CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sábado, 20 de outubro de 2018

Biblioteca Municipal Clodomir Silva promove reflexão com a Hora do Cordel (Aracaju, SE)

clique para ampliarclique para ampliarCom o objetivo de disseminar a literatura de cordel em Aracaju, a Biblioteca Municipal Clodomir Silva, unidade vinculada à Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), propôs nesta quarta-feira, 17, um diálogo sobre a cultura popular, realizando a 13ª edição do projeto ‘Hora do Cordel’. Intitulado “O Brasil Que Queremos”, com os cordelistas Erika Santos e Everton Silva, o evento contou com a presença dos estudantes do 1º ano do Ensino Médio do colégio Unificado, localizado no bairro Siqueira Campos.
 
Para a cordelista mais nova de Sergipe, Erika Santos, o projeto Hora do Cordel, permite uma interação entre os jovens para falar sobre a cultura nordestina. “Estamos em uma era onde a geração anda cada vez mais conectada e, com isso, encontro como estes são cada vez mais raros. Mas, com força de vontade e com amor a cultura, iremos mudar essa país”, pontuou.
 
O ‘Hora do Cordel’ já existe há alguns anos na biblioteca mas, desde de 2017, o projeto vem se destacando no tocante ao resgate dos valores nordestinos e populares, incentivando a literatura em suas diferentes formas. “A parceria com a Clodomir Silva surgiu através do convite feito pela coordenadora da unidade, Fabiana Bispo. Hoje, chegamos a 13ª edição debatendo e incentivando a juventude a pesquisar mais sobre a nossa identidade cultural”, destacou Erika.
 
Já o cordelista Everton Silva, comentou que o projeto é relevante para a valorização da arte das rimas e métricas. “É de extrema importância essa iniciativa. Estar inserido nela pra mim, que só tenho 15 anos e amo a literatura de cordel, é um prazer inexplicável. Ainda mais quando estamos de frente para essa turma de alunos que é o futuro do Brasil. Esse papel exercido pela biblioteca reforça a identidade cultural nordestina”.
 
clique para ampliarAtento ao sarau, o estudante Pedro Rocha enfatizou que é necessário essa ação com cordelistas na biblioteca para a geração ‘Y’. “Gostei muito de tudo que presenciei. Essa iniciativa do poder público municipal traz uma aproximação maior com a literatura de cordel e, ao mesmo tempo, nos enriquece de conhecimento sobre cultura popular e valoriza essa arte. Todos os organizadores estão de parabéns. É uma oportunidade de aprendizado fora do âmbito escolar”, disse.
 
clique para ampliarO coordenador pedagógico do colégio Unificado, Maurício Menezes, elogiou a atividade desenvolvida pela biblioteca. “Somos vizinhos e essa parceria com a escola traz benefícios para estes estudantes. Eles são privilegiados por participarem dessa ação que fomenta a cultura sergipana e incentiva essa arte que é respeitada no mundo inteiro. É gratificante poder trazer esses alunos e aplaudir de perto o trabalho, não só da biblioteca, como desses dois jovens cordelistas. É esse país que queremos regado a muita cultura e arte”, finalizou.  
Imagens: Lucas Oliver
Fonte: https://www.aracaju.se.gov.br/noticias/78539

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Crato – V seminário do verso popular deve mobilizar cordelistas nos dias 18 e 19


As nossas raízes culturais são imprescindíveis para mantermos vivo o histórico de gêneros de uma cultura que nos antecederam, dentre os mais diversos gêneros está o cordel, e para manter esse segmento com maior expressão um seminário será realizado na cidade do Crato. E no auge do reconhecimento da literatura de cordel como patrimônio cultural do Brasil a academia realizará um evento que torne o cordel sempre forte.
O evento acontecerá nos dias 18 e 19 de outubro no Sesc do Crato das 08 as 17h. Será o V seminário do verso popular, cujo objetivo é colocar a literatura popular na sala de aula.
A realização é da Academia dos Cordelistas do Crato – ACC sob a presidência de Anilda Figueiredo. Para os amantes da cultura esse será um momento importante para evidenciar a literatura de cordel.

