CORDEL PARAÍBA

**

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Evento em Alagoas reforça a literatura popular em verso

I CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL VALE RICO SERÁ REALIZADO EM 8 DE DEZEMBRO

Folheto, literatura popular em verso ou simplesmente cordel. Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro desde 19 de setembro de 2018, o gênero literário tradicional da cultura brasileira, especialmente do interior nordestino, é o norteador de um concurso para movimentar a cena cordelista de Alagoas. Trata-se do I Concurso de Literatura de Cordel Vale Rico – uma das atrações culturais da Vaquejada do Milhão –, que acontecerá dia 8 de dezembro, a partir das 15h, no Parque Vale Rico, localizado em Pilar. A produção cultural do evento, representada pelo produtor cultural e jornalista Abides Oliveira, conversou com o Caderno B para adiantar alguns detalhes sobre o evento. “A ideia partiu aqui da organização da Vaquejada do Milhão. Desde o início, quando a gente foi ver o projeto cultural, a gente já tinha definido que ia ter esse concurso. E, pra fortalecer o concurso, a gente fez parceria com a Academia Alagoana de Literatura de Cordel. Até pra dar um apoio importante na realização do evento, cuidando do regulamento, comissão julgadora. Além do Cordel, a gente decidiu colocar a apresentação de folguedos daqui de Alagoas, quadrilhas juninas, e ainda estamos pensando num concurso de toadas, mas esse último ainda está sendo analisado”, conta Abides.

 CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL VALE RICO 

Quando: 8 de dezembro, às 15h

Onde: Parque Vale Rico, BR-316, Chã do Pilar

Quanto: Inscrições gratuitas até 30 de novembro

Fonte: http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=330808

domingo, 7 de outubro de 2018

Alunos do Colégio Aplicação conhecem a Literatura de Cordel (Londrina, PR)


Agência UEL 
Professora aposentada da UEL, Raimunda de Brito Batista, falou sobre a importância dos cordéis

A Literatura de Cordel, recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, foi tema de palestra ministrada nesta quinta-feira (27) aos alunos do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da UEL, localizado no Campus. Eles receberam a professora aposentada da UEL, Raimunda de Brito Batista, grande conhecedora da Literatura de Cordel. 

A professora abordou de forma didática a origem da literatura de cordel, suas características e personagens marcantes e já tradicionais. Ela também demonstrou como os cordéis são produzidos, explicando que a forma mais habitual dos cordéis são "folhetos", pequenos livros com capas de xilogravura que ficam pendurados em cordas ou barbantes, o que explica o nome. Ela inclusive trouxe exemplares dos cordéis para os alunos conhecerem. Durante a atividade, as crianças demonstraram interesse e curiosidade pela temática, pois elaboraram perguntas, o que aumentou ainda mais a interação com a convidada.

Segundo a coordenadora pedagógica do Colégio de Aplicação, Luciana Lopes Galdino, os alunos tiveram contato com o tema anteriormente por meio de projeto elaborado e desenvolvido pela escola, cujo objetivo foi explorar diferentes gêneros textuais, sempre visando a valorização da cultura nacional. Todas as turmas participam do projeto, do primeiro ao quinto ano. Segundo ela, cada turma desenvolveu dentro da temática uma atividade diferente.

Ainda de acordo com a coordenadora, o evento foi realizado por meio da parceria com a Biblioteca Central, que contou também com a presença de técnicos do setor. Vale destacar que a Biblioteca Central da UEL guarda o 3º maior acervo de cordéis do mundo, muitos deles de autoria de diversos professores, entre eles produções da própria professora Raimunda. "Essa palestra é interessante porque as crianças têm contato direto com a literatura de cordel, em paralelo com o conteúdo ensinado em sala de aula. Sem dúvida, a experiência amplia as possibilidades de aprendizagem", completa ela. 

Fonte: http://www.uel.br/com/agenciaueldenoticias/index.php?arq=ARQ_not&id=27141

sábado, 6 de outubro de 2018

Mestre Lainha mostra a força da mulher negra através da literatura de cordel (Feira de Santana, BA)

A cordelista também é xilogravurista e explica que faz seus cordéis de forma tradicional, do jeito que seus mestres lhe passaram.

