CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

POETA PARAIBANO SEVERINO SERTANEJO - BIOGRAFIA




Luiz Nunes Alves (Severino Sertanejo), poeta popular, nasceu na cidade de Água Branca, Paraíba, em 16 de abril de 1934.
É casado com Dª. Maria Bernadeth Baptista Alves e tem três filhas: Ana Márcia, Mércia Neves e Marta Bernadeth.
Fez o primário no Grupo Escolar "João Nominando", em sua terra natal; o ginasial no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Princesa Isabel e o secundário no Liceu Paraibano. Bacharelou-se em Direito na Universidade Federal da Paraíba, tendo feito o curso de aperfeiçoamento em Agente de Crédito Cooperativo, em 1960, em Fortaleza, Ceará, e o curso de Assistente Jurídico, em 1969, também em Fortaleza, ambos promovidos pelo Banco do Nordeste do Brasil.
Sendo funcionário da Receita Federal, exerceu o cargo de Coletor Federal em Princesa Isabel, de maio de 1960 a fevereiro de 1962, quando passou a prestar serviços no Banco do Nordeste do Brasil S/A, em João Pessoa; a princípio no setor de Crédito Rural e Cooperativo, de 1961 a 1966, integrando, em seguida, o Departamento Jurídico. 
Iniciou sua carreira de servidor do Estado como Caixa de Crédito Imobiliário da Paraíba (1957/60); foi Diretor do Departamento de Crédito Cooperativo (1967/68); Secretário do Planejamento (1970/71).
Em 1º de março de 1971 foi empossado no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, para o período de 1973/75, chegando a exercer a Vice-Presidência; no período seguinte, foi eleito Presidente, função que exerceu por mais de duas vezes. Participou ativamente de vários Congressos de Tribunais de Contas do Brasil, realizados a partir de 1973, tendo a oportunidade de presidir o 7º Congresso realizado em João Pessoa, no ano de 1975.
Luiz Nunes exerceu a função de Professor de Ciências das Finanças e Direito Financeiro da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Autônoma de João Pessoa, foi Diretor da Faculdade de Direito. Também ministrou aulas na Escola Superior da Magistratura.
Amante das letras escolheu a literatura de cordel como área de estudo, à qual dedica o seu tempo, pesquisando e produzindo trabalhos com muita criatividade e segurança, usando sempre o pseudônimo de Severino Sertanejo. Seus livros têm grande aceitação entre os admiradores e estudiosos do cordel, tendo recebido elogios de personalidades consagradas no meio intelectual nacional, a exemplo de José Américo de Almeida, Orígenes Lessa, Carlos Drumond de Andrade, Câmara Cascudo, D. José Maria Pires, jurista Limonge França, de São Paulo, entre outros nomes de igual relevo.
Luiz Nunes é sócio efetivo da Academia Paraibana de Letras, do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica; do Colégio Brasileiro das Faculdades de Direito; da Academia de Letras Municipais do Brasil, com sede em São Paulo; 2º Vice-Presidente da Fundação Ruy Barbosa (São Paulo).
Publicou os livros: A Vida de Delmiro Gouveia em versos, UFPB, João Pessoa, 1979; Inácio da Catingueira - O Gênio escravo, SEC, João Pessoa, 1979; História da Paraíba em versos, BNB, Fortaleza, 1984; Copa 94, A União Editora, 1994; Discurso de posse na APL, A União Editora, João Pessoa, 1995; ABC do Administrador (versos), s/ed., João Pessoa, s/d.; Delmiro Gouveia - Uma Estrela na Pedra (versos), IHGP, João Pessoa, 1998; Coisas da minha Sala, Idéia Editora, João Pessoa, 1999; Tabira, (discurso) s/ed. João Pessoa, 2000; Comarca de Água Branca (discurso), s/ed. João Pessoa, 2000; Princesa Isabel: Sua emancipação político-administrativa e judiciária, (discurso), s/ed. João Pessoa, 2001; A Princesa Magalona e o seu amor por Pierre, Imprell Editora, João Pessoa, 2003.
Luiz Nunes ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 24 de agosto de 1979, recebendo a Comenda do Mérito Cultural "José Maria dos Santos".
Fonte: http://www.onordeste.com/ 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Cordel reconta atentado a bomba contra bispo que fez vítimas no Sertão há 40 anos


Cordel conta fato histórico ocorrido em Cajazeiras

Cordel conta fato histórico ocorrido em Cajazeiras (PB)
O atentado a bomba em um cineteatro de Cajazeiras, a 468 quilômetros da Capital, durante a ditadura militar, está sendo contado através da literatura de cordel. Esse fato da história paraibana ocorreu há 40 anos é pouco conhecido das gerações que sucederam a tragédia. Duas pessoas morreram.