Fonte: https://penochaoinformativo.com.br/2018/10/crato-v-seminario-do-verso-popular-deve-mobilizar-cordelistas-nos-dias-18-e-19/

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Roteiros pelo Brasil para conhecer a literatura de cordel

Destinos e atrativos reúnem referências do estilo literário que nasceu no Nordeste

Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a literatura de cordel se enraizou no Nordeste ao retratar o universo sertanejo. Alguns roteiros são uma verdadeira celebração desse estilo literário que surgiu do romanceiro português, com os colonizadores.
Conheça abaixo destinos e atrativos que reúnem referências à literatura de cordel.
Quem visita o Sertão do Pajeú, em Pernambuco, encontra um roteiro integrado formado por 17 municípios turísticos que exploram a literatura de cordel.
Cordel
Crédito: Cleverson Ribeiro/MTurAteliê de xilogravura em São Cristóvão (SE)
Entre os principais atrativos estão a Rota dos Poetas e Cantadores, que fica em Afogados da Ingazeira, celeiro de cantadores de viola e do estilo literário; e a Rota do Cangaço, em Serra Talhada, um dos temas mais representativos da cultura popular nordestina.
A poucos metros do Marco Zero do Recife, no Centro Histórico da capital pernambucana, fica o museu Cais do Sertão, que também apresenta referências da musicalidade, cultura popular e linguagem artística do cordel.
O espaço faz parte do projeto Porto Novo Recife, que está transformando os antigos armazéns portuários em um grande polo de turismo, serviços, entretenimento e lazer da cidade.
Com tecnologia inovadora, automação e recursos de interatividade, mostra que o cordel também se modernizou e se reinventou com a computação gráfica, estampas coloridas e publicações online. Personalidades como Luiz Gonzaga também estão em destaque no novo atrativo do litoral pernambucano.
Cordel
Crédito: Nadim Maluf/MTurDetalhe de xilogravura em Juazeiro do Norte (CE)
Um passeio pelos mercados públicos de Aracaju (SE) também leva o turista a conhecer esse universo. O estilo literário rompeu barreiras, entrou nas universidades, mas não perdeu a tradição da exposição em barbantes –daí o nome cordel— nas feiras livres, mercados e praças da capital sergipana.
A antiga capital de Sergipe, São Cristóvão, patrimônio cultural da humanidade reconhecida pela Unesco, é outro celeiro de produção da arte de cordel.
Outra forma de revisitar essa arte tipicamente nordestina é na feira de Caruaru (PE), um dos maiores centros de cultura popular da região.
Em uma das tendas, o Museu do Cordel expõe títulos originais, entre outras preciosidades, como tipografias e xilogravuras. O ambiente é enriquecido pela declamação de poetas populares, repentistas e cantadores de viola.
Cordel
Crédito: Diego Dacal/Wikimedia CommonsHistórias de literatura de cordel à venda no Rio de Janeiro
Além disso, no trajeto até Caruaru o turista pode fazer uma pausa em Bezerros, cidade com grande concentração de xilógrafos, artesãos responsáveis pela produção das figuras talhadas em madeira que ilustram os temas dos folhetos de cordel.
Já em Mossoró (RN), a Estação das Artes Elizeu Ventania, dedicada ao poeta e violeiro potiguar, é o “coração” de um corredor cultural de atrativos temáticos tipicamente nordestinos.
Entre eles, destacam-se o Memorial da Resistência ao bando de Lampião e a igreja que ainda guarda as marcas do dia em que “choveu bala” na cidade, em 13 de junho de 1927. A bravura dos mossoroenses é um dos temas recorrentes dos cordelistas, com destaque para os personagens de Lampião e Maria Bonita, Padre Cícero e Frei Damião.

O cordel no Sudeste

A riqueza dessa literatura é tão grande que ela se espalhou por todo o Brasil, homenageando a memória e as referências do povo nordestino em grandes capitais brasileiras.
Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, concentram poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e folheteiros (vendedores de cordel) que formam uma cadeia de economia colaborativa integrada ao turismo.
A feira de São Cristóvão do Rio, o Centro de Tradições Nordestinas de São Paulo e a Casa do Cantador no DF são atrativos fora do Nordeste que oferecem uma agenda permanente de eventos e atraem visitantes o ano inteiro.
A cidade do Rio de Janeiro é, também, a sede da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Via MTur
Fonte: https://catracalivre.com.br/viagem-livre/roteiros-pelo-brasil-para-conhecer-a-literatura-de-cordel/

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Caruaru tem primeiro Museu do Cordel do Mundo

Museu do Cordel fica na Feira de Caruaru / Foto: reprodução/TV Jornal

Museu do Cordel fica na Feira de Caruaru
Foto: reprodução/TV Jornal

O primeiro Museu do Cordel do Mundo fica em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. O espaço reúne um grande acervo de diversos artistas da literatura de cordel e é visitado por muitos alunos e turistas. O museu fica na Feira de Caruaru.
Veja na reportagem do "TV Jornal Manhã", da TV Jornal Interior:


Fonte: https://noticias.ne10.uol.com.br/interior/agreste/noticia/2018/10/15/caruaru-tem-primeiro-museu-do-cordel-do-mundo-729157.php

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Mostra de xilogravura aborda imaginário nordestino (São Paulo)

Mostra Bestiário Nordestinho reúne xilogravuras de 15 artistas de seis cidades (Foto: Funarte)

A Funarte São Paulo sedia, de 5 de outubro a 25 de novembro, a mostra Bestiário Nordestino, composta por dezenas de obras de xilogravuras. Inédita no país, a exposição, que tem curadoria dos artistas Rafael Limaverde e Marquinhos Abu, reúne imagens que resgatam a história e o imaginário do povo do Nordeste. O projeto foi um dos contemplados com o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes.
 
A exibição, que traz obras de 15 artistas de seis cidades, executadas com a tradicional técnica de gravação sobre pranchas de madeira, começa a deslocar-se para fora do Ceará a partir desta temporada em São Paulo. Entre os artistas em destaques estão José Costa Leite, J. Borges e Abraão Batista, referências nacionais, já com longa história na xilogravura e que ainda continuam a produzir. Também ficam em evidência obras do acervo do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, considerado a maior coleção de matrizes do país – sendo que, pela primeira vez, são expostos fora da instituição trabalhos de três artistas de Juazeiro do Norte (CE): Damásio Paulo, Walderêdo Gonçalves e Antônio Lino.
 
"As obras transitam do grotesco ao fantástico. O conjunto promete encantar a todos", comentam os curadores Lima verde e Abu. "Não é possível falar da cultura do Nordeste sem tocar na xilogravura". Os curadores lembram que a técnica sempre estampou as capas dos cordéis. Além de sua função literária, os livretos teriam o papel de registrar a memória oral de um povo e colaborar na sua alfabetização. A partir desse ponto de vista, a curadoria reuniu, para a mostra, um acervo de uma viagem de três anos de pesquisa por todo o Nordeste.
 
"Demônios, dragões, híbridos e seres amorfos são as estrelas do Bestiário Nordestino", descrevem os realizadores. Eles explicam que as obras detalham o sobrenatural que atravessa o conjunto de símbolos, características e valores culturais do homem nordestino, "traçando a história deste povo que, desde muito tempo, vem sendo contada e cantada na literatura de cordel e no entalhe da madeira", com a criatividade que marca "limites entre o homem e o animal, a realidade e a fantasia a lucidez e o delírio".
 
Dentro do universo da gravura, Limaverde e Abu perceberam que um tema muito característico não é sempre abordado pelos artistas: os seres fantásticos, assombrações e monstros, "esse mundo estranho e particular". Os curadores comentam que foram em busca da necessidade do irreal, "a despeito da beleza e do gosto popular". Para eles, a exposição Bestiário Nordestino é um recorte desse tema, fortemente presente no imaginário do Nordeste, mas ainda pouco explorado pelos artistas gravadores. 
 
Serviço
Mostra Bestiário Nordestino
Data: 5 de outubro a 25 de novembro. De segundas a sextas, das 11h às 19h, sábados e domingos, das 11h às 21h. Abertura para convidados no dia 4 de outubro
Local: Galeria Flávio de Carvalho – Complexo Cultural Funarte SP (Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos)
Entrada franca
 
Fundação Nacional de Artes (Funarte)
Ministério da Cultura

Fonte: http://www.cultura.gov.br/noticiasdestaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/id/1531254

domingo, 14 de outubro de 2018

Vaquejada do Milhão promove Concurso de Literatura de Cordel Vale Rico (Pilar, Alagoas)

Cordelistas irão disputar prêmio total de R$ 1.500,00 em dinheiro e publicação de sua obra; competição será em três categorias

A Vaquejada do Milhão vai realizar o I Concurso de Literatura de Cordel Vale Rico, que reunirá no dia 8 de dezembro, a partir das 15 horas, cordelistas nordestinos, no Parque Vale Rico, localizado na BR-316, em Chã do Pilar, na cidade de Pilar.