Na 11ª Feira do Livro, Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs), a Praça do Cordel é um dos espaços mais movimentados e com grande presença de público, recitais de textos de cordel e poesias. Os folhetos coloridos pendurados em varais compõem todo o cenário, assim como as figuras e quadros em xilogravuras. Cordelistas com suas mesas repletas de cordéis e alguns vestidos com indumentárias que remetem à cultura nordestina marcam presença na praça e reforçam o significado da literatura de cordel, que tornou-se recentemente patrimônio cultural e imaterial do Brasil. Em um universo predominantemente masculino, a figura de mestre Lainha chama a atenção e mostra também a força e a resistência da mulher negra.

Foto: Milena Brandão/Acorda Cidade

Mestre Lainha é Janete Lainha, de 58 anos, e natural da cidade de Ilhéus. Ela já escreveu mais de 800 cordéis e sua trajetória no universo literário e lúdico começou aos sete anos de idade durante uma viagem à Bom Jesus da Lapa, quando acompanhou a mãe que estava adoentada e precisava pagar uma promessa. Com essa experiência, Lainha teve o seu primeiro contato com o cordel, conheceu um dos seus mestres e passou a escrever os primeiros versos. Participando da Flifs há cinco anos, ela contou que já teve muitas andanças e faz uma ressalva sobre a mulher negra na literatura de cordel.

                                        Foto: Milena Brandão/Acorda Cidade

“Eu venho de muitas andanças, faço parte de duas linhagens importantes na literatura do Brasil. Fui vizinha de Minelvino Francisco da Silva, o trovador Apóstolo, e também convivi na casa dos artistas durante 17 anos com Azulão Baiano. Então, isso deixou meus versos mais redondinhos e são anos de luta e de peleja. Compreendo que faço parte de um universo em que 90% é masculino. Mas, isso não me desmerece, pelo contrário, eu só tenho encontrado incentivo e o fato de vir dessas linhagens de outros cordelistas famosos e conviver com eles me deixou em uma gama e em um leque de conhecimento da literatura de cordel muito bom”, afirmou.

   Foto: Milena Brandão/Acorda Cidade

A cordelista também é xilogravurista e explica que faz seus cordéis de forma tradicional, do jeito que seus mestres lhe passaram. Os versos têm oração, rima e metrificação. Vários trabalhos da escritora já foram premiados e para ela é fundamental que as pessoas possam conhecer e ler cordéis. Eles trazem cultura, sabedoria e significam resistência.

   Foto: Milena Brandão/Acorda Cidade

  Foto: Milena Brandão/Acorda Cidade

Fonte: https://www.acordacidade.com.br/noticias/200489/mestre-lainha-mostra-a-forca-da-mulher-negra-atraves-da-literatura-de-cordel.html

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

ADERALDO LUCIANO: O CORDEL, TEXTO, CONTEXTO E POÉTICA REUNIDOS NA CASA DA LINGUAGEM, BELEM, PARÁ

O cordel brasileiro vive momentos decisivos. Vive eventos de grande badalação e de consolidação como forma poética. Estudar suas estratégias de escrita e elaboração é uma prerrogativa de todos aqueles que querem seguir os passos de Leandro Gomes de Barros, o sistematizador de suas engrenagens de escrita.
No próximo dia 5, sexta-feira, a partir das 13h estaremos reunidos na Casa da Linguagem, em Belém do Pará, para uma oficina de leitura e estudo literário do seu arcabouço. Na ocasião também estaremos lançando nosso livro Quero Morrer Na Caatinga. A Academia Paraense de Literatura de Cordel é nossa parceira na empreitada. A casa está aberta, o texto cordelístico também:

1. No final do séc. XIX e início do séc. XX, a cidade do Recife, em Pernambuco era o centro cultural e político do Nordeste Brasileiro. A sua Faculdade de Direito recebia os pensadores e literatas que construiriam a cultura brasileira: Castro Alves, Tobias Barreto, Ireneo Joffily, Sílvio Romero, Augusto dos Anjos entre outros passaram pelos seus corredores e sentaram em suas salas de aula. Paralelamente a isso, um grupo de poetas oriundos do sertão e da Zona da Mata paraibana começou a publicar em rústicos folhetos seus poemas longos e paródias, pensando o dia-a-dia do povo trabalhador da futura metrópole: era o cordel que surgia pelas mãos de Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima, Francisco das Chagas Batista e João Martins de Ataíde.
2. O cordel brasileiro é uma forma poética fixa e exige de seu autor o conhecimento de sua engrenagem e funcionamento. O poeta necessita conhecer: a estrofação do poema (sextilhas, septilhas e décimas); o verso fundamental cordelístico: o setessílabo; noções de rima e ritmo (rima toante e soante), acentuação dos versos; o aparecimento do acróstico como assinatura do poeta; elementos extraídos das obras épicas clássicas: invocação, oferecimento e trama; o que é um personagem em cordel (exemplos: João Grilo, Cancão de Fogo, José do Telhado, Donzela Teodora).
3. É muito comum colocar todas as formas de poesia oriundas do Nordeste sob o mesmo nome de cordel, entretanto há diferenças essenciais que a distinguem em vários aspectos. O repente dos cantadores improvisadores e violeiros, o coco de embolada, o “poema matuto”, as rezas e benditos, as canções e os poemas curtos de inspiração bucólica ou de gracejo, todos são confundidos e colocados lado a lado no mesmo leito. 

O cordel difere de todos em sua textura poética, cultural e linguística. O seu produto escrito difere dos seus primos orais. O papel é seu suporte mais legítimo desde sua origem no Recife, impresso em máquinas tipográficas elétricas ou pequenos prelos manuais. Com o aparecimento da xilogravura passou-se com o tempo a confundi-la com o cordel. O próprio folheto terminou por assumir posto de sinônimo do cordel, mesmo quando este tomou para si suportes mais robustos.

Fonte: Aderaldo Luciano- professor doutor em Ciência da Literatura
Via: http://www.neyvital.com.br/2018/10/o-cordel-brasileiro-vive-momentos.html

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Oficina promove valorização do Cordel como instrumento de comunicação popular (Juazeiro, BA)


Oficina promove valorização do Cordel como instrumento de comunicação popularContemplados com o apoio do Projeto Jovens Comunicadores desde 2017, o Coletivo Carrapicho Virtual participou nos dias 29 e 30 de mais uma oficina. Na comunidade de Baraúna, no Vale do Salitre, em Juazeiro (BA), o grupo compartilhou experiências e aprendeu novidades sobre a literatura de cordel.
A oficina contou com a condução do poeta, cordelista e músico Maviael Melo, que trabalhou com as/os jovens técnicas necessárias à produção das poesias rimadas bastante popularizadas no Nordeste brasileiro e cujo nome se origina da exposição de livretos de poesias em varais de cordas.
Maviael destaca o potencial da juventude para abraçar projetos desta natureza e a necessidade de aliar a arte com a formação política, valorizando, sobretudo a cultura local. “O cordel, por ser uma literatura popular e altamente nordestina, e agora um patrimônio imaterial, tem essa vantagem, que é de fácil acesso, todo mundo gosta”, defende o artista ao citar que esse tipo de produção artística pode ser usado como um importante instrumento de comunicação e educação.
Há cinco meses integrando o grupo Carrapicho, Arice Karine já participou de um Intercâmbio e uma oficina promovida pelo Projeto Jovens Comunicadores e avalia a oficina como “uma oportunidade muito importante pra mim. Eu junto com as outras pessoas conseguimos desenvolver os cordéis (...). Eu nunca tinha experimentado fazer um cordel, espero que de agora em diante eu possa escrever... sobre o Salitre, sobre muitas outras coisas”, disse a jovem.
Com uma metodologia apropriada à cada grupo, a oficina provoca as/os jovens a produzirem versos, os quais são elaborados em grupos após algumas noções sobre rima, métrica e conteúdo serem debatidas. O jovem Luiz Eduardo revelou que aprendeu muito nos dois dias de oficina e que para fazer um cordel “não são apenas rimas aleatórias, tem que ter um contexto, uma história por trás daquela rima”.
Temas como agricultura familiar, gênero, política, educação e comunicação, além do próprio Salitre foram explorados na construção dos versos, os quais eram escritos em cartazes decorados pelos jovens e expostos na parede da Associação que sediou a oficina, além de alguns terem sido recitados para a comunidade.

