CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE INCENTIVO NO ENSINO DE LITERATURA

Fonte: www.pedagogiaaopedaletra.com

cordel3 300x225 A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no ensino de Literatura

Autor: Marcos Antonio Pontes

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar dados sobre uma das competências menos desenvolvidas no ensino de literatura em sala de aula, que é sem dúvida alguma o gênero cordel, que pode ser uma boa oportunidade do aluno ter um contato com a experiência cultural que emanar desta literatura e toda sua riqueza expressiva, quanto à articulação de várias linguagens – verbal oral, verbal escrita, musical e visual e quanto aos diversificados temas que o aborda.

Podemos assim conhecer, valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o imaginário do folclore, presente na produção do cordel. Além disso, é bem interessante discutir com os alunos como a literatura de cordel, até por sobrevivência acaba de incorporar inovações da industrial cultural o que a torna mais rica e diversificada.

1. INTRODUÇÃO

É muito rica e diversificada a produção cultural de um povo; mas o nordestino é especial. No entanto, talvez o nosso maior problema seja a não valorização daquilo que temos. É mais propício aceitar o que a mídia propõe do que explorar o que está em nosso dia-a-dia.

A literatura de cordel é exatamente isso – cultura popular. Os versos estão sempre relatando acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é. Sua produção é simples como o povo; não requer tanto “estilísmo” ou “formalidades”; sua abrangência alcança todos as classes sociais. Assim, o que falta é o reconhecimento e a valorização. Ao propor este trabalho para os alunos em sala de aula, estaremos oferecendo um leque de recursos que os ajudarão em várias carências de aprendizagem, como a produção textual, a leitura, a escrita, a linguagem não verbal (na análise da xilogravura), apreciação artístico-literária e um universo para a socialização e cidadania, principalmente, no campo da Literatura.

É um campo de estudo pedagógico onde os professores terão subsídios – didáticos para trabalhar vários tipos de conteúdos, pois estes podem ser adotados aos objetivos que forem traçados. Ao mesmo tempo é uma oportunidade para que este ramo da literatura popular tenha uma chance de aceitação e valorização; fazendo despertar entre as pessoas o gosto pela preservação dos nossos artistas e da cultura nordestina nas escolas.

1.1. OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral.

Proporcionar a escola e ao professor a inclusão da Literatura de Cordel em sala de aula para que se estabeleçam propostas para a difusão dessa arte literária entre os alunos, fazendo com que se promova a qualidade da leitura, o traço forte da oralidade, presente nas falas dos personagens populares (sertanejos, brejeiros, …) e a elaboração textual focalizando bem como a história do cordel a vida e a obra de grandes cordelistas para que possa conhecer esta riquíssima expressão literária popular .

1.1.2. Objetivos Específicos.

Conhecer uma rica manifestação da nossa literatura (nordestina) caracterização de valores pedagógicos (leitura, escrita e métrica dos versos) na utilização do cordel.

Possibilitar o aluno o conhecimento da linguagem cordelista, enfocando a cultura nordestina em prol da valorização das nossas raízes.

Promover uma aproximação do aluno com a cultura popular nordestina.

Estimular um olhar crítico e simultaneamente poético sobre a realidade sertaneja.

cordel2 A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no ensino de Literatura

1.2 . JUSTIFICATIVA

Sabe-se que o contexto educacional, desde os tempos mais remotos, vem sempre relutando em relação ao ensino-aprendizagem, ou seja constates mudanças em prol da aprendizagem, porém ainda a de melhorar eis o que o aluno de hoje não tem a capacidade de interpretar ou discutir o que esta lendo e de que se trata o texto.

Diante dessa questão e considerando ainda o “contexto educacional”; esse trabalho tem como justificativa reconhecer a diversidade cultural e lingüística do país, conforme avalia Maria José em seu artigo da revista “Nova Escola” sobre o incentivo da literatura de cordel,

“… utilizei a literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar preconceitos da língua portuguesa., “Mostre a seu alunos que a língua popular muitas vezes e ridicularizada porque o povo é discriminado”, afirma a professora . peça que eles descubram a regra desses versos, que fogem do padrão institucionalizado. Trabalhando com músicas de Luiz Gonzaga, fã confesso de Lampião, também poder ser bons matérias para ilustrar a vida do povo nordestino. Coloque música do rei do baião para seus alunos ouvirem e dançarem . “É um reconhecimento da diversidade cultural e lingüística do pais’.

Assim sendo, e considerado o que foi expresso acima, a literatura de cordel é um assunto interessante e de grande importância para nossa região, pois todo ser humano tem necessidade de conhecer suas origens, o passado, sua história , a cultura e os costumes da sociedade onde vive, de sua região.

A literatura de cordel nas escolas não é muito conhecida nem explorada, pois a mesma e vista de forma avessa pelos os alunos, não trazem consigo o sabor de que “Literatura é vida, é arte” devido essa percepção a respeito da falta de divulgação e conhecimento sobre literatura de cordel nas salas de aulas , tornou-se necessário que os alunos conheçam a riqueza que existe nos versos da literatura da cordel para que possam produzi textos, enriquecer como leitor e conhecer uma das mais ricas manifestações da língua.

1.3. METODOLOGIA

  • Propor aos alunos uma oficina de literatura, utilizando o cordel, como estudo.
  • Estudar o cordel, a origem, a historia, a métrica.
  • Desenvolver um projeto “resgatando o cordel” para ser apresentado em sala de aula.
  • Assistir vídeos onde a linguagem utilizada seja em forma de cordel.
  • Utilizar filme “A Quenga e o Delegado” inspirado no cordel de Antonio Kelvisson Vianna de Lima, onde mostra a linguagem do cordel, narrativa estrutura em versos e rimas e assim desenvolver o interesse do aluno sobre a linguagem cordelista.
  • Aproveitar o teor do filme “A Quenga e Delegado” para fazer um painel enfocando questões como a seca, condições de trabalho no campo, diferença social, as crenças populares, a religiosidade do sertanejo, o mito, o lendário e a vinculação de críticas sociais e políticas. A temática principal deste gira em torno do interesse popular.

2. BASE TEORICA.

2.1 A origem da literatura de cordel.

Do romanceiro popular português originou-se a literatura de cordel começou a ser divulgada nos séculos XVI e XVII, trazida pelos colonos portugueses cuja venda era privilégio dos cegos . A partir do século XIX o romanceiro nordestino tornou-se independente, com característica própria, esse nome surgiu a partir de um cordel ou barbante em que os folhetos eram pendurados em exposição. Na origem, a literatura de cordel se liga à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de épocas passadas que a memória popular conservou e transmitiu. Essas narrativas enquadram-se na categoria de romance de cavalaria, amor, guerras, viagem ou conquista marítimas. Mais tarde apareceram no mesmo tipo de poesia a descrição de fatos recentes e de acontecimentos sociais contemporâneos que prendiam a atenção da população.

Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamada de “pliegos sueltos“, o corresponde em Portugal, às folhas volantes, folhas soltas ou literatura de cordel. No México, na Argentina, na Nicarágua e no Peru há o corrido, compõe-se em geral de dois grupos: os de romance tradicionais, com temas universais de amor e morte, classificados em profanos, religiosos e infantis; e oscorridos nacionales, com assuntos patrióticos e políticos estes últimos os menos cantados.

Na França, o mesmo fenômeno corresponde á “litteratue de colportage“, literatura volante , mais dirigida ao meio rural, através do “occasionnels”, enquanto nas cidades prevalecia o “canard“.

Na Inglaterra os folhetos são semelhantes aos nossos eram correntes e denominados “cockes” ou “catchpennies”, em relação aos romances e estórias imaginarias; e “broadsiddes” relativos às folhas volantes sobres fatos históricos , que equivaliam aos nossos folhetos de motivação circunstaciais. Os chamados folhetos de época ou “acontecidos“.

Na Alemanha, os folhetos tinham formato tipógrafos em quarto e oitavo de quatro e a dezesseis folhas. Editados em tipografias avulsas, destinavam-se ao grande público, sendo vendidos em mercados, feiras, tabernas, diante das igrejas e universidades. Suas capas (exatamente como ainda hoje , no Nordeste brasileiro) traziam xilogravuras, fixando aspectos do tema tratado. Embora a maioria dos folhetos germânicos fosse em prosa, outros apareciam em versos, inclusive indicação, no frontispício, para ser cantado com melodia conhecida da época.

No Brasil não mais se discute a literatura de cordel, nos chegou através dos colonizadores lusos, em “folhas soltas” ou “manuscritos“. Só mais tarde, com o aparecimento das pequenas tipografias, fins do século passado a literatura de cordel se fincou raízes sobretudo no Nordeste justamente para provar que é uma literatura bem popular, surgem também os chamados repentistas, que criam as letras na hora, de acordo com o pedido da platéia que lhes dão o assunto, e os cantadores obedecem geralmente cantam em dupla, e esses tem revelado os escândalos sociais e políticos e econômicos que nos últimos anos têm nos castigados.O cordel uma das peculiaridades da cultura regional.

A custa de muita luta, tanto os que cantam como os que escrevem o cordel, tem sobrevivido. Graças à vontade de fazer algo diferente o cordel tem rompido barreiras que pareciam intransponíveis, para poder ocupar o lugar que esta sendo habitado por coisas que não são do nosso pais.

