CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

ADERALDO LUCIANO: O CORDEL, TEXTO, CONTEXTO E POÉTICA REUNIDOS NA CASA DA LINGUAGEM, BELEM, PARÁ

O cordel brasileiro vive momentos decisivos. Vive eventos de grande badalação e de consolidação como forma poética. Estudar suas estratégias de escrita e elaboração é uma prerrogativa de todos aqueles que querem seguir os passos de Leandro Gomes de Barros, o sistematizador de suas engrenagens de escrita.
No próximo dia 5, sexta-feira, a partir das 13h estaremos reunidos na Casa da Linguagem, em Belém do Pará, para uma oficina de leitura e estudo literário do seu arcabouço. Na ocasião também estaremos lançando nosso livro Quero Morrer Na Caatinga. A Academia Paraense de Literatura de Cordel é nossa parceira na empreitada. A casa está aberta, o texto cordelístico também:

1. No final do séc. XIX e início do séc. XX, a cidade do Recife, em Pernambuco era o centro cultural e político do Nordeste Brasileiro. A sua Faculdade de Direito recebia os pensadores e literatas que construiriam a cultura brasileira: Castro Alves, Tobias Barreto, Ireneo Joffily, Sílvio Romero, Augusto dos Anjos entre outros passaram pelos seus corredores e sentaram em suas salas de aula. Paralelamente a isso, um grupo de poetas oriundos do sertão e da Zona da Mata paraibana começou a publicar em rústicos folhetos seus poemas longos e paródias, pensando o dia-a-dia do povo trabalhador da futura metrópole: era o cordel que surgia pelas mãos de Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima, Francisco das Chagas Batista e João Martins de Ataíde.
2. O cordel brasileiro é uma forma poética fixa e exige de seu autor o conhecimento de sua engrenagem e funcionamento. O poeta necessita conhecer: a estrofação do poema (sextilhas, septilhas e décimas); o verso fundamental cordelístico: o setessílabo; noções de rima e ritmo (rima toante e soante), acentuação dos versos; o aparecimento do acróstico como assinatura do poeta; elementos extraídos das obras épicas clássicas: invocação, oferecimento e trama; o que é um personagem em cordel (exemplos: João Grilo, Cancão de Fogo, José do Telhado, Donzela Teodora).
3. É muito comum colocar todas as formas de poesia oriundas do Nordeste sob o mesmo nome de cordel, entretanto há diferenças essenciais que a distinguem em vários aspectos. O repente dos cantadores improvisadores e violeiros, o coco de embolada, o “poema matuto”, as rezas e benditos, as canções e os poemas curtos de inspiração bucólica ou de gracejo, todos são confundidos e colocados lado a lado no mesmo leito. 

O cordel difere de todos em sua textura poética, cultural e linguística. O seu produto escrito difere dos seus primos orais. O papel é seu suporte mais legítimo desde sua origem no Recife, impresso em máquinas tipográficas elétricas ou pequenos prelos manuais. Com o aparecimento da xilogravura passou-se com o tempo a confundi-la com o cordel. O próprio folheto terminou por assumir posto de sinônimo do cordel, mesmo quando este tomou para si suportes mais robustos.

Fonte: Aderaldo Luciano- professor doutor em Ciência da Literatura
Via: http://www.neyvital.com.br/2018/10/o-cordel-brasileiro-vive-momentos.html

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Oficina promove valorização do Cordel como instrumento de comunicação popular (Juazeiro, BA)