Noite Cultural

Um dos momentos esperados desta oficina foi a “Noite Cultural”, momento de integração do grupo com a comunidade. Ao redor de uma fogueira, cerca de 40 pessoas prestigiaram um sarau que contou com voz e violão e recital dos cordéis produzidos durante a oficina. A participação do artista juazeirense João Sereno, que junto com Maviael Melo animou o público, despertou o interesse de pais e mães dos/das jovens do Carrapicho e demais pessoas da comunidade que avaliaram positivamente o encontro.
O Projeto Jovens Comunicadores é uma iniciativa do Pró-Semiárido, projeto do Governo da Bahia que é executado em 32 municípios baianos. No Território Sertão do São Francisco o Irpaa atualmente acompanha duas turmas, sendo uma delas o Carrapicho que integrou a experiência piloto dos Jovens Comunicadores que deve se firmar enquanto rede de educomunicação no Semiárido.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa
Fonte: https://irpaa.org/noticias/1912/oficina-promove-valorizacao-do-cordel-como-instrumento-de-comunicacao-popular

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Juan Pedro leva tradição familiar do cordel para o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (BA)

Juan Pedro apresentou seu primeiro cordel durante a 11ª Feira do livro.
Juan Pedro apresentou seu primeiro cordel durante a 11ª Feira do livro.
Representando a quinta geração de cordelistas da família, Juan Pedro Pereira Firmo de Oliveira, conhecido com Juan Olliver, de apenas sete anos, apresentou seu primeiro cordel durante o FLIFS – Festival Literário e Cultural de Feira de Santana, a 11ª Feira do Livro.
Juan é o filho mais novo de Olliver Brasil, que há 35 anos tem no cordel a sua principal forma de expressão artística. O garoto é aluno da Escola Municipal Professora Francy Silva Barbosa, do bairro Campo Limpo.
Juan Olliver encontrou na Feira do Livro o espaço ideal para expor a sua primeira publicação. Iniciado na arte do cordel há apenas dois meses, ficou feliz com o reconhecimento da obra. “Aprendi a construir versos e estrofes com meu pai. Gostei muito de ter apresentado o meu primeiro cordel”, comemorou.
Não esperávamos que Juan fosse demonstrar interesse, diz pai
Orgulhoso, Olliver Brasil mostrava o primeiro cordel do filho para os visitantes do festival. “A literatura de cordel está na nossa família há cinco gerações, ainda assim, não esperávamos que Juan fosse demonstrar interesse, até o dia que pediu para apresentar um dos meus poemas na escola e, logo depois, começou a escrever o próprio texto”, conta.
“Me senti muito orgulhoso do meu filho. A felicidade quando soube do interesse dele foi enorme. É gratificante vê-lo repassando a tradição da família Firmo adiante, se interessando pela nossa cultura de forma tão natural”, relata Olliver emocionado.
O FLIFS, realizado este ano na Praça Padre Ovídio, conta com diversas apresentações culturais, exposições e venda de livros e obras artísticas, contação de histórias, literatura de cordel, mesas-redondas, oficinas e diversos shows. As atividades foram encerradas neste domingo (30/09/2018).

Fonte: 
http://www.jornalgrandebahia.com.br/2018/10/juan-pedro-leva-tradicao-familiar-do-cordel-para-o-festival-literario-e-cultural-de-feira-de-santana/

Arapiraca recebe minicurso gratuito de Literatura de Cordel (AL)

Recentemente, a literatura de cordel foi declarada como “Patrimônio Cultural do Brasil” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já não era sem tempo. O estilo literário é um dos mais conhecidos no Nordeste brasileiro, aliando rimas ricas com o contexto pobre de seu povo, o que dá uma equação cheia de sofrimento, mas transposta para o papel com muita criatividade e, paradoxalmente, bom humor.
Assim, Arapiraca realizará neste mês de outubro e em uma parte de novembro o “Minicurso de Confecção e História de Cordel”, ministrado por Zé de Quinô, em uma realização do Sesc Arapiraca. Zé de Quinô é o pseudônimo – que pode ser lido em cordéis espalhados pelas bancas de revista da cidade – do professor e mestrando em História, Daniel Alves, um profundo pesquisador das relações étnico-raciais com ênfase no Agreste alagoano, na Cultura Popular, Análise de Discurso, Cultura, Memória e Identidades.
As inscrições podem ser feitas online e estão abertas até dia 15 de outubro por meio deste link aqui.
O minicurso acontecerá nos dias 22, 23, 25 e 29 de outubro e 1 de novembro, das 18h às 22h na Biblioteca do Sesc Arapiraca, que fica situada na Rua Manoel Francisco Cazuza, bairro Santa Edwiges. Segundo o professor Daniel Alves (ou simplesmente Zé de Quinô), a literatura de cordel é uma das nossas mais importantes expressões da Cultura Popular.
“Caracterizada por uma poética com base na oralidade, ao longo de seu desenvolvimento na nossa região, o cordel contribuiu na construção idenitária do povo nordestino. É composto de pequenos livros de valor acessível, os quais são impressos em papel de baixo valor comercial e expostos à venda dependurados em barbantes presos por pregadores de roupas nas feiras livres. E grande parte de suas capas trazem ilustrações em xilogravura. Sua forma é rigorosamente baseada em rimas e versos, o que facilita sua memorização e assimilação pelas populações subalternizadas. Suas temáticas são variadas, perpassando por temas fantásticos, sociais, cômicos, trágicos, políticos e culturais. Já o seu valor histórico, inestimável, pois pode servir de fonte para a historiografia, na medida em que se considerem seus produtores verdadeiros cronistas de seu tempo”, pontua ele.
Nesse minucurso, ao final, os participantes serão capazes de fazer seus próprios livretos e suas próprias histórias.
Fonte: Ascom Arapiraca
Via: https://al1.com.br/noticias/cultura/24630/arapiraca-recebe-minicurso-gratuito-de-literatura-de-cordel