Leia também: Naufrágio que matou 35 pessoas na Lagoa de JP faz 40 anos; testemunhas relembram

A ideia é do professor e cordelista Janduhi Dantas que resgatou o fato histórico numa linguagem acessível e poética, ao mesmo tempo que conscientizadora. Intitulada 'O misterioso atentado ao bispo de Cajazeiras', a obra é importante porque conta um episódio que não está nos livros de História e que não é contado nas escolas.


"Ditadura nunca mais!
Afirmo ao fim desta história
Na esperança de que os jovens
Tenham o caso na memória
Assuntem que ditadura
 Sempre é vil, nefasta, inglória"

O fato histórico que completou 40 anos em julho deste ano ainda é um mistério e faz parte das investigações da Comissão Estadual da Verdade. O atentado aconteceu no dia 2 de julho de 1975, em plena ditadura do governo do general Ernesto Geisel.
Um bomba explodiu no cineteatro Apolo XI logo após a exibição de um filme e o alvo do atentado seria o então bispo de Cajazeiras Dom Zacarias Rolim de Moura.
Ele não foi vítima da explosão que matou duas pessoas porque viajara para Recife naquele dia. A bomba estaria em uma mala que foi achada embaixo da cadeira cativa do bispo, que era cinéfilo.
Na opinião de Janduhi Dantas, o resgate da história e a maneira como isso é feito são muito importantes porque mostram às novas gerações como a ditadura militar foi nociva a todos que viveram aquela época, mas com uma linguagem popular e poética.
"Foi um momento muito triste e que precisa ser contado de forma mais fiel e crítica possível para que os jovens aprendam com a História e jamais repitam os erros cometidos no passado".
Ao mesmo tempo em que ocorre a viagem a um fato nefasto e triste, o trabalho de Janduhi consegue mostrá-lo com uma leveza e uma riqueza que são típicas da linguagem do cordel.
Cajazeiras, a cidade onde ocorreu a tragédia, também é reverenciada nos versos. O autor mostra a vocação cultural ante à tragédia. "Cidade que dá valor/ ao artístico, ao cultural/ onde Educação é sua/ base patrimonial/ cidade que sempre teve/ um charme intelectual"

Ensino

Para a professora Irene Marinheiro, membro da Comissão Estadual da Verdade que coordena os trabalhos de investigação sobre o crime, a iniciativa de Janduhi Dantas é louvável e o cordel deve ser utilizado nas instituições de ensino.
“Quero parabenizá-lo pelo trabalho e dizer que ele é muito importante para levar ao conhecimento dos jovens o que foi a ditadura militar vivida nesse país e principalmente mostrar os prejuízos que o regime trouxe não só para as gerações que a viveram, mas para as que ainda vivem as consequências dela”, enfatizou. “A ditadura foi um fato lastimável que trouxe prejuízos e marcas irreversíveis e esse trabalho veio para fazer uma retrospectiva dessa história”.
Irene Marinheiro disse que as novas gerações precisam conhecer os acontecimentos e analisá-los com senso crítico para não cometer o equívoco de estar pedindo a volta do regime.
Na opinião dela, o trabalho de Janduhi deve ser levado às escolas e às universidades porque as pessoas precisam saber que ainda existem famílias chorando pela vontade de ter os restos mortais de parentes que desapareceram naquele período e ainda hoje não se consegue informações que revelem o que aconteceu.

Abrangência

Para a professora aposentada da UFPB, Inês Caminha Lopes, que fez a apresentação da obra literária, o cordel de Janduhi Dantas parte de um fato aparentemente isolado ocorrido numa remota cidade do sertão nordestino, e aborda um intrincado universo de grande abrangência.
"Rico em informações, o texto apresenta um valioso panorama do contexto em que o fato ocorreu. Aborda elementos conjunturais e estruturais. Insinua um complexo de fatores históricos, culturais, religiosos e ideológicos mesclado à indissociável e onipresente questão do poder", analisa.
Inês Caminha acredita que o cordel 'O misterioso atentado ao bispo de Cajazeiras' pode motivar os professores, principalmente os de História, a trabalhar com os seus alunos temas que levem a amplas reflexões.
O viés educativo do trabalho de Janduhi Dantas também é destacado pelo sociólogo da UFCG Rozenval Estrela. Para ele, trata-se de um registro raro que "revela-se como uma valiosa contribuição para a pesquisa de professores e estudantes sobre os anos de chumbo na Paraíba".