2.2. Literatura de Cordel.

Os folhetos de cordel brasileiro, com seus múltiplos temas e expressiva forma de composição poética, têm sido objetos de estudo para pesquisadores do nosso país e também estrangeiros. Os textos de cordel poeticamente estruturados tendo como a sextilha como estrofe básica, são ilustrados com xilogravuras , chichês de cartões postais, fotografias, desenhos e outras composições gráficas e oferecem farto material para pesquisas ensejando variadas interpretações que remetem para o contexto sócio-cultural em que se inserem cada texto. Assim, os folhetos sobre os mais diversos temas, tradicionais ou contemporâneos são versejados por inúmeros poetas populares, estabelecendo-se relações icônico-textuais significativas, ou outras intratextuais.

Como se sabe , esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular, que encontrou campo fértil campo no Nordeste brasileiro, só pode ser bem compreendido dentro do contexto cultural mais amplo, envolvendo suas origem européia ou orientais, até a produção atual, de modo a se ter uma visão mais ampla dos seus temas e formas de expressão e das transformações por que vêm passando, no nível da estrutura da narrativa.

Literatura de cordel é o nome desse meio de oferece literatura popular, originou-se no fato dos vendedores, dependurarem pequenos livrinho em barbantes ou cordões, geralmente confeccionados nos tamanhos de 11x15cm ou 11×17 cm e, de papel de baixa qualidade, e tinham suas capas com ilustrada com xilogravuras na década de 20e anos 30 e 50, surgiam as capas com fotos de estrelas do cinemas americano. Atualmente, ainda o mesmo formato, embora possam ser encontradas em outros tamanhos. Quanto à impresão substituindo a tipografia do passado, hoje também são usadas as fotocópias, é comum encontrar os vendedores colocá-los em cima de caixotes ou esteiras, nas calçadas. Esses vendedores também costumam aparecer em feiras semanais. A literatura de cordel esta dividida em três tipos: folhetos que contenham oito páginas, romance que possuem de dezesseis a vinte e quatro páginas; e estórias de trintas e dois a quarenta e oito páginas.

De um modo geral, sua apresentação gráfica é bastante modesta, pois o preço é baixo, uma vez que se destina a camada mais baixa da população.

Esses livros narram os mais diversos assuntos, desde estórias de amor, as aventuras de cangaceiros e acontecimentos importantes, na tentativa de melhor vender sua mercadoria, costuma o vendedor ler em voz alta o conteúdo do livro para depois oferecê-lo aos prováveis compradores, os temas apresentados nesses livros aparecem em prosa ou em versos, sendo bastante comum esta forma, conforme também descreve em estrofes, Francisco Ferreira Filho Diniz em seu cordel “o que é literatura de cordel?” (ver anexo)

2.3 Xilogravura.

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

Aspecto de grande importância do Cordel é, sem dúvida, a xilogravura de suas capas. Sabe-se que o cordel antigo não trazia xilogravuras. Suas capas eram ilustradas apenas com vinhetas – pobres arabescos usados nas pequenas tipografias do interior nordestino. A partir da década de trinta, surgiram folhetos trazendo nas capas clichês de artistas de cinema, fotos de postais, retratos de Padre Cícero e Lampião. As xilogravuras ou “tacos”, como ainda hoje preferem chamar os artistas populares, usando madeiras leves, como umburana, pinho, cedro, cajá.

Na xilogravura, a resistência – maior ou menor – da madeira sofre transformações. Criam-se na madeira novos veios, outra trama. Fibras nascentes vão compondo vãos e cortes abertos pala goiva. Essas fibras nevrálgicas – amalgamadas ao branco do papel – compõem com ele os ritmos das fibras insurgentes, a contrastar com o filamento negro ou colorido da impressão. Integrada ao papel, a cor negra adquire valores de especiais. O negrume e a coloração registram uma urdidura única, inexistente na natureza. As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeiras, muito difundidas no Nordeste e sempre associadas à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passam a ser utilizadas na produção da capas dos folhetos.

Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado “menos nobre”, como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos. Sua grande popularidade veio com o cordel .

A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasileiros, como uma atividade extra – catequese, partindo do principio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, de maus pensamentos, ao pecado.

2.4. A estrutura da Métrica.

A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:

Repentista A – O cantor que pegá-lo de revés
Com o talento que tenho no meu braço…
Repentista B – Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e ponta-pés.

2.4.1 Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas

A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcelas.

Eu sou judeu
Para o duelo
Cantar martelo
Queria eu
O pau bateu
Subiu poeira
Aqui na feira
Não fica
Queimo a semente
Da bananeira.

Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rápida mente o oponente. Esta modalidade é pré-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

2.4.2 Verso de cinco sílabas

Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:

Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala

Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão

Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

2.4.3 – Estrofes de quatro versos de sete sílabas

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.

Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém

A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:

Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.

2.4.5 - Sextilhas

Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:

Aberto:
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.

Fechado:
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.

Solto:
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.

Corrido:
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário

Desencontrado:
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.

2.4.6 – Setilhas

Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 – 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 – 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:

Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você, Cavalheiro -
- Moleque, sou cangaceiro -
Lampião lhe respondeu.

- Não senhor – Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

Moleque não, sou vigia

e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas. Exemplos:

Cantador A
- Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou

Cantador B
- Você diz que não se engana
mas agora se enganou
Cantador A
- Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.

Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes:

Cantador A -
Este verso não é seu
você tomou emprestado
Cantador B -
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado
Cantador A -
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.

2.4.7 – Oito pés de quadrão ou Oitavas

Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 – 1860) são órfãos:

Como são belos os dias
Do despontar da existência
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar – é lago sereno,
O Céu – Um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida um hino de amor.

Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:

Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

2.4.8 – Décimas

As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:

Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

2.4.9 – Martelo Agalopado

O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 – 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido desejado. Como exem plo, vejamos estes alexandrinos

“Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste por viver no abandono,
fê-lo dormir logo um pesado sono
e lhe arrancou uma costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para secar um momento
mas por causa, talvez dum esquecimento
chegou um cachorro e a carregou,
nessa hora furioso Deus ficou
com a grande ousadia do animal
que lhe furtara o bom material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não sou mentiroso nem vilão,
nessa hora correu Deus atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva.”

Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:

Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza.

Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:

Tenho agora um martelo de dez quinas
fabricado por mãos misteriosas
enfeitado de pedras cristalinas
das mais raras, bastante preciosas,
foi achado nas águas saturninas
pelas musas do céu, filhas ditosas.

2.4.10 – Galope à Beira Mar

Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:

Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar.

Logicamente que há o galope alagoano, à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: “Nos dez pés de galope alagoano”.

2.4.11 – Meia Quadra

Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:

Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão

Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.

A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas.

No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.

Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mesmo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos, apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.

2.5 As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.

Repente: no Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas para cantar os seus versos. Eles aparecem nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, esse ultimo se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador, não importa a beleza da voz ou afinação o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o adversário apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofe de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e sexto), a sepetilha (sete versos em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas com o martelo, o martelo alagoano, o galope beira mar e tantas outras. O instrumento desses improvisos cantados também variam: daí que o gênero pode ser subdivididos em emboladas (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordel: A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos pendurados em barbantes (cordões) nas feiras, mercados, praças e bancas de jornais, principalmente nas cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere a literatura de cordel apenas como folheto.

Embolada: Canto geralmente improvisado com refrão fixo para o desafio de dois emboladores que se “enfrentam” de maneira semelhante aos repentistas da viola – a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. “A briga” se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos – neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.

“A história de Joana”


Preste atenção, amigo
Na história que eu vou contar
Não aconteceu comigo
Mas você pode se identificar
Trata-se de um amor não correspondido
Uma paixão de matar…
Era uma vez uma menina
Seu nome era Joana
Por todos era querida
Menos pelo menino que ama
Ela muito sofria
Porém ele não a correspondia
Ela fazia de tudo
Mas ele não a notava
Suas amigas diziam para esquecer
O menino que tanto amava
Mas ela não conseguia
Tirá-lo do coração
Toda vez que o via
Suspirava de emoção
Ele a ignorava
E ela morria de paixão
E um dia então
Ela resolveu se declarar
Falar pra ele quanto o amava
Já não agüentava mais se calar
Foi cheia de esperança
Se ele quisesse namorar. Ficar
Pelo menos tentar
Para ver no que dá
Chegou acanhada
A vergonha teve que engolir
Quando ela terminou
Ele postou-se a rir
E para todos falou
“Olhem só essa garota
O que veio me dizer
Que me ama imensamente
Ora, tenho mais o que fazer
Saia logo daqui
Posso ter melhores que você”
Todos riram dela
E Joana começou a chorar
Foi saindo de fininho
Andando bem devagar
Ela queria para sempre
Aquela cena apagar
Mas não conseguiu esquecer
A humilhação que passou
Um ódio começou a nascer
E então ela se vingou
Uma raiva enorme tomou conta
No lugar daquele amor
No outro dia, no intervalo
Todo mundo se calou
Quando ela apareceu
Uma arma sacou
E apontara para Mateus
O menino que tanto amou
Aos prantos começou a gritar
Estavam todos espantados
Não sabiam o que falar
Ela, então, começou a se pronunciar
Falou alto e claro e em claro tom
Para que todos pudessem escutar
Todos guardaram suas palavras
As quais irei lhes relatar
“Posso não ser o que você espera
Mais sou muito mais do que merece
Me arrependo por tê-lo amado tanto
Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto
Você me fez de idiota
Eu, a menina que mais lhe amou
Agora, olhe sua condição
Sua vida está em minha mão”
Mateus não sabia o que fazer
Mais não teve tempo para pensar
Joana não o perdoou.


2.6 A história da literatura de cordel no Nordeste.

Os folhetos de cordel, com seus múltiplos temas e como se sabe esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular que se encontrou fértil campo no nordeste brasileiro, espirada na literatura francesa Colportage, nos romances e pliegos sueltos hibéricos e na própria literatura de cordel portuguesa a nossa de literatura de folhetos (ou de cordel) nasceu e desenvolveu-se no nordeste brasileiro, cantando as sagas e a sabedoria do povo sertanejo. Atualmente, esta manifestação popular pode ser encontrada em diversos pontos do país, sempre incentivada pela comunidade nordestina.

O primeiro folheto que se tem noticia foi publicado na Paraíba por Leandro Gomes de Barros, em 1893, acredita-se que outros poetas tenham publicado antes, como Silvino Pirauá de Lima, mas a literatura de cordel começou mesmo a se popularizar no inicio deste século. As primeiras tipografias se encontravam no Recife e logo surgiram outras na Paraíba, na Capital e em Guarabira. João Melquiades da Silva, de Bananeiras, é um dos primeiros poetas populares a publicar na tipografia popular Editor, em João Pessoa.

Contrariando a austera do alto grau de analfabetismo, a popularização da Literatura de Cordel no Nordeste se deu mais pelo esforço pessoal dos poetas cordelistas, fora dos círculos culturais acadêmicos, contando suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de musicas. Os folhetos eram expostos em barbantes, ou amontuados no chão, despertando a atenção do matuto que se acostumou a ouvir os temas da literatura popular de cordel em suas idas às feiras, verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de fazer compras e vender produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.

Pode-se falar em Literatura de Cordel como um conjunto de autores, obras e publico. O poeta cordelista, na maioria das vezes de origem humilde e proveniente do meio rural, migrava para os grandes centros urbanos onde passava a tirar seu sustento da venda dos folhetos, chegando, algumas vezes, a funções de tipógrafo e editor. Neste contexto, ele se tornava verdadeiro mediador das concepções das classes populares nordestinas, já que compartilhava a mesma ideologia e valores de seu público.

Os folhetos, confeccionados em sua maioria no tamanho 15 a 17cm x 11cm e, em geral, impresso em papel de baixa qualidade, tinham suas capas ilustradas com xilogravuras na década de 20, em substituição as vinhetas. Já nos anos 30 a 50, surgiram as capas com fotos de estrelas de cinema americano. Atualmente ainda mantém o mesmo formato, porém são encontrados outros maiores. Quanto à impressão, substituído a tipografia do passado, hoje são usadas as fotocópias.

Os temas da Literatura de Cordel são muito estudados por folcloristas, sociólogos e antropólogos que chegam a apresentar conclusões polemicas e algumas vezes contraditórias quanto a sua classificação. Detalhes a parte, quanto a varias propostas, os folhetos se dividem entre os assuntos descritivos e os narrativos. È no primeiro grupo que estão incluídos os folhetos de conselhos, eras, corrupção, profecias e de discussão, que guardam um certo parentesco em si, por encerrem uma mensagem moralista freqüentemente ligada a uma ética e a uma sabedoria sertaneja.

Nesta área multiplica-se as histórias que trazem como pano de fundo a vida dura do campo cheia de sofrimentos, mais alheia aos desmartelos do mundo moderno e urbano. Também se encaixam nos folhetos descritivos as pelejas entre cantadores e poetas, as personalidades da cidade e da política (muitas vezes encomendadas pelos próprios políticos em época de eleição), os temas de louvação ou critica, os religiosos contando preconceitos e virtudes católicas, as biografias ou milagres dos santos e de figuras como Padre Cícero e Frei Damião. Há ainda os de gracejos de acontecimentos reais e imaginários, de bravura e valentia como os feitos de Lampião, Antonio Silvino e Pedro Malasarte, entre outros que a literatura popular transformam bandidos em heróis.

As características gráficas e temáticas dos folhetos podem variar de acordo com o deslocamento da área de atuação do poeta que muitas vezes se depara com um publico de concepção e comportamento diferente do matuto nordestino.

Ao falar de literatura de cordel no nordeste não se pode esquecer de Antonio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, referencia no município em que nasceu. Analfabeto “sem saber as letras onde mora”, como diz num de seus poemas, sua projeção em todo Brasil se iniciou na década de 50, a partir da regravação de “Triste Partida”, toada de repente gravada por Luis Gonzaga (ver anexo).

Sua imaginação poética serviu vassala a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir às condições climáticas e políticas desfavoráveis. A esse fato se refere à estrofe da música Cabra da Peste.

“Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que alinda cabocla
De riso na boca zomba no sofrê
Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome, pergunto: que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.”

Dentre os grandes nomes da xilogravura nordestina não se pode deixar de falar em um gênio que é o DILA- José Soares da Silva, residi em Caruaru-PE, onde estalou uma rústica oficina gráfica para imprimir os seus folhetos. É um dos mais respeitados xilogravura do nordeste brasileiro, trabalhando com sua arte com lâmina de barbear em pedaços de madeiras em pedaços de madeiras umburana. No qual fabrica capa de cordéis ate rótulos de garrafas de aguardente e outros produtos. É um dos poucos que, alem da madeira, utiliza a borracha para talhar as xilogravuras, alem de seu local de trabalho, transformou –se num ponto de atração turística.

3 – ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÕES

A aprendizagem, trata-se de um processo, pelo qual o aluno se apropria das experiências de ensino do cotidiano, o qual analisa para futuramente explorá-la no meio em que vive. Nesse intere de relação existente entre professor e aluno, vem-nos a pergunta, qual seria a melhor maneira de se aprender Literatura, quando os alunos de hoje têm a leitura como uma “tortura”?

Na verdade, percebe-se que o professor, bem como a Escola devem estar aptos a captarem a melhor forma de ensinar, se responsabilizando na melhoria da qualidade da educação, conforme bem asseverou Paulo Freire, 1985:77, “Queremos ter uma escola viva , em que se viva a cidadania e não uma escola onde um dia se sonhe em ser cidadão. A infância já cidadã, é ser vivo já, é ser social já”.

A arte, trata-se da melhor forma de chamar à atenção do aluno, pois propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que se caracteriza em um eu particular de cada aluno. A questão do ensino da leitura literária, envolve um exercício de reconhecimento, fazendo estarem presentes na escola em relação aos textos literários.

Daí surge a Literatura de Cordel, como meio incentivador para o ensino de literatura. Na verdade, essa Literatura bastante desconhecida aqui mesmo na região nordestina, onde dela se extrai um grande número de cordelistas, percebe-se que as escolas não trabalham esse tipo de literatura, que é bastante excluída nas salas de aula, bem como nos livros didáticos.

Ora, a literatura de cordel, trata-se de um veículo de fabuloso fomento à identidade regional, foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste. Hoje, sem muita importância, é pouco desenvolvida por alunos em salas de aula, os quais poucos a conhecem.

Destacando o texto de José Romero Araújo Cardoso, ao tratar dessa literatura bastante desconhecida em seu artigo “A Importância do Cordel na Sala de Sula”, o qual destaca iniciativas como a de Arievaldo Viana, através do projeto intitulado “Acorda Cordel na Sala de Aula”, ressalta a importância de se estudar o cordel em sala, ou seja, como forma de incentivo no ensino da literatura.

Romero destaca as atividades desenvolvidas por Arielvado, onde o mesmo desenvolve sua verve extraordinária alertando sobre a necessidade de primar por normas ortográficas e gramaticais corretas, tendo em vista que o cordel, quando usado para alfabetização, principalmente de jovens e adultos, os quais já por estarem com uma idade já considerada avançada em se alfabetizarem o cordel entra nesse cenário como a melhor maneira que Arievaldo Viana encontrou para a alfabetização de jovens e adultos.

Romero ressalta, ainda, em seu artigo a influência do cordel na vida de Arievaldo, o qual desde a infância, quando se verificou o contato do mesmo com grandes nomes das bravuras e feitos épicos narrados primorosamente em folhetos de diversos mestres do passado. Destaca, ainda, que o Cordel tinha decisiva importância na formação do povo nordestino em razão que o advento do rádio e da televisão era pouco enfático.

De acordo com Arievaldo Viana, a escola exclui o cordel da sala, mostrando outro tipo de literatura difícil para quem está acabando de aprender a ler e escrever:

As pessoas acabam de aprender a ler, e a escola oferece logo livros do Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Drumond e outros autores. São excelentes escritores e poetas, mas o texto deles, para quem acabou de começar a ler, é muito denso e difícil de entender. Por isso, eu acredito que seja necessário que as escolas de ensino fundamental utilizem, nas bibliotecas, os folhetos de cordéis porque são textos simples e mais agradáveis para quem acaba de começar a ler e se familiarizar com a escrita.

(Diário do Nordeste)

Conforme o que acredita Arievaldo Viana, os versos em cordel são mais fáceis de serem memorizados, devido à rima agradável. Por isso, além de promover a leitura, o trabalho educativo com os cordéis se estende para outros tipos de conhecimento.

Arievaldo se destaca por apresentar um célebre projeto dos cordéis em sala de aula, o qual existe há mais de cinco anos e foi pioneiro na cidade de Canindé, depois alguns municípios de outros estados do Brasil, os quais aderiram ao projeto de Arievaldo e já o estão desenvolvendo.

Outro projeto, bastante discutido foi o que aconteceu na zona rural da cidade de São Gonçalo do Amarante/Ce, com a professora Francisca das Chagas, da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, intitulado “Rimas que encantam”, discutido por Denise Pellegrini, a qual ensinou seus alunos a utilizar o conhecimento regional (cordel) para melhorar a leitura e escrita, cabendo frisar que a referida professora com esse trabalho que fez em sala foi merecedora do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita.