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Literatura de cordel é celebrada em evento gratuito na Caixa Cultural (Salvador)


Cordelizando acontece entre os dias 7 e 9 de junho
Literatura, música, poesia, recitais e bate-papo em um único lugar. Autores da literatura de cordel estarão reunidos para participar da terceira edição do projeto Cordelizando, na Caixa Cultural. O evento gratuito acontece entre os dias 7 e 9 de junho - o acesso é limitado à capacidade de espaço. 
Com vasta programação, o Cordelizando vai reunir diferentes artistas e atividades relacionadas à cultura popular nordestina. O multi-instrumentista Rodrigo Sestrem é quem começa a festa na quinta-feira, dia 7. Artista múltiplo tem canções gravadas por diversos artistas, como Alcione, Roberta Viana e Leo Pinheiro, além de participações no teatro.
Já no dia 8, sexta-feira, dois nomes roubam a cena do Cordel: Antônio Marinho e Clécio Rimas. Neto de Louro do Pajeú, um dos grandes nomes da cantoria brasileira, Antônio é o vocalista do grupo Em Canto e Poesia, onde divide o palco com seus irmãos Greg e Miguel Marinho, outra atração confirmada no Cordelizando.
Quanto a Clécio Rimas, que é poeta, glosador, rapper, DJ/produtor e arte-educador nas horas vagas, a expectativa está na diversidade proporcionada pelo próprio autor. Sua arte mistura de cordel à embolada, rap e música eletrônica, e isso será percebido na Mesa 2 - Entre o Rap e o Repente.     
Cordel em cena
Poesia com rapadura é o nome do novo livro de Bráulio Bessa, atração de sábado, dia 9. Cearense, a relação com os versos começou muito cedo. Bráulio é presença confirmada no programa da Rede Globo Encontro, com Fátima Bernardes, onde apresenta seu olhar poético sobre os mais diversos temas e representa a cultura nordestina.

O sábado do Cordelizando conta ainda com Flávia Wenceslau, vencedora de dois prêmios Caymmi de música (2007 e 2017), Maria Alice Amorim e seu acervo com mais de sete mil títulos de cordel, mediação de Maviael Melo e participação especial de Raimundo Sodré.
Serviço
Terceira edição do Cordelizando 
Local: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro) 
Abertura: 7, 8 e 9 de junho de 2018 – (quinta, sexta e sábado)
Horário: 07/06/2018 - a partir das 19h.  08 e 09/06/2018 - a partir das 10h 
Entrada Franca, observada a capacidade do espaço - Estacionamento gratuito ao lado: 7 e 8 de junho, a partir das 18h, e dia 9 de  junho, a partir das 14h.
Classificação indicativa: livre (para todos os públicos)
Informações: (71) 3421-4200

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/literatura-de-cordel-e-celebrada-em-evento-gratuito-na-caixa-cultural/

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cordelista J. Borges terá sua biografia publicada pela Cepe (PE)

Pesquisadora e jornalista Maria Alice Amorim assina a biografia de J. Borges, que deve sair no começo de 2019, pela Coleção Memória, da Companhia Editora de Pernambuco


J. Borges, cordelista pernambucano
J. Borges, cordelista pernambucanoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Deve ficar pronto até o início de 2019, pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a biografia de J. Borges, escrita pela pesquisadora Maria Alice Amorim. O livro, com título provisório "J. Borges - Entre fábulas e astúcias" será lançado pela Coleção Memória e está em processo de editoração.

livro traz a obra e a trajetória do artista, nascido na zona rural de Bezerros, onde hoje fica o município de Sairé. 