Oficina promove valorização do Cordel como instrumento de comunicação popularContemplados com o apoio do Projeto Jovens Comunicadores desde 2017, o Coletivo Carrapicho Virtual participou nos dias 29 e 30 de mais uma oficina. Na comunidade de Baraúna, no Vale do Salitre, em Juazeiro (BA), o grupo compartilhou experiências e aprendeu novidades sobre a literatura de cordel.
A oficina contou com a condução do poeta, cordelista e músico Maviael Melo, que trabalhou com as/os jovens técnicas necessárias à produção das poesias rimadas bastante popularizadas no Nordeste brasileiro e cujo nome se origina da exposição de livretos de poesias em varais de cordas.
Maviael destaca o potencial da juventude para abraçar projetos desta natureza e a necessidade de aliar a arte com a formação política, valorizando, sobretudo a cultura local. “O cordel, por ser uma literatura popular e altamente nordestina, e agora um patrimônio imaterial, tem essa vantagem, que é de fácil acesso, todo mundo gosta”, defende o artista ao citar que esse tipo de produção artística pode ser usado como um importante instrumento de comunicação e educação.
Há cinco meses integrando o grupo Carrapicho, Arice Karine já participou de um Intercâmbio e uma oficina promovida pelo Projeto Jovens Comunicadores e avalia a oficina como “uma oportunidade muito importante pra mim. Eu junto com as outras pessoas conseguimos desenvolver os cordéis (...). Eu nunca tinha experimentado fazer um cordel, espero que de agora em diante eu possa escrever... sobre o Salitre, sobre muitas outras coisas”, disse a jovem.
Com uma metodologia apropriada à cada grupo, a oficina provoca as/os jovens a produzirem versos, os quais são elaborados em grupos após algumas noções sobre rima, métrica e conteúdo serem debatidas. O jovem Luiz Eduardo revelou que aprendeu muito nos dois dias de oficina e que para fazer um cordel “não são apenas rimas aleatórias, tem que ter um contexto, uma história por trás daquela rima”.
Temas como agricultura familiar, gênero, política, educação e comunicação, além do próprio Salitre foram explorados na construção dos versos, os quais eram escritos em cartazes decorados pelos jovens e expostos na parede da Associação que sediou a oficina, além de alguns terem sido recitados para a comunidade.

Noite Cultural

Um dos momentos esperados desta oficina foi a “Noite Cultural”, momento de integração do grupo com a comunidade. Ao redor de uma fogueira, cerca de 40 pessoas prestigiaram um sarau que contou com voz e violão e recital dos cordéis produzidos durante a oficina. A participação do artista juazeirense João Sereno, que junto com Maviael Melo animou o público, despertou o interesse de pais e mães dos/das jovens do Carrapicho e demais pessoas da comunidade que avaliaram positivamente o encontro.
O Projeto Jovens Comunicadores é uma iniciativa do Pró-Semiárido, projeto do Governo da Bahia que é executado em 32 municípios baianos. No Território Sertão do São Francisco o Irpaa atualmente acompanha duas turmas, sendo uma delas o Carrapicho que integrou a experiência piloto dos Jovens Comunicadores que deve se firmar enquanto rede de educomunicação no Semiárido.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa
Fonte: https://irpaa.org/noticias/1912/oficina-promove-valorizacao-do-cordel-como-instrumento-de-comunicacao-popular

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Juan Pedro leva tradição familiar do cordel para o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (BA)

Juan Pedro apresentou seu primeiro cordel durante a 11ª Feira do livro.
Juan Pedro apresentou seu primeiro cordel durante a 11ª Feira do livro.
Representando a quinta geração de cordelistas da família, Juan Pedro Pereira Firmo de Oliveira, conhecido com Juan Olliver, de apenas sete anos, apresentou seu primeiro cordel durante o FLIFS – Festival Literário e Cultural de Feira de Santana, a 11ª Feira do Livro.
Juan é o filho mais novo de Olliver Brasil, que há 35 anos tem no cordel a sua principal forma de expressão artística. O garoto é aluno da Escola Municipal Professora Francy Silva Barbosa, do bairro Campo Limpo.
Juan Olliver encontrou na Feira do Livro o espaço ideal para expor a sua primeira publicação. Iniciado na arte do cordel há apenas dois meses, ficou feliz com o reconhecimento da obra. “Aprendi a construir versos e estrofes com meu pai. Gostei muito de ter apresentado o meu primeiro cordel”, comemorou.
Não esperávamos que Juan fosse demonstrar interesse, diz pai
Orgulhoso, Olliver Brasil mostrava o primeiro cordel do filho para os visitantes do festival. “A literatura de cordel está na nossa família há cinco gerações, ainda assim, não esperávamos que Juan fosse demonstrar interesse, até o dia que pediu para apresentar um dos meus poemas na escola e, logo depois, começou a escrever o próprio texto”, conta.
“Me senti muito orgulhoso do meu filho. A felicidade quando soube do interesse dele foi enorme. É gratificante vê-lo repassando a tradição da família Firmo adiante, se interessando pela nossa cultura de forma tão natural”, relata Olliver emocionado.
O FLIFS, realizado este ano na Praça Padre Ovídio, conta com diversas apresentações culturais, exposições e venda de livros e obras artísticas, contação de histórias, literatura de cordel, mesas-redondas, oficinas e diversos shows. As atividades foram encerradas neste domingo (30/09/2018).