A competição é realizada em parceria com a Academia Alagoana de Literatura de Cordel e será disputada em três categorias: comédia, ficção e política/biográfica.

O vencedor de cada categoria ganhará um prêmio em dinheiro no valor de R$ 500,00 e mais a impressão de 1 mil exemplares do cordel apresentado na competição.

O cordelista pode inscrever obras inéditas e não-inéditas. Poderá ainda efetuar a inscrição, que é grátis, nas três categorias, desde que o cordel seja diferente em cada categoria inscrita.

Cada competidor terá, no máximo, dez minutos para apresentar seu cordel, que irá ser avaliado por uma comissão julgadora composta por especialistas em literatura de cordel.
Serão julgados a rima e a métrica; o enredo; o desenvolvimento e a desenvoltura; e a qualidade geral da obra apresentada.

“É uma ideia e iniciativa louváveis. A literatura de cordel de Alagoas só tem a ganhar em valorização e força com este concurso”, comenta o presidente da Academia Alagoana de Literatura de Cordel, Ciro Veras.

Inédito em Alagoas, o concurso será uma oportunidade para quem for prestigiar a Vaquejada do Milhão, ver de perto grandes artistas do cordel alagoano e nordestino em ação.

“O concurso é uma iniciativa inédita e com certeza vem para valorizar a literatura de cordel, um arte genuinamente nordestina e de grande importância cultural do Brasil”, afirma Cícero Andrade, do Parque Vale Rico.


Inscrições e informações: (82) 4141-9917/ 99930-9866 e  no facebook da Academia Alagoana de Literatura de cordel  @cordelalagoano

Fonte:http://www.vaquejadadomilhao.com.br/noticia/5bb78dc276e369156069242d/vaquejada-do-milhao-promove-concurso-de-literatura-de-cordel-vale-rico

sábado, 13 de outubro de 2018

MEMORIAL TJDFT TERÁ LANÇAMENTO DE LIVRO DE CORDEL NA PRÓXIMA SEMANA (DISTRITO FEDERAL)

por SS — publicado em 10/10/2018 16:05
Lançamento do Livro "O Cordel do Trabalhador: do labor até o burnô"
Na próxima quarta-feira, 17/10, o Memorial TJDFT – Espaço Desembargadora Lila Pimenta Duarte sediará o lançamento do livro "Cordel do Trabalhador: do labor até o burnô", da escritora Onã Silva. O evento ocorrerá às 16h no espaço cultural do Tribunal, localizado no 10º andar do Bloco A, ala A, do Fórum de Brasília. Haverá apresentação de cordel do livro.

Onã Silva é graduada em Enfermagem pela Universidade Católica de Goiás e Artes Cênicas pela Faculdade de Artes Dulcina de Morais. Também é Especialista em Saúde Pública pela Universidade de Brasília e tem Pós-Doutorado na Unirio. A autora atua como enfermeira e na área de educação em saúde e cultura, sendo facilitadora de oficinas/palestras nas áreas de criatividade, dinâmicas, atividades lúdicas e outros temas. Como escritora, desde 1984 produziu vários gêneros literários: poesias, poemas, contos, romances, crônicas, peças de teatro, resenhas e artigos científicos.
No livro “O Cordel do Trabalhador: do labor até o burnô”, a autora utiliza a literatura de cordel para abordar vários assuntos relacionados aos trabalhadores: direitos, deveres, salários, carga horária, saúde ocupacional, aposentadoria e adoecimentos – incluindo a Síndrome de Burnout, referenciada no título. A obra reforça a importância do conhecimento na temática, debates e demais movimentos de luta trabalhista.
Memorial TJDFT
Memorial TJDFT - Espaço Desembargadora Lila Duarte está localizado no 10º andar do Bloco A, ala A, do Fórum de Brasília. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h, e permite visitas espontâneas e monitoradas. Para agendar visitas monitoradas, entre em contato pelo e-mail memoria@tjdft.jus.br ou pelos telefones (61) 3103-5894/5893.
Inaugurado em 19/4/2010, durante as comemorações do cinquentenário do Tribunal, o museu abriga documentos, processos históricos, fotos e peças que contam a trajetória do Judiciário na capital. O Memorial está vinculado à 1ª Vice-Presidência do Tribunal, coordenada pela desembargadora Sandra De Santis.
Fonte: http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2018/outubro/memorial-tjdft-tera-lancamento-de-livro-de-cordel-na-proxima-semana