"É alguém apaixonado pelo que faz, que construiu uma história vendendo folhetos de cordel na feira. Ele é muito obstinado. Quando viu que a gravura lhe dava mais chão, passou a se dedicar mais a ela do que ao cordel", compara Maria Alice, que esteve várias vezes no ateliê do mestre, para entrevistá-lo.

No livro, a escritora conta sobre os percalços enfrentados por J. Borges ao longo da vida. Ele teve 18 filhos biológicos, mais seis adotivos. Passou por dificuldades de saúde, e chegou a ver alguns de seus descendentes morrerem. Um dos filhos faleceu no ano passado, cinco dias antes de o artista completar 82 anos, em dezembro.

"Ele tem uma poética de imagens verbais e dos desenhos que é única. É muito inteligente, e soube ser maleável, se moldando pelo que a vida ia apresentando a ele", pontua Maria Alice Amorim, ressaltando que ele lançou 316 cordéis. O mais recente foi "A chegada de Ariano Suassuna no céu", em 2017.

Para a pesquisadora, uma das principais características da personalidade do cordelista é a resiliência. "Ele ia para a feira e queria ter o dinheiro dele. Então, fazia colher de pau e cestinhas de madeira, para vender", revela. Proativo, sempre se manteve sorridente, apesar dos obstáculos. "Quando percebeu que o galerista era uma espécie de atravessador, passou a ser seu próprio patrão. Ele não é um deslumbrado, mas soube ser cioso do seu valor e se fez respeitar", observa ela.

Em relação à literatura de cordel ter se tornado Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan, Maria Alice Amorim é cautelosa, embora admita a importância para que surjam políticas públicas e ações estruturadoras para o setor. Para ela, a etapa seguinte, da salvaguarda, precisa ser continuada. "O que todos nós, detentores, público apreciador, associações, institutos, podemos fazer juntos para que o cordel tenha condições de ter vitalidade?", questiona.

Na opinião de Maria Alice, nunca é tarde para se chegar o reconhecimento. "No início dos anos 1990", cita ela, "não surgiam novo poetas, as tipografias estavam fechando e não se viam cordéis nas feiras". Com a chegada da internet, ela lembra de artistas como José Honório, que lançou em 1995 o Marco Cibernético construído em Timbaúba. Em 1997, veio a primeira peleja virtual por e-mail, com Américo Gomes. "Surgiram a impressão doméstica, a diagramação no Word se popularizou. Isto deu autonomia aos artistas, diminuiu os custos", avalia.

Foi quando, na visão da estudiosa, se ampliaram a conectividade - dos poetas em contato com outros - e a interatividade - criando plateias virtuais, como em redes sociais como o Facebook. "Foi retomada a vitalidade do cordel, que nunca deixou de estar presenta na música, na moda e no cinema, demonstrando o quanto é enraizado em nossa cultura", compara, citando fenômenos recentes, como o cordelista Bráulio Bessa, que tem quadro no programa da Rede Globo "Encontro com Fátima Bernardes", e se tornou sucesso ao lançar seus textos em livros.

   Lançamento
Em 2012, a pesquisadora defendeu sua tese de doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Como o título "Pelejas em Rede: vamos ver quem pode mais - Comunicação em múltiplos suportes e ambientes no cordel e no repente", o estudo foi transformado em livro, que deve ser publicado ainda em 2018, pela editora da autora, a Zanzar. O evento de lançamento deve ser realizado em novembro no Recife, em data e local que estão sendo definidos. O projeto de lançamento do livro foi aprovado pelo Funcultura estadual.
Fonte: https://www.folhape.com.br

domingo, 30 de setembro de 2018

Patrimônio imaterial do Brasil, literatura de cordel ajuda cidadão a compreender leis

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional incluiu a literatura de cordel na lista de patrimônio imaterial do Brasil. É uma forma de valorização e proteção dos saberes, ofícios e formas de expressão coletiva
Divulgação
Literatura de cordel - Lei Maria da Penha
Mais novo patrimônio imaterial do Brasil, a literatura de cordel tem sido instrumento de conscientização e cidadania na difusão de propostas aprovadas na Câmara dos Deputados. Versos populares – em sextilhas, martelo agalopado, meia quadra ou em outras métricas – já ajudaram, por exemplo, a popularizar a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).
O cordelista cearense Tião Simpatia usou essa arte para divulgar os principais pontos da lei de combate à violência contra a mulher:
"Segundo o artigo quinto, esses tipos de violência / Dão-se em diversos âmbitos. / Porém, é na residência / Que a violência doméstica tem sua maior incidência. / E quem pode ser enquadrado como agente agressor? / Marido ou companheiro, namorado ou ex-amor. / No caso de uma doméstica, pode ser o empregador."
A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC 478/10) que reconheceu uma série de direitos trabalhistas para as domésticas também mereceu versos em forma de cordel:
"Ser doméstica, ninguém sabe, / Mas não é fácil esse papel, não. / Doméstica tem que sonhar".
Tradição
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu, no último dia 13 de setembro, a literatura de cordel na lista de patrimônio imaterial do Brasil. É uma forma de valorização e proteção dos saberes, ofícios e formas de expressão coletiva.

Integrante da Comissão de Cultura da Câmara, o deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), elogiou a iniciativa. "A cultura dos trovadores da Europa medieval se transfere para o Nordeste ressequido de uma maneira muita aclimatada a uma gente simples, que não teve oportunidade da cultura clássica e acadêmica. É uma grande homenagem à cultura popular, à alma brasileira", declarou.
A tradição europeia de contos populares rimados – impressos em papel simples e pendurados em cordas para venda – se enraizou no Nordeste brasileiro ainda no século 19. O paraibano Leandro Gomes de Barros e o sergipano João Martins de Athayde estão entre os pioneiros.
Audio Player
Ouça esta reportagem na Rádio Câmara
Desde 1988, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro, acompanha o amadurecimento dessa arte. O presidente da ABLC, o cearense Gonçalo Ferreira da Silva, afirma que a temática – antes restrita ao cotidiano nordestino e a personagens como Padre Cícero e o cangaceiro Lampião – tem sido atualizada, sem deixar a tradição de lado.
"Desde a chegada ao Brasil, com os colonizadores portugueses, a literatura de cordel começou um percurso lento, desorganizado e engatinhando. Ganhou um sabor brasileiro, nosso. A literatura de cordel abrange toda a área do conhecimento humano e os últimos acontecimentos de natureza política e social", diz o presidente da ABLC.
Temas atuais
Em 2011, a Rádio Câmara entrevistou o cordelista João Firmino Cabral em pleno Mercado Popular de Aracaju (SE). Então com 71 anos de idade, ele falava, em forma de versos, das preocupações em torno das mudanças climáticas e da ação danosa do homem sobre a natureza, principalmente na Amazônia:

"Toda a Floresta Amazônica está muito devastada / Por madeireiros perversos e também muita queimada. / Os animais sumindo, as aves diminuindo / A vida está complicada. / Se os animais falassem, diriam aos predadores / Não matem nossos parentes, escutem nossos clamores. / Não sejam tão homicidas pois nós também temos vidas e também sentimos dores".
Orgulhoso do ofício de cordelista, João Firmino Cabral ocupou a cadeira 36 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel até sua morte, em fevereiro de 2013. Os livrinhos dele e de milhares de cordelistas continuam sendo vendidos em feiras, bancas de jornais e mercados populares.
A internet e as redes sociais – como o YouTube – também ajudam a manter essa arte centenária antenada com a atualidade. Em período eleitoral, por exemplo, o cordelista Hugo Tavares Dutra costuma entoar os versos de seu livrinho "Votar é um nó", com referências à Lei da Ficha Limpa (LC 135/10):
"Ficha limpa, ficha suja: diz aí quem vai julgar / Quem é quem nesse processo desse nó que é votar. / Eleito e eleitor: quem é que vai decifrar / Quem é pedra ou vidraça nesse será que será".
As profissões de cordelista e repentista estão regulamentadas desde 2010. A Lei 12.198/10 surgiu de uma proposta (PL 613/07) do deputado André de Paula (PSD-PE).
Reportagem – José Carlos Oliveira

Edição – Pierre Triboli



Fonte:  http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias