CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



domingo, 24 de abril de 2011

AUTOR DO LIVRO “LULA NA LITERATURA DE CORDEL”, CRISPINIANO NETO, RECITANDO ALGUNS VERSOS

Fonte: Youtube, canal de ptceara

VALE A PENA VER DE NOVO: VIDEO LANÇAMENTO DO LIVRO LULA NA LITERATURA DE CORDEL

           Lançamento do Livro "Lula na Literatura de Cordel" de Crispiniano Neto - Editora IMEPH, com a presença do Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva nas Cidades de Rio de Janeiro e Brasília. Tendo outros lançamentos em várias cidades do Brasil.

Fonte: youtube, canal da Editoraimeph

sábado, 23 de abril de 2011

CORDEL: A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO

Fonte: Youtube; Canal de gcarsantos

JORGE AMADO E A LITERATURA DE CORDEL

Fonte: Recanto das Letras

FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CINCIAS HUMANAS DE ANICUNS CURSO DIREITO
ACADEMICO: JOSÉ CARLOS RIBEIRO
TURMA: DN1B
RESUMO LITERÁRIO JORGE AMADO E A LITERATURA DE CORDEL ANICUNS 2009
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIENCIAS HUMANAS DE ANICUNS
CURSO DE CIENCIAS JURIDICAS
Profª: Fatinha
Acadêmico: José Carlos Ribeiro
Turma: DNB1
Disciplina L. Portuguesa I

CURRAN, Mark J. Jorge Amado e a Literatura de Cordel, Fundação Cultural do Estado da Bahia; Fundação Casa de Rui Barbosa, 1981, 95p.

RESUMO
Jorge Amado e a Literatura de Cordel

          O Autor, J. Mark Curran, na obra, “Jorge Amado e a Literatura de Cordel”, apresenta um estudo sobre as obras de autores como Ariano Suassuna, a literatura de Cordel e também do grande escritor da literatura brasileira Jorge Amado. No seu entendimento estes autores são de grande relevância para literatura brasileira, ele apresenta no seu estudo sobre literatura nordestina, o esforço destes talentos que em suas obras buscam estar tomando da cultura popular nordestinas contos tirados do povo como inspiração para concretizar suas obras. Sobre Jorge amado e a literatura de cordel o autor da ênfase a estudos de outros escritores que falam também do interesse do escritor Jorge Amado em escrever mostrando como herói dos seus contos literários, pessoas que vivem no meio da sociedade, classes sociais menos abastardas. O autor não deixa de apresentar as semelhanças entre a literatura de cordel e as obras de Jorge Amado. É apresentado o estudo feito por Miécio Táti, com outros estudos Táti, destaca a importancia do povo, da cultura popular na obra de Jorge Amado, lembra também que Amado, desde o inicio de sua carreira sempre foi compromissado com os problemas sociais. A forma temática e estilística de Amado, é uma forma de expressar uma ideologia própria de Amado. A professora Doris J. Turner também expressa no seu estudo sobra três obras de Amado, Jubiabá, Gabriela, cravo e canela e os velhos marinheiros, para a professora todas as obras são de estilos da literatura de cordel, o estudo da professora Turner é um esforço sério para isolar as características populares usadas por Amado em sua obra. Jon Vicente acredita que os romances “Pastores da Noite, Tendas dos milagres e Teresa Batista Cansada de Guerra, mostra o auge do romancista do povo, onde Amado adota o estilo poeta popular. Em sua obra “secretário dos amantes”, Curió figura popular vivida da vida cultural e compartilhada com pessoas de outras classes sociais. “Cabo Martim Herói do Povo”, novamente uma figura que não pactua com a corrupção, Martim é um personagem que nasce da cultura popular e a forma da escrita é pactuada coma literatura de Cordel, Martin na cultura popular faz de tudo e tudo melhor que os outros. Teresa Batista Cansada de Guerra entre outras obras são exemplos para clamar a atenção para as mulheres o tema já mostra a mulher como uma heroína outras obras também são chamativas como “Otália Moça Heroína do Povo e Marinalva mulher linda e Sedutora”, mostra os atributos femininos como a beleza de Otália, muitas outras estórias contadas pelo povo e que são forma do escritor mostras sua ideologia política e seus pensamentos. Em Teresa Batista cansada de guerra, fica evidente a ligação entre o escritor e as poesias de Cordel Jorge Amado deixa a sua marca de poeta popular e utiliza a literatura de cordel como meio de transmitir seus pensamentos quanto a mulher lutadora, que apesar de ser discriminada pela sua forma de agir na sociedade luta contra todos os preconceitos impostos pela sociedade baiana, através dos versos do poeta ele aos poucos faz com que os leitores sintam a vitoriosa mulher que existe por trás de todo o seu jeito diferente de ser. Em outras obras Jorge Amado, continua sua luta contra o racismo, o preconceito contra a mulher, e sua arma é sem dúvida suas obras literárias. Concluindo o pensamento se percebe nessa obra sobre o escritor Jorge Amado, que alem de ser um grande escritor, também foi um grande homem que a sua maneira lutou pela democratização da leitura entre as pessoas que mais precisavam dela o povo humilde e para incentivar tais leitura Amado percebeu que o povo gostava dos contos de Cordel, deu ênfase a esta forma de escrever, utilizou desses contos baianos e tornou possível os brasileiros conhecer a riqueza da cultura nordestina.

Imagem: ebooksgratis.com.br

Caso Bruno na literatura de cordel

Fonte: globoesporte.globo.com

Na literatura de cordel, o goleiro Bruno, suspeito de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, acabou condenado. Em um folheto vendido na feira de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, Rio de Janeiro, ele é apontado como o responsável pela morte da ex-amante.

“Bruno com seus amigos Em ato que traz repúdio/ De forma vil e cruel/ Matou Eliza Samudio/ Como em filme de terror/ Produzido num estúdio”, como contam os versos feitos por Isael de Carvalho.

POEMAS: A CASA DO ÉBRIO/MANHÃ DE CHUVA

Fonte: Jornal da Besta Fubana

JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA (CANCÃO)

João Batista de Siqueira, poeta popular mais conhecido por Cancão, nasceu em São José do Egito, a 12/05/1912. Em 1950, deixou de participar de cantorias de viola e dedicou-se apenas à poesia escrita. Sua obra já foi classificada pelos críticos como uma versão popular à poesia de poetas românticos como Castro Alves, Fagundes Varela ou Casimiro de Abreu.

Freqüentou a escola por pouco tempo (”não cheguei ao segundo livro”) e foi, também, oficial de Justiça em sua cidade, onde morreu a 05/07/1982. Livros publicados: “Meu Lugarejo”, ”Musa Sertaneja” e “Flores do Pajeú”. Folhetos de Cordel de sua autoria: “Fenômeno da Noite”, “Mundo das Trevas”, “Só Deus é Quem Tem Poder”.

A CASA DO ÉBRIO

Era um casebre tristonho
De cujas paredes tortas
Vinha o rangido enfadonho
Dos gonzos de duas portas
As telhas já nodoadas
Duas roletas deitadas
Numa camarinha escura
O vento, quando passava
Parecia que falava
Nas frinchas da fechadura

Na parede do nascente,
Um banco desmantelado
Um garrafão de aguardente
Que ainda havia sobrado
Junto ao quarto de dormida
Cera que foi derretida
Do resto de algumas velas
No chão, marcas de escarros
Cacos de vidro, cigarros
Rolavam por cima delas

Uma rede remendada,
Outra parte descosida
Em um torno pendurada
Pela fumaça tingida
De um lado, havia um cambito
Onde o couro de um cabrito
Sobre um arame pendia
Mais adiante, um jirau
Junto à travessa de um pau
Onde um morcego vivia

Uma corda, uma rodilha
Bem acima de um caixão
Um pote, numa forquilha
Vazava junto ao fogão
Um gato cego e doente
Deitado sobre um batente
Por certo sentia sono
De fora, um jumento olhava
O seu olhar revelava
A malvadez de seu dono

Uma vara de ferrão,
A banda de uma tigela
Meio quilo de sabão
Embrulhado dentro dela
A banda de um cobertor
Atada em um armador
Onde havia um candeeiro
Uma camisa de saco
Mostrava por um buraco
A tampa dum tabaqueiro

Uma cadeira quebrada
As pernas de um tamborete
Uma foice enferrujada
Encabada num cacete
Ao lado de uma cangalha
Havia um chapéu de palha
Com um remendo de pano
Um tronco de mandioca
E um anzol numa taboca
Pra pesca do fim do ano

Havia armado um quixó
Encostado a um baú
Costurado com cipó
Todo feito a couro cru
Num recanto separado
Se conservava embrulhado
O braço de uma viola
Zelava por tradição
Que seu pai foi campeão
De cantar pedindo esmola

Uma calça de azulão
Perto da porta do meio
A bainha de um facão
Balançava em um esteio
Numa mesinha na sala
Havia cascas de bala
Um bisaco e uma garrucha,
A manga de um paletó
E um galho de mororó
Guardado pra tirar bucha

Cinco ovos de galinha,
Um punhado de limão,
Uma cuia com farinha
Sobre a boca de um pilão
Uma rolinha pelada
Numa gaiola quebrada
Junto à porta dormia
Em frente, um cão cochilava
Com certeza decorava
Sua cruel profecia

Um pedaço de perneira,
Um serrote e uma enxó
Tudo dentro duma esteira
Amarrada em um cipó
Um candeeiro sem asa
E num recanto da casa
Quatro cartas de baralho
Em um barbante, num prego
Atado por um nó cego
Estava preso um chocalho

A canela de um veado,
Uma ponta de carneiro,
Em um gibão amarrado
Um facho de marmeleiro
Em frente havia um baú
Só feito de couro cru
Bem apoiado no chão
Sobre sua tampa aberta
Mostrava uma prova certa
Donde guardava o carvão

Abaixo de um travesseiro
Um pouco de sola em dobra
Dada por um curandeiro
Pra mordedura de cobra
Mais um cachimbo de barro
Que o mau cheiro do sarro
Chegava até o caminho
Em um recanto, num banco
Um sapato preto e branco
Que recebeu de um padrinho

Muitas formigas pequenas
Umas vinham, outras iam
E assim muitas centenas
Entre os torrões se escondiam
Duas varas emendadas
Numa parede pregadas
Quase na forma dum ‘vê’
Se o vento passava, vinha
Do terreiro ou da cozinha
Um cheiro não sei de quê

Uma criança chorava
Juntinho da mãe doente
Que com esforço lhe olhava
Mas já com ar diferente
O rosto banhado em pranto,
Deitada sobre um recanto
Numa parede encostada
A face triste e sombria
Que durante aquele dia
Não tinha comido nada

Depois, um homem barbado
Entrava cambaleando
Num andar lento e pesado
Exasperado falando
Um ferimento num braço
Se ia aumentar o passo,
Botava a mão na parede
Sorria e depois chorava
Pelos seus traços mostrava
Sinais de quem tinha sede.