Fonte: http://portalcorreio.uol.com.br

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Poeta Rogério Fernandes ministra oficina sobre Literatura de Cordel

Escritor Rogério Fernandes, ao centro, com alunos do 4º ano do curso de Pedagogia da Uems durante oficina. (Foto: Divulgação)
 
Escritor Rogério Fernandes, ao centro, com alunos do 4º ano do curso de Pedagogia da Uems durante oficina. (Foto: Divulgação)
          O escritor e poeta Rogério Fernandes, realizou na última semana, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), oficina sobre Literatura de Cordel, para alunos do 4º ano do curso de Pedagogia. O convite foi feito pela professora da área na Universidade, Thaize Oliveira.
          De acordo com o escritor, a oficina teve o intuito de, além de divulgar a Literatura de Cordel como forma de expressão cultural popular, possibilitar novas estratégias e abordagens para a Educação Infantil e do Ensino Fundamental.
           De uma forma descontraída, Rogério Fernandes falou sobre a história do Cordel e sua chegada ao Brasil, principalmente na região Nordeste. O escritor trabalhou a metrificação dos versos, a rima e a oração. Citou as palavras do poeta Abraão Batista, ao dizer que, para se escrever um bom cordel é necessário, antes de tudo, “ter cara de povo, ter cheiro de povo e ter fala de povo”. Segundo Rogério, o cordelista deve escolher um lugar, um tempo, os personagens, uma trama ou uma intriga e, finalmente, colocar tudo isso em versos divididos, obrigatoriamente, em sete sílabas cada um.
          No final da oficina, as acadêmicas puderam escrever seus próprios versos, sob a orientação de Rogério Fernandes e receberam dois folhetos publicados pelo cordelista: “Cidade Crepúsculo” e “Educação Patrimonial e Cultural de Dourados”.
            Rogério Fernandes é um dos fundadores da Associação dos Cordelistas de Mato Grosso do Sul, no qual integram também as cordelistas Aurineide Alencar, Odila Lange e Leonir Menegati, e ministra oficinas de cordel em escolas públicas e particulares de Dourados. As pessoas podem entrar em contato com o cordelista através do e-mail: rogeriociso@gmail.com ou pelo telefone (67) 9939-4746.

Fonte: http://www.progresso.com.br

terça-feira, 29 de setembro de 2015

PROJETO DE LEI QUER CRIMINALIZAR QUEM FALAR MAL DE POLÍTICO NA NET





(Por Manoel Belizario)

Ninguém pode mais falar
 De político safado
 Porque isto no Brasil
 É um produto esgotado,
 Por isso quem falar mal
 Vai pra cadeia. Que tal
 Ver o sol nascer quadrado?

 Eu por mim sei que cadeia
 Não cheira meu mocotó
 Porque não vejo razão
 De falar mal nem de um só
 Parlamentar brasileiro.
 Não há motivo certeiro
 Pra que eu vá pro xilindró.

 A política prospera
 No andor de santidade.
 O poder executivo
 Possui na moralidade
 A razão de seu viver,
 Faz da ética um dever
 Com responsabilidade.

 O mesmo posso dizer
Do poder legislativo;
Também do judiciário
 Onde não vejo motivo
 Para ninguém falar mal.
 O político afinal
É um ser tão compassivo!

Alguns vão me criticar
 Dizendo até que arreguei.
 Porque alguém assim pensa?
 Sinceramente não sei.
 Ei político presente:
 Explique para essa gente
 Quando não vos exaltei?

 Portanto sigo louvando
O projeto anunciado.
 Internauta falador
 Deverá ficar calado.
 Obedece tal aviso
 Quem tiver o bom juízo
 Que nem eu, viu deputado?

Pondo à parte as brincadeiras
Peço colaboração
A você leitor amigo:
Assine essa petição
Pra barrar o descalabro
Desse congresso macabro
Maculador da nação. 


