CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



domingo, 26 de julho de 2015

Sesc realiza edição do Cordel na Feira - Crato, CE


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Na segunda (27), o Sesc realiza Cordel na Feira. A programação acontece a partir das 9h, na Feira Livre do Crato, com o lançamento do cordel "Não a Redução da Maioridade Penal", de Rosário Lustosa.



Na ocasião, o público contempla também show de Xôta do Exú e performance com Tranquilino Ripuxado. O acesso é gratuito.

Natural de Juazeiro do Norte, Maria do Rosário Lustosa da Cruz é assistente social e pedagoga especialista em Língua Portuguesa e Artes Educação. Ela tem seus trabalhos publicados em livros, revistas e jornais, e ministra oficinas de Literatura de Cordel. Autora dos livros “100 Anos de Juazeiro Registrados no Cordel”, “38 Anos do ICVC”, este em parceria com o professor Renato Casimiro, e “Tempo de Saudade no Embalo do Cordel”, Rosário Lustosa possui mais de setenta cordéis publicados.



Sobre o projeto
O Projeto de literatura de cordel acontece de forma mensal nas Unidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Iguatu e Sesc Ler, com o objetivo de publicar a produção literária de novos cordelistas, para fomentar, promover e difundir a poesia popular. 



SERVIÇO
Cordel na Feira
Local: Feira Livre do Crato
Data: 27/7
Horário: 9h
Informações: (88) 3523.4444

:::Gratuito:::  

Fonte: Sesc CE

sábado, 25 de julho de 2015

Jarid Arraes em um bate-papo sobre Literatura, Ativismo, e sua nova publicação “As Lendas De Dandara”

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Por

Jarid Arraes mora em São Paulo, mas nasceu em Juazeiro do Norte, na região de Cariri, Ceará. Com apenas 24 anos, é autora de mais de trinta títulos em literatura de cordel. A escritora e jornalista é feminista e bastante engajada — o feminismo, aliás, está presente em toda sua obra, que busca combater o machismo, racismo, homofobia e outras formas de preconceito. Sua atuação política a levou à coluna Questão de Gênero, que assina na Revista Fórum.

Filha e neta de cordelistas, Jarid agora lança seu primeiro livro, As Lendas de Dandara. A obra mistura ficção, história e um pouco de fantasia e tem ilustrações de Aline Valek. São dez contos sobre a guerreira quilombola Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi dos Palmares.

Jarid também escreve poesias — uma delas está no primeiro fanzine do #KDMulheres — e tem se destacado no cenário da literatura marginal e independente com sua criatividade e postura inspiradora.

CONFEITARIA — As Lendas de Dandara é o seu primeiro livro, mas você já tem uma história longa com a literatura através dos cordéis. Como essa história começou pra você?

JARID ARRAES — Com os cordéis, minha história começou quando eu ainda era bem criancinha. Meu pai e meu avô são cordelistas e xilogravadores, meu avô é fundador de uma associação de artesãos no Cariri, então eu cresci nesse contexto, aprendendo desde cedo a valorizar a cultura popular nordestina e lendo muito cordel – mesmo quando eu ainda não entendia os temas que eram abordados por eles. Com o passar do tempo, eu fui nutrindo um amor muito grande pela literatura de cordel, mas eu confesso que eu não botava nenhuma fé no meu talento. Depois de adulta e feminista foi que comecei a sentir vontade de escrever cordel; eu já escrevia textos mais políticos, principalmente falando de questões raciais e de gênero, e senti a necessidade de abordar esses temas na literatura de cordel. Meu pai me encorajou e eu escrevi meu primeiro cordel numa sentada só! Foi o “Dora, A Negra e Feminista”. A partir daí eu desembestei a escrever cordel, sempre trazendo protagonistas mulheres, sempre falando de feminismo, do combate ao racismo e outras formas de discriminação. Me encontrei no cordel engajado.

Com a literatura, como um todo, o amor também é bem antigo. Lembro que quando eu tinha 8 anos, ganhei um prêmio num concurso de redação. Os professores sempre elogiavam o que eu escrevia e eu gostava de me expressar pela escrita, sonhava em ser escritora, mas com o passar do tempo, sofrendo com muita carga de racismo e machismo, além de uma alta dose de discriminação contra nordestinos, eu deixei de acreditar que esse sonho poderia se tornar realidade. É irônico, e infinitamente bonito, que eu tenha me tornado escritora por meio da luta por uma sociedade livre desses preconceitos. Foi expressando a minha revolta contra a discriminação que eu comecei a escrever, que eu me apropriei da tradição da minha família com o cordel e que eu cheguei aqui, nesse lugar, onde estou finalmente lançando o meu primeiro livro.

Quais são suas principais referências/influências na literatura de cordel?