* * *

 

MANHÃ DE CHUVA

As andorinhas no rio
Passam baixinho voando
Como crianças brincando
Num lago vasto e sombrio
O mangueiral do baixio
Sente a chuva, estende a rama
No chão, a verdosa grama
Se serve do mesmo orvalho
Que o vento, agitando o galho
A folha treme e derrama

Do sopé da cordilheira
As pequeninas correntes
Se despenham diligentes
Em busca da cachoeira
O xexéu, na aroeira
Olha toda a redondeza
Diante tanta beleza
Se sente todo encantado
Pensa ser o namorado
Mais fiel da Natureza

Dentro do bosque cerrado
A vegetação cochila
Levanta a fronde tranqüila
Sentindo o tronco lavado
Dentro do emaranhado
Que à tarde a sombra rodeia
A ema, lenta, passeia
Em um constante arrepio
Já enfadada do frio
Que a mão da brisa semeia

Passa perto da palhoça
Um boi em lentas passadas
Fazendo as suas pisadas
No balanço da carroça
Vai a tabaroa à roça
Em um ar aborrecido
No caminho mais seguido
Buscar água no regato
Se defendendo do mato
Pra não molhar seu vestido

Caminha o rebanho lento
Do arvoredo vizinho
À procura do caminho
Do planalto lamacento
No campestre friorento
A planta alegre se agita
A flor sorri e palpita
Sentindo os ventos medonhos
Lá dos recantos tristonhos
Que o gênio da sombra habita

O vento passa maneiro
Pelo campo rosciado
Fingindo um céu esmaltado
Coberto de nevoeiro
Na baixada, o ingazeiro
Sente vigor, se renova
Como nos dando uma prova
Se mostra todo florido
Entre o multicolorido.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cordel: Os Sofrimentos de Jesus Cristo

Fonte: “Blog do Belém” wbelem.blogspot.com

Autor: José Pacheco

Oh Jesus meu Redentor
dos altos Céus infinitos
abençoai meus escritos
por vosso divino amor
leciona um trovador
com divina inspiração
para que vossa paixão
seja descrita em clamores
desde o princípio das dôres
até a ressurreição.

 

Dentro do Livro Sagrado
São Marco com perfeição
nos faz a revelação
de Jesus crucificado
foi prêso e foi arrastado
cuspido pelos judeus
por um apóstolo dos seus
covardemente vendido
viu-se amarrado e ferido
nas cordas dos fariseus.

Dantes predisse o Senhor
meus discípulos me rodeiam
e todos comigo ceiam
mas um me é traidor
só a mão do pecador
meu corpo ao suplicio vai
porém vos digo que vai
do homem que por dinheiro
transforma-se traiçoeiro
contra o Filho de Deus Pai.

 

Todos na mêsa consigo
clamavam em alta voz
Senhor, Senhor qual de nós
vos trai dos que estão contigo
disse Cristo: é quem comigo
juntamente molha o pão
e todos me deixarão
mas São Pedro respondeu
mestre garanto que eu
não vos deixarei de mão.

 

Em verdade deixarás
nesta noite sem tardar
antes do galo cantar
três vêzes me negarás
Pedro com gestos leais
disse em voz compadecida
ês-me a morte preferida
mas não serei teu contrário
ainda que necessário
me seja perder a vida.

 

Estava tudo benquisto
com Pedro dizendo igual
até na hora fatal
da prisão de Jesus Cristo
então quando se deu isto
Pedro a espada puxou
num fariseu despejou
um golpe tão destemido
que destampou-lhe o ouvido
quando a orelha voou,

Ouviu a voz sublimada
de Cristo em reclamação
dizendo em repreenção
Pedro guarde a tua espada
deixa não promovas nada
porque tudo é permitido
não sejas enfurecido
não tentes e nem te alteres
pois se com o ferro feres
com ele serás ferido.

 

Jesus na frente seguia
na hora que lhe prenderam
todos discípulos correram
mas Pedro atrás sempre ia
de longe coitado via
Jesus de queda e de trote
sôbre as mãos do grande lote
cada bordoada um passo
até chegar no terraço
da casa do sacerdote.

Depois da tropa chegada
Jesus foi interrogado
bastantemente acusado
e Pedro viu da calçada
quando veio uma criada
perguntando com rigor
- Tu és acompanhador
do que está prêso aqui?
Pedro disse: eu nunca vi
nem conheço esse Senhor.

E assim continuou
de quando em vez a negar
antes do galo cantar
3 vezes Pedro negou
depois então se lembrou
do que Jesus tinha dito
amargo e bastante aflito
derramou pranto no chão
porque fez a transgressão
do que disse a Jesus Cristo.

 

Jesus além da prisão
bofetes e ponta-pés
ainda diziam: tú és
réu da crucificação
e procuravam razão
para o tal cruel transporte
uma testemunha forte
com legalidade pura
que lhe desse a desventura
passando a pena de morte.

 

O sacerdote indagou
perante os fariseus
tú és o Filho de Deus
disse Jesus Cristo: eu sou
em breve verão que vou
pra meu pai Celestial
eis a voz sacerdotal
pra que testemunha mais
do que as blafêmias tais
da bôca do mesmo tal.

 

E rasgando-lhe o vestido
cuspiram as faces divinas
logo das mãos assassinas
foi espancado e ferido
nas cordas foi envolvido
atado de braço e mão
no outro dia então
ordenou Pônsio Pilatos
dizendo aos insensatos
dai-lhe crucificação.

 

 

Pilatos bem que sabia
quase com realidade
que por inveja ou maldade
deu-se essa algosaria
mas Jesus nada dizia
Pilatos quis revogar
mas não podia falar
tantos que lhe cercavam
que lhe pedindo gritavam:
mandai-o crucificar.

 

Sob o poder dos ingratos
escribas e fariseus
Jesus o Filho de Deus
foi entregue por Pilatos
os mais horrendos maltratos
cada um deles fazia
Jesus a cruz conduzia
golpe de sangue lançava
do peso que carregava
quando topava caía.

 

Do seu vestido brilhante  
brutamente lhe despiram
depois noutro lhe vestiram
de púrpura agonizante
uma corôa infamante
de espinhos tecida a mão
pra fazerem mangação
na cabeça lhe botando
todos gritavam zombando
viva o rei da nação.

 

 

Um algoz lhe espancou
com uma cana pesada
que com esta bordoada
sua cabeça sangrou
seu sangue se derramou
lavando-lhes os ombros nus
e marchando em passo truz
para em Golgota chegar
aonde ia se findar
morto e pregado na cruz.

 

 

Jesus depois de cravado
ouviu-se os gemidos seus
clamando Deus oh! Meu Deus
porque fui abandonado
e viu-se o astro nublado
trevas pelo mundo inteiro
um centorião fronteiro
disse verdadeiramente
êste homem é inocente
filho de Deus verdadeiro.

 

E um algoz suspendeu
uma esponja flocada
numa cana enfiada
botou vinagre e lhe deu
logo ali Jesus morreu
com seu gesto divinal
que tormento sem igual
daquela tão vil derrota
foi Judas Escariota
o sacerdote fatal.

 

Que profano traidor
equiparado a Lusbel
da morte fria e cruel
foi êle o traidor
que fez nosso Salvador
na cruz de prego cravado
pelo corpo retalhado
fitas de sangue corriam
dos pregos que lhe feriam
cada qual mais aguçado.

 

 

Veio José de Arimatéia
pediu seu côrpo e foi dado
pareceu sendo tocado
por uma divina idéia
tirou no meio da platéia
inda pregado na cruz
afastou-se dos tafus
antes do morrer do solenvolvido num lençol
deu sepultura a Jesus.

 

Numa pedra natural
que tinha grande abertura
ele deu a sepultura
ao seu corpo divinal
felizmente êste local
muito fácil ele encontrou
ali o depositou
a rocha era rachada
revolveu outra pesada
cobriu com ela e deixou.

 

 

Perto estava Madalena
que sempre a Jesus seguia
ela com outra Maria
ali chorava com pena
depois dessa triste cena
seguiram na noite escura
compraram essência pura
num vaso branco trouxeram
logo de manhã vieram
incensar-lhe a sepultura.

 

Porém um anjo sentado
em verdade lhe dizia
eis a rocha que jazia
Jesus o crucificado
mas já foi ressuscitado
para o alto tribunal
está na graça real
na côrte santa e perfeita
da parte da mão direita
de Deus Pai Celestial

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O povo de Deus caminha em busca da salvação

Fonte: cordelcristao.blogspot.com

Autor: Fernando Paixão

Lá na Bíblia está escrito
Abraão deixou a terra,
Devido à seca que emperra
A ordem do seu distrito.
Pra acabar com esse conflito
Veja o que fez Abraão:
Foi em busca de outro chão
Como faz a andorinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Abraão era um pastor
Seminômade, errante,
Caminhava sempre avante
Com fé no libertador
Conhecia bem a dor
Da marginalização
Vivia em busca de um chão
No tempo que ele não tinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Para ele a nova terra
Era uma bênção de Deus
Abraão chamou os seus
Sabendo que Deus não erra.
Sua benção não se encerra
Tem a continuação
Pois Deus disse a Abraão:
Seja o pai da nação minha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Já o grupo de Isaac
Vivia da agricultura
Habitava a terra dura
Era um povo sem destaque
Se defendia do ataque
Do latifúndio de então
O poço era a solução
Da seca que se avizinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Jacó junto com seus filhos
Foi chamado de Israel
Pois servia ao Deus fiel
Superando os empecilhos
Mas, tornaram-se andarilhos
Em busca de água e pão
Caíram no alçapão
Do Egito, nação daninha,
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

O povo foi oprimido
Na terra do faraó
O povo se via só
Escravizado e abatido
Depois disso acontecido
Deus os salva da opressão
Chama Moisés e Arão
Pela fé que a dupla tinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Moisés lutou a favor
Do seu povo escravizado
Fez um povo organizado
Pra fugir do opressor
Mostrando que é Senhor
Deus tráz a libertação
Dá ao povo a extinção
Da sua sorte mesquinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Josué grande guerreiro
De Moisés, foi sucessor,
Foi líder e conquistador
Do povo foi conselheiro
Enfrentou o estrangeiro
Lutou por libertação
Pra conquistar a nação
A espada desembainha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Nosso povo se organiza
Na terra de Canaã
No alvorecer da manhã
O seu grito sonoriza
Um sistema sinaliza
Que há organização
Uma confederação
Mantém as Tribos na linha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Profetas se apresentaram
No tempo da Monarquia
Vendo o povo que sofria
A sua causa abraçaram
Com força denunciaram
O peso da escravidão
Frente ao rei sem coração
O povo não se definha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

O tempo foi se passando
E o povo da Palestina
Conheceu uma menina
Que um filho tava esperando
Era o Messias chegando
Trazendo a Libertação
No meio da escuridão
O choro da criancinha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Com a chegada de Jesus
Nossa esperança renasce
Pois Deus mostra a sua face
Resplandecente de luz
Assassinado na cruz
Nos trás a libertação
Com sua ressurreição
O seu Espírito encaminha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Quando o povo se organiza
Muito mais se fortalece
Nosso Deus nunca se esquece
Do pobre que mais precisa
Eu já fiz uma pesquisa
Obtive a informação
Descobri que a união
Mantém o povo na linha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

Hoje tem comunidade
Que luta contra a cobiça
Não tolera a injustiça
Não apóia a falsidade
Não se dobra a autoridade
De quem gera a opressão
Promove a libertação
Da vida que é sua e minha
O povo de Deus caminha
Em busca da salvação.

souddd.wordpress.com

CRISTÃO QUE CRÊ NÃO MORRE

Fonte: cordelcristao.blogspot.com/
Autor: Tarcísio José Fernandes Lopes

Um cristão com mão amiga
Que tem Deus no coração
E que ama seu irmão,
Só quer paz, não quer intriga.
Esse aí Deus não castiga.
Se o pecado não lhe acorre,
Sua salvação ocorre;
Então ele grita forte:
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre.