Fonte: 
http://www.jornalgrandebahia.com.br/2018/10/juan-pedro-leva-tradicao-familiar-do-cordel-para-o-festival-literario-e-cultural-de-feira-de-santana/

Arapiraca recebe minicurso gratuito de Literatura de Cordel (AL)

Recentemente, a literatura de cordel foi declarada como “Patrimônio Cultural do Brasil” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já não era sem tempo. O estilo literário é um dos mais conhecidos no Nordeste brasileiro, aliando rimas ricas com o contexto pobre de seu povo, o que dá uma equação cheia de sofrimento, mas transposta para o papel com muita criatividade e, paradoxalmente, bom humor.
Assim, Arapiraca realizará neste mês de outubro e em uma parte de novembro o “Minicurso de Confecção e História de Cordel”, ministrado por Zé de Quinô, em uma realização do Sesc Arapiraca. Zé de Quinô é o pseudônimo – que pode ser lido em cordéis espalhados pelas bancas de revista da cidade – do professor e mestrando em História, Daniel Alves, um profundo pesquisador das relações étnico-raciais com ênfase no Agreste alagoano, na Cultura Popular, Análise de Discurso, Cultura, Memória e Identidades.
As inscrições podem ser feitas online e estão abertas até dia 15 de outubro por meio deste link aqui.
O minicurso acontecerá nos dias 22, 23, 25 e 29 de outubro e 1 de novembro, das 18h às 22h na Biblioteca do Sesc Arapiraca, que fica situada na Rua Manoel Francisco Cazuza, bairro Santa Edwiges. Segundo o professor Daniel Alves (ou simplesmente Zé de Quinô), a literatura de cordel é uma das nossas mais importantes expressões da Cultura Popular.
“Caracterizada por uma poética com base na oralidade, ao longo de seu desenvolvimento na nossa região, o cordel contribuiu na construção idenitária do povo nordestino. É composto de pequenos livros de valor acessível, os quais são impressos em papel de baixo valor comercial e expostos à venda dependurados em barbantes presos por pregadores de roupas nas feiras livres. E grande parte de suas capas trazem ilustrações em xilogravura. Sua forma é rigorosamente baseada em rimas e versos, o que facilita sua memorização e assimilação pelas populações subalternizadas. Suas temáticas são variadas, perpassando por temas fantásticos, sociais, cômicos, trágicos, políticos e culturais. Já o seu valor histórico, inestimável, pois pode servir de fonte para a historiografia, na medida em que se considerem seus produtores verdadeiros cronistas de seu tempo”, pontua ele.
Nesse minucurso, ao final, os participantes serão capazes de fazer seus próprios livretos e suas próprias histórias.
Fonte: Ascom Arapiraca
Via: https://al1.com.br/noticias/cultura/24630/arapiraca-recebe-minicurso-gratuito-de-literatura-de-cordel

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Literatura de cordel é celebrada em evento gratuito na Caixa Cultural (Salvador)


Cordelizando acontece entre os dias 7 e 9 de junho
Literatura, música, poesia, recitais e bate-papo em um único lugar. Autores da literatura de cordel estarão reunidos para participar da terceira edição do projeto Cordelizando, na Caixa Cultural. O evento gratuito acontece entre os dias 7 e 9 de junho - o acesso é limitado à capacidade de espaço. 
Com vasta programação, o Cordelizando vai reunir diferentes artistas e atividades relacionadas à cultura popular nordestina. O multi-instrumentista Rodrigo Sestrem é quem começa a festa na quinta-feira, dia 7. Artista múltiplo tem canções gravadas por diversos artistas, como Alcione, Roberta Viana e Leo Pinheiro, além de participações no teatro.
Já no dia 8, sexta-feira, dois nomes roubam a cena do Cordel: Antônio Marinho e Clécio Rimas. Neto de Louro do Pajeú, um dos grandes nomes da cantoria brasileira, Antônio é o vocalista do grupo Em Canto e Poesia, onde divide o palco com seus irmãos Greg e Miguel Marinho, outra atração confirmada no Cordelizando.
Quanto a Clécio Rimas, que é poeta, glosador, rapper, DJ/produtor e arte-educador nas horas vagas, a expectativa está na diversidade proporcionada pelo próprio autor. Sua arte mistura de cordel à embolada, rap e música eletrônica, e isso será percebido na Mesa 2 - Entre o Rap e o Repente.     
Cordel em cena
Poesia com rapadura é o nome do novo livro de Bráulio Bessa, atração de sábado, dia 9. Cearense, a relação com os versos começou muito cedo. Bráulio é presença confirmada no programa da Rede Globo Encontro, com Fátima Bernardes, onde apresenta seu olhar poético sobre os mais diversos temas e representa a cultura nordestina.