Minha maior influência na literatura de cordel é meu pai, Hamurabi Batista. Porque ele sempre escreveu cordel engajado, tratando de temas espinhosos, “polêmicos” e políticos, e sempre de uma forma libertária, sempre rompendo paradigmas e pagando um alto preço por ter essa coragem. Juntando isso com a educação feminista que minha mãe me deu, eu aprendi muita coisa boa em termos de literatura e de expressão das minhas ideias também.

O seu processo criativo para escrever cordéis, poesias e os contos do livro foram/são muito diferentes?

Muito diferentes, nossa! Com o cordel, eu me expresso de forma muito crua, eu geralmente escrevo quando estou irritada e precisa colocar pra fora a minha indignação. O cordel me dá esse espaço totalmente livre e cru para usar as palavras que eu quero e moldá-las de acordo com meus sentimentos e intenções, sem me preocupar com norma culta, com regrinhas. No cordel, é até melhor quando eu uso expressões bem caririenses, quando mexo numa palavra pra que ela fique “errada”, mas permita uma melodia do cordel mais fluida. Já com o livro, eu não pude terminar tudo numa sentada só. Eu tive que reler, revisar, editar e depois dar um tempo para reler e revisar de novo. Eu tive que contar uma história em muito mais páginas e palavras do que nas 28 estrofes que geralmente uso no cordel. Além disso, eu tive que entrar em contato com questões íntimas minhas e que minha personagem trouxe para a superfície; eu tive que trabalhar isso tudo com muita atenção e dedicação, pra que minha personagem não fosse prejudicada. No fim, fiquei muito orgulhosa do trabalho que eu desenvolvi. Mas com certeza a experiência de escrever um cordel e a experiência de escrever um livro são bem diferentes. Assim como é diferente escrever um texto pra Revista Fórum ou uma matéria jornalística — o mais gratificante é que eu gosto muito de jogar com esses papéis e linguagens diferentes. Torna tudo mais intenso. 

Você optou pelo caminho da autopublicação, começando com o e-book do livro e agora partindo também para a versão física. Foi uma escolha para ter mais autonomia em relação ao processo/resultado ou você antes havia tentado o caminho convencional, mas não se sentiu acolhida pelo mercado editorial?

Eu quis seguir independente porque precisava de total autonomia e liberdade para meu primeiro livro. Sabe, eu venho do cordel e no cordel eu faço tudo sozinha, eu escrevo, eu monto, eu distribuo. E uma personagem tão incrível como Dandara merecia uma voz verdadeira, algo que nascesse e saísse pelo mundo da forma mais genuína possível. E pra falar de algo tão pesado como a escravidão no Brasil, eu não queria ninguém bulindo em nada e nem tentando transformar Dandara num objeto enquadrado e reduzido. É um desafio enorme a autopublicação, principalmente porque não tenho dinheiro mesmo, mas me esforcei muito, abri mão de várias coisas e fiz de tudo para concretizar esse objetivo.

O livro foi ilustrado pela Aline Valek, escritora e ilustradora feminista. Como foi o processo? Vocês escolheram juntas quais trechos seriam ilustrados?

Nossa, a Aline é simplesmente maravilhosa! A gente se conheceu por volta de 2012, eu acho, no meio do ativismo feminista. A sensação que eu tenho é de que nem sei como a conheci, de tão natural que foi nossa aproximação. Mas me identifiquei muito com os posicionamentos políticos que ela tinha, fomos nos falando, fui conhecendo mais o trabalho dela e observei que em suas ilustrações existia uma real diversidade de corpos e características físicas. Gostei muito da forma como a Aline desenhava mulheres negras. Então, quando tive a ideia do livro sobre Dandara, imediatamente pensei nela. A Aline veio aqui em casa, em São Paulo, eu falei pra ela sobre o livro, disse que já tinha algumas cenas que gostaria de ilustrar em mente e juntas pensamos na aparência de Dandara, cada detalhe, como o tom de pele escuro, o cabelo sempre visível, o corpo não-magro. Depois eu mandei pra ela as cenas de cada capítulo que eu gostaria que ela desenhasse e ela me mandou várias versões e ideias para cada uma delas. Foi incrível, a gente se deu muito bem, acho que trabalhamos maravilhosamente juntas e depois de tudo o que ela fez para me ajudar, minha admiração por ela está mais de oito mil vezes maior.

E como foi participar de todas as etapas da publicação — edição, revisão, diagramação?

Foi muito enriquecedor, principalmente porque tive a Aline Valek como mestra e também a ajuda do meu namorado com a revisão. A Aline me auxiliou muito, teve muita paciência e me orientou de diversas formas. Sou muito grata porque tive esse apoio incrível. Foi uma experiência toda cheia de dramas e depois de alegrias. Fiquei satisfeita com o resultado, mas prefiro dizer que não entendo de edição, nem de revisão, nem de nada além de escrever o que eu preciso escrever. No entanto, talvez eu faça de novo.

Na sua opinião, quais outras autoras negras e contemporâneas merecem mais espaço no mercado editorial e na cabeceira dos leitores?

Eu acho que há muitas jovens negras super talentosas e que escrevem bem, mas que muitas vezes não conseguem compartilhar suas obras porque há uma carga terrível de misoginia e racismo enfiando insegurança em suas mentes. Muitas meninas me enviam poesias e textos com o maior medo do mundo e falam que nunca mostraram nada para ninguém. Acho isso realmente terrível, um reflexo perverso de como a nossa sociedade exclui e ataca mulheres negras. Por isso, citar dois ou três nomes é pouquíssimo. Cito porque é preciso, mas também precisamos mudar toda a estrutura. Ontem ganhei o livro Caravana, da Carina Castro, e devorei tudo na mesma noite. Quanto talento! Também sempre cito a Ana Maria Gonçalves, autora de um dos livros que mais mexeram comigo, o Um Defeito de Cor. E uma companheira de militância, a Karla AgreSilva (olha o sobrenome que a mulher usa!), que escreve para remexer na ferida, emociona, faz qualquer pessoa se sentir incomodada, mas que ainda não foi publicada.

Você participou do primeiro fanzine do movimento #KDmulheres, que luta por maior representatividade das mulheres na literatura. Como vê o mercado editorial brasileiro hoje em relação às mulheres de maneira geral?

O mercado editorial brasileiro, assim como os leitores brasileiros e toda a sociedade brasileira, está contaminado por machismo, por racismo e por outras questões altamente problemáticas e excludentes. Não só porque barra escritoras extremamente talentosas, mas até mesmo quando elas são publicadas o negócio é de chorar. Vi capa de livro de feminista com mulher toda no padrão, magra e loira, algo totalmente incompatível com o assunto do livro e com a própria autora, mas que foi feita daquela forma para chamar atenção nas prateleiras às custas da objetificação e padronização feminina. E isso porque ela teve sorte de ser publicada, né? Se não fossem as editoras pequenas e voltadas para obras especificamente de pessoas negras, por exemplo, não conseguiríamos achar nem sequer um livro infantil com uma personagem negra e de cabelos crespos. Pelo contrário, livro que ensina que cabelo liso é mais bonito tem aos montes! As editoras se interessam por aquilo que está no padrão e, por isso, tem mais chances de vender. Mas, nossa, como estão enganados! Desde que anunciei o meu livro, tenho recebido uma chuva de e-mails e mensagens de pessoas interessadas já querendo comprar, por isso que decidi lançar também a versão física.

Durante a última Feira Literária Internacional de Paraty, a Flip, as mulheres — as poucos mulheres convidadas — foram as que mais venderam livros e que mais fizeram que o evento repercutisse nas redes. Viva Karina Buhr, viva #KDmulheres e Aline Valek. A gente prova que essa lógica machista e racista está equivocada, mas o mercado editorial brasileiro terá coragem de sair de suas caixinhas fedidas de tão ultrapassadas? Vamos jogar esse disquete fora, botem no museu e abracem a pluralidade, a diversidade brasileira. 

As Lendas de Dandara será lançado oficialmente no dia 23 de julho na Casa de Lua, em São Paulo. “Vai ter o evento com roda de conversa comigo e a Aline Valek, exposição das ilustrações, bebidinhas grátis, sorteio de cordéis e outras coisas legais”, convida Jarid.
Mais informações sobre o livro e o lançamento aqui.

Imagem: fotografia de Carolina de Marchi

Texto Por: Fabiane Secches para Confeitaria.
A Confeitaria é uma publicação independente sobre comportamento, literatura, cinema, design, artes e cultura, formada por um coletivo de autores de lugares, formações e interesses diversos, mas com um denominador em comum: a vontade de contar histórias e a generosidade em dividi-las com a gente.

Fonte: mode.fica

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O AMOR DE EMANUELLE



 Por Manoel Belizario

Escorregar no arco-íris;
Sensação do vencedor;
Emoção que sente a Terra
Ao ter do sol o calor;
O arrepio da pele.
É assim, Emanuelle,
Que descrevo seu amor.

Comoção do sertanejo
Ao ver a chuva cair;
Coração acelerado
Quando a paixão se servir;
Maior desejo sonhado
Quando é realizado;
Felicidade surgir.

Saciar-se de ambrosia;
Alcançar o infinito;
Caminhar no horizonte;
Consolação do aflito;
Encantamento divino.
Ave cujo belo hino
Jamais pode ser descrito

É assim o nosso amor
Por você, Emanuelle.
Três meses hoje completas.
Que muito mais se chancele.
És nossa maior vitória.
Transformastes a minha história
E da mamãe Danielle.

terça-feira, 21 de julho de 2015

PRIVATIZAÇÃO DA ARTE


 Por Manoel Belizario

Artista de qualquer ramo
Não ouça esse meu entono.
Porém louve, caro artista,
Por a arte não ter dono.
Se fosse privatizada,
Pode crer meu camarada
Nos deixaria sem sono.

Com arte tendo dono
Pra se fazer poesia
Cada letra da palavra
Cem mil reais custaria?
Uma estrofe de poema
Não importando seu tema
Uma fortuna seria.

O poeta pagaria
Taxa por inspiração.
Quem não pagasse tal taxa,
Iria para a prisão.
Seria decapitado
Quem poemasse, coitado,
Sem ter autorização.

Surgiria, dessa forma
 Tráfico de poesia.
“Traficante” de palavras
Assim que se chamaria
O nominado “poeta”
Até isso o dono veta
Agindo com covardia.

Sem poesia,os leitores,
Agiriam com loucura.
Abstinentes seus corpos
Amargariam fissura.
Uma “poesiolândia”
Parente da “cracolândia”
Ganhava musculatura.

Coitado do poetinha
Pego na ilegalidade...
Ainda bem que tal coisa
Não configura a verdade.
Mas num mundo de calhorda
Qualquer dia a gente acorda
E vê tal realidade.

Trovas do Rei Dom Diniz Deram Origem à Literatura de Cordel

mariquinha Trovas do Rei Dom Diniz  Deram Origem à Literatura de Cordel
Capa em xilogravura do romance clássico de Cordel "História de Mariquinha de Souza Leão"
Hoje é o Dia do Trovador.
As trovas tiveram grande impulso na língua portuguesa através do Rei Dom Diniz, por volta de 1290. Dom, Diniz era conhecido como o Rei Trovador. Das suas trovas líricas e moralistas surgem os trovadores da idade média, satíricos, irônicos, e muitas das vezes anônimos, já que denunciava em suas torvas as mulheres que traiam seus maridos, os mal feitos da corte e coisas tais.
As trovas foram evoluindo e passaram a contar histórias da literatura oral. Histórias de cavalaria e mais tarde de bufonaria.
Trovadores que remontam ao século 13 em Portugal eram origem à Literatura de Cordel que conhecemos hoje.
Nos tempos atuais convivem todos os tipos de trovas e trovadores. Ganham, com isto a Língua Pátria e os leitores.

Fonte: Bemvindo Sequeira
http://entretenimento.r7.com/blogs/bemvindo-sequeira/2015/07/18/trovas-do-rei-dom-diniz-deram-origem-a-literatura-de-cordel/ 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

MEU SERTÃO PARTICULAR


Por Manoel Belizario

O meu sertão não é esse,
O do Funk Ostentação.
Em meu sertão quem impera
É Luiz, Rei do Baião.
Em meu torrão legendário
Por eu ser o proprietário
Tomo esta decisão:


Não toca forró de plástico
Nos festejos de São João.
Essa ondinha de Didjeis
Não combina com o Sertão.
A regra sou eu quem diz
Só o forró de raiz
É furunfado em meu chão.

Meu sertão particular
Desprovi de amargura.
Ninguém nele é dependente,
Escravo de prefeitura.
O prefeito é voluntário.
Para receber salário
Trabalha na lida dura.

Medicina em meu sertão
SÓ POSSUI DOUTOR CUBANO
Seres que nos tratam como
Se deve agir com um humano.
Os doutores elitistas
Sumam-se de minhas vistas.
Meu lugar não é tirano.

Expulsei de meu sertão,
Por falar em tirania,
Tamanha alienação
Que ao pobre silencia.
Sertanejo junto a nós
Ganhou vez e hoje tem voz
E até promove anarquia.

Dizem que sou Lampião
Outros que sou Conselheiro.
Promovo libertação
Meu sertão é verdadeiro.
Se quiser nele morar
Corra logo para cá
Não chegue por derradeiro.


Imagem I  pt.wikipedia.org; Imagem II;cultmagazine.com.br
Imagem III;obarbeiro.com.br;Imagem IV www.dana2.com.br

domingo, 19 de julho de 2015

VINDE A NÓS, Ó POESIA...



Por Manoel Belizario

No mundo pálido, acéfalo
Cheio de esquizofrenia
Ser nuvem é chorar fuligem
Ou vagar no céu, vazia
Ou dissolver-se no vento
Um feitor mui violento
Preso na própria alforria.

O planeta ensandecido
Vitimado em agonia
Paga os gestos tresloucados
Ficando em desarmonia.
Não há canto de ninar
Talvez possam nos salvar
Sussurros de poesia.

Que a poesia venha –
Não importando o formato.
O verso abraçado à prosa;
Concreto amando abstrato;
O planeta silencia
Vendo que a poesia
Barra seu assassinato.

Imagem: impenetravelego.blogspot.com