Conforme Francisca das Chagas relatou, o projeto teve como objetivo maior a informação, onde se pesquisaram vários autores de cordéis, a definição, alguns poemas, dentre os quais se destacou Patativa do Assaré, donde os alunos recitaram e copiaram alguns poemas dele.

Ainda em relação, ao Projeto da professora Francisca das Chagas, conforme Denise Pellegrini ressaltou a professora referida de inicio estava um pouco apreensiva, porém com o desenrolar do projeto, percebia-se o interesse dos alunos pelo Cordel.

Ao analisar, o artigo “Cordel para iniciantes. E iniciados” de Joana Lira, a mesma relata os trabalhos apresentados pelas professoras Sandra Lúcia de Souza Menezes e Margaret Mota de Lima, do Instituto Educacional O Canarinho, de Fortaleza, as quais utilizaram do Cordel como meio incentivador para o aprendizado do aluno, as quais destacaram que a Literatura de Cordel foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste e que com o tempo foi perdendo a importância e hoje, muitos estudantes desconhecem esse tipo de literatura.

Percebe-se que um professor ao utilizar da literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar, preconceitos da arte literária, mostrando aos alunos que a língua popular muitas vezes é ridicularizada, porque o povo é discriminado, irá fazer com que os alunos descubram a rega gramatical desses versos, trabalhando assim a literatura e a linguagem, fazendo com que os mesmos redescubram um linguagem rica em rimas e versos, desmoronando assim o pensamento de que certo é só o que está na mídia.

Pois bem. É necessário partir da idéia básica de que o Cordel em si, trata-se de um texto literário de suma potencial de produzir, o qual não se origina obrigatoriamente de uma necessidade prática – não constitui uma resposta a uma solicitação imediata e, por isso mesmo, se constitui num exercício de liberdade lingüística como nenhum outro uso que se consegue ser.

Assim, à Escola, em geral, e ao Ensino Médio, em particular, devem injetar a Literatura de Cordel no ensino de Literatura, porque só assim o aluno conseguirá perceber e exercitar as possibilidades mais remotas e imprevistas a que a sua Língua pode remeter.

Na verdade, percebe-se que o que fora discutido acima, trata-se de opiniões que foram ratificadas por pessoas que estudaram a fundo o tema, verifica-se, que as escolas de hoje, estão querendo se adaptarem ao novo estilo de ensinar, compreendendo os valores e etnias dessa geração e quais são os meios que se prendam à atenção dela. Sabe-se, ainda que há muito a melhorar, mas os erros, as perspectivas foram apresentadas, como aqui mesmo fora estudado, e corroborado por diversos projetos que injetaram o cordel no ensino de literatura.

4 -CONCLUSÃO

Ao terminar este trabalho, vi e entendi como a Literatura de Cordel, enquanto veículo do imaginário popular, refaz os caminhos enviesados do olhar matuto, reconstitui a maneira do sertanejo reagir ao mundo e, mais do que isso, deixa pistas do sistema complexo sobre o qual se edifica seu sentimento de contestação.

Manifestação artística viva em sintonia estreita com visão popular, a Literatura de Cordel oferece aos pesquisadores um espaço sempre aberto de reflexão sobre uma maneira peculiar, por vezes contraditória, mas não menos preciosa, de se pensar o mundo e de afirmar a identidade, traçando caminhos de subversão e de liberdade, protesto, convertendo o espaço poético numa arena de luta.

É que o povo sofrido, alimentado por sentimentos de inferioridade, constrói suas próprias maneira de dar sentido a uma existência sofrida e de recuperar um pouco da dignidade ofendida, e de negação da realidade na qual o povo se vinga do opressor, a Literatura de Cordel se oferece para a Literatura de uma forma geral como veiculo da revolta artística elaborada, dando à ficção a potencialidade da luta e da subversão.

5 – REFERENCIAL TEORICO

ABAURRE, Maria Luiza M; PONTARA, Marcela, Literatura Brasileira: tempos leitores e leituras, volume único, São Paulo, editora moderna, 2005.

ABAURRE, Maria Luiz e PONTORA, Marcela. Literatura Brasileira, tempos leitores e leituras. Ed. Moderna. Ensino Médio

ABLC – Academia Brasileira de Cordel . Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, Literatura Brasileira, Literatura popular, Duelo de Repentistas

CORDEL,Literatura de. Disponível em: www.guiape.com.br/culturais/literatura de cordel.html.

Diário do Nordeste – caderno 3

DUARTE, Marcelo. O Guia dos Curiosos., língua Portuguiesa. São Paulo. Pand 12003.

FERREIRA, Mauro. Entre palavras, nova edição/ 2.edição – São Paulo:

Editora FTD ,2006.(coleção entres palavras)

FREIRE, Paulo, Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 77p.

GERIN, Júlia; PORTO, Márcia Flamia; NASCIMENTO, Rubi Rachel.

Volume integrado, 1; 5ºe 6º séries Língua portuguesa ; Educação Jovens e Adultos, Curitiba: Editora Educarte,2006

LIRA, Joana. Cordel para iniciantes. E iniciados. Mundo Jovem numero 335 abril 2003.

NICOLAS, José de. Literatura brasileira das origens aos nossos dias; 15ª edição, São Paulo, editora Scipione, 1969.

BARSA, Enciclopédia. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA.

Faculdade inclui cordel como indicação de leitura para vestibular

Do www.ne10.uol.com.br

O cordel “Um passeio na terrinha”, do caruaruense Luciano Dionísio está, ao lado de livros de autores como Jorge Amado e Eça de Queiroz, entre as indicações de leitura propostas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e letras de Caruaru (Fafica) para os candidatos ao vestibular 2012 da instituição, que será realizado em novembro deste ano.
Segundo a direção da Fafica, a decisão de colocar a literatura de cordel como indicação de leitura para o vestibular concretiza uma aproximação do conhecimento acadêmico com o saber popular.
CORDEL - O cordel “Um passeio na terrinha” será disponibilizado para os vestibulandos na livraria da Fafica e na Banca de Revista Terceiro Mundo, que funciona na Rua da Matriz, no Centro de Caruaru.
As inscrições para o vestibular da faculdade começam no dia 17 de outubro e poderão ser feitas no site http://www.fafica.com.

Literatura de cordel é tema de exposição em Pelotas até 31 de agosto (RS)

Reproduzido de www.agencia.fecomercio-rs.org.br

Até o dia 31 de agosto, Pelotas recebe a exposição “O Cordel e o Cantador – Mostra didática sobre literatura de cordel”. As obras que compõe a mostra estão à disposição para visitação no Sesc Pelotas (Rua Gonçalves Chaves, 914), das 9h às 18h, com entrada franca. A atividade faz parte da agenda do Arte Sesc – Cultura por toda parte e das comemorações do Mês do Folclore.

A exposição pretende resgatar a literatura de cordel, reproduzindo no formato comum, onde os cordelistas/poetas populares apresentam seus trabalhos pendurados em cordões, com as capas voltadas para o público, além de destacar o papel do cantador ou repentista. A literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel. Chamam a atenção pela forma que são expostos para venda: pendurados em cordas ou cordéis, fato que deu origem ao nome dado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.

São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores ou cordelistas recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Mais informações com o Sesc local (53) 3225 6093.

Sobre o Sesc - No Rio Grande do Sul, o Sesc está presente em mais de 450 municípios com atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Desta forma, o Sesc/RS desempenha o papel social assim como o Senac/RS o da qualificação profissional do Sistema Fecomércio-RS que atua em âmbito econômico, político e social pela constante qualificação e crescimento do setor terciário gaúcho. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.sesc-rs.com.br.

Ler por prazer no ritmo do cordel: NOVA ESCOLA responde oito perguntas sobre como trabalhar a literatura de cordel na sala de aula

Reproduzido de www.origin.revistaescola.abril.com.br

Arte popular. Foto: Gustavo LourençãoARTE POPULAR Na CEIEF Aracy Nogueira Guimarães, a professora Ana Cristina Adão transformou a literatura de cordel em conteúdo de Língua Portuguesa para sua turma de 4º ano. Os principais objetivos: ampliar o repertório dos estudantes e desenvolver na meninada o comportamento leitor.

Se você nunca pensou em apresentar literatura de cordel aos seus alunos, por considerá-la pobre ou popular demais, saiba que está cometendo um erro de avaliação. Primeiro porque popular não é sinônimo de má qualidade. Depois porque esse gênero literário é riquíssimo tanto na forma como no conteúdo. Tão rico que muitos especialistas costumam considerá-lo uma ferramenta excepcional para desenvolver na garotada o comportamento leitor.
O que faz da poesia de cordel um instrumento capaz de estimular o hábito da leitura são características que costumam encantar as crianças, entre elas a musicalidade das rimas, a temática, que geralmente remete à cultura nordestina, e as metáforas, que abrem caminho para boas discussões. Já que é assim, por que não usar o cordel para ampliar o repertório da turma? NOVA ESCOLA foi ouvir quem entende do assunto para elucidar algumas dúvidas sobre como trabalhar com a leitura desse tipo de texto.

1 Qual é a melhor maneira de ler a poesia de cordel para os alunos em sala de sala?

O ideal é que você prepare a leitura com antecedência para dar o devido destaque ao ritmo e à musicalidade proporcionados pelas rimas. Treine a entonação, lembrando-se sempre de que é recitando de modo expressivo que os cordelistas atraem compradores para os seus folhetos. O professor deve atuar como modelo de leitor, questionando as intenções do autor ao escolher determinadas expressões e ajudando na construção do sentido (leia a sequência didática). Informe-se sobre a história e a estrutura poética. Se contar com os recursos necessários, reproduza gravações de cordel em sala de aula. Assim, os alunos terão referências da relação entre o texto e a oralidade típica do gênero.

2 E os estudantes, como devem fazer a leitura?

Ler em voz alta é bom, já que o cordel está fundamentado na oralidade. "Pedir que os alunos levem cordéis para casa e leiam para seus pais é uma boa maneira de aproximá-los do gênero", diz Hélder Pinheiro, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

3 Depois de ler, o que discutir com as crianças?

Regionalismos, metáforas e palavras que fogem da grafia-padrão, por exemplo.Fatos históricos e aspectos culturais referentes à narrativa também devem ser abordados. Se você intercalar a leitura de cordéis com a de outros gêneros literários, discuta as diferenças entre eles.

4 De que forma explicar palavras fora do padrão?

Os desvios ortográficos típicos do cordel têm origem na estreita relação do gênero com a linguagem oral. Explique que, nesse contexto, eles não são considerados erros, mas traços da fala coloquial e da cultura popular que refletem o ambiente no qual o cordel foi criado.

5 Como abordar regionalismos e metáforas?

Esses elementos refletem o diálogo do sertanejo com suas crenças e seus dilemas cotidianos. É fundamental, portanto, que você estude os cordéis que serão lidos para ajudar seus alunos a compreendê-los. Preparar um glossário de termos regionais pode ajudar bastante.

6 Quais devem ser os critérios na hora de selecionar os textos que serão lidos?

Algumas poesias de cordel têm linguagem chula ou pornográfica. Outros narram histórias violentas. "Na hora de escolher as que serão lidas em sala de aula, é preciso descartar aquelas que apresentem temática inapropriada", diz a professora Ana Cristina Adão, que trabalha a leitura de cordéis com uma turma de 4º ano na CEIEF Aracy Nogueira Guimarães em Limeira, a 150 quilômetros de São Paulo (leia o quadro acima). Ana sugere que, levando em conta a experiência das crianças, sejam selecionados textos que tratem, por exemplo, de lendas, festas regionais, acontecimentos históricos ou simplesmente fatos cotidianos.

7 Dá para trabalhar o cordel no início da alfabetização?

Sim. "A métrica e a rima despertam a curiosidade das crianças", afirma Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, mestre em Literatura pela Universidade Federal de Pernambuvo (UFPE). Apresentá-las ao gênero por meio de cordéis mais curtos, como os escritos em quadras (estrofes de quatro versos) ou sextilhas (de seis), é a melhor estratégia. Não fragmente o cordel. Durante o processo de alfabetização, é importante que os pequenos compreendam o texto em sua integralidade.

8 Onde encontrar boa literatura do gênero?

No Nordeste, encontram-se folhetos à venda em livrarias e até bancas de jornal. Quem está em outras regiões pode comprá-los pela internet, em sites de instituições como o Centro de Tradições Nordestinas, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e a Casa de Rui Barbosa ou de editoras como Luzeiro e Queima-Bucha. Outra possibilidade é recorrer a livros como Feira de Versos (vários autores, 136 págs., Ed. Ática, tel. 11/3990-1777, 28,90 reais) e O Menino Lê (André Coelho, 32 págs., Ed. Dimensão, tel. 31/3527-8000, 27 reais).

Peça revisita literatura de cordel (Salvador BA)

Reproduzido de www.atarde.com.br

Peça está em cartaz no Teatro Vila Velha

Peça está em cartaz no Teatro Vila Velha

Com apresentações marcadas até 21 de agosto, sempre aos sábados e domingos, o espetáculo Remendo-Remendó revisita contos e folhetos de cordel, a exemplo daqueles que narram os casos de João Grilo, personagem imortalizado por Ariano Suassuna em O Auto da Compadecida.

Remendo-Remendó se passa em uma pequena cidade do interior, no momento em que o prefeito organiza um festival de contadores de histórias e reúne as mentes mais criativas do lugar. A peça, escrita por Inácio D’eus e Cell Dantas, foi montada pela primeira vez em 2002, quando foi indicada ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria Melhor Espetáculo Infanto-junvenil.

Evento: Remendo-Remendó
Onde: Teatro Vila Velha
Quando: Sábados e domingos, até 21/08
Entrada: R$ 20

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Show de Literatura de Cordel com o Poeta Popular Léo Medeiros

Reproduzido de theatrosaojoaodesobral.blogspot.com

SERVIÇO:

Dia 11 de agosto (quinta-feira)

19h – Show Minha Terra Meu Sertão – Léo Medeiros – Sobral-CE

Local: Theatro São João

Acesso: 10,00 e 5,00 ou 15,00 com direito ao CD

SESC-Ler de Paraíso promove O CORDEL E O CONTADOR (TO)

Reproduzido de: www.surgiu.com.br

A direção do SESC-Ler, de Paraíso do Tocantins, foi muito feliz em promover na noite de terça-feira, 9, a Mostra Literária O CORDEL E O CONTADOR, revivendo momentos de muita descontração que só este tipo de literatura é capa de produzir.
O Diretor do SESC-Ler, Paulo Cesar Patrício convidou para o evento os professores e alunos da Escola Municipal Pouso Alegre, o Diretor da Escola Estadual Deusa Moraes, o Presidente Municipal do Conselho de Cultura, o imortal Dorival Santiago e o poeta cordelista Marciano Pereira Barros.
Marciano Pereira Barros e o escritor Dorival Santiago recitaram romances de cordel de suas autorias para delírio dos presentes à solenidade.
Através do programa Mostra Literária, o SESC – Ler buscou proporcionar ao público presente um contato maior com este tipo de obras, personagens e autores literários por meio de atividades, como oficinas, leituras, debates, contação de histórias, exibição de filmes, dentre outras, que foram realizadas em torno das exposições. Essas ações proporcionaram um maior conhecimento acerca do conteúdo literário exposto e possibilitou a interação do participante com o evento e com a literatura em seus diversos âmbitos de realizações.

CTN Realiza Festival de Cordel (SP)

Reproduzido de www.ctn.org.br/festivaldecordel

CTN

O CTN - Centro de Tradições Nordestinas está promovendo, de 11/09 a 06/10/2011 o 1º. Festival de Cordel.

O objetivo de mais esta iniciativa cultural do CTN é realizar diversos eventos em que a Literatura de Cordel seja conhecida, analisada, discutida, revisitada e revitalizada.

Para tanto, tais eventos prevêem a realização de 5 oficinas de cordel, 5 oficinas de xilogravura, 4 saraus de repente e cordel, 5 sessões de cinema e um concurso de cordel.

Oficina de Cordel e de Xilogravura - Essa oficina objetiva a produção de um folheto que apresente o cordel e a xilogravura como expressões artísticas da cultura popular que influenciaram autores eruditos, cineastas, artistas plásticos e músicos. Os participantes entenderão o que é Xilogravura e a sua utilização em capas de cordel, através de exposição de folhetos de cordel, demonstração dos materiais utilizados no desenvolvimento de uma xilogravura, incluindo pesquisas a partir do desenho e elaboração de uma matriz de xilogravura em grupo. Tais trabalhos serão expostos no CTN para a visitação pública.

Saraus - serão apresentados os melhores folhetos clássicos e contemporâneos, a partir de uma criteriosa seleção representativa de gêneros e autores. Poetas e cantadores convidados declamarão folhetos de cordel e apresentarão modalidades do mundo da cantoria. Essa atividade pretende despertar o público para a leitura e, sobretudo, o interesse para a declamação e a cantoria propriamente ditas.

Sessões de Cinema - A temática é a apresentação da realidade nordestina na sua região e no Sudeste, como o filme franco-brasileiro Saudade do Futuro, muito premiado nos Estados Unidos e Europa, inédito no Brasil, e que tem como tema central a presença dos nordestinos na quarta maior cidade do mundo, São Paulo. Um debate aberto ao público será feito após cada apresentação.

Concurso de Cordel - O Concurso de Cordel tem como objetivo reunir, premiar e divulgar as melhores obras de artistas e cordel e de xilogravura atuais e de renome do Brasil, expondo-as em espaço expositivo confirmado especialmente para recebê-las.

Os 20 melhores trabalhos selecionados pela comissão técnica, formada por profissionais de renome na área das artes, serão publicados na forma de folhetos e distribuídos gratuitamente nas bibliotecas públicas de todo o país, além de terem suas obras ilustradas por xilogravuras inéditas, que passarão por uma avaliação curatorial e depois serão apresentadas e premiadas numa exposição aberta ao público.

Para participar do Concurso de Cordel,
leia o regulamento clicando aqui.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cordel de Saia informa

Reproduzido do blog Cordel de Saia: www.cordeldesaia.blogspot.com

ABLC atravessa fronteiras

Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, participará do Simpósio Internacional “Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Street Literature”, que acontecerá em Washington D.C., nos Estados Unidos, nos dias 26 e 27 de setembro/2011.

Participarão do evento em pauta pesquisadores renomados dos Estados Unidos e de outros países, ministrando palestras sobre a literatura de cordel, abordando os temas:

- Cordel, a voz do povo

- Um retrato do século XX

- Brasil em cordel - palestra ministrada pelo presidente da ABLC/RJ

- Criatividade vernacular

- O cordel no cenário musical do Brasil.

Painel:

- O que o cordel representa para o Brasil nos dias de hoje

Mesa redonda:

- Conversão digital do cordel e preservação digital, arquivando o cordel na web

Gonçalo Ferreira da Silva afirma que participar de um evento desta natureza é fundamental para o enriquecimento e divulgação da ABLC

Texto: Assessoria de Imprensa da ABLC

(Acadêmica Dalinha Catunda – (021) 8225-0145

Acadêmica Rosário Pinto – (021) 8100-9159

cordeldesaia@gmail.com

Intensa programação durante o Salão Internacional do Livro

Reproduzido de radioculturafoz.com.br

O Salão Internacional do Livro, que está na 4° edição em Foz do Iguaçu, está fazendo a cidade mergulhar na literatura. Vários lançamentos nacionais e palestras com autores acontecem durante os 10 dias do evento literário. Sair do Salão do Livro e não levar um exemplar para casa é quase impossível, sendo que os visitantes podem encontrar obras com valores a partir de R$ 1. O Salão acontece na Praça do Mitre, no centro da cidade, diariamente das 9h às 22h.

Confira a programação

Dia 07 - Domingo

9h- Apresentação Orquestra da Fundação Cultural
10h - Panorama Latino-Americano: Encontro, Bate-Papo e Lançamento de Livros de autores do Brasil, Paraguai e Argentina. Elaboração da carta Foz/2011
15h-21h- Multiplicidade Cultural de Foz de Iguaçu. Atividades e apresentações culturais da comunidade.

Dia 08 - Segunda -Feira

9h - Apresentação do Coral da Escola Municipal Adele Scalco
9h30 - Palestra infantil: "O Fio da História", com Cléo Busatto
10h30 - Sessão de autógrafos - Cléo Busatto, no estande da Livraria Kunda
14h - Recital com Cléo Busatto
16h - Apresentação de dupla musical da Escola Municipal Jorge Amado
16h - Sessão de Autógrafos: Manual do Texto Dissertativo, com Julieta Mendonça
17h - Apresentação da Banda da Fundação Cultural
19h - A Literatura e o Cinema, com Fernando Morais
20h - Exibição do filme "Olga"

Dia 09 - Terça-feira

9h30 - A Literatura de Cordel - A História, Evolução do Cordel Moderno, Júnior do Bode
14h - Apresentação de dança da Escola Municipal Santa Rita de Cassia
16h - Contação de histórias
19h- "Responsabilidade Social e Empresarial", com Claudio Alexandre de Souza
19h30 - Recital de Cordel: "Poética de Repentista", com Júnior do Bode

Dia 10 - Quarta-feira

10h - Oficina: "A escolha do dicionário bilíngüe", com Mariana Francis
10h - Conversa com Valeria Gurgel sobre ‘‘Onde Rolam as Cascatas"
10h30 - "Dinâmicas Parapsíquicas". Com Moacir Gonçalves e Rosemary Salles
11h - Sessão de Autógrafos com Valéria Gurgel
14h-17h - Oficina "A escolha do dicionário bilíngüe", com Mariana Francis
15h- Contação de histórias
15h- Apresentação de dupla musical da Escola Municipal Frederico Engel
19h - "A Historia Incorreta do Brasil", por Leandro Narloch

Dia 11 - Quinta-feira

9h- Lançamento do projeto do Plano Municipal do Livro, Leitura e Literatura. Com Fabiano Itaúba, diretor do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da UNIC. Coordenação: Joane Villela, Secretaria Municipal de Educação e João Adelino Souza, diretor-presidente da Fundação Cultural
9h30 Palestra: "Graciliano Ramos", como o jornalista Audálio Dantas
14h- Apresentação Musical da Escola Municipal Cora Coralina
16h - "Contos Curtos", por Edson Rossatto
16h- Contação de Histórias
19h - "A Passagem da Coluna Prestes", com Domingos Meirelles

Dia 12 - Sexta-feira

Dia da Dramaturgia
9h-21h -"O Teatro do Excluído", por Cia Experiencial de Foz do Iguaçu
9h - Espaço 1 - Em Cena: Contação da história "A borboleta azul", por Ana Maria Reckziegel
9h30- Oficina: "O ensino/aprendizagem da cultura de língua inglesa nos livros didáticos adotados pelas escolas estaduais de Foz do Iguaçu", com Dulcemara Queiroz
10h30 - Espaço 2 - Debate: "Escrevendo para o Teatro", apresentação de Luiz Henrique Dias
14h - Espaço 1 - Em Cena: Contação de histórias infantis, com Claudiara Ribeiro
15h - "O teatro de sombras de Ofélia", com Justim Garden e Moa Ferreira
16h - Espaço 2 - Debate: "Importância da Arte na Formação Humana", apresentação de Moa Ferreira
16h - Poesia: "Nenúfares sob o Luar", com a autora Andréa Cristina Lopes
17h - Palestra: "Acervos de Teatro em Escolas", com Ana Maria Reckziegel
18h - Espaço 1 - Em Cena: "Leitura", apresentação dos alunos do Núcleo de Dramaturgia do SESI
19h - Palestra "Violência Urbana e Crime Organizado no Brasil", com o jornalista Carlos Amorim
20h - Espaço 2 - Debate: "O Teatro Contemporâneo", apresentação de Luiz Henrique Dias, com a participação de Luiz Leprevost e Roberto Alvim
21h30 - Sessão de Autógrafos com Luiz Leprevost
Obs: Durante o dia todo haverá um espaço com rodas de leitura, sarau permanente e debate teatral.

Dia 13 - Sábado

9h-12h - Oficina "A Letra e a Poesia", por Ildo Carbonera
10h - Sessão de autógrafos "Obesos Insanos", com Rogério Bonato
14h-17h - Oficina de Poesia, com Cidinha Hosoya

16h - Palestra: "O Olhar do Repórter na História", com o jornalista Roberto Sander.
17h-18h - Livro: "Narrativas ítalo-brasileiras: dove è la Cuccagna?", com autor Ildo Carbonera
18h - Recital de Poesia com poetas locais
19h - Sessão de Autógrafos "Manual do Texto Dissertativo", com a autora Julieta Mendonça
19h - Sessão de autógrafos com Rosemary Salles
19h- "Jornalismo no Cinema e na Literatura", com Jorge Oliveira
20h - "A Ciência do Bem Viver - Propostas e Técnicas na Psicologia Positiva", com Mônica Portella

Dia 14 - Domingo

9h-21h - Multiplicidade Cultural de Foz do Iguaçu - Espaço Literatura e Cinema - Sessões durante a Manhã e Tarde
Encerramento do Evento

Imagem: radioculturafoz.com.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cordel no salão de Foz (PR)

Reproduzido de www.gazetadopovo.com.br

Literatura de cordel, história e jornalismo irão dar o tom do 4º Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu. O evento abre hoje na Praça das Nações, área central da cidade, e contará com autores nacionais e de países vizinhos. Um dos propósitos desta edição é contribuir para a formação de novos leitores.

Sueli Brandão, responsável pela organização do evento, diz que a programação deste ano é a mais ampla já feita entre as edições do salão. São 16 estandes de livrarias, sebos e editoras e dez dias de atividades, das 9 às 22h, com palestras, oficinas e lançamentos. “Queremos popularizar o livro e desmistificar o conceito de que para ler precisa ser intelectual e ter dinheiro. Vamos trabalhar com todos os gêneros com preços a partir de R$ 1”, diz.

Entre os destaques deste ano estão o escritor paraguaio Mário Casartelli, que abordará o conflito entre Palestina e Israel e o poeta e repentista Júnior do Bode de Recife. O cordel entrou na programação deste ano por estar despertando interesse do público, estimulado pela novela da Rede Globo, Cordel Encantado. Músico, poeta, caricaturista e jornalista, Casartelli é autor de uma coluna de sátira no jornal Última Hora e autor de 12 livros. Entre os jornalistas brasileiros, está prevista a participação de Domingos Meirelles, que irá falar sobre a Coluna Prestes, tema de seu livro As Noites das Grandes Fogueiras, e Carlos Amorim, autor de Crime Organizado no Brasil.

O salão também terá oficinas literárias, de contação de histórias e sobre dicionários bilíngues. Apresentações teatrais e recitais completam a programação. No dia 11 será apresentado o Plano Municipal do Livro, Leitura e Literatura – no qual são estabelecidos projetos para incentivar a leitura na cidade.

Espaço

Já consolidado e em crescimento, este ano o salão foi transferido para a Praça das Nações, um espaço maior do que em anos anteriores, em frente à sede da Fundação Cultural. A expectativa é que mais de 20 mil pessoas passem pelo salão.

Serviço:

4º Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu (Praça das Nações, em frente ao Colégio Bartolomeu Mitre, Foz do Iguaçu). Até 14 de agosto, das 9 às 22h. Entrada franca.

Imagem: connect.in.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Xilogravura e cordel

Extraído de www.encontrodeculturas.com.br

Na oficina de xilogravura a artista argentina Julieta Warman mostrou a técnica e exaltou a literatura de cordel, típica do nordeste brasileiro

por Vanessa Martins

o Artista João Pedro Viana esculpindo sua peça de xilogravura Foto: Anne Vilela

A artista argentina Julieta Warmen trabalha com xilogravuras há mais de dez anos, fazendo a sua arte e ministrando cursos e oficinas. Além de mostrar a técnica, Julieta tem como objetivo resgatar a literatura de cordel por meio de versos cantados por grupos brasileiros de cultura tradicional, como as Caixeiras do Divino. “Na Argentina temos uma manifestação cultural muito parecida, as copleras, então trouxe também alguns versos delas para que nós pudéssemos ilustrar”, conta a artista.
Os participantes da oficina receberam versos das Caixeiras  e das copleras argentinas para utilizarem como fonte de inspiração. “O primeiro passo é o desenho, depois podemos passá-lo para a madeira através do carbono, ou copiar diretamente nela”, explica Julieta. Com o desenho pronto chega a hora de esculpir a madeira em negativo, ou seja, retirar a parte que seria o fundo e não o desenho, para que o mesmo fique em alto relevo em relação ao restante da madeira.
Depois de talhar toda a madeira, o molde está pronto e pode ser pintado e passado para outra superfície como um carimbo, papel, plástico, tecido e vários outros. “Nosso objetivo é, no final dos três dias, ter um pequeno livro com os versos e as ilustrações de cada um dos participantes”, conta Julieta, empolgada com as possibilidades do resultado.
Segundo a artista, esse molde pode ser feito de vários materiais: madeira, compensado e até plástico. As ferramentas são pequenas laminas em formas de “U” e “V”, que existem em vários tamanhos, permitindo que os traços sejam mais finos ou mais grossos, deixando o trabalho mais detalhado ou mais rústico.
O artista local João Pedro Viana também trabalha com essa técnica e conta que já tinha pensado em uma oficina assim, junto com a colega Julieta. “Nós já tínhamos pensado em um trabalho como esse antes, fico feliz de ver essa arte sendo difundida dessa forma”, conta João Pedro.
André Caminha, que participou da oficina, conta que já conhecia o que era a xilogravura pela literatura de cordel, mas nunca havia trabalhado com isso antes e, fazendo a oficina, viu que a técnica era muito interessante. “Eu trabalho como professor de história e penso em usar alguma coisa dessa oficina no meu dia a dia, para estimular os alunos a se interessarem pela história do nordeste”, explica André.
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A argentina Julieta Warman conta que em sua cidade natal, La Plata, a xilogravura é bem valorizada, e até bem difundida, mas o mesmo não acontece no restante do país e do mundo. “Lá tem muitos tipos de arte e a xilogravura, mesmo que não seja tão reconhecida, está em crescimento”, conta a artista que se inspira seu trabalho na cultura dos negros brasileiros.
Além do Brasil, vários outros países da América Latina têm uma manifestação parecida com a literatura de cordel, como o Chile e o México. Essa forma tão tradicional de utilizar a xilogravura sempre chamou muita atenção da artista. “Eu acho que a cultura brasileira tem muitas coisas interessantes a serem vistas e a cultura dos negros brasileiros que vivem nos quilombos tem muita semelhança com a dos argentinos do norte, como acontece com caixeiras e as copleras”, explica Julieta.

Sesc realiza Concurso de Cordel em Sousa (PB)

Reproduzido de /www.sescpb.com.br

A Literatura de Cordel é um elemento muito importante na cultura do Nordeste, são pequenos livretos que contam histórias ligadas ao povo da região. Com o intuito de resgatar e repassar os conhecimentos sobre esse aspecto cultural, o Sesc Paraíba realiza um Concurso de Cordel na unidade de Sousa, a partir desta quarta-feira, 3. Cerca de 70 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participam do evento, que vai até a próxima quarta, 10.
Em sala de aula, os estudantes obtiveram nesta segunda e terça, dias 1 e 2, conhecimento teórico de como surgiu a Literatura de Cordel, o que são as publicações e a forma de produzir um modelo. Com temática livre, os participantes, divididos em três turmas, terão até terça-feira, 9, para criar seus exemplares. Além do conhecimento em cordel, o concurso proporciona um maior desenvolvimento na leitura e escrita dos estudantes.
As melhores criações de cada classe serão publicadas e divulgadas na Feira de Cultura do Sesc em Sousa, que acontece no dia 28 deste mês. Assim, não só os alunos, mas também toda a comunidade poderá ter acesso aos cordéis. Além da entrega dos exemplares, durante a feira, os alunos recitarão as histórias criadas.
Mais informações sobre o concurso e outros projetos desenvolvidos pelo Sesc em Sousa podem ser obtidas pelo telefone (83) 3521-1446. A unidade fica localizada na Rua João Vieira da Silva, s/n, no Conjunto Raquel Gadelha.

Imagem: projetomvc.blogspot.com

Professora da Universidade Estadual é convidada a participar de evento sobre cordel nos Estados Unidos

Reproduzido de www.uepb.edu.br

Por Giuliana Rodrigues

Os investimentos que a Universidade Estadual da Paraíba vem realizando na preservação da literatura de cordel e na divulgação desta arte para a cultura regional têm surtido grandes resultados não apenas no Nordeste e no meio acadêmico brasileiro. A ação educativa vai muito além e agora ultrapassa as barreiras da América do Norte. Nos dias 26 e 27 de setembro, a UEPB será representada no simpósio internacional “Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Street Literature”, numa tradução livre, algo como “Literatura de Cordel: continuidade e mudanças na literatura popular brasileira”, evento que acontecerá em Washington D.C., nos Estados Unidos.

Na ocasião, a diretora da Biblioteca Central da UEPB, professora Manuela Eugênio Maia, participará do fórum “Preserving the Past & Embracing the Future: Cordel in an eWorld”, quando discorrerá acerca da conversão digital da literatura de cordel, particularmente sobre questões relacionadas aos direitos de reprodução. O convite a Manuela Maia foi feito pela diretora da Biblioteca do Congresso em Washington, Debra McKern.

Segundo Manuela, hoje em dia, mesmo com as facilidades alcançadas através de pesquisas na Internet, ainda há imensas dificuldades em se disponibilizar o conteúdo dos cordéis na íntegra, justamente em função das limitações legais. “Isso impede a democratização da informação, que deve ser acessível a todos”, opinou. Ela aproveitará a oportunidade para expor o exemplo da biblioteca de cordéis e livros raros Átila Almeida, que funciona na UEPB em Campina Grande, mas que oferta aos usuários, através da web, a catalogação, indexação e descrição dos conteúdos dos cordéis, com sínteses dos assuntos que representam os documentos. “Só não podemos disponibilizar todo conteúdo por conta dos direitos autorais”, lamentou a professora.

Durante o evento, pesquisadores de renome dos Estados Unidos e de outros países ministrarão inúmeras palestras acerca da literatura de cordel, a exemplo de “Cordel, a voz do povo”; “Um retrato do Século XX: Brasil em cordel” (ministrada pelo diretor da Academia Brasileira de Literatura de Cordel do Rio de Janeiro, Gonçalo Ferreira da Silva) e “Criatividade vernacular: o cordel no cenário musical do Brasil”. Além disso, será realizado o painel de discussão “O que o cordel representa para o Brasil nos dias de hoje?”. Também serão abordadas em mesas-redondas questões como “Conversão Digital do Cordel” e “Preservação Digital: arquivando o cordel na web”.

Para a professora Manuela Maia, a possibilidade de participar de um evento deste porte demonstra que existe um bom trabalho sendo realizado pela UEPB em torno da memória da cultura regional, no intuito de preservá-la e divulgá-la ao mundo pela web. Além disso, a Universidade se apresenta como uma das poucas instituições do Brasil a participar deste simpósio internacional.

Imagem:marcohaurelio.blogspot.com

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quadros e literatura de cordel (RR)

Reproduzido de www.folhabv.com.br

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Lindomar Neves Bach é um artista com múltiplos talentos. Com exposição de telas no Palácio da Cultura até o dia 26, ele lançou recentemente um livreto de literatura de cordel, trabalho em que também mostrou seu talento como ilustrador. Inspirado em diversas passagens da Bíblia Sagrada sobre temas como o amor, a fé e a paz, ele pretende alcançar o público evangélico e cristãos de uma forma geral com a obra.
A literatura de cordel é um tipo de poesia popular que usa a rima para contar histórias. E é isso que Limdomar faz em 50 páginas, através dos seus versos e desenhos. Intitulado Brasas Vivas, o livreto já está à venda na papelaria Papel Jornal, Livraria Missionária, ao lado do templo sede da Assembleia de Deus, Livraria Saber, na Major Willams, Copy Net e Pastelaria Confiança, ao preço médio de R$ 5,00. O artista já lançou outros trabalhos, como o ensaio poético Partículas, em 2007, e recentemente foi selecionado pelo Conselho de Cultura para publicar um outro trabalho através da Lei Rouanet.
O projeto da literatura de cordel começou em 2006, quando Lindomar se converteu à Igreja Evangélica. Para o lançamento da obra, ele contou com o apoio da gráfica do Povo de Deus. “Eu me baseei em historias narradas na Bíblia para criar os cordéis e ilustrei o livro, já que tenho esse dom do desenho. Já fui chargista inclusive na própria Folha”, conta.  Ele dedica o trabalho a todo público evangélico e a todos que desejam “aprender um pouco mais sobre a Bíblia através de uma literatura de fácil assimilação”. Bach assegura que a aceitação do público tem sido muito positiva.
No quesito artes plásticas, ele expõe, desde o início do mês, 14 telas no Palácio da Cultura Nenê Macaggi, seis delas já vendidas. As obras são elaboradas a partir da técnica acrílico sobre tela e ficam expostas até o dia 26, no subsolo do Palácio da Cultura. Os trabalhos abragem o regionalismo, primitivismo e impressionismo. Lindomar pinta há 24 anos.

Literatura de cordel é tema de exposição em Camaquã (RS)

Reproduzido do site: www.sesc-rs.com.br

Camaquã recebe até 31 de agosto, a exposição “O Cordel e o Cantador – Mostra didática sobre literatura de cordel”. As obras que compõe a mostra estarão à disposição para visitação no Sesc Camaquã (Rua Gen. Zeca Netto, 1085), das 9h às 12h e das 14h às 18h, com entrada franca. A atividade faz parte da agenda do Arte Sesc – Cultura por toda parte e das comemorações do Mês do Folclore.
A exposição pretende resgatar a literatura de cordel, reproduzindo no formato comum, onde os cordelistas/poetas populares apresentam seus trabalhos pendurados em cordões, com as capas voltadas para o público, além de destacar o papel do cantador ou repentista. A literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel. Chamam a atenção pela forma que são expostos para venda: pendurados em cordas ou cordéis, fato que deu origem ao nome dado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.
São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores ou cordelistas recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Mais informações com o Sesc local (51) 3671 6492.
Sobre o Sesc - No Rio Grande do Sul, o Sesc está presente em mais de 450 municípios com atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Desta forma, o Sesc/RS desempenha o papel social assim como o Senac/RS o da qualificação profissional do Sistema Fecomércio-RS que atua em âmbito econômico, político e social pela constante qualificação e crescimento do setor terciário gaúcho. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.sesc-rs.com.br.

Imagem: protestantismoemundo.blogspot.com

Estação Cordel encerra fim de semana empolgando o público (TO)

Reproduzido de cordeldesaia.blogspot.com

A “abelha que faz mel sem esquecer o ferrão” abriu a noite deste domingo, 31, animando o público que lotou a Estação Cordel, na FLIT. O trecho da poesia faz parte do recital da cearense Dalinha Catunda, que iniciou a noite no espaço dedicado a esse segmento da cultura nordestina, dentro da FLIT.
Em sua apresentação denominada “Sertaneja, sim senhor”, a cordelista falou sobre a migração do nordestino. “Nos alforjes carregados, transporta tristeza e dor, saudades da lua cheia, das coisas do interior...”. Dalinha também mostrou em versos rimados sua percepção da natureza: “A brisa que me acaricia, meu corpo todo arrepia, e eu invoco você a participar desta dança, do vento e mulher criança, antes do anoitecer.”
A aceitação do público foi tamanha que Dalinha afirmou estar se sentindo no Nordeste. “Cordel é povão, é alegria e é isso que as pessoas do Tocantins tem demonstrado pelo nosso trabalho”, disse a cordelista. Prova disso era o motorista Vilnei Moreira, que também é músico. Evangélico, mas com um trabalho musical de uma proposta diferente, o chamado “Cowboy de Cristo” disse se inspirar no cordel. “É divertido escutar e me traz novas ideias”, afirmou.
A noite de domingo terminou na Estação Cordel com o recital musical “Cordelinho”, de Chico Salles. Também numa proposta bem humorada, o paraibano relembrou sua terra cantando, junto com o público, “Masculina”, e ainda falou da morte de uma maneira bem diferente. “Cordel é isso: o poder de resumir bem uma história e ainda divertir”, disse.
As apresentações na Estação Cordel continuam nesta segunda-feira, 1º, a partir das 19h

Publicada em 01/08/2011 por Shelsea Shasmylla em Educação
http://www.secom.to.gov.br/noticia/2011/8/1/estacao-cordel-encerra-fim-de-semana-empolgando-o-publico

Mês do Folclore: Jacareí terá Ariano Suassuna, mestre da Literatura de Cordel (SP)

Reproduzido do site agoravale.com.br

A Fundação Cultural de Jacarhey José Maria de Abreu está com uma rica programação cultural para o mês de agosto, dedicado ao Folclore. Um dos destaques especiais é a Literatura de Cordel, que vai homenagear seu grande nome, o escritor paraibano Ariano Suassuna.

O escritor paraibano estará no EducaMais Espaço Centro na sexta-feira (5), às 19h00 onde vai apresentar uma “aula-espetáculo”, evento que realiza desde 1995. Nela, Suassuna faz uma busca da identidade cultural brasileira, contando histórias de muito humor com conteúdos que retrata as raízes portuguesa, africana e indígena.

Convites – A “aula-espetáculo” com o escritor Ariano Suassuna tem entrada gratuita, mas limitada. Serão distribuídos 380 convites ao público, com retirada na Biblioteca Municipal Macedo Soares, na quarta-feira (3), das 17h às 20h.

O escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa – PB e é secretário estadual de Cultura de Pernambuco e membro da ABL (Academia Brasileira de Letras).  É famoso por grandes obras literárias como  O Auto da Compadecida (1955), que inspirou o teatro e minissérie de TV, e uma versão para ao cinema. Outros sucessos são: A Pedra do Reino (1970), Uma Mulher Vestida de Sol (1947),  Farsa da boa preguiça (1960) e O santo e a porca (1957), entre muitas outras.

Confira programação: 

5/8, 19h – Aula-espetáculo com o escritor Ariano Suassuna (autor do Auto da Compadecida) – Espaço EducaMais Espaço Centro – Rua Alfredo Schürig, 20, Centro

5/8, 21h30 – Show com Trem da Viração – Pátio dos Trilhos

6/8, 9h às 13h – Manhã Cultural – dança .folclórica catira e Trem da Viração – Pátio dos Trilhos

6/8 e 13/8, 8h às 12h – Oficina de aprimoramento cultural para educadores – Auditório da Secretaria Municipal de Educação – Rua Lamartine Delamare, 69, Centro

7/8, 16h – Teatro infantil “Cantos e contos da mata” – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

7/8, 9 às 20h – Festa de Santa Filomena (procissão, barracas, missa) – Participação Especial: “Caminhão da Cultura” – Estrada do Mato Dentro – bairro Varadouro

12/8, 18h – Orquestra de Viola Caipira de Jacareí – Repertório: Músicas Regionais – Pátio dos Trilhos

12/8, sessões às 20h e 22h – Uma Noite no Museu – “Causos do Seu Zé Pedro da Casa da Farinha de Ubatuba”, com Moacyr Pinto e participação dos músicos Déo Lopes e Cauíque Bonssucesso – Museu de  Antropologia do Vale do Paraíba – Rua XV de Novembro, 143, Centro

12/8, 24h – Procissão dos Mortos - direção Artística: Gutho Pelogia e Doni Bueno – Saída: Museu de Antropologia do Vale do Paraíba – Inscrições: Museu de  Antropologia do Vale do Paraíba – Rua XV de Novembro, 143, Centro

13/8, 19h – Lançamento do Edital: “Prêmio  Mestre Cultura Viva” – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

13/8, 20h – Show  “Santo de Casa” com Cia Cultural Bola de Meia – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

14/8, 16h – Musical Infantil: “Rodas e Brincadeiras Cantadas”, com Jacqueline Baumgratz e Celso Pan – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

15/8, 19h – Apresentação: “Encantos e Malassombras de Jacarehy” – Apresentação Teatral: Izildinha Costa e Alê Freitas – Biblioteca Municipal Macedo Soares – Avenida Nove de Julho, 215, Centro

18/8, 19h – Sarau “Um dedo de prosa e poesia” – Realização: Academia Jacareiense de Letras

Danças Folclóricas:     Grupo de Folia de Reis “A caminho de Belém” e Jongo “Mistura de Raças”

Museu de  Antropologia do Vale do Paraíba – Rua XV de Novembro, 143, Centro

19 a 21/8, 16h às 22h – 2ª Feira do Milho (barracas beneficentes de pamonha, cuscuz, suco de milho, bolinho caipira, bolo de fubá)

Atrações musicais e danças folclóricas

19/8, 19h – Grupo Folia de Reis – Os Filhos do Oriente; 20h -- Grupo Musical Rio Acima

20/8, 19h – Grupo de dança de São Gonçalo – São Gonçalo do Amarante; 20h -- Grupo Musical Cabelo de Milho

21/8, 19h -- Mutirão das Violas, Grupo de Catira – Os Veteranos da Catira de Jacareí; 20h – Léo e Zé Cupido

21/8, 16h -- “Mestre Durval e suas Histórias”, Grupo Boneco Vivo – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

21/8 -- 15 às 17h, Cortejo da Cobra Grande (participação Grupo de Percussão do Ponto Sapucaia) – Museu de Antropologia do Vale do Paraíba – Rua XV de Novembro, 143, Centro

22/8, 19h – Lançamentos dos livros: “Encantos e Malassombras de Jacarehy” – Autores: Elton Rivas, Ércia Turci, Maristela Lemes e Tatiana Baruel

“Mestre Calangueiro Ernesto Villela” – Autor: Alcemir Palma

“Cultura Popular do Vale do Paraíba” – Autora: Jacqueline Baumgratz

Biblioteca Municipal Macedo Soares – Avenida Nove de Julho, 215, Centro

26 a 28/8, 19h às 23h – 6º Festival de Música Sertaneja Diésis “Ranchinho” dos Anjos Gaia – EducaMais Espaço Centro -  Rua Alfredo Schürig, 20, Centro

28/8, 16h – “A Fabulosa Caravana do Seu Malaquias”, com Grupo Boneco Vivo – Sala Mário Lago – Pátio dos Trilhos

Até 31/8, 9h às 22h – “Gravuras e desenhos”, artista plástico Amilton Damas – EducaMais Espaço Centro – rua Alfredo Schürig, 20, Centro.