É assim que eu quero ser,
Para isso me preparo.
Pecador eu me declaro
Mesmo sendo sem querer.
Mas trocando o prazer
Que da tentação decorre
Por um Deus que me socorre,
Ir pro céu será meu norte.
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre.

O que eu quero é viver,
Pra morrer não tenho pressa.
Minha vida recomeça
Quando Deus levar meu ser.
Quando isso acontecer
Todo mal de mim escorre,
Porque Deus a mim socorre.
E se Deus é meu consorte,
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre.

Todo dia agradeço
A meu Deus por minha vida,
Que em mim foi concebida
Sem nenhum “mau adereço”.
Eu não sei se eu mereço
Ter a vida que me acorre.
Se a mereço, que me jorre
Abundante esta sorte.
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre.

Repensando meus conceitos,
Caibo bem neste meu mundo.
Meus deveres não confundo
Com quaisquer dos meus direitos.
Expurgando meus defeitos
Em meu ser o bem percorre
E meu íntimo assim discorre:
– Se a fé me dá suporte,
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre.

Nesta estrofe derradeira
Eu revelo um segredo:
De morrer, eu tenho medo,
Foi assim a vida inteira.
Sei que a vida é passageira
Mas não quero que ela torre.
Sei que a morte sempre ocorre,
Mas morrer não é meu forte.
Não se achegue, dona morte,
Pois cristão que crê não morre

Imagem: imagensbiblicas.wordpress.com

quinta-feira, 21 de abril de 2011

À Direção da Novela Cordel Encantado

Fonte: projetocordel.com.br

Por Francisco Diniz

           Prezados,

          Como cordelista estou feliz por vocês abrirem um espaço tão importante para a cultura popular ao produzirem a novela Cordel Encantado, que irá ao ar em breve. Tenho certeza que será uma colaboração grandiosa na divulgação e consolidação do resgate do folheto de cordel. Teremos milhões de pessoas discutindo a poesia popular. 
     Em nosso site: http://literaturadecordel.vilabol.uol.com.br/entrevista2.htm temos uma entrevista onde, sobre a divulgação do cordel, dizemos em 19 de novembro de 2005 o seguinte para as estudantes da Universidade Metodista de São Paulo Thaís Gonçalves e Amanda Prado, responsáveis pelo blog http://cordelsp.zip.net/: "... Também acredito que quando a grande mídia, especialmente a rede globo, veicular em sua programação jornalística, novelas, entrevistas, programas de auditório e em anúncios publicitários sobre a importância do cordel, teremos um grande avanço na comercialização dos títulos".
           Espero e torço para que, no decorrer da novela, seja mantida a originalidade na formatação dos exemplares a ser exibidos, bem como os textos de cordel respeitando-se a métrica e a formulação das estrofes conforme a tradição, assim respeitaremos a própria história do folheto popular.
           Perdoem-me a ousadia, mas gostaria de ver um personagem na novela a percorrer feiras, praças e casas das pessoas com sua mala de folhetos declamando-os, cantando-os, vendendo-os e interagindo com os demais integrantes da trama. Acho que isso ajudaria a lembrar dos folheteiros que faziam este papel nas feiras de todo o Nordeste brasileiro e pelo Brasil afora. Este trabalho sustentava famílias, levava entretenimento e conhecimento às pessoas. Muitos aprenderam a ler e escrever através do cordel e isso prova o poder didático que tem a nossa poesia.

         Um grande abraço e muito sucesso!
         Atenciosamente,
         Cordelista Francisco Diniz, 02.04.2011.
www.projetocordel.com.br

POETA ALLAN SALES

Por Allan Sales. Fonte Blog Clube do Repente

Uma parte da minha obra em literatura de cordel vem de uma inspiração de temas sociais, outra parte eu dedico à educação com temas da nossa história e temas de educação ambiental, finalizo esse meu espaço temático com peças de humor. Uma das que mais me pedem para declamar é um texto que escrevi em 2003, chamado Americanalhando, que versa sobre a cultura de massas “made in USA”,que vem sendo empurrada pra cima de nós desde os tempos do fim da segunda guerra mundial, quando Tio Sam resolveu consolidar sua influência nos países da América Latina.

“A cultura nasceu na Grécia e morreu nos Estados Unidos....”
(GLAUBER ROCHA)

Autor: Allan Sales

A cultura americana
Há muito tempo invadiu
Com um monte de leseiras
Pelo mundo e no Brasil
Já tô ficando arretado
Com tanto lixo enlatado
Porra! Puta quepariu!

E tem um tal de Piu Piu
Frajola um gato safado
Que vive a fim de comer
Um passarinho viado
“Acho que vi um gatinho”
Assim fala o passarinho
Amarelo e afrescalhado

Tem o Hulk esverdeado
Que custou muitos milhões
Ele grita feito louco
Berrando a plenos pulmões
Grita tanto quase engasga
Pois a calça nunca rasga
Fica apertando os culhões

E tem heróis bem machões
Menos o homem morcego
Amigado com um boyzinho
Com Robin tem aconchego
Mas só tem herói branquelo
Não tem herói amarelo
Sem falar que não tem nêgo

Tio Sam não dá sossego
Na cultural invasão
Na canção e no cinema
Polui a televisão
Homem Aranha, rock e clip
Free Willy, Zorro e Flip
E Van Dame o maricão

Stalone é um bundão
“Xuazineguer” outra bosta
No mundo tem tanto besta
Que aprecia e que gosta
É bala e tanta porrada
E o conteúdo é de nada
É nisso que se aposta

Alienar é a proposta
Empurrar ideologia
Fazer de bom o mocinho
Que é bandido da CIA
Que está ao lado do “bem”
A imagem que convém
Mostrada com simpatia

O Batman é uma “tia”
Super Man um tabacudo
Jerry Lewis um retardado
E Popeye é um chifrudo
Leva gaia da magrela
Vive brigando por ela
Com brutamontes barbudo

E como atrapalha o estudo
Ocupando a meninada
Viciada em TV
Vai ficando alienada
Consumindo porcaria
E no lixo se vicia
Vai ficando abestalhada

E por falar na negada
Michael Jackson o mané
Ficou branco feito talco
E com cara de “mulé”
É chegado à sodomia
Praticou pedofilia
Só não crê quem não quiser

Até quando se puder
Empurram o lixo insano
Mas existe quem combate
Como meu mestre Ariano
Da cultura brasileira
Vai levantando a bandeira
Contra o lixo americano

E piora a cada ano
A invasão cultural
No cinema até na dança
Na expressão musical
Abastardam o português
Com tanta coisa em inglês
Na prosódia nacional

E o babaca acha legal
“Milk Shake” de cultura
No mundo globalizado
É só essa a impostura
Tudo americanalhado
O resto todo esmagado
Dá nojo esta ditadura

Meu coração não atura
Resiste qual Dom Quixote
À imposição do gigante
Em nós querendo dar bote
Sou mais Monteiro Lobato
Mais que Disney um literato
Que nos legou grande dote

E aqui termino sem mote
Este versinho febril
Falando das fuleiragens
De americano imbecil
Viva minha gente brejeira
E a Cultura Brasileira

JOVENS CORDELISTAS

FOTO: GEORGIA SANTIAGO

Fonte: Diário do Nordeste: diariodonordeste.com.br

Jovens cordelistas que viajam pelo mundo da poesia e versam sobre temas atuais e romances
FOTO: GEORGIA SANTIAGO

Inspiração e técnica são elementos essenciais para um bom cordel criar. Entre métricas e versos, uma bela história vamos contar. Dois jovens cordelistas viajam nesse mundo de poesia para a sua própria rima cantar

Os assuntos são os mais variados. Fatos da política, sertão, cotidiano ou romances podem virar tema de cordel. Pesquisadores apontam que a origem desta literatura, que ficou tão popular no Nordeste, seja alemã. No Brasil, os primeiros folhetos apareceram em 1893.
A popularização do cordel foi possível, apesar dos altos índices de analfabetismo, porque os poetas entoavam seus versos nas praças. As rimas melodiosas podem despertar os mais diversos sentimentos dos leitores. Reflexão, emoção, alegria, tristeza e até sonhos são revelados a cada novo verso. É neste sentido que trabalha a estudante de Pedagogia Julie Ane Oliveira, 18 anos. Filha de cordelista (Rouxinol do Rinaré), ela sempre esteve envolvida com cordéis. "Diria que desde que ´me entendo por gente´. No meu lar, a leitura sempre foi presente, assim como o arroz e o feijão (risos)", diz ela, que teve o primeiro contato com a literatura de cordel através da leitura dos trabalhos do pai, bem como também de clássicos de autoria de Leandro Gomes de Barros.
Entre eles, "O cavalo que defecava dinheiro", "O cachorro dos mortos" e "A peleja de riachão com o diabo". "Como toda criança me encantei pela sonoridade das rimas, pelas histórias de príncipes, princesas, causos engraçados. Me via como personagem das histórias lidas. Algumas até tentava decorar. Até que um dia, descobri que podia criar minhas próprias histórias também", comenta Julie.
A estudante destaca que a leitura de autores contemporâneos, como Arievaldo Viana, Marco Haurélio e Klevisson Viana, também fez parte de sua formação enquanto escritora.
Atualmente, o encanto de Julie vai além das histórias e pelas rimas. "Meu maior fascínio é pela capacidade versátil que o cordel assume na sociedade atual, não apenas como instrumento de entretenimento, mas como uma eficiente ferramenta na educação, sendo utilizado em sala de aula como recurso paradidático", comenta ela, que fará o trabalho de conclusão da faculdade sobre essa temática.
Primeiros passos

Aos 10 anos, Julie já começava a criar seus primeiros versos. Um ano depois, ela já teve a oportunidade de publicar o primeiro texto em cordel: "A esperteza de João, o rapaz pobre que casou com uma princesa", publicado pela Tupynanquim Editora (2003). Hoje, a cordelista tem quatro publicações e pretende aumentar este número em breve.
"Tenho alguns trabalhos engavetados, mas nesse momento estou com um trabalho novo sendo ilustrado por Rafael Limaverde. O livro será direcionado para educação infantil, especialmente aos anos iniciais. A obra é intitulada ´Brincando com a matemática´ e será publicada pela Conhecimento Editora. O lançamento está previsto para maio na Livraria Cultura de Fortaleza", adianta ela, que desde quando começou a escrever, sentiu maior interesse pela literatura infantil.
"Minhas abordagens no geral são adaptações de contos clássicos, aventuras, romances de bravura (com príncipes e princesas). Só tenho um tema de drama. Chama-se ´Uma tragédia em família ou o pai que matou o filho´, que inclusive não foi tão bem aceito pelo público quanto o primeiro. Imagino que pelo impacto da temática talvez", destaca ela, que vê no cordel a possibilidade de dar uma cara nova para esses contos clássicos. "Mas procuro não me limitar, já fiz trabalhos por encomenda e trabalhei com variados temas. A minha real preferência são histórias que encantem o imaginário das crianças, assim como encantaram o meu", diz.
Inspiração nos clássicos

Este é o mesmo caminho seguido pelo estudante Josué Lima, 13 anos. Há dois anos, ele fez uma oficina de cordel e já começou a escrever os primeiros versos. Depois de fazer um trabalho escolar sobre drogas, o jovem cordelista aproveitou o tema e lançou seu primeiro trabalho: "Os malefícios das drogas na visão de uma criança". Na sequência, lançou "O príncipe sortudo e a sapinha encantada" e "O Mandarim e a borboleta", em parceria com o pai Evaristo Geraldo.
Tímido, Josué gosta mesmo é de se expressar através dos textos. Segundo ele, seu processo criativo é natural e espontâneo. "Leio muito e depois vou criando as histórias aos poucos. Às vezes consulto o dicionário também", comenta o adolescente que está no oitavo ano e que ainda não pensou sobre qual carreira vai seguir. Uma coisa certa é que ele pretende mesmo continuar escrevendo.
Julie conta que também não tem uma rotina definida de criação. "A inspiração é que comanda. Algumas vezes no caso de encomendas, ou convite para participar de uma coleção, sento e rabisco meus primeiros versos. Mas, no geral, não tem hora nem lugar. O importante é ter sempre papel e caneta à mão", declara.
Desafios

Publicar os cordéis ainda é uma dificuldade encontrada pelos cordelistas. Atualmente, eles contam com algumas editoras especializadas, mas o público nem sempre valoriza a produção.
Além disso, a questão técnica (métrica, por exemplo) ainda é um desafio diário para Josué, que se aperfeiçoa por meio da leitura de outros cordéis. Já para Julie, não há problema nenhum. Meu hábito de leitura e escrita vem desde a infância. No entanto, algumas pessoas têm o dom, porém precisam aperfeiçoar a técnica. Pois, o cordel assim como o soneto, a crônica, o conto, tem suas peculiaridades na estrutura. Por isso, hoje trabalhamos muito com oficinas de cordel, visando dar um suporte a essas pessoas", diz a cordelista.

FOTO: GEORGIA SANTIAGO

Josué cria cordéis baseados em contos clássicos da literatura infantil
FOTO: GEORGIA SANTIAGO

FOTO: KID JÚNIOR

Julié já publicou quatro cordéis e se prepara para lançar um novo trabalho
FOTO: KID JÚNIOR

O mistério da pedra encantada

A esperteza de João

O mandarim e a borboleta

O príncipe sortudo e a sapinha encantada

VALE A PENA LER DE NOVO:CORDEL “TIRADENTES: O LADO MAIS FRACO DA CORDA”

Leitor ao ler estes versos
Chamo a sua atenção:
Não vou recontar história,
Mas trazer reflexão
Sobre os fatos ocorridos.
Com os pés firmes no chão.

Leitor você já pensou
Por que a inconfidência
Mineira resultou numa
Incomparável inclemência
Somente com Tiradentes
E aos outros branda ocorrência?

A história brasileira
Vez em quando é repetida.
Um dia desses mataram
Chico Mendes e Margarida
Principalmente por virem
Da classe baixa oprimida.

Pois se a pessoa é rebelde,
Porém tem nome e dinheiro.
A família é da elite
Do Brasil e do estrangeiro
Pensam duas vezes antes
De burlar seu paradeiro.

Veja o que aconteceu
Ao ilustre Tiradentes:
Ele estava rodeado
De um bando de inconfidentes,
Mas só a ele restou
O choro e ranger de dentes.

Portugal necessitava
Adornar seu oratório:
Sua inquisição vigente
Queria ouro no empório.
Pegou então Tiradentes
Como bode expiatório.

Condenar o Tiradentes
Foi muito cômodo ao reinado.
Responda-me ele era quem?
Um ex- alferes lascado.
Um líder pobre sem eira.
Um sem poder revoltado.

Os outros eram barões
Do dinheiro e do intelecto.
(Um a um analisaram
Construindo um retrospecto)
Só Tiradentes perdia
Diante destes aspectos.

Segue a enumeração
Dos principais conjurados.
Inconfidentes mineiros
Dentre outros destacados.
Só o Cláudio Manoel
Morreu sem ser libertado.

Tomás Antonio Gonzaga,
Domingos de Abreu Vieira.
Carlos Correa Toledo
Francisco Antonio Oliveira.
Inácio José Peixoto.
Só a classe rica mineira.

Os padres José da Silva
E Oliveira Rolim.
O sargento-mor Luiz
Vaz de Toledo e enfim
Joaquim José da Silva
O que teve triste fim.

Dentre os que participaram
Estes se destacam mais
Por serem representantes
Das altas classes rurais,
Clérigos e militares.
Grandes intelectuais.

Dentre os inconfidentes
12 foram condenados,
Porém só o Tiradentes
Para a forca foi levado.
Se fosse das classes altas
Tinha sido libertado.

Vemos que nossa justiça
Sempre agiu de forma branda
Com quem faz parte das classes
Sociais de quem comanda.
Sobra para o indivíduo
Que em quase nada manda.

É de práxis existir
Na história um traidor.
Tiradentes não fugiu
Desta regra, meu leitor.
O nosso Judas da vez
Foi o tal Silvério Reis
Um covarde sem pudor.

Cumpriu-se assim outra práxis.
Quem pensa logo descobre:
Na história brasileira
Quase todo mártir é pobre.
Parece que no Brasil
Morrer pela mãe gentil
Não ficou pra “classe nobre”.

Mataram o Tiradentes
Pelos motivos citados.
Por todo o sempre seu nome
Deverá ser exaltado,
Porém quantos Tiradentes,
Lutando por nossa gente
Morrerão executados?

Manoel Messias Belizario Neto (@cordelparaiba)

Imagem: educaja.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Lançamento do mais novo Cordel de Roniere Leite Soares

Fonte: blog: familialeite-pb.blogspot.com

Os Versos do Vaquiro Antônio Bernardino versus o boi Cambaú do Sítio São Joãozinho.

Convite:

Lançamento do oitavo cordel: 28/04/2011(quinta-feira), na Escola Técnica Redentorista (ETER), Campina Grande-PB, às 16h:00. O folheto se trata de uma estória criada a partir de duas histórias do Município de Boa Vista: a saga do boi Cambaú e a vida do vaqueiro Antônio Bernardino do Nascimento, avô materno do poeta Roniere. A data impressa na capa do cordel remete ao dia da independência política da cidade boavistense, 29 de abril, trazendo a noção de vitória a ser conquistada no ato da prisão do Boi Cambaú, dominado pelo vaqueiro Antônio Bernardino, nesta mesma data.

ROBERTO CARLOS NA LITERATURA DE CORDEL CARTA DO SATANÁS A ROBERTO CARLOS

 

Fonte: Blog Acorda Cordel na Sala de Aula: acordacordel.blogspot.com

           Desde meados da década de 1960 que a Literatura de Cordel enfoca ROBERTO CARLOS como um de seus personagens favoritos. Conheço dezenas de folhetos onde o Rei aparece de forma engraçada e caricatural. Aliás, este assunto já foi postado aqui mesmo, com a reprodução de um excelente artigo do poeta e pesquisador baiano Marco Haurelio. Hoje, dia 19 de abril, data em que ele faz 70 anos, vamos reproduzir trechos de um desses folhetos, clássico do catálogo da editora LUZEIRO, de São Paulo. "Quero que vá tudo por Inferno" fez tanto sucesso, que além de tocar no carnaval do ano seguinte (1966) serviu de tema para Enéias Tavares Santos escrever em literatura de Cordel a "Carta do Satanás a Roberto Carlos"

Enéias Tavares Santos
Carta do Satanás a Roberto Carlos

Roberto Carlos cantando,
Esse seu disco moderno,
Aonde diz que alguém venha,
Aquecê-lo "neste inverno",
E depois dele aquecido,
"Tudo o mais vá pro inferno".

Há poucos dias, por isso,
Uma carta recebeu.
Que o Satanás lhe mandou,
Com medo do disco seu,
Vamos saber na missiva,
O que foi que ele escreveu:

-"Inferno, côrte das trevas,
Meu grande amigo Roberto,
Eu vi o seu novo disco
É muito bonito, é certo,
Mas cumprindo a sua ordem,
O mundo fica deserto.

Porque você está mandando
Todo o mundo para aqui,
Se esse povo vier todo,
O que é que fica aí ?
Será o maior deserto
Que eu fico vendo daqui.

Homem que bate em mulher
Tem para mais de um milhão,
Mais duzentos mil tarados,
(Entre rapaz e ancião),
Setecentos mil ladrões
Tem num pequeno galpão.

E quanto mais você canta
Ainda mais gente vem,
Só de moça depravada
Ontem chegou mil e cem,
Aqui já está de uma forma
Que não cabe mais ninguém.

Você diz que não suporta
Ela longe de você,
Eu que vou suportar
Tanta gente aqui, por que?
Que fique tudo lá mesmo
Cantando o seu ABC.

O sofrer aqui é tanto
Que estou de boca amarga
E breve o meu inferno
Faço uma porta tão larga
Que encho o mundo de diabos
Com a primeira descarga.

Aqui não tem mais lugar
Nem mesmo para um ateu,
O meu enorme fichário
Esta semana se encheu,
Os apêrtos deste inferno
Quem sabe mesmo sou eu.

(...)
De batedor de carteira,
Ninguém pode mais somar,
Ladrão de galinha é tanto
Que não se pode contar
É um por cima do outro
E eu sem jeito para dar...

Filhos desobedientes
Que não respeitam seus pais,
Vive tudo amontoado
Dando suspiros e ais,
Com todos os quartos cheios,
Não tem onde botar mais.

E soldados que na feira
Aborrecem o folheteiro
Querendo cobrar imposto,
Lá no porão derradeiro,
Tem tantos que já estão
Exalando até mau cheiro.

Moça que vai para a rua
À noite depois da janta
E volta de madrugada,
No inferno já tem tanta
Que se eu for dizer o número,
Muita gente aí se espanta!

Poeta plagiador,
Também já tem um bocado,
E também dono de venda
Que vende charque molhado,
Aqui dentro do inferno,
Vive tudo amontoado.

(...)

PARA CONHECER A ÍNTEGRA DESSE FOLHETO, PROCURE ADQUIRIR O LIVRETO QUE É PUBLICADO E VENDIDO PELA EDITORA LUZEIRO.

CORDEL ENCOMENDADO EM CIMA DA HORA

Fonte: Jornal da Besta Fubana

Por: Allan Sales

Nestes dias, recebo um atencioso telefonema de uma querida amiga que sempre esteve em nossos recitais. Ela é declamadora e grande colaboradora da União dos Cordelistas de Pernambuco, entidade da qual sou um dos fundadores e hoje sou colaborador nas atividades que nossos amigos empreendem aqui no Recife e região. A amiga está fazendo pós-graduação na área de administração da qual concluiu com louvor o bacharelato pela UFPE. Ela me perguntava se eu tinha algum texto em cordel versando sobre salário, ela pretendia empregar algo assim na explanação que ela e seu grupo fariam num seminário constante da grade curricular da pós-graduação.

Disse pra ela que não dispunha de nenhuma texto sobre o tema salário. Estávamos nós também de conversa pelo MSN, eu comecei a escrever uma primeira estrofe que mandei imediatamente, as onze seguintes saíram no espaço de tempo de cerca de vinte minutos em que estivemos conversando on-line. À noite,voltamos à prosa na internet, eu diagramei o cordel e envie para que ela o imprimisse, e fizesse dele veículo de informação no contexto de sua explanação de trabalho acadêmico. Segundo ela, no dia seguinte, um sucesso sua exposição junto com os seus colegas. O texto em questão foi esse.

I
O salário brasileiro
Como manda a tradição
Tão voraz tanto patrão
Ao negar nosso dinheiro
Eu recebo o meu inteiro
Pagar conta é minha sina
Vou sem libra esterlina
Eu que vivo aqui penando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

II
Sou obreiro e operário
Posso até ser professor
Até mesmo ser doutor
Motorista até bancário
Pouco dura meu salário
Pesadelo descortina
Meu patrão é gente fina
Segue assim acumulando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

III
Uma tal de mais-valia
Disse Marx comunista
Acumula um vigarista
Dono dessa economia
Explorado em toda via
Meu trabalho desatina
Pro patrão é uma mina
Eu produzo ele ganhando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

IV
O Brasil sempre atrasado
Descobrir mercado interno
Mas aqui ainda um inferno
Povo assalariado
Vai seguindo endividado
Toca a mesma concertina
Sem confete e serpentina
DIEESE reclamando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

V
Apelar pra sindicato
É caminho complicado
Tem pelego encastelado
Isso vejo ser um fato
Eu quero sair do rato
Sem comprar nada da China
Quero ouro e purpurina
Só na loto eu ganhando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

VI
O Brasil capitalista
Sempre esquecendo o povo
E não faz nada de novo
Não será nosso avalista
Novo mundo se conquista
Com coragem genuína
A história nos ensina
A seguir sempre buscando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

VII
Se salário vem de sal
Sua invenção romana
Trabalhar toda semana
Com descanso no final
Meu salário vem mensal
Como regras de menina
Em três dias ele culmina
O seu fluxo secando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

VIII
Eu vou me mobilizar
No mercado de trabalho
E assim quebrar meu galho
Se vou me qualificar
No concurso se passar
Algo bom que se defina
Vou virar é gente fina
Se o patrão me aumentando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

IX
Sou um capital humano
Definido como tal
Minha força laboral
Assim vista neste plano
RH não é tirano
Cumpre o que se determina
A carteira assim se assina
E do meu vão descontando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

X
Tempos de modernidade
Querem flexibilizar
E assim globalizar
Os peões da humanidade
Os do campo e cidade
Do Ibura e lá do Pina
Da fazenda e da usina
Mas no fim quem sai ganhando?
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

XI
Tem salário de chinês
Dizem ser escravizado
Europeu remunerado
Seu salário tem mais vez
Mas aqui o que se fez
Até hoje se rumina
Muita gente campesina
Nem o mínimo levando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina

XII
E assim vou trabalhar
E manter todo sistema
Vou tocar o mesmo tema
Todo dia labutar
O negócio é laborar
Ócio é coisa bem suína
Posso até fazer faxina
Mas não fico malandrando
Vejo o mês continuando
Meu salário antes termina.

Imagem: janela.com.br

A SAGA DE CHICO CÉSAR CONTRA O FORRÓ DE PLÁSTICO I - TWITTADAS

A tradição musical
Nordestina brasileira
Precisa ser preservada,
Pois tem valor de primeira.
Chico César disse não
à cultura da besteira.

Muito lixo cultural
Tem invadido o país.
O governo da PB
Age de forma feliz
Quando dá prioridade
à cultura de raiz

A visão de Chico César
É algo muito legal.
Artista bom não apóia
Nenhum lixo cultural,
Porque lixo é uma ala
Que nos representa mal.

Um forró porcarizado
Vulgar, sem nenhum matiz
É lixo e bem diferente
Do arrasta-pé de raiz.
Dá-lhe Chico César Nele.
O bom-senso é o juiz.

Chico César é um dos grandes
Da cultura mundial
E isto confere a ele
Todo respeito e moral
Para bater de cacete
No esgoto cultural.

Chico César se coloca
Contra tanta porcaria
E esta postura dele
É motivo de alegria.
Devemos comemorar
Sua coragem e ousadia.

Quem defende a porcaria
Ficou muito indignado
Com o que Chico César disse
Num discurso acertado,
Porém um número imenso
De gente junto ao bom-senso
Permanece do seu lado.

Manoel Messias Belisario Neto (@cordelparaiba)

Imagem: territoriopotiguar.blogspot.com

terça-feira, 19 de abril de 2011

VALE A PENA LER DE NOVO: CORDEL “TRIBUTO AO ÍNDIO”

Antes de nossa chegada
Como o índio era feliz!
Tinha a mãe natureza
Como suprema matriz
Da qual extraía a seiva
Necessária ao seu matiz.

A mãe natureza era
Ao extremo respeitada
Porque o índio entendia
Que sem ela ele era nada.
Neste tempo, Pindorama,
Realmente foste amada!

Não tinha poluição,
Queimadas, desmatamento.
Não havia inseticida.
Era puro, o alimento.
O globo sorria alegre
Livre do aquecimento.

O índio só extraía,
da natureza, a essência
A qual fosse necessária
À sua sobrevivência.
Tinha então com o meio
Perfeitíssima convivência.

Não tinha capitalismo
Selvagem ou domesticado.
Com união e respeito,
Todo mundo era tratado.
Cada índio tinha o seu
Espaço igual reservado.

Então chega o europeu
Com o "verdadeiro ideal"
De vida e se escandaliza
Diante do Natural.
Fareja a terra do índio
Como alvo principal.

O índio então vai cedendo
Iludido ou obrigado.
Entrega suas riquezas
Entre elas o legado
Cultural que invadido
Se torna fragilizado.

Quando o índio percebe
Deus! Já é tarde demais...
Os que se diziam amigos
Eram inimigos fatais.
Tomariam suas terras
Com covardia voraz.

Um minuto de silêncio,
Peço ao amigo leitor
Pelo massacre expedido
Que causara grito e dor.
Chamamos dizimação,
Esses atos de horror.

Sinto-me envergonhado,
Caro índio, nesse dia.
Sei que nenhuma desculpa
Vai curar a tirania
Praticada contra ti.
Teu sangue não silencia.

Mesmo assim peço perdão
Por todo o mal que te fiz.
Não é certo massacrar.
Dar vazão à cicatriz
Incurável em função
Da construção de um país.

Se for possível perdoe
Esta vã humanidade
Que se destrói dia-a-dia.
Para ela, na verdade,
O dinheiro e não a vida
Tem maior prioridade.

Percorro quinhentos anos
E ao povo índio contemplo
Na certeza de que ele
É o mais elevado exemplo
De vida a ser seguido
Pelo mundo em qualquer tempo.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Imagem: avisoemdois.com.br

A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no ensino de Literatura

Fonte: Site Pedagogia ao Pé da Letra

A LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE INCENTIVO NO ENSINO DE LITERATURA

Autor: Marcos Antonio Pontes


RESUMO

Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar dados sobre uma das competências menos desenvolvidas no ensino de literatura em sala de aula, que é sem dúvida alguma o gênero cordel, que pode ser uma boa oportunidade do aluno ter um contato com a experiência cultural que emanar desta literatura e toda sua riqueza expressiva, quanto à articulação de várias linguagens – verbal oral, verbal escrita, musical e visual e quanto aos diversificados temas que o aborda.

Podemos assim conhecer, valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o imaginário do folclore, presente na produção do cordel. Além disso, é bem interessante discutir com os alunos como a literatura de cordel, até por sobrevivência acaba de incorporar inovações da industrial cultural o que a torna mais rica e diversificada.

1. INTRODUÇÃO

É muito rica e diversificada a produção cultural de um povo; mas o nordestino é especial. No entanto, talvez o nosso maior problema seja a não valorização daquilo que temos. É mais propício aceitar o que a mídia propõe do que explorar o que está em nosso dia-a-dia.

A literatura de cordel é exatamente isso – cultura popular. Os versos estão sempre relatando acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é. Sua produção é simples como o povo; não requer tanto “estilísmo” ou “formalidades”; sua abrangência alcança todos as classes sociais. Assim, o que falta é o reconhecimento e a valorização. Ao propor este trabalho para os alunos em sala de aula, estaremos oferecendo um leque de recursos que os ajudarão em várias carências de aprendizagem, como a produção textual, a leitura, a escrita, a linguagem não verbal (na análise da xilogravura), apreciação artístico-literária e um universo para a socialização e cidadania, principalmente, no campo da Literatura.

É um campo de estudo pedagógico onde os professores terão subsídios – didáticos para trabalhar vários tipos de conteúdos, pois estes podem ser adotados aos objetivos que forem traçados. Ao mesmo tempo é uma oportunidade para que este ramo da literatura popular tenha uma chance de aceitação e valorização; fazendo despertar entre as pessoas o gosto pela preservação dos nossos artistas e da cultura nordestina nas escolas.

1.1. OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral.

Proporcionar a escola e ao professor a inclusão da Literatura de Cordel em sala de aula para que se estabeleçam propostas para a difusão dessa arte literária entre os alunos, fazendo com que se promova a qualidade da leitura, o traço forte da oralidade, presente nas falas dos personagens populares (sertanejos, brejeiros, …) e a elaboração textual focalizando bem como a história do cordel a vida e a obra de grandes cordelistas para que possa conhecer esta riquíssima expressão literária popular .

1.1.2. Objetivos Específicos.

Conhecer uma rica manifestação da nossa literatura (nordestina) caracterização de valores pedagógicos (leitura, escrita e métrica dos versos) na utilização do cordel.

Possibilitar o aluno o conhecimento da linguagem cordelista, enfocando a cultura nordestina em prol da valorização das nossas raízes.

Promover uma aproximação do aluno com a cultura popular nordestina.

Estimular um olhar crítico e simultaneamente poético sobre a realidade sertaneja.

1.2 . JUSTIFICATIVA

Sabe-se que o contexto educacional, desde os tempos mais remotos, vem sempre relutando em relação ao ensino-aprendizagem, ou seja constates mudanças em prol da aprendizagem, porém ainda a de melhorar eis o que o aluno de hoje não tem a capacidade de interpretar ou discutir o que esta lendo e de que se trata o texto.

Diante dessa questão e considerando ainda o “contexto educacional”; esse trabalho tem como justificativa reconhecer a diversidade cultural e lingüística do país, conforme avalia Maria José em seu artigo da revista “Nova Escola” sobre o incentivo da literatura de cordel,

“… utilizei a literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar preconceitos da língua portuguesa., “Mostre a seu alunos que a língua popular muitas vezes e ridicularizada porque o povo é discriminado”, afirma a professora . peça que eles descubram a regra desses versos, que fogem do padrão institucionalizado. Trabalhando com músicas de Luiz Gonzaga, fã confesso de Lampião, também poder ser bons matérias para ilustrar a vida do povo nordestino. Coloque música do rei do baião para seus alunos ouvirem e dançarem . “É um reconhecimento da diversidade cultural e lingüística do pais’.

Assim sendo, e considerado o que foi expresso acima, a literatura de cordel é um assunto interessante e de grande importância para nossa região, pois todo ser humano tem necessidade de conhecer suas origens, o passado, sua história , a cultura e os costumes da sociedade onde vive, de sua região.

A literatura de cordel nas escolas não é muito conhecida nem explorada, pois a mesma e vista de forma avessa pelos os alunos, não trazem consigo o sabor de que “Literatura é vida, é arte” devido essa percepção a respeito da falta de divulgação e conhecimento sobre literatura de cordel nas salas de aulas , tornou-se necessário que os alunos conheçam a riqueza que existe nos versos da literatura da cordel para que possam produzi textos, enriquecer como leitor e conhecer uma das mais ricas manifestações da língua.

1.3. METODOLOGIA

  • Propor aos alunos uma oficina de literatura, utilizando o cordel, como estudo.
  • Estudar o cordel, a origem, a historia, a métrica.
  • Desenvolver um projeto “resgatando o cordel” para ser apresentado em sala de aula.
  • Assistir vídeos onde a linguagem utilizada seja em forma de cordel.
  • Utilizar filme “A Quenga e o Delegado” inspirado no cordel de Antonio Kelvisson Vianna de Lima, onde mostra a linguagem do cordel, narrativa estrutura em versos e rimas e assim desenvolver o interesse do aluno sobre a linguagem cordelista.
  • Aproveitar o teor do filme “A Quenga e Delegado” para fazer um painel enfocando questões como a seca, condições de trabalho no campo, diferença social, as crenças populares, a religiosidade do sertanejo, o mito, o lendário e a vinculação de críticas sociais e políticas. A temática principal deste gira em torno do interesse popular.

2. BASE TEORICA.

2.1 A origem da literatura de cordel.

Do romanceiro popular português originou-se a literatura de cordel começou a ser divulgada nos séculos XVI e XVII, trazida pelos colonos portugueses cuja venda era privilégio dos cegos . A partir do século XIX o romanceiro nordestino tornou-se independente, com característica própria, esse nome surgiu a partir de um cordel ou barbante em que os folhetos eram pendurados em exposição. Na origem, a literatura de cordel se liga à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de épocas passadas que a memória popular conservou e transmitiu. Essas narrativas enquadram-se na categoria de romance de cavalaria, amor, guerras, viagem ou conquista marítimas. Mais tarde apareceram no mesmo tipo de poesia a descrição de fatos recentes e de acontecimentos sociais contemporâneos que prendiam a atenção da população.

Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamada de “pliegos sueltos“, o corresponde em Portugal, às folhas volantes, folhas soltas ou literatura de cordel. No México, na Argentina, na Nicarágua e no Peru há o corrido, compõe-se em geral de dois grupos: os de romance tradicionais, com temas universais de amor e morte, classificados em profanos, religiosos e infantis; e oscorridos nacionales, com assuntos patrióticos e políticos estes últimos os menos cantados.

Na França, o mesmo fenômeno corresponde á “litteratue de colportage“, literatura volante , mais dirigida ao meio rural, através do “occasionnels”, enquanto nas cidades prevalecia o “canard“.

Na Inglaterra os folhetos são semelhantes aos nossos eram correntes e denominados “cockes” ou “catchpennies”, em relação aos romances e estórias imaginarias; e “broadsiddes” relativos às folhas volantes sobres fatos históricos , que equivaliam aos nossos folhetos de motivação circunstaciais. Os chamados folhetos de época ou “acontecidos“.

Na Alemanha, os folhetos tinham formato tipógrafos em quarto e oitavo de quatro e a dezesseis folhas. Editados em tipografias avulsas, destinavam-se ao grande público, sendo vendidos em mercados, feiras, tabernas, diante das igrejas e universidades. Suas capas (exatamente como ainda hoje , no Nordeste brasileiro) traziam xilogravuras, fixando aspectos do tema tratado. Embora a maioria dos folhetos germânicos fosse em prosa, outros apareciam em versos, inclusive indicação, no frontispício, para ser cantado com melodia conhecida da época.

No Brasil não mais se discute a literatura de cordel, nos chegou através dos colonizadores lusos, em “folhas soltas” ou “manuscritos“. Só mais tarde, com o aparecimento das pequenas tipografias, fins do século passado a literatura de cordel se fincou raízes sobretudo no Nordeste justamente para provar que é uma literatura bem popular, surgem também os chamados repentistas, que criam as letras na hora, de acordo com o pedido da platéia que lhes dão o assunto, e os cantadores obedecem geralmente cantam em dupla, e esses tem revelado os escândalos sociais e políticos e econômicos que nos últimos anos têm nos castigados.O cordel uma das peculiaridades da cultura regional.

A custa de muita luta, tanto os que cantam como os que escrevem o cordel, tem sobrevivido. Graças à vontade de fazer algo diferente o cordel tem rompido barreiras que pareciam intransponíveis, para poder ocupar o lugar que esta sendo habitado por coisas que não são do nosso pais.

2.2. Literatura de Cordel.

Os folhetos de cordel brasileiro, com seus múltiplos temas e expressiva forma de composição poética, têm sido objetos de estudo para pesquisadores do nosso país e também estrangeiros. Os textos de cordel poeticamente estruturados tendo como a sextilha como estrofe básica, são ilustrados com xilogravuras , chichês de cartões postais, fotografias, desenhos e outras composições gráficas e oferecem farto material para pesquisas ensejando variadas interpretações que remetem para o contexto sócio-cultural em que se inserem cada texto. Assim, os folhetos sobre os mais diversos temas, tradicionais ou contemporâneos são versejados por inúmeros poetas populares, estabelecendo-se relações icônico-textuais significativas, ou outras intratextuais.

Como se sabe , esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular, que encontrou campo fértil campo no Nordeste brasileiro, só pode ser bem compreendido dentro do contexto cultural mais amplo, envolvendo suas origem européia ou orientais, até a produção atual, de modo a se ter uma visão mais ampla dos seus temas e formas de expressão e das transformações por que vêm passando, no nível da estrutura da narrativa.

Literatura de cordel é o nome desse meio de oferece literatura popular, originou-se no fato dos vendedores, dependurarem pequenos livrinho em barbantes ou cordões, geralmente confeccionados nos tamanhos de 11x15cm ou 11×17 cm e, de papel de baixa qualidade, e tinham suas capas com ilustrada com xilogravuras na década de 20e anos 30 e 50, surgiam as capas com fotos de estrelas do cinemas americano. Atualmente, ainda o mesmo formato, embora possam ser encontradas em outros tamanhos. Quanto à impresão substituindo a tipografia do passado, hoje também são usadas as fotocópias, é comum encontrar os vendedores colocá-los em cima de caixotes ou esteiras, nas calçadas. Esses vendedores também costumam aparecer em feiras semanais. A literatura de cordel esta dividida em três tipos: folhetos que contenham oito páginas, romance que possuem de dezesseis a vinte e quatro páginas; e estórias de trintas e dois a quarenta e oito páginas.

De um modo geral, sua apresentação gráfica é bastante modesta, pois o preço é baixo, uma vez que se destina a camada mais baixa da população.

Esses livros narram os mais diversos assuntos, desde estórias de amor, as aventuras de cangaceiros e acontecimentos importantes, na tentativa de melhor vender sua mercadoria, costuma o vendedor ler em voz alta o conteúdo do livro para depois oferecê-lo aos prováveis compradores, os temas apresentados nesses livros aparecem em prosa ou em versos, sendo bastante comum esta forma, conforme também descreve em estrofes, Francisco Ferreira Filho Diniz em seu cordel “o que é literatura de cordel?” (ver anexo)

2.3 Xilogravura.

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

Aspecto de grande importância do Cordel é, sem dúvida, a xilogravura de suas capas. Sabe-se que o cordel antigo não trazia xilogravuras. Suas capas eram ilustradas apenas com vinhetas – pobres arabescos usados nas pequenas tipografias do interior nordestino. A partir da década de trinta, surgiram folhetos trazendo nas capas clichês de artistas de cinema, fotos de postais, retratos de Padre Cícero e Lampião. As xilogravuras ou “tacos”, como ainda hoje preferem chamar os artistas populares, usando madeiras leves, como umburana, pinho, cedro, cajá.

Na xilogravura, a resistência – maior ou menor – da madeira sofre transformações. Criam-se na madeira novos veios, outra trama. Fibras nascentes vão compondo vãos e cortes abertos pala goiva. Essas fibras nevrálgicas – amalgamadas ao branco do papel – compõem com ele os ritmos das fibras insurgentes, a contrastar com o filamento negro ou colorido da impressão. Integrada ao papel, a cor negra adquire valores de especiais. O negrume e a coloração registram uma urdidura única, inexistente na natureza. As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeiras, muito difundidas no Nordeste e sempre associadas à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passam a ser utilizadas na produção da capas dos folhetos.

Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado “menos nobre”, como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos. Sua grande popularidade veio com o cordel .

A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasileiros, como uma atividade extra – catequese, partindo do principio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, de maus pensamentos, ao pecado.

2.4. A estrutura da Métrica.

A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:

Repentista A – O cantor que pegá-lo de revés
Com o talento que tenho no meu braço…
Repentista B – Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e ponta-pés.

2.4.1 Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas

A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcelas.

Eu sou judeu
Para o duelo
Cantar martelo
Queria eu
O pau bateu
Subiu poeira
Aqui na feira
Não fica
Queimo a semente
Da bananeira.

Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rápida mente o oponente. Esta modalidade é pré-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

2.4.2 Verso de cinco sílabas

Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:

Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala

Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão

Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

2.4.3 – Estrofes de quatro versos de sete sílabas

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.

Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém

A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:

Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.

2.4.5 - Sextilhas

Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:

Aberto:
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.

Fechado:
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.

Solto:
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.

Corrido:
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário

Desencontrado:
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.

2.4.6 – Setilhas

Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 – 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 – 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:

Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você, Cavalheiro -
- Moleque, sou cangaceiro -
Lampião lhe respondeu.

- Não senhor – Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

Moleque não, sou vigia

e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas. Exemplos:

Cantador A
- Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou

Cantador B
- Você diz que não se engana
mas agora se enganou
Cantador A
- Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.

Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes:

Cantador A -
Este verso não é seu
você tomou emprestado
Cantador B -
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado
Cantador A -
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.

2.4.7 – Oito pés de quadrão ou Oitavas

Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 – 1860) são órfãos:

Como são belos os dias
Do despontar da existência
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar – é lago sereno,
O Céu – Um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida um hino de amor.

Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:

Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

2.4.8 – Décimas

As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:

Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

2.4.9 – Martelo Agalopado

O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 – 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido desejado. Como exem plo, vejamos estes alexandrinos

“Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste por viver no abandono,
fê-lo dormir logo um pesado sono
e lhe arrancou uma costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para secar um momento
mas por causa, talvez dum esquecimento
chegou um cachorro e a carregou,
nessa hora furioso Deus ficou
com a grande ousadia do animal
que lhe furtara o bom material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não sou mentiroso nem vilão,
nessa hora correu Deus atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva.”

Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:

Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza.

Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:

Tenho agora um martelo de dez quinas
fabricado por mãos misteriosas
enfeitado de pedras cristalinas
das mais raras, bastante preciosas,
foi achado nas águas saturninas
pelas musas do céu, filhas ditosas.

2.4.10 – Galope à Beira Mar

Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:

Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar.

Logicamente que há o galope alagoano, à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: “Nos dez pés de galope alagoano”.

2.4.11 – Meia Quadra

Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:

Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão

Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.

A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas.

No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.

Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mesmo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos, apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.

2.5 As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.

Repente: no Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas para cantar os seus versos. Eles aparecem nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, esse ultimo se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador, não importa a beleza da voz ou afinação o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o adversário apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofe de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e sexto), a sepetilha (sete versos em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas com o martelo, o martelo alagoano, o galope beira mar e tantas outras. O instrumento desses improvisos cantados também variam: daí que o gênero pode ser subdivididos em emboladas (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordel: A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos pendurados em barbantes (cordões) nas feiras, mercados, praças e bancas de jornais, principalmente nas cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere a literatura de cordel apenas como folheto.

Embolada: Canto geralmente improvisado com refrão fixo para o desafio de dois emboladores que se “enfrentam” de maneira semelhante aos repentistas da viola – a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. “A briga” se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos – neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.

“A história de Joana”
Preste atenção, amigo
Na história que eu vou contar
Não aconteceu comigo
Mas você pode se identificar
Trata-se de um amor não correspondido
Uma paixão de matar…
Era uma vez uma menina
Seu nome era Joana
Por todos era querida
Menos pelo menino que ama
Ela muito sofria
Porém ele não a correspondia
Ela fazia de tudo
Mas ele não a notava
Suas amigas diziam para esquecer
O menino que tanto amava
Mas ela não conseguia
Tirá-lo do coração
Toda vez que o via
Suspirava de emoção
Ele a ignorava
E ela morria de paixão
E um dia então
Ela resolveu se declarar
Falar pra ele quanto o amava
Já não agüentava mais se calar
Foi cheia de esperança
Se ele quisesse namorar. Ficar
Pelo menos tentar
Para ver no que dá
Chegou acanhada
A vergonha teve que engolir
Quando ela terminou
Ele postou-se a rir
E para todos falou
“Olhem só essa garota
O que veio me dizer
Que me ama imensamente
Ora, tenho mais o que fazer
Saia logo daqui
Posso ter melhores que você”
Todos riram dela
E Joana começou a chorar
Foi saindo de fininho
Andando bem devagar
Ela queria para sempre
Aquela cena apagar
Mas não conseguiu esquecer
A humilhação que passou
Um ódio começou a nascer
E então ela se vingou
Uma raiva enorme tomou conta
No lugar daquele amor
No outro dia, no intervalo
Todo mundo se calou
Quando ela apareceu
Uma arma sacou
E apontara para Mateus
O menino que tanto amou
Aos prantos começou a gritar
Estavam todos espantados
Não sabiam o que falar
Ela, então, começou a se pronunciar
Falou alto e claro e em claro tom
Para que todos pudessem escutar
Todos guardaram suas palavras
As quais irei lhes relatar
“Posso não ser o que você espera
Mais sou muito mais do que merece
Me arrependo por tê-lo amado tanto
Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto
Você me fez de idiota
Eu, a menina que mais lhe amou
Agora, olhe sua condição
Sua vida está em minha mão”
Mateus não sabia o que fazer
Mais não teve tempo para pensar
Joana não o perdoou.


2.6 A história da literatura de cordel no Nordeste.

Os folhetos de cordel, com seus múltiplos temas e como se sabe esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular que se encontrou fértil campo no nordeste brasileiro, espirada na literatura francesa Colportage, nos romances e pliegos sueltos hibéricos e na própria literatura de cordel portuguesa a nossa de literatura de folhetos (ou de cordel) nasceu e desenvolveu-se no nordeste brasileiro, cantando as sagas e a sabedoria do povo sertanejo. Atualmente, esta manifestação popular pode ser encontrada em diversos pontos do país, sempre incentivada pela comunidade nordestina.

O primeiro folheto que se tem noticia foi publicado na Paraíba por Leandro Gomes de Barros, em 1893, acredita-se que outros poetas tenham publicado antes, como Silvino Pirauá de Lima, mas a literatura de cordel começou mesmo a se popularizar no inicio deste século. As primeiras tipografias se encontravam no Recife e logo surgiram outras na Paraíba, na Capital e em Guarabira. João Melquiades da Silva, de Bananeiras, é um dos primeiros poetas populares a publicar na tipografia popular Editor, em João Pessoa.

Contrariando a austera do alto grau de analfabetismo, a popularização da Literatura de Cordel no Nordeste se deu mais pelo esforço pessoal dos poetas cordelistas, fora dos círculos culturais acadêmicos, contando suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de musicas. Os folhetos eram expostos em barbantes, ou amontuados no chão, despertando a atenção do matuto que se acostumou a ouvir os temas da literatura popular de cordel em suas idas às feiras, verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de fazer compras e vender produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.

Pode-se falar em Literatura de Cordel como um conjunto de autores, obras e publico. O poeta cordelista, na maioria das vezes de origem humilde e proveniente do meio rural, migrava para os grandes centros urbanos onde passava a tirar seu sustento da venda dos folhetos, chegando, algumas vezes, a funções de tipógrafo e editor. Neste contexto, ele se tornava verdadeiro mediador das concepções das classes populares nordestinas, já que compartilhava a mesma ideologia e valores de seu público.

Os folhetos, confeccionados em sua maioria no tamanho 15 a 17cm x 11cm e, em geral, impresso em papel de baixa qualidade, tinham suas capas ilustradas com xilogravuras na década de 20, em substituição as vinhetas. Já nos anos 30 a 50, surgiram as capas com fotos de estrelas de cinema americano. Atualmente ainda mantém o mesmo formato, porém são encontrados outros maiores. Quanto à impressão, substituído a tipografia do passado, hoje são usadas as fotocópias.

Os temas da Literatura de Cordel são muito estudados por folcloristas, sociólogos e antropólogos que chegam a apresentar conclusões polemicas e algumas vezes contraditórias quanto a sua classificação. Detalhes a parte, quanto a varias propostas, os folhetos se dividem entre os assuntos descritivos e os narrativos. È no primeiro grupo que estão incluídos os folhetos de conselhos, eras, corrupção, profecias e de discussão, que guardam um certo parentesco em si, por encerrem uma mensagem moralista freqüentemente ligada a uma ética e a uma sabedoria sertaneja.

Nesta área multiplica-se as histórias que trazem como pano de fundo a vida dura do campo cheia de sofrimentos, mais alheia aos desmartelos do mundo moderno e urbano. Também se encaixam nos folhetos descritivos as pelejas entre cantadores e poetas, as personalidades da cidade e da política (muitas vezes encomendadas pelos próprios políticos em época de eleição), os temas de louvação ou critica, os religiosos contando preconceitos e virtudes católicas, as biografias ou milagres dos santos e de figuras como Padre Cícero e Frei Damião. Há ainda os de gracejos de acontecimentos reais e imaginários, de bravura e valentia como os feitos de Lampião, Antonio Silvino e Pedro Malasarte, entre outros que a literatura popular transformam bandidos em heróis.

As características gráficas e temáticas dos folhetos podem variar de acordo com o deslocamento da área de atuação do poeta que muitas vezes se depara com um publico de concepção e comportamento diferente do matuto nordestino.

Ao falar de literatura de cordel no nordeste não se pode esquecer de Antonio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, referencia no município em que nasceu. Analfabeto “sem saber as letras onde mora”, como diz num de seus poemas, sua projeção em todo Brasil se iniciou na década de 50, a partir da regravação de “Triste Partida”, toada de repente gravada por Luis Gonzaga (ver anexo).

Sua imaginação poética serviu vassala a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir às condições climáticas e políticas desfavoráveis. A esse fato se refere à estrofe da música Cabra da Peste.

“Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que alinda cabocla
De riso na boca zomba no sofrê
Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome, pergunto: que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.”

Dentre os grandes nomes da xilogravura nordestina não se pode deixar de falar em um gênio que é o DILA- José Soares da Silva, residi em Caruaru-PE, onde estalou uma rústica oficina gráfica para imprimir os seus folhetos. É um dos mais respeitados xilogravura do nordeste brasileiro, trabalhando com sua arte com lâmina de barbear em pedaços de madeiras em pedaços de madeiras umburana. No qual fabrica capa de cordéis ate rótulos de garrafas de aguardente e outros produtos. É um dos poucos que, alem da madeira, utiliza a borracha para talhar as xilogravuras, alem de seu local de trabalho, transformou –se num ponto de atração turística.

3 – ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÕES

A aprendizagem, trata-se de um processo, pelo qual o aluno se apropria das experiências de ensino do cotidiano, o qual analisa para futuramente explorá-la no meio em que vive. Nesse intere de relação existente entre professor e aluno, vem-nos a pergunta, qual seria a melhor maneira de se aprender Literatura, quando os alunos de hoje têm a leitura como uma “tortura”?

Na verdade, percebe-se que o professor, bem como a Escola devem estar aptos a captarem a melhor forma de ensinar, se responsabilizando na melhoria da qualidade da educação, conforme bem asseverou Paulo Freire, 1985:77, “Queremos ter uma escola viva , em que se viva a cidadania e não uma escola onde um dia se sonhe em ser cidadão. A infância já cidadã, é ser vivo já, é ser social já”.

A arte, trata-se da melhor forma de chamar à atenção do aluno, pois propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que se caracteriza em um eu particular de cada aluno. A questão do ensino da leitura literária, envolve um exercício de reconhecimento, fazendo estarem presentes na escola em relação aos textos literários.

Daí surge a Literatura de Cordel, como meio incentivador para o ensino de literatura. Na verdade, essa Literatura bastante desconhecida aqui mesmo na região nordestina, onde dela se extrai um grande número de cordelistas, percebe-se que as escolas não trabalham esse tipo de literatura, que é bastante excluída nas salas de aula, bem como nos livros didáticos.

Ora, a literatura de cordel, trata-se de um veículo de fabuloso fomento à identidade regional, foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste. Hoje, sem muita importância, é pouco desenvolvida por alunos em salas de aula, os quais poucos a conhecem.

Destacando o texto de José Romero Araújo Cardoso, ao tratar dessa literatura bastante desconhecida em seu artigo “A Importância do Cordel na Sala de Sula”, o qual destaca iniciativas como a de Arievaldo Viana, através do projeto intitulado “Acorda Cordel na Sala de Aula”, ressalta a importância de se estudar o cordel em sala, ou seja, como forma de incentivo no ensino da literatura.

Romero destaca as atividades desenvolvidas por Arielvado, onde o mesmo desenvolve sua verve extraordinária alertando sobre a necessidade de primar por normas ortográficas e gramaticais corretas, tendo em vista que o cordel, quando usado para alfabetização, principalmente de jovens e adultos, os quais já por estarem com uma idade já considerada avançada em se alfabetizarem o cordel entra nesse cenário como a melhor maneira que Arievaldo Viana encontrou para a alfabetização de jovens e adultos.

Romero ressalta, ainda, em seu artigo a influência do cordel na vida de Arievaldo, o qual desde a infância, quando se verificou o contato do mesmo com grandes nomes das bravuras e feitos épicos narrados primorosamente em folhetos de diversos mestres do passado. Destaca, ainda, que o Cordel tinha decisiva importância na formação do povo nordestino em razão que o advento do rádio e da televisão era pouco enfático.

De acordo com Arievaldo Viana, a escola exclui o cordel da sala, mostrando outro tipo de literatura difícil para quem está acabando de aprender a ler e escrever:

As pessoas acabam de aprender a ler, e a escola oferece logo livros do Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Drumond e outros autores. São excelentes escritores e poetas, mas o texto deles, para quem acabou de começar a ler, é muito denso e difícil de entender. Por isso, eu acredito que seja necessário que as escolas de ensino fundamental utilizem, nas bibliotecas, os folhetos de cordéis porque são textos simples e mais agradáveis para quem acaba de começar a ler e se familiarizar com a escrita.

(Diário do Nordeste)

Conforme o que acredita Arievaldo Viana, os versos em cordel são mais fáceis de serem memorizados, devido à rima agradável. Por isso, além de promover a leitura, o trabalho educativo com os cordéis se estende para outros tipos de conhecimento.

Arievaldo se destaca por apresentar um célebre projeto dos cordéis em sala de aula, o qual existe há mais de cinco anos e foi pioneiro na cidade de Canindé, depois alguns municípios de outros estados do Brasil, os quais aderiram ao projeto de Arievaldo e já o estão desenvolvendo.

Outro projeto, bastante discutido foi o que aconteceu na zona rural da cidade de São Gonçalo do Amarante/Ce, com a professora Francisca das Chagas, da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, intitulado “Rimas que encantam”, discutido por Denise Pellegrini, a qual ensinou seus alunos a utilizar o conhecimento regional (cordel) para melhorar a leitura e escrita, cabendo frisar que a referida professora com esse trabalho que fez em sala foi merecedora do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita.

Conforme Francisca das Chagas relatou, o projeto teve como objetivo maior a informação, onde se pesquisaram vários autores de cordéis, a definição, alguns poemas, dentre os quais se destacou Patativa do Assaré, donde os alunos recitaram e copiaram alguns poemas dele.

Ainda em relação, ao Projeto da professora Francisca das Chagas, conforme Denise Pellegrini ressaltou a professora referida de inicio estava um pouco apreensiva, porém com o desenrolar do projeto, percebia-se o interesse dos alunos pelo Cordel.

Ao analisar, o artigo “Cordel para iniciantes. E iniciados” de Joana Lira, a mesma relata os trabalhos apresentados pelas professoras Sandra Lúcia de Souza Menezes e Margaret Mota de Lima, do Instituto Educacional O Canarinho, de Fortaleza, as quais utilizaram do Cordel como meio incentivador para o aprendizado do aluno, as quais destacaram que a Literatura de Cordel foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste e que com o tempo foi perdendo a importância e hoje, muitos estudantes desconhecem esse tipo de literatura.

Percebe-se que um professor ao utilizar da literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar, preconceitos da arte literária, mostrando aos alunos que a língua popular muitas vezes é ridicularizada, porque o povo é discriminado, irá fazer com que os alunos descubram a rega gramatical desses versos, trabalhando assim a literatura e a linguagem, fazendo com que os mesmos redescubram um linguagem rica em rimas e versos, desmoronando assim o pensamento de que certo é só o que está na mídia.

Pois bem. É necessário partir da idéia básica de que o Cordel em si, trata-se de um texto literário de suma potencial de produzir, o qual não se origina obrigatoriamente de uma necessidade prática – não constitui uma resposta a uma solicitação imediata e, por isso mesmo, se constitui num exercício de liberdade lingüística como nenhum outro uso que se consegue ser.

Assim, à Escola, em geral, e ao Ensino Médio, em particular, devem injetar a Literatura de Cordel no ensino de Literatura, porque só assim o aluno conseguirá perceber e exercitar as possibilidades mais remotas e imprevistas a que a sua Língua pode remeter.

Na verdade, percebe-se que o que fora discutido acima, trata-se de opiniões que foram ratificadas por pessoas que estudaram a fundo o tema, verifica-se, que as escolas de hoje, estão querendo se adaptarem ao novo estilo de ensinar, compreendendo os valores e etnias dessa geração e quais são os meios que se prendam à atenção dela. Sabe-se, ainda que há muito a melhorar, mas os erros, as perspectivas foram apresentadas, como aqui mesmo fora estudado, e corroborado por diversos projetos que injetaram o cordel no ensino de literatura.

4 -CONCLUSÃO

Ao terminar este trabalho, vi e entendi como a Literatura de Cordel, enquanto veículo do imaginário popular, refaz os caminhos enviesados do olhar matuto, reconstitui a maneira do sertanejo reagir ao mundo e, mais do que isso, deixa pistas do sistema complexo sobre o qual se edifica seu sentimento de contestação.

Manifestação artística viva em sintonia estreita com visão popular, a Literatura de Cordel oferece aos pesquisadores um espaço sempre aberto de reflexão sobre uma maneira peculiar, por vezes contraditória, mas não menos preciosa, de se pensar o mundo e de afirmar a identidade, traçando caminhos de subversão e de liberdade, protesto, convertendo o espaço poético numa arena de luta.

É que o povo sofrido, alimentado por sentimentos de inferioridade, constrói suas próprias maneira de dar sentido a uma existência sofrida e de recuperar um pouco da dignidade ofendida, e de negação da realidade na qual o povo se vinga do opressor, a Literatura de Cordel se oferece para a Literatura de uma forma geral como veiculo da revolta artística elaborada, dando à ficção a potencialidade da luta e da subversão.

5 – REFERENCIAL TEORICO

ABAURRE, Maria Luiza M; PONTARA, Marcela, Literatura Brasileira: tempos leitores e leituras, volume único, São Paulo, editora moderna, 2005.

ABAURRE, Maria Luiz e PONTORA, Marcela. Literatura Brasileira, tempos leitores e leituras. Ed. Moderna. Ensino Médio

ABLC – Academia Brasileira de Cordel . Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, Literatura Brasileira, Literatura popular, Duelo de Repentistas

CORDEL,Literatura de. Disponível em: www.guiape.com.br/culturais/literatura de cordel.html.

Diário do Nordeste – caderno 3

DUARTE, Marcelo. O Guia dos Curiosos., língua Portuguiesa. São Paulo. Pand 12003.

FERREIRA, Mauro. Entre palavras, nova edição/ 2.edição – São Paulo:

Editora FTD ,2006.(coleção entres palavras)

FREIRE, Paulo, Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 77p.

GERIN, Júlia; PORTO, Márcia Flamia; NASCIMENTO, Rubi Rachel.

Volume integrado, 1; 5ºe 6º séries Língua portuguesa ; Educação Jovens e Adultos, Curitiba: Editora Educarte,2006

LIRA, Joana. Cordel para iniciantes. E iniciados. Mundo Jovem numero 335 abril 2003.

NICOLAS, José de. Literatura brasileira das origens aos nossos dias; 15ª edição, São Paulo, editora Scipione, 1969.

BARSA, Enciclopédia. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA.