CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Folhetos de Cordel contribuem para a melhoria do processo de ensino aprendizagem

Nos últimos anos, uma ampla quantidade de autores tem voltado seu olhar para a temática da utilização de múltiplas linguagens como suporte didático nos processos de ensino e de aprendizagem. Dito de outra forma, o uso de novos recursos e suportes didáticos, que subsidiam estratégias de ensino inovadoras e diferenciadas. A literatura de cordel é um veículo que permite as pessoas participar da vida do país, como debater a realidade, expressar suas necessidades e aspirações. Retratando tradições, costumes, lendas e acontecimentos; e, trazendo consigo todo um conjunto de manifestações artísticas e culturais.

Especialistas apontam que motivos não faltam para persuadir os professores, das várias disciplinas, a abordar os folhetos de cordel em sala de aula. Em primeiro lugar, por serem escritos em versos compostos segundo um padrão que favorece a realização de leituras em voz alta; segundo, por apresentarem as histórias e as notícias interpretadas de acordo com os valores compartilhados por seu público-alvo. “Também por retratarem a vida de personalidades, os feitos de cangaceiros, as espertezas de heróis e apresentarem adaptações de narrativas eruditas da literatura nacional e estrangeira, como Iracema, de José de Alencar, Romeu e Julieta, de Shakespeare. Não podemos nos esquecer, ainda, de que os folhetos possibilitam a promoção de debates, de dramatizações, de produção e análise de xilogravuras”, acrescentou Maria Sidalina Gouveia, supervisora Pedagógica de Língua Portuguesa do Instituto Qualidade no Ensino (IQE).

Segundo ela, os folhetos de cordel demonstram, com clareza, que os limites entre escrita e oralidade, entre letrados e iletrados, estão muito além da possibilidade de decifração de um código gráfico. “Parte do público tradicional dos folhetos é capaz de reconhecer as palavras escritas em romances eruditos, como os de Machado de Assis, porém essa habilidade não é suficiente para que apreciem o texto, ou seja, para que possam compreendê-lo em sua essência, mas a adaptação da mesma obra para o cordel é perfeitamente compreendida e estimada por esse e pelos demais públicos”, frisou.

Sidalina lembra ainda que é útil investir em uma abordagem comparativa entre os folhetos de diferentes autores e épocas e entre folhetos e outras obras literárias, sobretudo as que foram adaptadas para o cordel. “O intuito desse trabalho não é o de formar poetas, mas leitores, portanto, se a escola contribuir com essa formação, certamente estará cumprindo seu papel. Abrir a sala de aula para a literatura de cordel é uma importante conquista; há que se pensar de que modo efetivá-la tendo em vista a formação de leitores”, analisou a supervisora do IQE. Considerar essa literatura apenas ferramenta que pode contribuir para a assimilação de conteúdos das várias disciplinas escolares não possibilita, de acordo com a especialista, a construção de uma significativa experiência de leitura do gênero textual cordel. Fonte: 180 graus.

Via: @onordeste

Fonte: Nação Nordestina

Um comentário:

  1. Manoel, só agora tomo conhecimento de tão rico e bem cuidado espaço. Sempre admirei o cordel e estou (até profissionalmente) vinculado à cultura popular. Estudo no mestrado o romance "Grande sertão: veredas" de Guimarães Rosa. Se me permite, estarei sempre passeando aqui. Já estou seguindo.
    Parabéns, ficam o meu pedido para que continuem sempre este trabalho tão importante.
    Gilson.

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