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ALUNOS DA EJA LEVAM POEMAS DE CORDEL PARA A 30ª NOITE NACIONAL DA POESIA (CAMPO GRANDE, MS)

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Campo Grande, 10/10/2018 às 15:46

Cerca de 30 alunos da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Doutor Tertuliano Meirelles levaram nessa terça-feira, 9, poemas em cordel para a 30ª Noite Nacional da Poesia, realizada no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) e da União Brasileira dos Escritores (UBE-MS).
Os 40 poemas expostos foram elaborados pelos próprios estudantes após a turma desenvolver trabalhos de literatura durante o ano, conforme afirmação da secretária municipal de Educação Elza Fernandes.
“O projeto de literatura está inserido na matriz curricular deles, contudo, sabemos que estudantes da EJA trabalham o dia todo e alguns sentem dificuldade em, inclusive, concluir o ano letivo. Trazer eles para ver o trabalho do Bráulio Bessa, um poeta renomado, é de grande valia”, analisa a titular da Semed.
A aluna Clarice Silva, alagoana que reside em Campo Grande, relembra a emoção de escrever cordel. “É uma experiência enorme, e chegou a me emocionar este trabalho. Melhorei muito meu português com as aulas e sou fã do poeta Bráulio, das declamações 
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dele”, explicou a aluna do último ano da EJA.

O professor de Língua Portuguesa, Drayton Pereira Lima, que trabalhou com os alunos durante o semestre a literatura de cordel, comenta que a prática estimula a leitura e desenvolve a escrita dos estudantes.
“Comecei a falar do cordel com eles mostrando slides, com informações da origem do cordel desde a Europa até o Brasil e a intensidade que ele tem na região nordestina do País”, disse o docente.
No final do evento, a secretária Elza entregou  ao poeta Bráulio Bessa, uma placa com texto alusivo aos 50 anos da Escola Municipal Tertuliano Meirelles, comemorados este ano.
Fonte: http://www.campogrande.ms.gov.br/cgnoticias/noticias/alunos-da-eja-levam-poemas-de-cordel-para-a-30a-noite-nacional-da-poesia

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Literatura de Cordel é tema do Circuito Sesc de Incentivo à Leitura (Sobral, CE)

Versos e rimas se juntam a características ilustrações impressas em folhetos simples. Popular no Norte e no Nordeste, a Literatura de Cordel foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro em setembro de 2018. A tradição é tema do Circuito Sesc de Incentivo à Leitura de Sobral“Literatura de Cordel: Encantos e Encontros”. A programação gratuita acontece de 9 a 11 de outubro.
Literatura popular, os livros são feitos de maneira artesanal, com materiais baratos e de fácil acesso. A simplicidade define o aspecto físico. Quanto ao discurso poético, o cordel é refinado, utiliza técnicas de métrica e de rima. Em Sobral, o Circuito objetiva reforçar e manter viva a tradição, despertando no público o interesse pela poesia de cordel.
A programação, composta de palestras, exposições, apresentações literárias e artísticas, é realizada na Unidade Centro do Sesc, em escolas do município e na Universidade Aberta do Brasil (UAB). Estudantes de escolas e universidades, assim como comerciários, podem participar.
PROGRAMAÇÃO
9/10
17h30 – Abertura com Barbara Xavier
Psicóloga, cantora, compositora e apaixonada pela cultura cearense, Barbara faz uma performance literária, com cordéis musicais, na abertura do evento. A poesia, aliada à música, versa sobre um estilo positivo de viver. 
Local: Auditório da Unidade Centro (Boulevard João Barbosa, nº 902)

17h – Exposição “Cultura Popular” com Martônio Holanda
Local: Hall do Unidade Centro (Boulevard João Barbosa, nº 902)

10/10
9h e 15h – Programação infantil
Apresentação artística com Martônio Holanda
As memórias de menino estão eternizadas no colorido das pinturas e na simplicidade das poesias. Martônio, sobralense autodidata, passeia pelas artes plásticas, música e teatro. A apresentação é baseada em cordéis que homageiam o jeito de ser do nordestino.
Local: CEI Terezinha de Jesus Ponte Aragão (Rua Glória Catunda, 447 – Domingos Olímpio)

10h – Apresentação cultural com Barbara Xavier
Música e literatura se unem nesta apresentação. Rimas são mescladas ao ritmo do rap, com o intuito de despertar os jovens para o poder da leitura.
Local: Escola Trajano de Medeiros (Avenida Dr. José Euclides Ferreira Gomes – Bairro da Expectativa)

11/10
9h45 e 15h45 – Programação infantil
Apresentação artística com Martônio Holanda
Local: CEI Jacyra Pimentel Gomes (Rua Sinhá Saboia – Bairro Cohab I)

10h – Performance pelos prados com o grupo Oitão Cênico
Local: Escola Dom Walfrido – Liceu (Avenida Paulo Sanford, s/n – Parque Silvana II)

16h – Performance pelos prados com o grupo Oitão Cênico
Local: Escola José Euclides Ferreira Gomes Jr (Avenida Humberto Lopes, s/n – Domingos Olímpio)

19h – Palestra “Literatura de cordel: Encantos e encontros” com Tilso Bataglia
            O professor universitário atenta para a sensibilização e a valorização da literatura de cordel enquanto patrimônio cultural e social do povo brasileiro. Ele elucida aspectos e peculiaridades da história nordestina e do cordel.
Local: Universidade Aberta do Brasil (UAB) – Serra da Meruoca (Praça Caetano Marques – Centro)

Serviço:
Circuito Sesc de Incentivo à Leitura
Data: 9 a 11/10
Acesso gratuito
 Fonte: http://www.sesc-ce.com.br/noticias/literatura-de-cordel-e-tema-circuito-sesc-de-incentivo-leitura/

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Artista e educador, Cascão fala sobre a literatura de cordel, reconhecida como patrimônio cultural (MG)

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O artista, educador e mobilizador social Cascão posou juntou às cores e sabores do Mercado Central
Lucas Buzatti
lbuzatti@hojeemdia.com.br

Em 19 de setembro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a literatura de cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Unânime, a decisão jogou luz sobre a importância de uma das vertentes literárias mais antigas e democráticas do Brasil. Fruto da conexão entre as narrativas orais e a poesia, o cordel foi trazido pelos colonizadores portugueses e se enraizou no Nordeste como expressão do âmago sertanejo, espalhando-se depois por todo o país. Prova disso é o projeto Cordéis do Cafundó, que mantém viva e ativa a vertente em Minas Gerais. Para saber mais sobre a importância da vertente literária, Hoje em Dia conversou com seu idealizador, Rodolfo Cascão, artista, educador e mobilizador social que milita pela cultura popular há mais de 30 anos. 
O que achou da decisão do Iphan? Porque o reconhecimento foi tardio? 

A decisão é ótima. Hoje, há cerca de três a quatro mil cordelistas ativos e pelo menos 30 mil livros publicados até então no Brasil, único país da América Latina que mantém viva a produção de cordel desde a Colônia. Então, é uma literatura de muita força, que tem a ver exatamente com o conceito de patrimônio imaterial, que são os saberes enraizados no cotidiano das comunidades. A literatura de cordel é uma cultura que forma a sociedade brasileira, uma expressão artística popular, democrática e horizontal. Como folheto, especialmente no século passado, foi um jornal do sertão, um exemplo da literatura de circunstância. Foi a obra de arte que chegou aos grotões, traduzida por poetas populares. É também uma expressão que enfrentou muito preconceito. O processo do cordel foi apresentado ao Iphan há dez anos e só foi admitido depois de muita pressão. Jessé de Souza (sociólogo e escritor) fala que temos uma elite do atraso, uma elite envergonhada, e isso vem desde o início da República, quando preferiam trazer companhias francesas para o Brasil ao dar oportunidades a cantadores e trupes circenses brasileiras. É um preconceito de classe, que se fecha numa redoma elitista, que acha que existe uma cultura erudita que é a legítima, a verdadeira, a correta. Então, tudo que não faz parte deste universo da indústria cultural é marginal. E a marginalidade do cordel é histórica, já que ele vem do pobre, do preto, do indígena, da mulher periférica.

O que torna o cordel uma expressão artística tão democrática e plural? 

O cordel, na sua essência, é cultura popular. É poesia, é cheiro de povo. É o povo refletindo sobre a vida, com expressão poética. O cordelista é um pesquisador da realidade e a poesia de circunstância é uma poesia de consciência, diria até de politização. O que torna o cordel democrático, popular e horizontal são alguns elementos que compõem a diferença entre um livro de literatura e um folheto de cordel. Enquanto um custa R$ 50, o outro custa centavos. É um acesso econômico ao pobre. Outro ponto é que ele é vendido em espaços não convencionais. Talvez um cara de periferia não tenha coragem de entrar numa livraria porque existe preconceito de classe. Mas o cordel ele compra no jornaleiro, na rodoviária, na feira, na praça. E são livretos curtos, o que é outro estímulo. Sem contar que são apetitosos, os títulos são convidativos e qualquer sujeito pode cordelizar. Por isso, há esse arsenal incontável de cordéis e possibilidades. Sou um curioso, enxerido, que do ponto de vista até da leitura de cordéis, nesse manancial de criações, se li 5% dos que existem é muito. Faço o meu filtro. Tem muito cordel que eu particularmente considero ruim, preconceituoso e que não indicaria. A Marilena Chauí (filósofa e escritora) fala que a cultura popular é uma amálgama que tem elementos transgressores junto a outros completamente arcaicos e conservadores. Então, no cordel a gente acha de tudo. O que me encanta é a genialidade das poesias, que vêm num ímpeto de vivência popular, além do humor e do vínculo com a musicalidade. O cordel também cumpria um papel educativo, mas não era utilizado pelo professor do sertão como uma cartilha. Pelo contrário, as crianças, jovens e adultos se alfabetizavam para poder ler aquelas maravilhas. E o cordelista antenado era um repórter, numa época em que não havia televisão e rádio. O cordel forma, informa e cria consciência dentro do saber popular.

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E o que caracteriza tecnicamente um cordel? 
Do ponto de vista técnico, os cordelistas apontam três elementos fundamentais: a oração, a rima e a métrica. Oração significa que tem que ter começo, meio e fim, já que o cordel conta uma história. Também deve ser rimado, e aí há várias matrizes e inúmeras combinações de rimas. Por fim, a métrica, que são as sílabas poéticas, que não necessariamente devem ser casadas com as sílabas gramaticais. Tem que ter cadência, ritmo e melodia, e o cordelista sempre tenta trazer isso com perfeição. Quando se ultrapassa para menos ou mais, é o que se chama de “pé quebrado”, porque os versos são batizados de pés. Quando você não respeita as sílabas poéticas, derrapa e o pé se quebra.
Como é o diálogo do cordel para com outras linguagens artísticas? 

Embora o cordel tenha suas marcas próprias, é tudo interdependente. O cordel influenciou artistas e escritores que se voltaram para a cultura popular, que tiveram um olhar carinhoso e uma aposta na dimensão social desse Brasil esquecido, o Brasil da miséria. Entre os escritores, temos exemplos como Ariano Suassuna, Jorge Amado, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto. O próprio Drummond afirmou que o cordel é uma “poesia de confraternização social que alcança grande área de sensibilidade, uma das manifestações mais puras do espírito inventivo”. Na área da música, Luiz Gonzaga é clássico, mas temos também Edu Lobo, Geraldo Vandré, Nando Cordel, que era de família de cordelistas. No cinema, Glauber Rocha trouxe uma obra voltada para esse Brasil. Nas gravuras, temos vários exemplos, como J. Borges, renomado xilogravurista e cordelista.

Como você conheceu o cordel? O que te encantou? 

De 1977 a 1989, eu morei no Mato Grosso com minha companheira, Fernanda, e lá tivemos nossos filhos. Num trabalho de igreja, me deparei com o cordel. Desconhecia que ali, num povoado micro, existiam vários cordelistas. E me caiu nas mãos “Cante lá que eu canto cá”, de Patativa do Assaré. Aquilo me fascinou e o cordel entrou na minha veia e não saiu mais. Eu já fazia teatro e era um poeta urbano, com minhas questões. Virei cordelista mais de irreverência, não tenho uma produção clássica de cordel impresso em folheto. Mas sempre reagi aos vários momentos, sociais ou da vida privada, com produção cordelista. Comecei a decorar e declamar cordéis e, então, surgiu o espetáculo “Cordéis dos Cafundó”, um desdobramento dessa minha verve declamatória, cordelista e teatral. Impulsionado pela minha família, criamos coletivamente este espetáculo em 2012. 

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Do que trata o espetáculo? E como o projeto Cordéis dos Cafundó se desdobra para a área pedagógica? 

Conta a história da literatura de cordel. Há declamações e uma série de linguagens bem típicas das feiras nordestinas. É um espetáculo para entretenimento e gozo, que visa disseminar a cultura da literatura de cordel exatamente nessa dimensão de patrimônio cultural do brasileiro, fortalecendo a nossa cultura popular e fazendo frente à pasteurização e à americanização da existência. Então, é um trabalho de resistência e afirmação da nossa identidade. Mais recentemente, desde 2014, o projeto se desdobrou também em frente pedagógica, em escolas. O cordel abre a linha pedagógica de trabalho e o pessoal começa a criar. Escolhem um tema e isso se desdobra num roteiro dramatúrgico transformado em oficinas, resultando num espetáculo próprio, de autoria coletiva, sempre apresentado em praça pública. Sou educador popular, ligado aos movimentos sociais e periféricos, então o cordel virou forma também de lida, de protagonismo, de gerar autonomia em várias áreas. Do ponto de vista pedagógico, a gente abraça Paulo Freire (educador e filósofo) com furor, numa linha de construção horizontal. Passamos elementos e o pessoal passa saberes. Os temas são escolhidos pelas crianças, professores ou artistas, a partir de um desejo local, de uma problemática. A partir daí, entramos com a técnica do cordel, sempre de forma flexível. Neste ano, aprovamos um projeto pela Lei Rouanet, que será desenvolvido em oito cidades mineiras, em 2019. Ainda neste semestre, iniciaremos discussão com secretarias municipais de educação e cultura para eleger escolas ou grupos que venham a ser beneficiados. 


Como você percebe, hoje, a importância da arte enquanto ferramenta de transformação social? 
A arte não tem que ser necessariamente militante, engajada e provocadora. Acho que a arte tem um papel ansioso de buscar o belo, de comover, de atingir o chip do coração. Mas o campo artístico é um espectro policrômico, um arco-íris em que se cabe tudo. Então, a arte comprometida com a transformação social tem, sim, seu lugar. Essa história de escola sem partido é formulação ideológica da direita, que quer impor só o seu lado. A arte tem a função social de espelhar seu tempo e as lutas dos oprimidos podem ser poetizadas. Nós, do Parangolé Arte e Mobilização, formamos um núcleo de mobilizadores, artistas e educadores que trabalham para colocar a arte a serviço das causas públicas. Nesses 15 anos prestamos serviços artísticos e de educação popular para movimentos sociais e administrações progressistas, sejam elas municipais, estaduais e federais. Portanto, acredito que colaboramos humildemente com a reflexão e a emancipação do nosso povo. Vivemos tempos dramáticos no Brasil e em âmbito planetário, de uma crise civilizatória. Está prevalecendo a perspectiva neoliberal, de ultradireita, do Deus-mercado, que tem como valores o dinheiro, o lucro e a concorrência, além de trazer junto a beligerância e a morte. Mais do que nunca, devemos nos espelhar e conviver com as culturas tradicionais. E aí temos indígenas, quilombolas, ciganos e várias comunidades, no urbano e no rural, que pregam o bom convívio, a solidariedade e o amor. É nisto que eu aposto, e o cordel está aí dentro. 
Fonte: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/artista-e-educador-casc%C3%A3o-fala-sobre-a-literatura-de-cordel-reconhecida-como-patrim%C3%B4nio-cultural-1.661688