Imagem: https://secure.avaaz.org

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Feira do Livro da Uefs destaca literatura de cordel

Acorda Cidade
Com uma vasta programação para o público de todas as idades, prossegue até a tarde deste domingo (27) a 8ª Feira do Livro, evento realizado organizado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) desde terça-feira (22), na Praça João Barbosa de Carvalho, a Praça do Fórum, em Feira de Santana. Neste sábado (26), o público poderá assistir às apresentações da Filarmônica Ramo da Oliveira, do distrito de Oliveira dos Campinhos, município de Santo Amaro, e do Ballet da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado (Funceb), a partir das 14h.
Foto: Edvan Barbosa/Divulgação
As atrações começam logo às 8h30, com animadores culturais, contação de histórias e exibição de filmes. O cordel também estará presente todos os dias. Também no sábado, o escritor feirense Franklin Maxado apresenta, às 10h, o 'Cordel e a Feira VI – Conversando com o poeta', abordando a resistência do cordel, seus desafios e transformações na atualidade.
O domingo também promete muita animação para quem visitar os estandes da Feira do Livro. Às 14h, haverá apresentação cultural da Associação de Capoeira Negrinhos, comandada pelo Mestre Valter, e da Associação de Capoeira Filhos de São Francisco, do Mestre Roque. No palco Anchieta Nery, será realizada, na parte da tarde, contação de histórias por Dagmar Corrêa e Lucicléia Brito e, na Arena Antonio Cedraz, apresentação musical de Bruno Silva. Encerram o evento o grupo musical 'Marizélia e os Coisinho'. A programação completa está disponível no link do evento, no site da Uefs.
Adoção de animais
A Uefs, que conta com a parceira de diversas entidades na realização da Feira, levou para o espaço o programa de adoção de animais, que já é realizado no campus universitário. Trata-se de uma ação destinada a sensibilizar a comunidade para a posse responsável e o bem estar animal, além de buscar um lar para os animais, sobretudo gatos, que são abandonados. Os animais são vacinados, vermifugados e esterilizados, trabalho realizado em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses de Feira de Santana e clínicas veterinárias da cidade.

Fonte: http://www.acordacidade.com.br/

sábado, 26 de setembro de 2015

Feira de cordel acontece em Pombal, na Paraíba, a partir deste sábado


PGU lançou, em 2011, cordel sobre órgão. (Foto: Leogump Carvalho/ Divulgação) 
(Foto: Leogump Carvalho/ Divulgação)
Fonte: G1 PB

A partir deste sábado (26) até a terça-feira (29) acontece em Pombal, no Sertão da Paraíba, a Feira de Cordel Poeta Leandro Gomes de Barros. O evento aconteceu no Largo da Praça do Centenário e faz parte do projeto cultural “Artes, luzes e versos a festa do cordel de Leandro Gomes de Barros”. A feira também contará com oficinas de xilogravuras, realizadas pelo poeta Marcelo Soares.

No evento serão realizadas exposições e venda de cordéis de 20 poetas de vários estados do Brasil. Também estão programadas apresentações culturais. “A cada noite teremos apresentações de cantadores repentistas, que cantarão versos do poeta Leandro Gomes de Barros, assim como contações de histórias, recitais de poesia de cordel, lançamento de livros e apresentações dos projetos de escolas estaduais”, contou a gerente da 13ª Gerência Regional de Educação, Ione Severo. 

Neste período, também acontecerão, durante o dia, duas mesas-redondas e palestras em vários espaços da cidade de Pombal, abordando a temática do Sesquicentenário do Poeta Leandro Gomes de Barros e a divulgação da sua obra.

“Trata-se de uma proposta relevante pela contribuição que será para os professores, estudantes e toda população de Pombal e da região, que anseia em conhecer mais sobre o nosso poeta maior e sobre a Literatura de Cordel. Quero destacar também que a feira vai ocorrer dentro das comemorações festivas alusivas ao aniversário da cidade de Pombal”, explicou a gerente da 13ª GRE. 


O poeta

Leandro Gomes de Barros é considerado um dos mais importantes poetas populares do Nordeste. Foi autor, editor e distribuidor, fazendo-se uma das maiores expressões do mundo do cordel. Seus primeiros títulos começaram a ser impressos em 1893. Nascido em 19 de novembro de 1865 no sítio Melancia, em Pombal, cidade do alto sertão paraibano, Leandro Gomes de Barros morou emTeixeira, município vizinho a Pombal, até 1880. Mudou-se com a família para Vitória de Santo Antão, Pernambuco, para onde levou as raízes da poesia, iniciando em 1889 a produção do folheto que o tornaria célebre. Faleceu em Recife, no dia 04 de março de 1918.