, nos números e emails sugeridos e só nos são dadas respostas vagas. Bem meus amigos, daqui a pouco completa um ano que o edital foi lançado. Todo mundo reclamando pela internet no site do MINC, mas eles  fingem que não nos ouvem. A partir de agora vou publicar poemas meus e de colegas abordando o assunto. Abaixo algumas estrofes que Flávio Domingos Dantas publicou em: http://www.cultura.gov.br/site/2010/06/08/premio-mais-cultura-de-literatura-de-cordel-2010-edicao-patativa-do-assare/
Flávio Domingos Dantas
15 de maio de 2011

O poeta vem voando
Como faz a arribaçã,
Desdeu do alto da serra
Da querida Jaçanã,
Com destino a Brasília
Segunda pela manhã.

Vou voando pelo alto
Cantando feito um canário,
Cortando o meu Brasil
Encantado com o cenário,
Tô buscando o meu prêmio
Me sentindo um otário.

Tô buscando o respeito
Pro poeta do cordel,
Que em janeiro pensava
Por pouco estar no Céu,
E hoje tá amargando
O triste sabor do féu.

Tô chegando em Braília
Tem políticos até demais,
O discurso é bonito
Cada um quer falar mais,
Ministra pague aos poetas
Pois assim retorno em PAZ.

Minha fé tá se acabando
A esperança também,
Pois Lula saiu devendo
E Dilma deve também,
Será que vamos esperar
As eleições, ano que vem.

O poeta tá partindo
Ainda com decepção,
Esperando o seu prêmio
Não pensem que é milhão,
E retorna pro Nordeste
O Poeta do Povão.

Flávio Dantas
51º classificado no concurso
Produção do folheto.

domingo, 15 de maio de 2011

Projeto “Semeando Cordel na Escola e na Sociedade” é lançado em João Pessoa

Fonte: Jornal da Besta Fubana

           O professor e poeta popular Manoel Messias Belizario Neto lançou neste mês de maio em João Pessoa um projeto patrocinado pelo Fundo Municipal de Cultura chamado “Semeando Cordel na Escola e na Sociedade”. A iniciativa se propõe a produzir o livro (de autoria do proponente do projeto) denominado “Agruras de um Poeta Popular ou Congresso dos Poetas Populares no Paraíso”.
A proposta pretende difundir a literatura de cordel no âmbito escolar e garantir à população em geral acesso de baixo custo a este fazer poético – além de incentivar o poeta. Para tanto, metade dos livros produzidos será doada em igual número a cem escolas do município de João Pessoa e a outra metade será cedida ao autor.

O livro

CAPA DO LIVRO

          É composto  composto  por quatro folhetos independentes e inéditos:

Folheto 1: “Agruras de um Poeta Popular ou Congresso dos Poetas Populares no Paraíso” : Narra a história do poeta Popular Zé Damião que vive de vender folheto em feira. Mas um dia, após a massificação do rádio, luz elétrica e TV, ele cai em descrédito, entra em depressão e morre. Ao chegar ao Paraíso se depara com os grandes da poesia popular que vão discorrer num congresso os porquês da atual situação da Literatura de Cordel.

Folheto 2: “As Aventuras de Teó da Lage em Busca de Assombração”: O Arcanjo Gabriel expulsa o diabo do inferno sem que Deus saiba. Por isso, sem inferno, o diabo, almas penadas e demônios passam a morar na Terra. Satanás, reivindicando sua casa de volta, toma posse do corpo de uma princesa. Teó, o destemido “caçador de assombração” é escolhido para devolver o inferno ao diabo e assim libertar a terra dos espíritos maus que a habitam.

Folheto 3: “O Romeiro e a Promessa”: Um romeiro para se ver livre de uma doença faz uma promessa para São Francisco do Canindé. Promete que se ficar curado dará ao santo uma cabeça pensante.  O santo afirma incrédulo que é impossível encontrar uma cabeça pensante livre, mas já que o romeiro prometeu terá de cumprir – arriscando-se a virar jumento caso não encontre. A história gira em torno da luta deste romeiro aventureiramente em busca de tal cabeça.

Folheto 4: “Histórias de Trancoso”: Dois senhores sertanejos replicam entre si histórias de Trancoso contadas como verdade absoluta. São afirmações exageradas, mas muito bem-humoradas.

Lançamento

Local: NUPPO (Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular) Térreo do Prédio da reitoria da UFPB (à direita da CODESC)

Data: 27 de maio de 2011

Hora: 10:00 (manhã)

Preço: R$: 7,00

O Autor

           Manoel Messias Belisario Neto é natural de Aguiar PB e atualmente reside em João Pessoa. É graduado em Letras pela UFPB e autor de vários títulos de cordel, entre eles “Satan Processa Bin Laden e Bush por Plágio e Difamação”, premiado pela Funjope no Concurso Novos Escritos 2007 e “Cordel do Estatuto da Criança e do Adolescente” publicado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa e pelo Ministério Público da Paraíba. Ficou em 3° lugar na categoria criação e produção do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel do Ministério da Cultura edição 2010.  No momento coordena o projeto “Semeando Cordel na Escola e na Sociedade” – iniciativa aprovada no edital do Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa 2010. É professor de português em Alhandra PB e orientador social de jovens no programa Projovem Adolescente na capital.

Escolas de João Pessoa beneficiadas pelo projeto com cinco exemplares cada: 

1. Afonso Pereira da Silva 
2. Agostinho Fonseca Neto
3. Almirante Barroso
4. Américo Falcão 
5. Ana Cristina Rolin Machado
6. Analice Caldas
7. Analice Gonçalves de Carvalho 
8. Anayde Beiriz 
9. Ângelo Francisco Notare 
10. Anibal Moura 
11. Anita Trigueiro 
12. Antenor Navarro 
13. Antonia do Socorro Machado
14. Apolônio Sales de Miranda 
15. Argentina Pereira Gomes
16. Arnaldo de Barros Moreira 
17. Aruanda  Rua Eudídice
18. Augusto dos Anjos
19. Aylton Cavalcanti de Ataíde 
20. Cantalice Leite 
21. Carlos Neves da Franca
22. Celso Furtado 
23. Cícero Leite
24. Claudina Mangueira de Moura
25. Cônego João de Deus 
26. Cônego Mathias Freire 
27. Coracão Divino
28. Damásio Franca 
29. Darcy Ribeiro 
30. Daura Santiago
31. Diotília Guedes
32. Dom Helder Câmara
33. Dom Marcerlo P. Carvalheira
34. Dr. José Medeiros Vieira
35. Duarte da Silveira 
36. Dumerval Trigueiro Mendes 
37. Duque de Caxias 
38. Escritor Horácio de Almeida
39. Escritor José Lins do Rego
40. Euclides da Cunha 
41. Francisca Moura
42. Francisco Edward de Aguiar 
43. Frei Afonso
44. Frei Albino 
45. Frutuoso Barbosa 
46. General Rodrigo Otávio
47. Governador Leonel Brizola 
48. Henrique Dias
49. Hugo Moura 
50. Índio Piragibe
51. João Gadelha de Oliveira 
52. João Medeiros
53. João Monteiro da Franca 
54. João Santa Cruz
55. João XXIII
56. Jornalista Raimundo Nonato 
57. José Américo de Almeida
58. José Eugênio Lins de Albuquerque       
59. José Novais
60. José Peregrino
61. Lions Tambaú
62. Luiz Augusto Crispim 
63. Luiz Mendes Pontes
64. Luiz Vaz de Camões
65. Luiza Lima Lobo
66. Lyceu Paraibano
67. Maria Ruth de Souza
68. Moema Tinoco Cunha Lima
69. Mons. João Coutinho 
70. Monteiro Lobato 
71. Napoleão
72. Nazinha Barbosa 
73. Olívio Ribeiro Campos
74. Orlando Gomes
75. Oscar de Castro 
76. Padre Leonel da Franca 
77. Padre Pedro Serrão
78. Papa Paulo VI
79. Paulo Freire 
80. Pedra do Reino 
81. Pedro Augusto Porto Caminha
82. Presidente João Pessoa 
83. Prof. Luis Gonzaga de Albuquerque Burity
84. Profª Maria Bronzeado Machado
85. Profa. Liliosa de Paiva Leite
86. Profa. Maria Geny de Souza Timóteo
87. Profa. Olivina Olívia
88. Professora Úrsula Lianza
89. Renato Lima
90. Santa Ângela
91. Santa Emília de Rodat 
92. Santos Dumont
93. Seráfico da Nóbrega 
94. Severino Patrício
95. Tharcilla Barbosa da Franca
96. Ubirajara Pinto Rodrigues 
97. Violeta Formiga 
98. Virgínius da Gama e Melo
99. Zulmira de Novais
100. Zumbi dos Palmares

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CONVITE DE LANÇAMENTO - CORDEL CAPELA DOURADA

Fonte: educarcomcordel.blogspot.com

CONVITE

A Venerável Ordem III de São Francisco do Recife tem a honra de convidar Vsa. Exma. e família a participar do lançamento do Folheto de Literatura de Cordel:  “A História da Capela Dourada em Cordel”, do Poeta Paulo Moura, em comemoração ao 315 anos da data de fundação da "Capela Dourada", 13 de Maio de 2011.

Data: 13 de Maio de 2011 (Sexta Feira)

Horário: às 17h.

Local: Museu Franciscano de Arte Sacra.

Rua do Imperador Dom Pedro II s/n. Recife - PE

Geraldo Alain

Ministro

terça-feira, 10 de maio de 2011

Instituto de Bayeux abre inscrições para concurso de Literatura de Cordel

O instituto Geográfico e Histórico de Bayeux (IHGB), em parceria com a Academia Local de Letras, está com as inscrições abertas para primeiro concurso Bayeuxense de Literatura de Cordel, que nessa edição homenageia o professor João Severo da Silva.

As inscrições começaram em fevereiro deste ano e vão até dia 31 de maio, sendo realizadas na sede provisória do IHGB, localizada na Av. Liberdade, 3702, (Sala 7). Mais informações através do contato: (83) 3232-2414.

Para participar do concurso, o calouro literato deve residir na cidade e entregar o folheto com no mínimo 50 estrofes. As obras deverão ser enviadas em um envelope fechado, constando o nome do autor e uma cópia do trabalho. 

O concurso homenageia o professor João Severo da Silva

De acordo com o professor Ariosvaldo Alves, presidente do IHGB e organizador da atividade, o concurso é uma forma importante de difundir a literatura popular, isso, tanto nas escolas como na sociedade em geral. “Agora é o momento certo de realizar o evento, já que a Rede Globo exibe a novela ‘Cordel Encantado’, servindo como uma espécie de incentivo para os jovens participarem, e assim, juntando o útil ao agradável”, explica Ariosvaldo.

A premiação será a confecção de 2.000 exemplares para o primeiro lugar, 1.000 para o segundo e 500 exemplares para o terceiro colocado.

O resultado final da seleção será divulgado em evento que ocorrerá no dia 16 de julho, na sede do Rotary Clube, no bairro do SESI. A data rememora o dia da denominação de Bayeux, sendo a primeira cidade francesa (de mesmo nome) a ser libertada do poder nazista pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: bayeux1.com

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Café Literário aborda etnopoesia na biblioteca nacional

Fonte: Arte e Literatura: angoladigital.net   

            Um Café Literário sobre o tema "Etnopoesia: Teresa Baptista de Jorge Amado e a Literatura de Cordel" será Imagerealizado no dia 12 deste mês, na Biblioteca Nacional, em Luanda, pela Casa de Cultura Brasil-Angola.

           Segundo um documento da Casa de Cultura Brasil-Angola, que a Angop teve acesso, o encontro terá como orador o professor brasileiro, Nelson Cerqueira, da cadeira de Literatura Comparada, da Indiana University.

          De acordo com a nota, a literatura brasileira de origem constitui uma tradição que recua à Idade Média europeia, às cantigas de amor e de maldizer e possui raízes profundas de etnopoesia, uma poesia de tradição oral que desemboca na conhecida literatura de cordel.

          No debate literário, o professor Nelson Cerqueira analisará o romance Teresa Baptista, como um diálogo construtivo entre a Literatura de Cordel, a produção fictícia do romance e a resposta da literatura oralizada do Cordel, na personagem de Jorge Amado.

          Nelson Cerqueira é autor, co-autor, organizador de vários livros em literatura, estética, filosofia, com dezenas de artigos em revistas brasileiras e internacionais.

          A edição do Café de Ideias conta com a colaboração da Biblioteca Nacional de Angola e visa reforçar a relação entre as duas instituições, bem como saudar a semana da cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

          O Café Literário faz parte da programação cultural da Casa de Cultura Brasil - Angola e tem como objectivo principal debater sobre a literatura brasileira.

Literatura de cordel está preservada em cordelteca, em Sabará (MG)

Veja o vídeo clicando aqui

Fonte: G1 Minas Gerais

Artes diversas encontram-se no resgate do cordel

Fonte: diariodonordeste.globo.com

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Artista plástica, Amanda Senna, decidiu fundir as múltiplas linguagens da arte, como mamulengos e teatro de sombras, junto com o cordel e a xilogravura
FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS

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A Gráfica lira Nordestina ainda abriga o velho maquinário antigo e recebe constantemente pesquisadores de todo o País
FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS

A Lira Nordestina, seleiro de cordelistas, agora é palco de bonequeiros e artistas que dão vida aos cordéis