O sábado do Cordelizando conta ainda com Flávia Wenceslau, vencedora de dois prêmios Caymmi de música (2007 e 2017), Maria Alice Amorim e seu acervo com mais de sete mil títulos de cordel, mediação de Maviael Melo e participação especial de Raimundo Sodré.
Serviço
Terceira edição do Cordelizando 
Local: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro) 
Abertura: 7, 8 e 9 de junho de 2018 – (quinta, sexta e sábado)
Horário: 07/06/2018 - a partir das 19h.  08 e 09/06/2018 - a partir das 10h 
Entrada Franca, observada a capacidade do espaço - Estacionamento gratuito ao lado: 7 e 8 de junho, a partir das 18h, e dia 9 de  junho, a partir das 14h.
Classificação indicativa: livre (para todos os públicos)
Informações: (71) 3421-4200

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/literatura-de-cordel-e-celebrada-em-evento-gratuito-na-caixa-cultural/

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cordelista J. Borges terá sua biografia publicada pela Cepe (PE)

Pesquisadora e jornalista Maria Alice Amorim assina a biografia de J. Borges, que deve sair no começo de 2019, pela Coleção Memória, da Companhia Editora de Pernambuco


J. Borges, cordelista pernambucano
J. Borges, cordelista pernambucanoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Deve ficar pronto até o início de 2019, pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a biografia de J. Borges, escrita pela pesquisadora Maria Alice Amorim. O livro, com título provisório "J. Borges - Entre fábulas e astúcias" será lançado pela Coleção Memória e está em processo de editoração.

livro traz a obra e a trajetória do artista, nascido na zona rural de Bezerros, onde hoje fica o município de Sairé. 

"É alguém apaixonado pelo que faz, que construiu uma história vendendo folhetos de cordel na feira. Ele é muito obstinado. Quando viu que a gravura lhe dava mais chão, passou a se dedicar mais a ela do que ao cordel", compara Maria Alice, que esteve várias vezes no ateliê do mestre, para entrevistá-lo.

No livro, a escritora conta sobre os percalços enfrentados por J. Borges ao longo da vida. Ele teve 18 filhos biológicos, mais seis adotivos. Passou por dificuldades de saúde, e chegou a ver alguns de seus descendentes morrerem. Um dos filhos faleceu no ano passado, cinco dias antes de o artista completar 82 anos, em dezembro.

"Ele tem uma poética de imagens verbais e dos desenhos que é única. É muito inteligente, e soube ser maleável, se moldando pelo que a vida ia apresentando a ele", pontua Maria Alice Amorim, ressaltando que ele lançou 316 cordéis. O mais recente foi "A chegada de Ariano Suassuna no céu", em 2017.

Para a pesquisadora, uma das principais características da personalidade do cordelista é a resiliência. "Ele ia para a feira e queria ter o dinheiro dele. Então, fazia colher de pau e cestinhas de madeira, para vender", revela. Proativo, sempre se manteve sorridente, apesar dos obstáculos. "Quando percebeu que o galerista era uma espécie de atravessador, passou a ser seu próprio patrão. Ele não é um deslumbrado, mas soube ser cioso do seu valor e se fez respeitar", observa ela.

Em relação à literatura de cordel ter se tornado Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan, Maria Alice Amorim é cautelosa, embora admita a importância para que surjam políticas públicas e ações estruturadoras para o setor. Para ela, a etapa seguinte, da salvaguarda, precisa ser continuada. "O que todos nós, detentores, público apreciador, associações, institutos, podemos fazer juntos para que o cordel tenha condições de ter vitalidade?", questiona.

Na opinião de Maria Alice, nunca é tarde para se chegar o reconhecimento. "No início dos anos 1990", cita ela, "não surgiam novo poetas, as tipografias estavam fechando e não se viam cordéis nas feiras". Com a chegada da internet, ela lembra de artistas como José Honório, que lançou em 1995 o Marco Cibernético construído em Timbaúba. Em 1997, veio a primeira peleja virtual por e-mail, com Américo Gomes. "Surgiram a impressão doméstica, a diagramação no Word se popularizou. Isto deu autonomia aos artistas, diminuiu os custos", avalia.

Foi quando, na visão da estudiosa, se ampliaram a conectividade - dos poetas em contato com outros - e a interatividade - criando plateias virtuais, como em redes sociais como o Facebook. "Foi retomada a vitalidade do cordel, que nunca deixou de estar presenta na música, na moda e no cinema, demonstrando o quanto é enraizado em nossa cultura", compara, citando fenômenos recentes, como o cordelista Bráulio Bessa, que tem quadro no programa da Rede Globo "Encontro com Fátima Bernardes", e se tornou sucesso ao lançar seus textos em livros.

   Lançamento
Em 2012, a pesquisadora defendeu sua tese de doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Como o título "Pelejas em Rede: vamos ver quem pode mais - Comunicação em múltiplos suportes e ambientes no cordel e no repente", o estudo foi transformado em livro, que deve ser publicado ainda em 2018, pela editora da autora, a Zanzar. O evento de lançamento deve ser realizado em novembro no Recife, em data e local que estão sendo definidos. O projeto de lançamento do livro foi aprovado pelo Funcultura estadual.
Fonte: https://www.folhape.com.br

domingo, 30 de setembro de 2018

Patrimônio imaterial do Brasil, literatura de cordel ajuda cidadão a compreender leis

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional incluiu a literatura de cordel na lista de patrimônio imaterial do Brasil. É uma forma de valorização e proteção dos saberes, ofícios e formas de expressão coletiva
Divulgação
Literatura de cordel - Lei Maria da Penha
Mais novo patrimônio imaterial do Brasil, a literatura de cordel tem sido instrumento de conscientização e cidadania na difusão de propostas aprovadas na Câmara dos Deputados. Versos populares – em sextilhas, martelo agalopado, meia quadra ou em outras métricas – já ajudaram, por exemplo, a popularizar a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).
O cordelista cearense Tião Simpatia usou essa arte para divulgar os principais pontos da lei de combate à violência contra a mulher:
"Segundo o artigo quinto, esses tipos de violência / Dão-se em diversos âmbitos. / Porém, é na residência / Que a violência doméstica tem sua maior incidência. / E quem pode ser enquadrado como agente agressor? / Marido ou companheiro, namorado ou ex-amor. / No caso de uma doméstica, pode ser o empregador."
A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC 478/10) que reconheceu uma série de direitos trabalhistas para as domésticas também mereceu versos em forma de cordel:
"Ser doméstica, ninguém sabe, / Mas não é fácil esse papel, não. / Doméstica tem que sonhar".
Tradição
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu, no último dia 13 de setembro, a literatura de cordel na lista de patrimônio imaterial do Brasil. É uma forma de valorização e proteção dos saberes, ofícios e formas de expressão coletiva.

Integrante da Comissão de Cultura da Câmara, o deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), elogiou a iniciativa. "A cultura dos trovadores da Europa medieval se transfere para o Nordeste ressequido de uma maneira muita aclimatada a uma gente simples, que não teve oportunidade da cultura clássica e acadêmica. É uma grande homenagem à cultura popular, à alma brasileira", declarou.
A tradição europeia de contos populares rimados – impressos em papel simples e pendurados em cordas para venda – se enraizou no Nordeste brasileiro ainda no século 19. O paraibano Leandro Gomes de Barros e o sergipano João Martins de Athayde estão entre os pioneiros.
Audio Player
Ouça esta reportagem na Rádio Câmara
Desde 1988, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro, acompanha o amadurecimento dessa arte. O presidente da ABLC, o cearense Gonçalo Ferreira da Silva, afirma que a temática – antes restrita ao cotidiano nordestino e a personagens como Padre Cícero e o cangaceiro Lampião – tem sido atualizada, sem deixar a tradição de lado.
"Desde a chegada ao Brasil, com os colonizadores portugueses, a literatura de cordel começou um percurso lento, desorganizado e engatinhando. Ganhou um sabor brasileiro, nosso. A literatura de cordel abrange toda a área do conhecimento humano e os últimos acontecimentos de natureza política e social", diz o presidente da ABLC.
Temas atuais
Em 2011, a Rádio Câmara entrevistou o cordelista João Firmino Cabral em pleno Mercado Popular de Aracaju (SE). Então com 71 anos de idade, ele falava, em forma de versos, das preocupações em torno das mudanças climáticas e da ação danosa do homem sobre a natureza, principalmente na Amazônia:

"Toda a Floresta Amazônica está muito devastada / Por madeireiros perversos e também muita queimada. / Os animais sumindo, as aves diminuindo / A vida está complicada. / Se os animais falassem, diriam aos predadores / Não matem nossos parentes, escutem nossos clamores. / Não sejam tão homicidas pois nós também temos vidas e também sentimos dores".
Orgulhoso do ofício de cordelista, João Firmino Cabral ocupou a cadeira 36 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel até sua morte, em fevereiro de 2013. Os livrinhos dele e de milhares de cordelistas continuam sendo vendidos em feiras, bancas de jornais e mercados populares.
A internet e as redes sociais – como o YouTube – também ajudam a manter essa arte centenária antenada com a atualidade. Em período eleitoral, por exemplo, o cordelista Hugo Tavares Dutra costuma entoar os versos de seu livrinho "Votar é um nó", com referências à Lei da Ficha Limpa (LC 135/10):
"Ficha limpa, ficha suja: diz aí quem vai julgar / Quem é quem nesse processo desse nó que é votar. / Eleito e eleitor: quem é que vai decifrar / Quem é pedra ou vidraça nesse será que será".
As profissões de cordelista e repentista estão regulamentadas desde 2010. A Lei 12.198/10 surgiu de uma proposta (PL 613/07) do deputado André de Paula (PSD-PE).
Reportagem – José Carlos Oliveira

Edição – Pierre Triboli



Fonte:  http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias

sábado, 29 de setembro de 2018

Livro de Cordel a " Profecia " será lançado em Inhambupe (BA)

Por Ronaldo Leite / RL News - O escritor cordelista Antônio Batista lançara seu novo trabalho no próximo sábado dia 29.   O evento de lançamento será no Centro de Convenções e Cultura, em Inhambupe, com entrada gratuita.

O livro intitulado de “Profecia”  tem conteúdo de literatura de cordel e todos estão convidados.

Segundo informações, Antônio levou a maior parte de sua vida trabalhando na lavoura, e por isso teve dificuldade de ir à escola, começando a ler e escrever com seus familiares dentro de casa.

Aos 61 anos ingressou no projeto EJA - Educação de Jovens e Adultos, conseguindo  evoluir seu aprendizado na leitura e escrita.

Em 2014 teve a honra de lançar o seu primeiro livro e cd de literatura de cordel "O Sonho de Antônio".

Fonte:http://www.ronaldoleitenews.com.br/2018/09/livro-de-cordel-profecia-sera-lancado.html

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Regina Sousa quer que literatura de cordel seja ensino obrigatório (Brasil)


Na última quarta-feira (19), a literatura de cordel foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

VITOR FERNANDES
DE TERESINA
22/09/2018  09h00 - atualizado 09h01

A literatura de cordel pode se tornar tema obrigatório dos currículos da educação básica. É o que determina o projeto PLS 136/2018) apresentado pela senadora Regina Sousa (PT-PI). Na última quarta-feira (19), a literatura de cordel foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Regina Sousa.
Foto: Reprodução/Facebook
Senadora Regina Sousa.

Apesar de ter começado no Norte e no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar esta expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados.

“O cangaço, a seca, o coronelismo político são temas recorrentes da literatura de cordel, que vem sendo cada vez mais estudada e venerada como gênero rico e de grande relevância para a constituição da identidade cultural brasileira. É difícil conhecer um brasileiro que não tenha tido contato com o cordel, em algum momento da vida”, diz Regina Sousa.

“Para mim estudar o cordel e repente na escola significa ter contato como o mundo da poesia a partir do cotidiano, com uma carga de significado que dificilmente outra forma literária tem no Brasil, especialmente no nosso Nordeste, onde o cordel é a porta de entrada para o mundo da literatura e pode ser o mote para criação de ato de leitura para milhões de brasileiros”, continua a senadora.

O projeto está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado e possui parecer favorável do senador Paulo Paim (PT-RS). Se aprovado, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados.
Fonte: https://www.viagora.com.br