            Juazeiro do Norte. As múltiplas linguagens da literatura de cordel e da xilogravura entrelaçadas com os mamulengos e o teatro de sombras. Um casamento que tem dado certo com pesquisadoras que buscaram diálogo entre estas artes para desenvolver o Projeto Movimento e Voz em Cordel. O trabalho não poderia ser realizado em terreno mais fértil: a Lira Nordestina, nesta cidade, celeiro dos grandes poetas populares, desde meados dos anos 20 do século passado. Entre eles, o que deu o nome a Lira, o poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré. Serão três meses para concluir o projeto, em execução, agora, com os cursos de teatro de sombras e mamulengos para os dez participantes.
A velha Tipografia Silva, criada por José Bernardo da Silva, ainda hoje resiste e oferece condições de inspiração para novos projetos. O grande desafio da pesquisadora e idealizadora, Amanda Senna, que também é artista plástica, foi fundir as artes. O trabalho envolve a música, dramaturgia, artes plásticas, a dança e a escrita. Essa fusão dentro de uma dinâmica estética, proporciona um diálogo permanente, revelando a riqueza da literatura popular.
Ela veio do Estado de Pernambuco. Tem no mamulengo uma inspiração particular, de casa mesmo. No Rio de Janeiro teve contato com o grupo Carroças e Mamulengos, formado por artistas de Juazeiro que circulam o País com o teatro de bonecos. Desse ponto, ficou bem perto de chegar a Juazeiro. E veio à terra do Padre Cícero, onde conheceu e se identificou com a Lira Nordestina e os cordéis.
           Mas o que proporcionou o desenvolvimento do trabalho foi por a Lira ser, desde 2005, um Ponto de Cultura, do Ministério da Cultura. O Projeto Movimento e Voz em Cordel segue essa trajetória de diálogo permanente com a estética da xilo e do cordel. "Estava envolvida com os bonecos no Rio de Janeiro e tive a oportunidade de fazer a escolha do lugar para desenvolver o trabalho", diz ela, ao optar por Juazeiro e poder ter a oportunidade de realizar o seu projeto de residência artística e interação estética em um Ponto de Cultura.
           Entre os alunos do curso estão professores, crianças, artistas. O grupo é diferenciado, mas o processo de aprendizado e ensino também tem sido motivador, segundo a dançarina e atriz, Juliana Falcão, que faz parte do grupo, e também conta com a colaboração do estudante de Ciências Sociais, da Universidade Federal de Pernambuco, Pedro Moura. Ele é o produtor, um faz de tudo, como ele mesmo se denomina, com cuidados desde o acompanhamento do blog à elaboração de material.
A fase inicial de pesquisa e familiaridade com o velho maquinário da Lira, instituição atualmente com coordenação da professora Anna Christina Carvalho, começou em fevereiro deste ano. A primeira fase teve início com a pesquisa em cordel e conhecimento do Ponto de Cultura.
          O segundo passo reunir o grupo de alunos para vivenciar a nova linguagem. As pesquisadoras foram em mais de 60 salas de aula do Município, no intuito de tentar reunir alunos para participar do cursos de teatro de sombras e mamulengos por três meses. Não deu para esperar a decisão dos meninos. Então ficou um grupo misto, inclusive com alunos do Curso de Artes Visuais e Teatro da Urca.
           O terceiro passo veio com as vivências, que serão finalizadas com o grande espetáculo, no qual as pesquisadores pretendem fazer uma homenagem aos 100 anos de Juazeiro, com apresentação em praça pública.
           O projeto tem o reconhecimento da Fundação Nacional da Arte (Funarte), Secretaria da Cidadania e Ministério da Cultura, por meio do Governo Federal, que são os órgãos fomentadores e financiadores dos trabalhos. As oficinas foram iniciadas no mês de abril.
          As histórias dos cordéis, escolhidas pelos próprios alunos, estão sendo utilizadas nas construções dramáticas. Histórias poéticas, no tom das rimas, mas com falas bem ensaiadas, voz e corpo trabalhados.
           "Eles (os alunos) estão gostando muito desse trabalho, achando diferente e interessante com o que tem aqui", diz Juliana Falcão. A aluna Bárbara Leite diz que sua experiência tem sido interessante. "Isso tudo pode resultar numa construção diferenciada", prevê.
           Iniciativa
"Acho importante essa junção. Os alunos estão gostando muito, achando diferente e interessante"
Juliana Falcão, atriz e dançarina.

MAIS INFORMAÇÕES
Gráfica Lira Nordestina

Avenida Castelo Branco, 150
Romeirão - Juazeiro do Norte (CE)
Telefone: (88) 3102.1150

HISTÓRIA
Apesar de danificada, Lira Nordestina inspira autores

As histórias da Lira Nordestina e da Literatura de Cordel no Brasil se confundem e são pura rima

           Juazeiro do Norte. Os versos populares e o traçado das xilogravuras são para um dos maiores nomes da xilo e do cordel, o artista Stênio Diniz, a linguagem universal brasileira. Essa ampla e rica abertura que o cordel permite, diz Stênio, é o reconhecimento das raízes populares e a valorização das múltiplas utilidades do cordel. Ele cita a função social e a riqueza artística como marcas próprias, demonstrando o encanto da literatura dos folhetos.
           Para Amanda, a xilogravura oferece a possibilidade de inspiração plástica, dentro de uma visão estética. No cordel está a dramaturgia, com propriedades distintas para dar vida e movimento aos bonecos. A artista plástica reconhece o potencial da Lira Nordestina, que está ligada à Universidade Regional do Cariri (Urca), por meio de Pró-reitoria de Extensão, por ter ainda muito o que oferecer. Mas a maior parte do acervo de cordéis que vem sendo pesquisado é por meio do Projeto Sesc Cordel, que reúne uma coleção considerável dos folhetos. Mesmo com toda a história da Lira, o acervo da gráfica está danificado e sem diversidade. Grande parte dele, segundo Amanda, não se encontra mais no local.
           A Lira dos poetas populares ainda inspira pesquisadores na atualidade. A importância histórica da gráfica faz com que o próprio local onde estão guardados os maquinários e os móveis antigos se destaque, com o nostálgico romantismo das rimas.
           Para Amanda, é um espaço raro, onde os estudantes estão recebendo inclusive noções de utilização de algumas das máquinas para produzirem o material do curso. Como não poderia ser diferente, o próprio local serve de inspiração para as rimas ensaiadas, no ritmo dramático e nas sombras da tela de pano dos alunos.

Histórico

          A história da Lira Nordestina se confunde com a história da Literatura de Cordel no Brasil. Começou com o romeiro alagoano José Bernardo da Silva, que em 1926 se dirigiu para Juazeiro do Norte. Foi direto pedir a bênção ao "Padim". Em seguida, iniciou suas atividades. Em 1932, adquiriu as máquinas tipográficas e lançou a Tipografia Silva, que depois passou a ser Tipografia São Francisco. O nome Lira já veio após a sua morte.
           A compra dos direitos de publicação, no fim dos anos 40, dos maiores poetas de cordel do Brasil, Leandro Gomes de Barros e João Martins de Athayde, foi a realização de um grande sonho para José Bernardo da Silva. A Tipografia São Francisco vive o seu auge, como a mais importante do Brasil. As dificuldades começaram no fim dos anos 60. Em 1988, o Governo do Estado comprou a Tipografia São Francisco, que está sob a coordenação da Urca.
Elizângela Santos
Repórter

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cantora homenageia a literatura de cordel e contagia foliões – Feira de Santana - Bahia

Fonte: feiradesantana.ba.gov.br

           Na última noite de folia da Micareta 2011, o folião foi surpreendido pela cantora feirense Márcia Porto, que este ano homenageou todos os poetas cordelistas de Feira de Santana. No trio, painéis com xilogravuras de Franklin Maxado, muito forró e uma energia contagiante.

            Com o projeto “Forró Folia”, Márcia Porto fez o folião pipoca dançar agarradinho ao som de músicas bastante conhecidas do público forrozeiro, como “Olha o fogo, olha fogaréu”. O hit foi escolhido pela cantora para animar o público na entrada do Corredor da Folia.

           O prefeito Tarcízio Pimenta recebeu da artista uma atenção especial, além de muitos elogios pela festa. “Nosso prefeito e sua equipe de trabalho está de parabéns. Há 18 anos participo dessa festa e esta é a mais organizada e segura que já vi” afirmou.

           Na oportunidade, Márcia Porto, integrante da Ong MovPaz, destacou ainda a importância da Campanha do Desarmamento, que tem o apoio do Governo Municipal. "A Micareta 2011  é uma das mais seguras que Feira de Santana já teve", afirma.

Feira de São Cristóvão mantém viva a tradição do CORDEL

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo, via Blog Acorda Cordel na Sala de Aula

Escolhido Patrimônio Imaterial do Brasil, o Centro Luiz Gonzaga quer restringir ritmos que não sejam representativos da região

Nicola Pamplona / RIO - O Estado de S.Paulo – Fotos Wilton Junior/ AE

           Em matéria publicada em agosto do ano passado, o jornal O Estado de São Paulo deu destaque à venda de folhetos na tradicional Feira de São Cristóvão (Rio de Janeiro). Ali, permanecem atuantes os poetas Mestre Azulão (PB), Gonçalo Ferreira (CE) e Marcus Lucenna (RN), este último Diretor Cultural do Centro de Tradições Nordestinas. Veja a seguir, trechos da matéria do “Estadão”:

          “No ano em que completa 65 anos de existência, a Feira de São Cristóvão, com sede no Centro Luiz Gonzaga de Tradicionais Nordestinas, na zona norte do Rio, foi declarada patrimônio cultural imaterial do País, mas vive um embate entre a tradição e a invasão de movimentos culturais modernos.”

terça-feira, 3 de maio de 2011

Adolescentes escrevem Cordel para o Saberes e Sabores – Pacatuba - CE

Fonte: www.pacatuba.ce.gov.br

Por Lucílio Lessa
           Signo proeminente do universo sertanejo, a Literatura de Cordel vem ganhando espaço em outros segmentos. Prova disso é que o Festival de Literatura e Gastronomia – Saberes e Sabores, a ser realizado de 26 a 28 de maio, em Pacatuba, será palco da publicação de um livro de Cordel criado por alunos do município. “Nossa ideia é aproximar os estudantes de Pacatuba desse poema popular tão característico das nossas raízes. Agradeço inclusive a parceria da Secretaria de Educação para a concretização dessa proposta”, destaca a secretária de Turismo e Cultura, Marluce Rodrigues.
          A fim de garantir uma melhor assimilação do tema por parte dos alunos, a Secretaria de Turismo e Cultura (Funtec) aproveitou a comemoração do Dia do Livro, 27 de abril, para realizar uma oficina de Cordel ministrada pelo renomado cordelista Paulo de Tarso, que tratou de inteirar a garotada da origem desse tipo de literarura. “No Cordel, os poetas se inspiram em fatos reais ou na própria imaginação. Essa literatura foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses, que faziam os versos em apenas 4 linhas, as chamadas quadras. Nessa época, não eram utilizados livretos, como fazemos hoje”, disse Paulo.
          A estudante Deiviliane Soares, 13 anos, aluna da 8ª série do ensino fundamental, não desgrudava os olhos da lousa. “O Cordel faz a gente viajar. É bem dinâmico, engraçado. Fica fácil desenvolver as histórias”, afirmou. E até quem já tem familiaridade no assunto, fez questão de participar da oficina para aprender mais. “Para mim, essa é uma grande oportunidade. Vim aumentar meus conhecimentos. Já fiz dois livros de Cordel, ambos publicados graças à Funtec. O primeiro é: “Ao Sopé da Aratanha”, que eu fiz com os amigos Igor Chaves e Edna Maria. Já o segundo livro chama-se “Poetas da Aratanha”, também com o Igor”, ressaltou o escritor Luís Viana.
           De acordo com o secretário executivo da Funtec, Emanuel Monteiro, serão feitos mais de 500 exemplares do livro feito pelos adolescentes, para serem distribuídos no Saberes e Sabores. “O Cordel retrata a história desse País. Nada mais justo que a gente contemplar essa arte e fazer a nossa juventude entender um pouco mais desse tema”, disse Emanuel.

SAIBA MAIS
           A Literatura de Cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impresso em folhetos rústicos ou de outra qualidade de papel, expostos para venda em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, e  fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEN

Fonte: vilacamposonline.blogspot.com
Autor: Pedro Paulo Paulino

Neste dia dois de maio,
Logo quando amanheceu,
A notícia estava solta,
O planeta estremeceu,
No rádio e televisão
Corria essa informação:
Que Bin Landen já morreu.

A notícia dava conta
Que o famoso terrorista,
De quem os americanos
Há muito andavam na pista,
Foi executado então
No distante Paquistão,
O refúgio do extremista.

Seu retrato, na internet,
Para o mundo foi mostrado.
Bin Laden mais velho e morto,
O seu rosto ensanguentado.
Segundo corre a notícia,
Ele foi pela milícia
Com um tiro fuzilado.

A milícia americana,
Que depois de o executar,
Não encontrou neste mundo
Quem o quisesse enterrar.
Por falta de cemitério,
Adotaram o critério
De jogá-lo em alto-mar.

O fato causou impacto.
A notícia, num segundo,
Provocou tremendo abalo
E um alvoroço profundo,
Como se os americanos
Acabassem, com seus planos,
Todo o mal que tem no mundo.

Até João Paulo II
Que foi beatificado
- Esse fato, nos jornais,
Ficou meio deslocado…
Do casamento real,
Não mais se fala, afinal,
O Osama é mais cotado.

Lá nos Estados Unidos
O povo comemorou,
Como sendo o maior feito
Que seu país conquistou.
Porém, nesse panorama,
Terá sido mesmo Osama
Que morto no chão tombou?

Essa pergunta intrigante
É feita por muita gente:
Por que pegar o defunto
E dar fim tão de repente?
Depois que correu a nova,
Por que não pegar a prova
E mostrar mundialmente?

O retrato de Bin Laden,
Que na mídia foi mostrado,
Pelo jeito, não convence,
Pois a cara do finado
Parece doutra pessoa
Ou mesmo um defunto à toa
Há muito tempo enterrado.

Eu mesmo fico na minha.
Já vi até um maluco
Dizer que Osama Bin Laden
(Ele diz, eu não retruco)
Não morreu nem foi embora,
Lá em Petrolândia mora,
Cidade de Pernambuco.

Eu não quero entrar no mérito
Dessa questão, no momento.
Mas, de tanto ouvir falar
Em tal acontecimento,
Sonhei enquanto dormia
Que Bin Laden então morria
E deixava um testamento.

Era um sonho muito claro
E eu vi com perfeição
O testamento que Osama
Escreveu de própria mão
Num caderno bem guardado,
E noutro caderno, ao lado,
Se encontrava a tradução:

“O que tenho pra dexar
Para toda a humanidade
É ódio, ira e rancor,
Destruição e maldade,
Muita guerra e assassínio,
Desunião, morticínio,
Tragédia e barbaridade.

Deixo o mundo fabricando
Bomba de destruição,
Mais gente igualmente a mim
Que sabe usar avião,
Sofisticado transporte,
Somente pra causar morte
Mantando de multidão!

Deixo os Estados Unidos
Agirem bem à vontade,
Assaltando o mundo inteiro
Sem ter dó nem piedade;
Deixo esse país injusto
Se apossando a todo o custo
Do resto da humanidade…

Deixo o Oriente Médio
Caindo sempre no abismo,
Mergulhado brutalmente
No seu Fundamentalismo.
A Europa, eu deixo inteira
Consumida na fogueira
Do seu vil Capitalismo.

Pra meu colega Kadafi
Eu vou deixar reunidos
Os meus planos traiçoeiros
E bastante esclarecidos,
Pra num momento feliz
Saber fazer como eu fiz
Contra os Estados Unidos.

Eu deixo o Barack Obama
Fazendo como acontece,
Ou seja, o que Bush fez,
Que o mundo inteiro padece,
Principalmente o Iraque,
Pois de Bush pra Barack
A vingança permanece.

Para o mundo inteiro eu deixo
Meu precioso arsenal,
Muitas armas poderosas
Pra, numa guerra global,
Os povos beligerantes
Extinguirem, em instantes,
A humanidade em geral.

Eu deixo a poluição
Em todo o meio ambiente
Tomando conta da terra
Causando incêndio e enchente;
O mundo sem paciência
Aumentando a violência
E gente matando gente.

Brigando pelo petróleo
Vou deixar o mundo inteiro,
Banhado sempre de sangue
E menos hospitaleiro.
E deixo em cima da terra,
Da fatal terceira guerra
Bem começado o roteiro.

Ao Brasil, onde eu passei,
Eu deixo o povo mais rude
Sem amparo e educação,
Sem trabalho e sem saúde;
Pior do que no Iraque,
Deixo o tráfico do crack
Destruindo a juventude.

Do mundo que me despeço
Só levo um prazer profundo.
Estão todos enganados:
Eu fui mesmo vagabundo,
Terrorista e muito ruim,
Mas não é me dando fim,
Que dão fim ao Mal no mundo.”

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PRODUÇÃO DE LITERATURA DE CORDEL (PE)

Fonte: cdbdiocesano.blogspot.com

COLEGIO DOM BOSCO – PETROLINA

           A professora Richelly Cavalcanti, de Língua Portuguesa, está desenvolvendo uma proposta de trabalho com os alunos das quartas séries sobre a literatura de cordel. Primeiro, os alunos estão tendo um contato com esse escrito popular para, em seguida, começarem a desenvolver seu próprio cordel sobre os 85 anos do Colégio Dom Bosco.

Luzeiro relança cordel baseado em conto do Decameron

Fonte: “Cordel Atemporal”: marcohaurelio.blogspot.com

Por Marco Haurélio


          Em Breve História da Literatura de Cordel, escrevi:
...testemunhamos, no alvorecer da poesia popular escrita, a existência de uma versão em cordel da História de D. Genevra, uma das novelas do Decameron, de Boccaccio, elaborada pelo citado Zé Duda. Esta versão poética, de tão conhecida pelos leitores e cantadores de feira, chamou a atenção de Câmara Cascudo, que a estudou e a publicou na íntegra na coletânea Vaqueiros e Cantadores.

Na cidade de Genova
Havia um negociante
De dinheiro e muitos prédios
Ele contava bastante
E na forma de viver
Era mais interessante
.


Casado como uma mulher
De grande abilidez
Lia, escrevia e contava
Falava bem português
Italiano, latim,
Grego, alemão e francês.


Chamado Dona Genevra
Amava muito ao marido
Ele chamado Bernardo
De todos bem conhecido
Neste lugar não havia
Outro casal tão unido.

       Câmara Cascudo, desconhecendo, em sua época, versão portuguesa do Decameron, acreditava que 'em idioma acessível o cantador nada podia ter lido'. É possível que a estória tenha se descolado do compêndio de Boccaccio e circulado como obra independente.


          É essa versão, escrita por Zé Duda, que a Luzeiro ora reedita. Eu já o havia selecionado quando trabalhava na editora, reaproveitando as imagens que Salvador Magalon (Smaga) havia feito para a versão de Manoel Pereira Sobrinho editada pela Prelúdio.
Um grande lançamento, sem dúvida.

sábado, 30 de abril de 2011

SEIS MESTRES DO IMPROVISO

Fonte: Jornal da Besta Fubana

Manoel Xudu

A arte do passarinho
Nos causa admiração:
Prepara o ninho de feno,
No meio bota algodão
Para os filhotes implumes
Não levarem um arranhão.

* * *

João Siqueira

Mulher ao nascer é um anjo;
Sendo moça, um sol nascente,
Sendo noiva, uma esperança,
Sendo esposa, uma semente,
Sendo mãe, é uma fruteira,
Sendo sogra, é uma serpente!

* * *

Pinto do Monteiro

Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda.

* * *

José Amâncio

Felício já namorou
No seu tempo de rapaz.
Já amou, já foi amado,
Hoje é que não ama mais.
Tá qual ferro de engomar,
Solta fumaça é por trás!

* * *

Dimas Batista

Ali na cabana de alguns pescadores
Fitando a beleza do mar, do arrebol,
Bonitas morenas queimadas de sol,
Alegres ouviram cantar meus amores.
O vento soprava com leves rumores,
O pinho a gemer, depois a chorar.
Aquelas morenas à luz do luar
Me davam impressão que fossem sereias,
Alegres, risonhas, sentadas nas areias,
Ouvindo meus versos na beira do mar.

* * *

Chico Nunes

Sou natural de Alagoas,
Nasci pra ser cantador,
Francisco Nunes Brasil,
Poeta improvisador.

*

A vileza do destino
Espedaçou o meu futuro,
O meu viver é obscuro
Desde o tempo de menino..
Hoje sou um peregrino,
Não sei o que é riqueza,
Bruxuleia a luz acesa,
Perdi a perseverança…
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.

.

Me meti por tanto atalho
Que não sei mais onde é a entrada
Minha vida tá cortada,
Perdi amparo e agasalho,
Fui como rosa no galho,
Hoje só pétala caída,
Sem perfume, esmaecida,
Levada na tempestade,
Sentindo a dô da saudade
Na sombra negra da vida.

.

Na terra dos marechais,
Sem ter quem me queira bem,
Oh, morte, por que não vens…
Tirar os meus dias finais?
Vivo gemendo meus ais,
Só sei o que é aspereza.
Não apresento nobreza,
Sou igual a uma balança…
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.

* * *

Imagem: museudapessoa.net

A HISTÓRIA DA ONÇA TAPUIA E O HOMEM DESTEMIDO

Fonte: Jornal da Besta Fubana

Autor: Minelvino Francisco Silva

O homem deve ser homem
Que demonstre seu valor
Cumprindo assim uma lei
De nosso pai Criador
Que dele fez rei das feras
De todas superior

Eu agora vou contar
Um caso que foi passado
A tempos que longe vão
Quando tudo era atrasado
Quando o solo brasileiro
Não era tão habitado

Tinha grandes travessias
Sem haver um morador
Só se encontrava cobra
E tigre devorador
Havia muito selvagem
Bicho feroz comedor

Nas zona do Maranhão
Antigamente existia
Um riquíssimo fazendeiro
Que outro igual não havia
Tinha uma grande fazenda
Numa grande travessia

Nessa grande travessia
O povo ali não passava
Porque havia uma onça
Que a todos devorava
Quem fosse nesse lugar
Com vida mais não voltava

Ninguém podia matar
Pois a onça era encantada
Era uma cabocla velha
Que em onça foi transformada
Era terror dos terrores
Essa fera endiabrada

Um vaqueiro da fazenda
Foi pra o bosque campear
Essa tal onça tapuia
O pobre pôde agarrar
Engoliu de uma só vez
Que não deu para gostar

Quando foi no outro dia
Sem o vaqueiro chegar
O pobre do fazendeiro
Começou a se vexar
Então chamou seus dois filhos
Para irem procurar

E saíram bem armados
O vaqueiro procurado
Subiram por uma serra
Quando foram descambando
Numa pedreira esquisita
Foram uma velha avistando

A pessoa que matar
Este monstro endiabrado
Trazendo a mão dele aqui
Vai ser bem gratificado
Vinte contos em dinheiro
E uma fazenda de gado

Estes homens pra viagem
Andavam bem preparados
Cada com um bacamarte
Os facões bem afiados
Disseram para a viúva
Nós somos dois denodados

Porque nós nunca achemos
Nada pra nos meter medo
Estamos acostumados
Matar onça no rochedo
Nós vamos ver essa onça
O terror deste degredo

A viúva disse: moços
Não queiram arriscar
Quem passa uma hora desta
Não tem para escapar
As mulheres dos senhores
Como eu vão terminar


Eles disseram: senhora
Pra o homem tudo é perigo
Despediu-se da viúva
Com seu compadre e amigo
Entraram na travessia
Para enfrentar o inimigo

Viajaram esses dois homens
Nessa grande travessia
A viúva da fazenda
Por esta forma dizia
A onça vai devorá-los
Valei-me Virgem Maria

Viajaram a tarde toda
Cinco horas realmente
Zé Pedro disse ao outro
Por ser mais experiente:
Vamos ficar aqui mesmo
Não sigamos mais a frente

Zé Raimundo concordou
Muita lenha ali ajuntaram
Fizeram um grande fogo
Assaram carne e jantaram
Com pouco ouviram um rugido
Que ambos se assustaram

Pois era a onça tapuia
Que vinha pra os atacar
Os dois homens destemidos
Ouvindo a onça esturrar
Botava lenha no fogo
Pra mais a mais clarear

Aí foi caindo a noite
A onça mais se danava
Jogava terra no fogo
Horrivelmente esturrava
Esta doida bicha danada
Cada um assim gritava

Às dez horas mais ou menos
Naquela mata sombria
Zé Pedro disse: compadre
Tenho coragem e energia
Mandou o outro dormir
Ele sozinho garantia

Dizendo pode dormir
Com o coração descansado
De meia-noite em diante
Eu vou dormir um bocado
E o senhor me acorda
Porém precisa muito cuidado

Assim mesmo eles fizeram
José Raimundo deitou
Foi logo se adormecendo
Seu companheiro ficou
Ralhando com aquela fera
Lenha no fogo botou

De dez horas em diante
A onça mais se danava
Jogava terra no fogo
Para ver se apagava
O moço acendia o fogo
De vez em quando gritava:

Está doida bicha danada
O homem gritava, então
Na boca do bacamarte
No gume do meu facão
Não temo onça valente
Nem pantera nem leão

Assim naquela peleja
Duas horas tinha dado
Ele chamou seu compadre
Balançando com cuidado
Para ir acender o fogo
Que ele estava cansado

O outro se acordou
Nessa mesma ocasião
Ele disse: meu compadre
Já dormiu uma porção
Eu vou descansar um pouco
Tenha toda precaução

Está certo meu compadre
Disse ele nessa hora
Levantou acendeu o fogo
E gritou sem ter demora;
Está bêba bicha malvada
Sou eu que cheguei agora

Mas o sono traiçoeiro
Cada vez lhe atacava
Ele ia cochilando
O fogo se abaixava
Pois ele com muito sono
Muito baixinho gritava

Pois aquele pobre homem
Que estava cochilando
O fogo se abaixou
A onça foi encostando
Deu um pulo em cima dele
E logo foi agarrado

José Pedro acordou-se
Com o enorme estampido
Não encontrou seu compadre
Só escutou um rugido
Ele não esmoreceu
Porque era destemido

Zé Pedro dizia consigo:
Como homem de valor
Se não vingar meu compadre
Passo até por traidor
Eu vou matar essa onça
Seja lá aonde for


Quando o dia amanheceu
Ele seguiu no roteiro
Sangue ali, sangue acolá
Subindo serra e outeiro
Na pista daquele monstro
Que matou seu companheiro

Seguiu ele no roteiro
Às 11 horas do dia
Ele avistou uma pedreira
Numa serra que havia
Parecendo uma cidade
Onde a onça residia

O moço se aproximando
Daquela enorme pedreira
Porque ia no encalce
Dessa fera traiçoeira
Eu hoje te arranco a língua
Dizia desta maneira

Ele foi chegando perto
Foi avistando um sobrado
Por obra da natureza
Na mesma pedra formado
Um sobrado encantador
Todo bem organizado

No alpendre do sobrado
Tinha uma velha descansando
Era a tal onça tapuia
O moço foi avistando
Olhou tudo direitinho
Logo foi se preparando

Ele armou o bacamarte
Levou na onça encantada
Quando puxou no gatilho
Deu uma pancada danada
Mas o tiro não saiu
A onça foi despertada

A velha naquela hora
Assim que se despertou
Quando foi vendo o rapaz
Em onça se transformou
Partiu para José Pedro
Ele por ela esperou

Veloz como o pensamento
Ele puxou o facão
Pra lutar com essa ferra
Que parecia um dragão
A fera botou-se a ele
Nessa mesma ocasião

Ele meteu-lhe o facão
Debalde os golpes que dava
Dava golpes desmedidos
Mas o facão não cortava
Nos cabelos dessa fera
O facão se embaraçava

Era uma fera horrorosa
Não se pode comparar
Era toda cabeluda
Jamais podia matar
Quem fosse lutar com ela
Só ia a vida entregar

No grande corpo do monstro
Tinha um lugar arriscoso
Bem na roda do umbigo
Do monstro misterioso
Com qualquer um ferimento
Matava o monstro horroroso

Naquela luta terrível
Mais de uma hora fazia
O homem no pensamento
De vez em quando dizia:
Valei-me meu bom Jesus
Filho da Virgem Maria

No meio da grande luta
A onça se arrepiou
O umbigo dessa fera
Logo o homem observou
Deu um golpe tão certeiro
Que a fera no chão tombou

Conheceu bicha malvada
Disse o moço jubiloso
Que o homem tem a força
Dada pelo Poderoso
Pra ser rei de todas as feras
Por isso eu digo orgulhoso


Dinheiro naquela gruta
Tinha abundantemente
Dos que ela devorava
De toda classe de gente
Ele logo encheu um saco
De dinheiro urgentemente

Tirou uma mão da onça
Isso sem haver demora
Pra fazenda da viúva
Viajou naquela hora
Disse: eu vou dar de presente
Àquela digna senhora

Ele chegou na fazenda
Quando a viúva o avistou
Disse: com toda certeza
O outro a onça matou
O moço chegou pra perto
E toda história contou

Ele entregou a viúva
A mão de onça encantada
Dizendo: Ela comeu
Meu compadre e camarada
Mas ela não come outro
Porque matei a malvada

A viúva de contente
Soltou foguete no ar
Apanhou 50 contos
Ao moço veio entregar
Ele disse: não senhora
Eu tenho com que passar

Com um saco de dinheiro
Dum tamanho demasiado
Ele ia conduzindo
Que na gruta foi achado
Despediu-se da viúva
Mostrando ser educado

Foi uma grande alegria
Quando ele em casa chegou
A mulher de Zé Raimundo
Por ele lhe perguntou
Zé Pedro lhe respondeu:
Uma fera o devorou

Com esta notícia ela
Chorava para se acabar
Zé Pedro disse: comadre
Nós temos com que passar
E foi buscar o dinheiro
Para a comadre entregar

Com muitas notas de contos
José Pedro ali chegou
Entregou sua comadre
E toda história contou
Passando um pano nos olhos
O choro se acabou

Quando foi vendo o dinheiro
A mulher do Zé Raimundo
Que estava se lastimando
Num sofrimento profundo
Foi recebendo o dinheiro
Alegrou-se num segundo

É ditado dos antigos
Que acho muito engraçado
Que dinheiro faz sorrir
O defunto amortalhado
Mesmo dentro do caixão
Se mexe pra todo lado

Zé Pedro com a família
Foi então negociar
Toda essa sua riqueza
Foi cada vez aumentar
E sempre multiplicando
Pra nunca mais se acabar


A mulher de Zé Raimundo
Que ficou em viuvez
Por ter bastante dinheiro
Casou-se com um burguês
Projetaram o casamento
Casaram no fim do mês

Este livro tem dois V
Um V vai, outro V vem
O certo é quem o comprar
Não emprestar a ninguém
Diga que seu Minelvino
Lá da feira ainda tem.

Imagem: imotion.com.br

quinta-feira, 28 de abril de 2011

TERCEIRA RODA DO CORDEL ACONTECE EM SÃO PAULO

Fonte:varnecicordel.blogspot.com

Por Varneci Nascimento

          Amigos, o terceiro encontro da Roda de Cordel - Círculo de Estudos Sobre o Cordel Brasileiro - acontecerá na próxima sexta-feira, dia 29, a partir das 19h, na sede da Apeoesp, na Praça da República, 282, no Centro da cidade de São Paulo. Abordaremos o primeiro tópico de nossa ementa: História do Cordel. Tema: Francisco das Chagas Batista e a Popular Editora. Segue material nos anexos.

Vejam ementa e roteiro no site: http://aderaldo.blogsome.com

Projeto Literatura Popular em versos da Casa de Rui Barbosa

Fonte: bibletrasufrj.wordpress.com

           O projeto Literatura Popular em versos da Casa de Rui Barbosa conta com um acervo-  o maior da América Latina – com 9.000 folhetos de cordel  formado a partir da década de 1960 disponível para consulta online por meio de suas referências catalográficas, que podem ser consultadas por índices, como o deautor, título, assunto, local de publicação, editora/tipografia, data, gênero literatura de cordel, na basede dados da Biblioteca.

          Desse conjunto, cerca de 2.340 folhetos dos autoresrelacionados em poetas e cantadores estão disponíveis em versão digital,com suas versões originais e variantes.

              Segundo o projeto o cordel é valorizado como expressão poética de alta significação por escritores do porte de Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Mario de Andrade, João Cabral de Melo Neto, motivando (e continua a motivar) estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História, entre outras.

Acesse: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/acervo.html

Inscrições abertas para a Oficina de Literatura de Cordel 26/04/2011 – Bertioga SP.

Fonte: Site Riviera de São Lourenço: rivieradesaolourenco.com

          A Casa da Cultura de Bertioga, junto com a Oficina Pagu, oferecem uma oficina de Literatura de Cordel - "O Varal que contava histórias" , que acontece de 06 de maio a 01 de julho, sempre as sextas feiras.

           Podem participar jovens e adultos interessados em cultura popular, acima de 15 anos.

           A oficina  tem como objetivo principal a criação de cordéis, abrangendo a produção de textos e gravuras.
a professora Norma de Oliveira é formada em Artes Visuais pela UNISANTA. Possui experiência na Secretaria da Cultura e lecionou em escolas de Santos. Trabalha atualmente no Ateliê Arte Brasil, ministrando cursos de Literatura de Cordel.

          Coordenação: Norma de Oliveira
          Oficinas: 06/05 a 01/07 . Todas às sextas-feiras das 14h00 às 17h00.
         Público: jovens e adultos interessados em cultura popular, acima de 15 anos.

Inscrições: Até dia 05/05. Oficina gratuita.
Seleção: primeiros inscritos, total de 20 vagas.
Local: Casa de Cultura - Av. Tomé de Souza, 130, Centro - Bertioga/SP

Imagem: sopadepoesia.blogspot.com

CORDEL: “A CASA QUE A FOME MORA”

Fonte: mundocordel.blogspot.com

Autor: Antonio Francisco

 


Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão,
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe vi a cor
Da casa que a fome mora:

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmãos dos raios da lua,
Com as costas semi-nuas
Tatuadas de caliça
Pedindo um pão da justiça
Do outro lado da rua.


Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela,
O jejum numa janela
Dizendo: aquí ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas, não vi o rosto dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava
Amolecia e matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saí
De novo á procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome.
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pros bolsos dos marajás
E me escondo por tráz
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população.

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida,
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas
Nunca vão me encontrar,
Eu vou continuar
Usando meu terno xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da burrice de vocês.

Coleção Queima-bucha de Cordel, Mossoró-RN, Outubro de 2006

Imagem: dilmanarede.com.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

UM RIO DE ÀGUA

Fonte: cantinhodadalinha.blogspot.com

AUTORA: DALINHA CATUNDA

UM RIO DE ÀGUA
*
O Céu todo escureceu
A chuva grossa caiu
O transito paralisado
Meu olhar atento viu
Nosso Rio de Janeiro
Em água se consumiu.
*
A correnteza nas ruas
Atraiam a atenção.
O relâmpago riscava
E pipocava o trovão
Desligando num estalo,
Computador, televisão.
*
E num engarrafamento,
Parte da população,
Ficou mesmo à deriva
Que sinistra situação,
Boiando dentro de carros
Sem chance de reação.
*
Duas horas da manhã
Em cima do elevado,
A chuva ainda caia
E o transito parado
Sofria o trabalhador
Encurralado e cansado.
*
Nosso Rio de Janeiro,
Padece com temporais.
E na hora do aperto
É o povão quem sofre mais
Mas não vejo solução,
Só manchetes em jornais.
*
As olimpíadas vêm aí
E eu só queria saber
Se cair um temporal
O que vai acontecer!
Pois sei que o maracanã,
Garanto que vai encher.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
Visite também: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

SESC Ler de Gurupi comemora ampliação do acervo da biblioteca com Sarau Literário: “ Cordel e o Cantador” (TO)

Fonte: agora-to.com.br

Autor de sete livros publicados e com participação em dezenas de antologias literárias pelo País afora, Zacarias Martins também falará um pouco de sua trajetória literária e algumas peculiaridades da Literatura de Cordel

                         Zacarias Martins

                Um recital de poesias com o poeta e ativista cultural Zacarias Martins (Foto) marcará a programação do Sarau Literário promovido pelo Sesc ler de Gurupi, no  próximo dia 28 (quinta-feira), às 19 horas. Autor de sete livros publicados e com participação em dezenas de antologias literárias pelo País afora, Zacarias Martins também falará um pouco de sua trajetória literária e algumas peculiaridades da Literatura de Cordel.
             O evento também servirá para comemorar a ampliação do acervo da biblioteca do Sesc ler de Gurupi, que hoje conta com o acervo de aproximadamente 3.000 títulos totalmente informatizados entre livros em gerais, com destaque para livros literário infantil e adulto, jornais e revistas, DVD e CD, 
              Após estudos aprofundados sobre o que é a literatura de cordel, o SESC Ler de Gurupi preparou a 2ª edição do projeto Sarau Literário. Este ano o tema será “Cordel e o Cantador”.
              O objetivo do trabalho com a literatura de cordel e proporcionar o conhecimento, criação e expressão artística, por meio da Literatura de Cordel da região, ou da cultura regional do aluno, a fim de conseguir um melhor desempenho na produção e compreensão dos textos que circulam na escola. Isso permitirá o conhecimento e a valorização de variedades lingüísticas menos prestigiadas socialmente e, conseqüentemente, o respeito e a valorização de outras formas culturais que não aquelas socialmente reconhecidas e valorizadas
                O Sarau é aberto a toda a comunidade e vai contar com apresentação de releitura de cordel, contenda, piadas, músicas nordestinas, repentes, dança, adivinha, trava língua, teatro e a inauguração da Biblioteca. O evento será realizado pelos alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), PHE (Projeto Habilidades de Estudos) e a comunidade em geral.

POEMAS DE JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA (CANCÃO) (2)

Fonte: www.luizberto.com

João Batista de Siqueira, poeta popular mais conhecido por Canção, nasceu em São José do Egito, a 12/05/1912. Em 1950, deixou de participar de cantorias de viola e dedicou-se apenas à poesia escrita. Sua obra já foi classificada pelos críticos como uma versão popular à poesia de poetas românticos como Castro Alves, Fagundes Varela ou Casimiro de Abreu.

Freqüentou a escola por pouco tempo (”não cheguei ao segundo livro”) e foi, também, oficial de Justiça em sua cidade, onde morreu a 05/07/1982. Livros publicados: “Meu Lugarejo”, ”Musa Sertaneja” e “Flores do Pajeú”. Folhetos de Cordel de sua autoria: “Fenômeno da Noite”, “Mundo das Trevas”, “Só Deus é Quem Tem Poder”.

* * *

MOMENTOS MATUTINOS

Nas noites caliginosas
As estrelas luminosas
Pelas grimpas montanhosas
Derramam luz soberana
As florzinhas da paisagem
Dormem por entre a ramagem
Talvez sonhando a imagem
Dos sorrisos de Diana

Os pirilampos pequenos
Vindos de outros terrenos
Pousam, sutis e serenos
Pelos estrumes da terra
Os perfumados vapores
Passam roçando os verdores
Levando os leves rumores
Das águas brandas da serra

A Lua, alta e feliz
Linda mãe dos bugaris
Derrama raios sutis
Por toda extensão da selva
Dos lírios desabrochados
Brancos e imaculados,
Os seus perfumes sagrados
A brisa bafeja e leva

Dentro da floresta densa
A vegetação imensa
Parece ficar suspensa
Nesse ditoso momento
As carnaúbas rendadas
Criadas lá nas chapadas
Abrem as frondes copadas
Para a passagem do vento

A brisa sopra dolente
Por entre a flora virente
O céu de cor transparente
Azul, sem uma só mancha
Branca neve matutina
Envolve a vasta campina
Toalha de gaze fina
Que o dia rasga e desmancha

As corujas traiçoeiras
Com suas asas maneiras
Passam nos ares, ligeiras
Para o grotilhão enorme
Foge o tenebroso véu
Na aroeira, o xexéu
Olhando as cores do céu
Desperta a mata que dorme

Para as bandas do levante
Lindo clarão rutilante
Vem-se alargando, brilhante
Cheio de glória e encanto
A neve se desenrola
E o beija-flor, por esmola
Em cada fresca corola
Deposita um beijo santo

Dos floridos vegetais
Os orvalhos matinais
Como gotas de cristais
Se desprendem tremulantes
Um traço de fina luz
Aquece os verdes bambus
Dos altos cumes azuis
Das cordilheiras distantes

A borboleta amarela
Passa juntinho à janela
Vai pousar, serena e bela
Num lindo caramanchão
O sabiá, lá da mata
No ingazeiro desata
A nota suave e grata
De sonorosa canção

Cantam na serra os pastores
Os tempos de seus amores
Sentindo os brandos calores
Dos raios do sol nascente
E a Natureza selvagem
Estende a sua ramagem
Como rendendo homenagem
A um Deus onipotente.
* * *

SONHO DE SABIÁ

Um sabiá diligente
Voou pela vastidão
Mas por inexperiente
Caiu em um alçapão.
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado
Pensando no seu filhinho
Implume sem alimento
Exposto a chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho.

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola
Num casebre de um mendigo
Que só comia de esmola.
Só vivia cochilando
Com certeza imaginando
Sua liberdade santa.
Ia cantar não podia
Que a sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta.

Tornou-se a pena cinzenta
No rigor do seu castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo.
Triste sempre arrepiado
Neste viver desolado
Ia um mês , vinha outro mês,
Assim completou um ano
Sentindo seu desengano
Nunca cantou uma vez.

Depois uma tarde inteira
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira
Onde tinha feito o ninho.
Olhava em frente às campinas
Via por traz das colinas
A natureza sorrindo.
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade
Sem saber cantou dormindo.

Depois sonhou que voltava
A terra dos braunais
Por onde sempre cantava
Junto aos outros sabiás.
Voava nas ribanceiras
Pousava nas laranjeiras
Olhando o clarão do dia.
Voava através do monte
Voltava a beber na fonte
Que todas manhãs bebia.

No sonho via as favelas
Criadas nos carrascais
Voou baixo, pousou nelas,
Cantou os seus madrigais
Voltou, colheu os orvalhos,
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos jiquiris.
Alegre abria a plumagem
Pra receber a bafagem
Das manhãs do seu país.

Foi a terra dos palmares
Atravessou toda flora
Voou por todos lugares
Que tinha voado outrora.
Passou pelos mangueirais
Entre outros sabiás
Cantou sonora canção.
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção.

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem.
Cantou todo arrebol
O brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes.
Sentia quando cantava
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes.

Sonhou catando sementes
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho.
Olhava pra vastidão
Tocava em seu coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo.

Voou por entre os verdores
Atravessou as searas
Cantou pelos resplendores
Das manhãs frescas e claras.
Passou pelo campo vago
Bebeu das águas do lago
Posou sobre os arvoredos.
Entrou pelo bosque escuro
Aí sonhou um futuro
Tão triste que teve medo.

Depois sonhou que estava
Trancado em uma gaiola
Ouvindo alguém que cantava
Na porta pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento
Ouviu falar o mendigo.
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão.
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim o cantor da mata
Ferido da sorte ingrata
No outro dia morreu.

* * *

DEPOIS DA CHUVA

Era uma tarde de abril,
A luz do sol se escoava
Um traço da cor de anil
O céu deserto mostrava
Num lago triste e sereno
Nadava um cisne pequeno
Eriçando as alvas plumas
As derradeiras neblinas
Faziam lindas ondinas
Por entre as brancas espumas

Um sabiá pesaroso
Nos galhos em que nasceu
Cantava, triste e choroso
As mágoas do peito seu
O sol além se deitava
A sua luz se esvaziava
Pela ramagem da horta
A brisa, em leves ruídos
Levava os ternos gemidos
Da tarde já quase morta

A água branda descia
Pelo pequeno gramado
A relva, fresca e macia,
Era um tapete rendado
Se ouvia, lá da colina,
No coração da campina,
Soluçar uma cascata
E o sol, com seus lampejos,
Dava os derradeiros beijos
No rosto verde da mata

O sol, com luz amarela
Dourava os morros azuis
Tornando o céu uma bela
Pulverização de luz
A aura fresca e macia
Por entre a mata fazia
Os mais suaves rumores
As borboletas douradas
Se misturavam vexadas
Bebendo o rocio das flores

As auras rumorejavam
Com lentidão e leveza
Os regatos retratavam
Um lindo céu de turquesa
Os orvalhos cristalinos
Se desprendiam divinos
Da copa dos arvoredos
Nas carnaúbas rendadas
Como com mãos espalmadas
O sol brincava em seus dedos

Voavam pelos verdores
Lindos colibris dourados
Sugando o néctar das flores
Dos jiquiris borrifados
No pomar, um rouxinol
Contemplava o arrebol
Numa profunda tristeza
Um traço débil de luz
Rasgava os panos azuis
Do corpo da Natureza

Depois, os ventos mansinhos
Sopravam no campo vago
Fazendo alguns burburinhos
Na face lisa do lago
As abelhas, preguiçosas,
Se escondiam nas rosas
Que a Natureza burila
E o cisne de brancas penas
Cortava as águas serenas
Da superfície tranqüila.